A ampliação da lista de exceções do USTR trouxe nesta semana uma notícia especialmente relevante para dois dos segmentos mais dinâmicos do agronegócio nordestino: mel e pescados brasileiros estão isentos da tarifa de 25% que entra em vigor nos EUA na próxima quarta-feira (22 de julho). Consequentemente, o mel do Cariri — com Santana do Cariri como maior produtor municipal do Brasil em 2023 (quase 1,2 milhão de quilos) e o Ceará na 5ª posição do ranking nacional com crescimento de 241% entre 2017 e 2024 —, e o camarão cultivado cearense — do qual o Ceará é líder nacional com cerca de 110 mil toneladas por ano — acessam o mercado americano sem o custo adicional da sobretaxa.
Nesse sentido, o governo norte-americano justificou a inclusão de mel e pescados na lista de isenções com base na insuficiência da produção doméstica americana e nos possíveis impactos que a tributação causaria em cadeias industriais consideradas estratégicas para o país — ou seja, os EUA precisam desses produtos e não têm como produzi-los em volume suficiente domesticamente.
A oportunidade para o mel do Cariri — além da Europa
O foco atual do Programa Exporta Mais Brasil do Sebrae/CE é o mercado europeu — onde o mel de abelhas nativas da Caatinga, especialmente o mel de tiúba e jandaíra, tem diferenciação máxima pela origem exótica, pela produção sem uso de agrotóxicos e pela identidade da Caatinga. Consequentemente, a isenção americana não muda essa estratégia, mas abre um mercado adicional que pode absorver volumes crescentes à medida que os produtores do Cariri ampliam sua capacidade produtiva.
Nesse sentido, o mercado americano de mel tem características diferentes do europeu: é maior em volume, mas exige certificações sanitárias específicas do FDA (Food and Drug Administration) e rastreabilidade que muitos produtores artesanais ainda não têm. O caminho para acessá-lo passa pelas mesmas certificações que o Sebrae/CE já está ajudando a construir para o mercado europeu — tornando a expansão para os EUA um passo natural para quem já tiver a estrutura de exportação montada para a Europa.
A oportunidade para a carcinicultura cearense
Para a carcinicultura cearense, a isenção dos pescados da tarifa americana é uma confirmação estratégica: os EUA dependem de camarão importado e não têm como produzir internamente o volume que consomem. Consequentemente, o camarão brasileiro — conhecido pela qualidade, rastreabilidade crescente e pelos sistemas de produção certificados que proliferaram nos últimos ciclos — tem condições de ampliar presença no mercado americano sem o handicap tarifário que pesaria sobre concorrentes não isentos.
Nesse sentido, a janela aberta pela isenção pode ser o catalisador que faltava para que cooperativas e empresas de camarão cearenses acelerem as certificações sanitárias necessárias para acessar os EUA em escala. O Ceará, como líder nacional na carcinicultura, tem volume e qualidade para competir — o que falta é a estrutura de exportação direta que elimine os intermediários e capture o valor adicional de um mercado premium como o americano.
O que muda na prática para o produtor
- Apicultores do Cariri: contatar o Sebrae/CE sobre as certificações necessárias para exportar mel para os EUA (FDA) — as mesmas que estão sendo trabalhadas para o mercado europeu
- Carcinicultores cearenses: verificar com as entidades de classe (Abcc, Sindcarce) as certificações sanitárias necessárias para exportação direta de camarão para os EUA
- Cooperativas apícolas: avaliar a expansão do mercado-alvo para incluir os EUA, aproveitando a isenção tarifária e o diferencial do mel de abelhas nativas da Caatinga
- Exportadores de pescados: confirmar junto ao USTR que o produto específico está na lista de isenções — ‘pescados’ pode ter subclassificações com tratamento diferente
- Acompanhar o Portal AgroMais para atualização sobre os impactos da tarifa americana para a pauta exportadora nordestina
Próximos passos
O Portal AgroMais acompanha o impacto das tarifas americanas para a cadeia do mel e da carcinicultura cearense.
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