Enquanto a tarifa americana de 25% preocupa setores como açúcar e madeira, o agronegócio nordestino tem razões concretas para encarar a nova realidade comercial com menos pessimismo do que o noticiário geral sugere. Consequentemente, três dos setores mais dinâmicos do Ceará e do Nordeste saem da semana em posição favorável: o mel (isento da tarifa), o camarão (isento como pescado) e o leite — que não tem os EUA como destino de exportação e segue protegido da disputa comercial enquanto constrói sua identidade de produto com IG e diferenciação. Nesse sentido, a pergunta que o Portal AgroMais coloca nesta sexta-feira não é ‘o que a tarifa vai prejudicar?’ — mas ‘como o produtor nordestino pode capitalizar sobre as vantagens que tem neste novo cenário?’ Mel do Cariri — da isenção americana ao caminho para o mercado premium Com Santana do Cariri como maior produtor municipal de mel do Brasil em 2023, o Ceará como 5º no ranking nacional e crescimento de 241% entre 2017 e 2024, a isenção do mel da tarifa americana é o tipo de abertura que o setor precisava para considerar a diversificação de destinos além da Europa. Consequentemente, o Programa Exporta Mais Brasil do Sebrae/CE já está trabalhando as certificações necessárias para o mercado europeu — e as mesmas certificações (rastreabilidade, controle de resíduos, identidade de origem) são relevantes para o FDA americano. Nesse sentido, o próximo passo para os apicultores do Cariri é usar o momento de visibilidade gerada pela isenção americana para avançar nas certificações com apoio do Sebrae/CE, da Fecap (Federação Cearense de Apicultores) e das cooperativas locais. O projeto Centercop, que prevê uma central de cooperativas em Maracanaú para organizar a exportação direta, é exatamente o tipo de infraestrutura que transformaria a isenção americana de oportunidade teórica em receita real para os apicultores. Camarão e leite nordestino — os próximos passos para capitalizar Para a carcinicultura cearense — líder nacional com 110 mil toneladas por ano —, a isenção dos pescados abre a porta americana sem o custo adicional de 25%. Mas acessar o mercado americano de camarão exige certificações do FDA e padrões de rastreabilidade que muitas empresas cearenses ainda estão desenvolvendo. Consequentemente, o caminho mais rápido é a articulação entre as grandes empresas já exportadoras (que têm certificação) e as cooperativas menores que têm volume mas não têm estrutura de exportação direta — um modelo que pode ampliar o alcance do setor no mercado americano sem exigir que cada produtor individual faça o investimento em certificação sozinho. Nesse sentido, para o Nordeste leiteiro — que a análise do Notícias Agrícolas desta semana posicionou como ‘de improvável a potência’ —, o leite e o queijo nordestino têm nos mercados regionais e nacional o destino prioritário, o que os protege naturalmente da volatilidade das disputas comerciais com os EUA. A estratégia do queijo coalho de Jaguaribe, com IG em processo no INPI e Lei Estadual de reconhecimento, é o modelo que o Nordeste leiteiro deve seguir: identidade territorial, proteção jurídica e diferenciação de produto como antídoto para a commoditização. O que muda na prática para o produtor Próximos passos O Portal AgroMais acompanha as oportunidades de exportação para o mel, camarão e produtos diferenciados do Nordeste no novo cenário tarifário. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias.👉 www.portalagromais.com.br
Expocrato 2026 encerra amanhã com marcos históricos e meta de superar R$ 150 mi em negócios
A 82ª Expocrato encerra amanhã (18 de julho) no Parque de Exposições Pedro Felício Cavalcante, em Crato, depois de oito dias que marcaram a história do agronegócio cearense. A edição 2026 confirmou e superou as expectativas que a chegaram com: R$ 150 milhões em negócios projetados, mais de 5 mil animais de sete estados, 200 expositores, quatro leilões e uma programação técnica que posicionou o evento como o maior centro de transferência de conhecimento agropecuário do interior do Nordeste. Consequentemente, os organizadores mantêm a expectativa de superar a meta, com os leilões finais desta sexta-feira e os encerramento de amanhã ainda por compor o resultado total. Nesse sentido, o Portal AgroMais documentou ao longo da semana os marcos históricos desta edição: a primeira exposição ranqueada do Nelore no Ceará pela ABCZ, com a Grande Campeã Melodia FIV Giber (HDR Agronegócios LTDA, Fazenda Haras Dona Rosa) e o Grande Campeão Fértil FIV Imbiribeira (Luíz Jatobá Filho, Fazenda Imbiribeira); a 4ª Super Copa HCG com 25 lotes de Saanen leiloados diretamente da pista; a Copa HCG Santa Inês; a ExpoFísio com 300 crianças e 600 participantes; e os quatro leilões com genética de elite nordestina. O que a Expocrato 2026 revelou sobre o agronegócio do Cariri Para além dos números, a Expocrato 2026 revelou ao Portal AgroMais uma realidade que os dados do IBGE confirmam mas os noticiários frequentemente subestimam: o Cariri cearense é um dos centros mais dinâmicos do agronegócio nordestino, com vocações produtivas que vão muito além da pecuária extensiva tradicional. Consequentemente, o algodão com custo de 1/3 do Cerrado desenvolvido pela Embrapa de Barbalha, o mel de Santana do Cariri que lidera o ranking nacional, a banana de Missão Velha que abastece supermercados de todo o Brasil, o trigo adaptado ao semiárido testado desde 2024 e a caprinocultura leiteira com Saanen que a Super Copa HCG celebra são capítulos de uma história de transformação que raramente recebe o destaque que merece. Nesse sentido, a Expocrato é onde essa transformação ganha visibilidade: quando a ABCZ reconhece o Ceará como sede de exposição ranqueada do Nelore, quando a Copa HCG atrai os melhores plantéis de Saanen do Nordeste, e quando o BNB opera mesa de financiamentos com as condições do Plano Safra 2026/27 ao lado dos estandes de máquinas e da Arena Tec com palestras da Embrapa — é porque o campo cearense chegou a um patamar de maturidade produtiva que merece ser celebrado e amplificado. O legado da Expocrato 2026 para além do encerramento de amanhã O encerramento de amanhã (18) não marca o fim da Expocrato como tema editorial para o Portal AgroMais. Consequentemente, os resultados dos leilões, os animais campeões de todas as categorias, os volumes de negócios fechados e os compromissos de crédito firmados com o BNB serão documentados e publicados na semana que começa na segunda-feira — compondo o balanço completo da maior feira agropecuária do Norte e Nordeste em sua 82ª edição. Nesse sentido, a Expocrato 2026 deixa como legado mais importante não os números em si, mas a prova de que o produtor nordestino que investe em genética, tecnologia, crédito e conhecimento técnico encontra um ecossistema de suporte crescente — da Embrapa de Barbalha ao BNB, da ABCZ à Faec, da DC Assessoria ao Sebrae/CE. O campo cearense nunca esteve tão bem apoiado. O que ainda falta é que mais produtores cheguem a esse ecossistema e aproveitem as ferramentas que ele oferece. O que muda na prática para o produtor Próximos passos O Portal AgroMais publica o balanço completo da Expocrato 2026 na semana de 20 de julho. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
Açúcar e arroz brasileiro na lista de tarifados pelos EUA — impacto para o usineiro nordestino
Enquanto mel e pescados foram isentados, o açúcar e o arroz brasileiro estão na lista de produtos sujeitos à tarifa de 25% que os EUA aplicarão a partir de 22 de julho. Consequentemente, para o açúcar — em que o Brasil responde por aproximadamente 40% das exportações mundiais —, a sobretaxa americana representa um custo adicional relevante para os exportadores que têm os EUA como destino, num mercado que já opera com oferta global mais apertada pela combinação do E32 (que desvia cana para etanol) e pelas incertezas climáticas em Índia, Tailândia e Europa. Nesse sentido, o açúcar orgânico — que tem crescimento de exportação para nichos premium nos EUA — pode ser o segmento mais afetado no curto prazo, já que esse nicho depende da diferenciação de preço para justificar o custo logístico da exportação. Se a tarifa de 25% for integralmente repassada ao importador americano, o produto brasileiro perde competitividade frente a concorrentes de países não tarifados. O impacto sobre o usineiro nordestino e sua posição de menor exposição Para o usineiro nordestino — que historicamente tem maior orientação para o etanol anidro do que para o açúcar exportado —, o impacto da tarifa americana sobre o açúcar é menor do que sobre os grandes complexos sucroenergéticos do Centro-Sul do Brasil, que têm maior dependência do mercado americano como destino de exportação. Consequentemente, Alagoas, que lidera a produção nordestina de etanol anidro e tem no E32 um vetor estrutural de demanda crescente, está relativamente isolada do impacto da tarifa americana no açúcar. Nesse sentido, para os usineiros nordestinos que exportam açúcar — especialmente para nichos premium como orgânico e açúcar mascavo —, a estratégia mais adequada é avaliar a diversificação de destinos: a União Europeia, no âmbito do Acordo Mercosul-UE em ratificação, representa um mercado de 720 milhões de consumidores com redução gradual de tarifas; o Oriente Médio e a Ásia são mercados alternativos que não estão sujeitos às tarifas americanas. O arroz brasileiro e a dependência do mercado americano O arroz brasileiro na lista de tarifados é uma surpresa menor: os EUA não são o principal destino do arroz brasileiro, e o produto americano tem proteções tarifárias históricas que já dificultavam a competitividade brasileira no mercado local. Consequentemente, o impacto da nova tarifa sobre as exportações de arroz para os EUA é incremental sobre uma base já limitada — o que não significa ausência de impacto, mas sugere que a relevância para os produtores de arroz nordestinos é menor do que para outros setores. Nesse sentido, a análise da Amcham Brasil citada pelo Agro World alerta para um risco sistêmico mais amplo: em setores nos quais o exportador brasileiro é tomador de preço e não consegue repassar a tarifa ao importador americano, a sobretaxa comprime margens — e, num segundo momento, pode forçar a redução de volume exportado para os EUA. A recomendação para qualquer produtor com exportações para os EUA é mapear com precisão a elasticidade de demanda do comprador americano antes de assumir que a tarifa pode ser repassada. O que muda na prática para o produtor Próximos passos O Portal AgroMais acompanha o impacto da tarifa americana sobre a cadeia sucroenergética brasileira e nordestina. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
Mel e pescados brasileiros isentos da tarifa americana — oportunidade para o Nordeste
A ampliação da lista de exceções do USTR trouxe nesta semana uma notícia especialmente relevante para dois dos segmentos mais dinâmicos do agronegócio nordestino: mel e pescados brasileiros estão isentos da tarifa de 25% que entra em vigor nos EUA na próxima quarta-feira (22 de julho). Consequentemente, o mel do Cariri — com Santana do Cariri como maior produtor municipal do Brasil em 2023 (quase 1,2 milhão de quilos) e o Ceará na 5ª posição do ranking nacional com crescimento de 241% entre 2017 e 2024 —, e o camarão cultivado cearense — do qual o Ceará é líder nacional com cerca de 110 mil toneladas por ano — acessam o mercado americano sem o custo adicional da sobretaxa. Nesse sentido, o governo norte-americano justificou a inclusão de mel e pescados na lista de isenções com base na insuficiência da produção doméstica americana e nos possíveis impactos que a tributação causaria em cadeias industriais consideradas estratégicas para o país — ou seja, os EUA precisam desses produtos e não têm como produzi-los em volume suficiente domesticamente. A oportunidade para o mel do Cariri — além da Europa O foco atual do Programa Exporta Mais Brasil do Sebrae/CE é o mercado europeu — onde o mel de abelhas nativas da Caatinga, especialmente o mel de tiúba e jandaíra, tem diferenciação máxima pela origem exótica, pela produção sem uso de agrotóxicos e pela identidade da Caatinga. Consequentemente, a isenção americana não muda essa estratégia, mas abre um mercado adicional que pode absorver volumes crescentes à medida que os produtores do Cariri ampliam sua capacidade produtiva. Nesse sentido, o mercado americano de mel tem características diferentes do europeu: é maior em volume, mas exige certificações sanitárias específicas do FDA (Food and Drug Administration) e rastreabilidade que muitos produtores artesanais ainda não têm. O caminho para acessá-lo passa pelas mesmas certificações que o Sebrae/CE já está ajudando a construir para o mercado europeu — tornando a expansão para os EUA um passo natural para quem já tiver a estrutura de exportação montada para a Europa. A oportunidade para a carcinicultura cearense Para a carcinicultura cearense, a isenção dos pescados da tarifa americana é uma confirmação estratégica: os EUA dependem de camarão importado e não têm como produzir internamente o volume que consomem. Consequentemente, o camarão brasileiro — conhecido pela qualidade, rastreabilidade crescente e pelos sistemas de produção certificados que proliferaram nos últimos ciclos — tem condições de ampliar presença no mercado americano sem o handicap tarifário que pesaria sobre concorrentes não isentos. Nesse sentido, a janela aberta pela isenção pode ser o catalisador que faltava para que cooperativas e empresas de camarão cearenses acelerem as certificações sanitárias necessárias para acessar os EUA em escala. O Ceará, como líder nacional na carcinicultura, tem volume e qualidade para competir — o que falta é a estrutura de exportação direta que elimine os intermediários e capture o valor adicional de um mercado premium como o americano. O que muda na prática para o produtor Próximos passos O Portal AgroMais acompanha o impacto das tarifas americanas para a cadeia do mel e da carcinicultura cearense. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
Agronegócio enfrenta El Niño, tarifas e juros no 2º semestre — planejamento urgente para 2026/27
A análise publicada pelo Seu Dinheiro nesta sexta-feira resume com precisão o ambiente que o agronegócio brasileiro enfrenta no segundo semestre de 2026: ‘Secas, queimadas e enchentes danificaram campos e comprometeram safras. Os juros altos encarecem a dívida das companhias, ao mesmo tempo em que o preço das commodities está em baixa no mercado internacional.’ Consequentemente, a confluência de El Niño histórico, tarifas americanas, pressão de insumos e câmbio em patamar mais baixo do que 2025 cria um ambiente de margens mais apertadas para o produtor brasileiro no segundo semestre — tornando o planejamento financeiro e climático da safra 2026/27 mais crítico do que em qualquer ciclo recente. Nesse sentido, para o produtor nordestino em particular, o segundo semestre de 2026 é especialmente exigente: o INMET confirmou déficit hídrico entre julho e setembro, a NOAA projeta anomalias de +3°C a +4°C no Pacífico com pico do El Niño no quarto trimestre, e a tarifa americana entra em vigor na quarta-feira (22), criando volatilidade cambial adicional. A boa notícia é que o produtor nordestino que agir agora tem ferramentas concretas disponíveis — e o Portal AgroMais documenta cada uma delas. Os três pilares do planejamento que fazem diferença no 2º semestre O primeiro pilar é o crédito: o Plano Safra 2026/27, com R$ 1,6 bilhão destinados ao Ceará e taxas históricas de 1% a 8,5% ao ano, ainda está integralmente disponível. Consequentemente, o produtor que contratar agora — irrigação a 8% ao ano, recuperação de pastagens a 8,5%, sociobiodiversidade a 1% — garante as melhores condições de crédito do ciclo antes que o Zarc comece a restringir as janelas de plantio por região. Nesse sentido, o segundo pilar é a gestão de insumos: o produtor que ainda não comprou fertilizantes para a safra 2026/27 precisa agir antes que o câmbio incorpore a disputa comercial EUA-Brasil. A ferramenta de transparência de preços de insumos, os bioinsumos com FBN (R$ 8/ha vs R$ 906/ha de adubação convencional) e a diversificação de fornecedores são as estratégias mais acessíveis. O terceiro pilar é a gestão climática e sanitária do rebanho: com o El Niño projetando seca severa para o quarto trimestre, o produtor que antecipar o estoque de forragem, a vermifugação e a vacinação agora chegará ao pico do fenômeno em posição radicalmente melhor do que quem reagir quando a seca já estiver instalada. A mensagem final da semana que encerra: agir agora, não depois A semana que encerra nesta sexta-feira (17) foi uma das mais densas em informações e eventos para o agronegócio nordestino no ano: Expocrato 2026 com marcos históricos, CNA quantificando o tarifaço americano, INMET confirmando o déficit hídrico, e a minuta da MP de dívidas rurais abrindo caminho para a renegociação. Consequentemente, a semana que começa na segunda-feira (20) exige ação em três frentes simultâneas: contratação de crédito do Plano Safra antes que o Zarc restrinja as janelas; compra antecipada de fertilizantes antes que o câmbio incorpore a disputa EUA-Brasil; e protocolo sanitário e nutricional do rebanho antes que o El Niño se intensifique. Nesse sentido, a mensagem do Portal AgroMais para o produtor nordestino ao final desta semana é clara: 2026 não é um ano de esperar para ver. É um ano em que cada semana de antecipação nas decisões de planejamento faz diferença concreta sobre a rentabilidade da propriedade. O produtor nordestino que entrar em agosto com crédito contratado, insumos comprados e rebanho preparado estará em posição radicalmente melhor do que quem deixar para setembro. O que muda na prática para o produtor Próximos passos O Portal AgroMais acompanha semanalmente as principais variáveis do planejamento da safra 2026/27 para o produtor nordestino. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
Soja sobe quase 5% na 1ª quinzena de julho e boi gordo acumula 11,5% em dólares no ano
O Farmnews consolidou nesta sexta-feira (17) o balanço de preços das principais commodities brasileiras na primeira quinzena de julho, com dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) que revelam um quadro mais favorável do que o noticiário de curto prazo sugere. A soja (Cepea, Paranaguá-PR) foi o destaque positivo: subiu quase 5% em relação ao valor que encerrou junho — o maior ganho quinzenal entre as commodities acompanhadas. Consequentemente, o milho também registrou alta na quinzena, mesmo com a pressão de oferta da colheita safrinha avançando no Mato Grosso, o que representa um sinal de que a demanda doméstica por ração ainda sustenta os preços apesar do volume crescente. Nesse sentido, o boi gordo (Cepea) fechou a primeira metade de julho cotado a R$ 329,20 por arroba — valor 2,1% abaixo do encerramento de junho (R$ 336,40), confirmando a pressão de julho sobre a pecuária de corte, mas ainda 3,1% acima do último preço registrado em 2025 (R$ 319,20). O bezerro, por sua vez, permaneceu mais estável, cotado a R$ 3.379,40 por cabeça, apenas 0,2% abaixo do fechamento de junho. Em dólares, o quadro é ainda mais favorável — e revela a competitividade real do agro brasileiro A análise em dólares — que elimina o efeito do câmbio e mostra a competitividade real das exportações brasileiras no mercado global — revela um quadro ainda mais positivo. Consequentemente, o boi gordo acumula alta de 11,5% em dólares em 2026 frente ao encerramento de 2025, o bezerro subiu 19,1% no mesmo período, e a soja acumula alta de 7,3% em dólares na parcial de 2026 até a primeira quinzena de julho. Nesse sentido, o câmbio é o fator que modera esse desempenho na perspectiva do exportador: o valor médio parcial de julho de 2026 foi de R$ 5,14 por dólar — 7% menor que o de julho de 2025 (R$ 5,53). Isso significa que, embora os preços em dólares das commodities brasileiras estejam subindo, o exportador recebe menos reais por cada dólar de venda do que recebia no ano passado. Para o produtor que vende no mercado interno, esse câmbio mais baixo reduz parcialmente o benefício da alta das commodities em dólares — mas para quem tem dívidas em reais e custos em reais, a equação ainda é favorável. O que os dados da quinzena significam para as decisões da próxima semana Para o produtor de soja com estoque remanescente da safra 2025/26, a alta de quase 5% em Paranaguá na primeira quinzena de julho é um dado concreto de que a janela de comercialização desta semana foi mais favorável do que a de junho. Consequentemente, a questão para a próxima semana é se essa alta tem sustentação: a tarifa americana que entra em vigor em 22 de julho pode criar volatilidade adicional no câmbio — tanto favorável (câmbio mais alto amplia o retorno em reais) quanto desfavorável (se a tensão comercial reduzir o apetite por commodities brasileiras). Nesse sentido, para o pecuarista nordestino, o dado mais relevante do balanço quinzenal é a combinação entre boi gordo 3,1% acima do fim de 2025 e bezerro 10,2% acima no mesmo período. Essa divergência — o bezerro subindo mais do que o boi gordo — é exatamente a dinâmica que produziu a relação de troca mais desfavorável dos últimos 11 anos em julho, e que persiste como obstáculo para quem pensa em ampliar o rebanho via compra de reposição. O sinal positivo é que o boi gordo está encontrando compradores em torno de R$ 329/@ — o que confirma a formação do piso que analistas vinham projetando. O que muda na prática para o produtor Próximos passos O Portal AgroMais acompanha semanalmente as cotações das commodities brasileiras com base nos dados do Cepea/Esalq e Farmnews. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
CNA: 36,5% das exportações do agro para EUA serão atingidas pela tarifa de 25%
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) divulgou nesta sexta-feira (17 de julho) a análise mais precisa até agora sobre o impacto real da tarifa de 25% que os EUA aplicarão sobre produtos brasileiros a partir de 22 de julho: 36,5% das exportações do agronegócio brasileiro para o mercado americano serão atingidas — o equivalente a aproximadamente US$ 4,6 bilhões dos US$ 11,4 bilhões exportados em 2025, segundo dados do Agrostat. Consequentemente, os 63,5% restantes ficam de fora da sobretaxa após a ampliação da lista de exceções pelo USTR, que adicionou 2.126 linhas tarifárias às isenções em relação à proposta apresentada em junho. Nesse sentido, a diretora de Relações Internacionais da CNA, Sueme Mori, afirmou que a entidade recebeu ‘com preocupação’ o resultado da investigação, mas reconheceu que a inclusão de produtos como pescados, mel e café solúvel na lista de isenções reduziu os impactos inicialmente previstos. ‘A ampliação das exceções reflete a dependência da indústria americana de determinados insumos brasileiros, a insuficiência da oferta doméstica e os possíveis impactos da medida sobre cadeias produtivas consideradas estratégicas para o país’, explicou a diretora. Os produtos atingidos e os isentos — o mapa completo para o agronegócio Na lista de produtos do agronegócio brasileiro que permaneceram sujeitos à tarifa de 25%, a CNA identificou itens como madeira, arroz, uva, ovos, açúcar e outros produtos agropecuários — respondendo pelos US$ 4,6 bilhões em vendas para os EUA em 2025 que serão sobretaxados. Consequentemente, os segmentos que ficaram de fora incluem o que mais importa para o Nordeste: pescados (beneficiando a carcinicultura cearense, líder nacional com 110 mil toneladas de camarão por ano), mel (beneficiando os apicultores do Cariri, que têm em Santana do Cariri o maior produtor municipal do Brasil em 2023), e carne bovina e café — os dois maiores itens da pauta exportadora do agro brasileiro para os EUA. Nesse sentido, a Amcham Brasil alertou que a decisão americana é negativa para a relação bilateral e pode afetar mais de US$ 11 bilhões em exportações industriais e do agronegócio. O alerta mais preocupante para o segundo semestre é a existência de uma segunda investigação americana — relacionada a trabalho forçado —, que pode aplicar tarifa adicional de até 12,5% sobre o Brasil. Se somada à atual de 25%, alguns produtos brasileiros enfrentariam até 37,5% de sobretaxa para entrar nos EUA — nível que tornaria economicamente inviável a exportação de boa parte dos produtos atingidos. O que o produtor nordestino deve fazer nos próximos dias Para o produtor nordestino, a semana que começa na segunda-feira (20) exige ações concretas em duas frentes. A primeira é verificar se o produto específico da propriedade está ou não na lista definitiva publicada no Federal Register dos EUA — uma verificação que os exportadores devem fazer junto aos seus parceiros comerciais e entidades de classe antes de 22 de julho. Consequentemente, quem exporta para os EUA produtos não isentos precisa avaliar se consegue repassar a tarifa ao importador americano, se tem margem para absorver parte do custo ou se é necessário redirecionar o volume para outros mercados. Nesse sentido, a segunda frente — igualmente urgente — é o câmbio: se a disputa comercial entre Washington e Brasília se aprofundar nas próximas semanas, o real pode enfraquecer adicionalmente, elevando o custo de fertilizantes e insumos importados em dólar. Para o produtor que ainda não comprou insumos para a safra 2026/27, a janela de ação desta semana é a mais importante das últimas: câmbio, geopolítica e tarifa convergem num momento em que o Plano Safra 2026/27 ainda oferece crédito barato para a compra de insumos. O que muda na prática para o produtor Próximos passos A tarifa de 25% dos EUA entra em vigor em 22 de julho. O Portal AgroMais acompanha os desdobramentos e o impacto real para o agronegócio nordestino. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias.👉 www.portalagromais.com.br