Soja sobe quase 5% na 1ª quinzena de julho e boi gordo acumula 11,5% em dólares no ano

O Farmnews consolidou nesta sexta-feira (17) o balanço de preços das principais commodities brasileiras na primeira quinzena de julho, com dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) que revelam um quadro mais favorável do que o noticiário de curto prazo sugere. A soja (Cepea, Paranaguá-PR) foi o destaque positivo: subiu quase 5% em relação ao valor que encerrou junho — o maior ganho quinzenal entre as commodities acompanhadas. Consequentemente, o milho também registrou alta na quinzena, mesmo com a pressão de oferta da colheita safrinha avançando no Mato Grosso, o que representa um sinal de que a demanda doméstica por ração ainda sustenta os preços apesar do volume crescente.

Nesse sentido, o boi gordo (Cepea) fechou a primeira metade de julho cotado a R$ 329,20 por arroba — valor 2,1% abaixo do encerramento de junho (R$ 336,40), confirmando a pressão de julho sobre a pecuária de corte, mas ainda 3,1% acima do último preço registrado em 2025 (R$ 319,20). O bezerro, por sua vez, permaneceu mais estável, cotado a R$ 3.379,40 por cabeça, apenas 0,2% abaixo do fechamento de junho.

Em dólares, o quadro é ainda mais favorável — e revela a competitividade real do agro brasileiro

A análise em dólares — que elimina o efeito do câmbio e mostra a competitividade real das exportações brasileiras no mercado global — revela um quadro ainda mais positivo. Consequentemente, o boi gordo acumula alta de 11,5% em dólares em 2026 frente ao encerramento de 2025, o bezerro subiu 19,1% no mesmo período, e a soja acumula alta de 7,3% em dólares na parcial de 2026 até a primeira quinzena de julho.

Nesse sentido, o câmbio é o fator que modera esse desempenho na perspectiva do exportador: o valor médio parcial de julho de 2026 foi de R$ 5,14 por dólar — 7% menor que o de julho de 2025 (R$ 5,53). Isso significa que, embora os preços em dólares das commodities brasileiras estejam subindo, o exportador recebe menos reais por cada dólar de venda do que recebia no ano passado. Para o produtor que vende no mercado interno, esse câmbio mais baixo reduz parcialmente o benefício da alta das commodities em dólares — mas para quem tem dívidas em reais e custos em reais, a equação ainda é favorável.

O que os dados da quinzena significam para as decisões da próxima semana

Para o produtor de soja com estoque remanescente da safra 2025/26, a alta de quase 5% em Paranaguá na primeira quinzena de julho é um dado concreto de que a janela de comercialização desta semana foi mais favorável do que a de junho. Consequentemente, a questão para a próxima semana é se essa alta tem sustentação: a tarifa americana que entra em vigor em 22 de julho pode criar volatilidade adicional no câmbio — tanto favorável (câmbio mais alto amplia o retorno em reais) quanto desfavorável (se a tensão comercial reduzir o apetite por commodities brasileiras).

Nesse sentido, para o pecuarista nordestino, o dado mais relevante do balanço quinzenal é a combinação entre boi gordo 3,1% acima do fim de 2025 e bezerro 10,2% acima no mesmo período. Essa divergência — o bezerro subindo mais do que o boi gordo — é exatamente a dinâmica que produziu a relação de troca mais desfavorável dos últimos 11 anos em julho, e que persiste como obstáculo para quem pensa em ampliar o rebanho via compra de reposição. O sinal positivo é que o boi gordo está encontrando compradores em torno de R$ 329/@ — o que confirma a formação do piso que analistas vinham projetando.

O que muda na prática para o produtor

  • Produtores de soja: comparar o retorno atual de Paranaguá (+5% na quinzena) com o custo de carrego acumulado para calibrar a decisão de vender ou aguardar
  • Pecuaristas: o boi gordo a R$ 329/@ com piso se formando é uma referência mais estável do que o noticiário de pressão sugere — monitorar o custo de manutenção vs o ganho de aguardar setembro
  • Exportadores: usar a análise em dólares do Farmnews/Cepea como referência de competitividade real das commodities brasileiras no mercado global
  • Produtores de milho: a alta do cereal na quinzena, apesar da colheita safrinha avançando, sugere que a demanda por ração ainda sustenta preços — acompanhar evolução nas próximas semanas
  • Acompanhar o impacto da tarifa americana (a partir de 22/07) sobre o câmbio como fator que pode ampliar ou reduzir o retorno em reais das commodities

Próximos passos

O Portal AgroMais acompanha semanalmente as cotações das commodities brasileiras com base nos dados do Cepea/Esalq e Farmnews.

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Jakeline Diógenes
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