A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) divulgou nesta sexta-feira (17 de julho) a análise mais precisa até agora sobre o impacto real da tarifa de 25% que os EUA aplicarão sobre produtos brasileiros a partir de 22 de julho: 36,5% das exportações do agronegócio brasileiro para o mercado americano serão atingidas — o equivalente a aproximadamente US$ 4,6 bilhões dos US$ 11,4 bilhões exportados em 2025, segundo dados do Agrostat. Consequentemente, os 63,5% restantes ficam de fora da sobretaxa após a ampliação da lista de exceções pelo USTR, que adicionou 2.126 linhas tarifárias às isenções em relação à proposta apresentada em junho.
Nesse sentido, a diretora de Relações Internacionais da CNA, Sueme Mori, afirmou que a entidade recebeu ‘com preocupação’ o resultado da investigação, mas reconheceu que a inclusão de produtos como pescados, mel e café solúvel na lista de isenções reduziu os impactos inicialmente previstos. ‘A ampliação das exceções reflete a dependência da indústria americana de determinados insumos brasileiros, a insuficiência da oferta doméstica e os possíveis impactos da medida sobre cadeias produtivas consideradas estratégicas para o país’, explicou a diretora.
Os produtos atingidos e os isentos — o mapa completo para o agronegócio
Na lista de produtos do agronegócio brasileiro que permaneceram sujeitos à tarifa de 25%, a CNA identificou itens como madeira, arroz, uva, ovos, açúcar e outros produtos agropecuários — respondendo pelos US$ 4,6 bilhões em vendas para os EUA em 2025 que serão sobretaxados. Consequentemente, os segmentos que ficaram de fora incluem o que mais importa para o Nordeste: pescados (beneficiando a carcinicultura cearense, líder nacional com 110 mil toneladas de camarão por ano), mel (beneficiando os apicultores do Cariri, que têm em Santana do Cariri o maior produtor municipal do Brasil em 2023), e carne bovina e café — os dois maiores itens da pauta exportadora do agro brasileiro para os EUA.
Nesse sentido, a Amcham Brasil alertou que a decisão americana é negativa para a relação bilateral e pode afetar mais de US$ 11 bilhões em exportações industriais e do agronegócio. O alerta mais preocupante para o segundo semestre é a existência de uma segunda investigação americana — relacionada a trabalho forçado —, que pode aplicar tarifa adicional de até 12,5% sobre o Brasil. Se somada à atual de 25%, alguns produtos brasileiros enfrentariam até 37,5% de sobretaxa para entrar nos EUA — nível que tornaria economicamente inviável a exportação de boa parte dos produtos atingidos.
O que o produtor nordestino deve fazer nos próximos dias
Para o produtor nordestino, a semana que começa na segunda-feira (20) exige ações concretas em duas frentes. A primeira é verificar se o produto específico da propriedade está ou não na lista definitiva publicada no Federal Register dos EUA — uma verificação que os exportadores devem fazer junto aos seus parceiros comerciais e entidades de classe antes de 22 de julho. Consequentemente, quem exporta para os EUA produtos não isentos precisa avaliar se consegue repassar a tarifa ao importador americano, se tem margem para absorver parte do custo ou se é necessário redirecionar o volume para outros mercados.
Nesse sentido, a segunda frente — igualmente urgente — é o câmbio: se a disputa comercial entre Washington e Brasília se aprofundar nas próximas semanas, o real pode enfraquecer adicionalmente, elevando o custo de fertilizantes e insumos importados em dólar. Para o produtor que ainda não comprou insumos para a safra 2026/27, a janela de ação desta semana é a mais importante das últimas: câmbio, geopolítica e tarifa convergem num momento em que o Plano Safra 2026/27 ainda oferece crédito barato para a compra de insumos.
O que muda na prática para o produtor
- Exportadores para os EUA: verificar a lista definitiva do Federal Register antes de 22/07 para confirmar se o produto está ou não sujeito à tarifa de 25%
- Produtores de açúcar: avaliar se a tarifa inviabiliza as exportações para os EUA ou apenas comprime a margem — e explorar a diversificação de mercados (UE, Oriente Médio, Ásia)
- Produtores de mel e camarão nordestinos: aproveitar a isenção para avaliar a expansão do mercado americano com as certificações sanitárias adequadas
- Antecipar compras de fertilizantes para a safra 2026/27 antes que o câmbio incorpore a escalada da disputa comercial EUA-Brasil
- Acompanhar o andamento da segunda investigação americana (trabalho forçado) que pode adicionar mais 12,5% de tarifa sobre o Brasil
Próximos passos
A tarifa de 25% dos EUA entra em vigor em 22 de julho. O Portal AgroMais acompanha os desdobramentos e o impacto real para o agronegócio nordestino.
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