Açúcar e arroz brasileiro na lista de tarifados pelos EUA — impacto para o usineiro nordestino

Enquanto mel e pescados foram isentados, o açúcar e o arroz brasileiro estão na lista de produtos sujeitos à tarifa de 25% que os EUA aplicarão a partir de 22 de julho. Consequentemente, para o açúcar — em que o Brasil responde por aproximadamente 40% das exportações mundiais —, a sobretaxa americana representa um custo adicional relevante para os exportadores que têm os EUA como destino, num mercado que já opera com oferta global mais apertada pela combinação do E32 (que desvia cana para etanol) e pelas incertezas climáticas em Índia, Tailândia e Europa.

Nesse sentido, o açúcar orgânico — que tem crescimento de exportação para nichos premium nos EUA — pode ser o segmento mais afetado no curto prazo, já que esse nicho depende da diferenciação de preço para justificar o custo logístico da exportação. Se a tarifa de 25% for integralmente repassada ao importador americano, o produto brasileiro perde competitividade frente a concorrentes de países não tarifados.

O impacto sobre o usineiro nordestino e sua posição de menor exposição

Para o usineiro nordestino — que historicamente tem maior orientação para o etanol anidro do que para o açúcar exportado —, o impacto da tarifa americana sobre o açúcar é menor do que sobre os grandes complexos sucroenergéticos do Centro-Sul do Brasil, que têm maior dependência do mercado americano como destino de exportação. Consequentemente, Alagoas, que lidera a produção nordestina de etanol anidro e tem no E32 um vetor estrutural de demanda crescente, está relativamente isolada do impacto da tarifa americana no açúcar.

Nesse sentido, para os usineiros nordestinos que exportam açúcar — especialmente para nichos premium como orgânico e açúcar mascavo —, a estratégia mais adequada é avaliar a diversificação de destinos: a União Europeia, no âmbito do Acordo Mercosul-UE em ratificação, representa um mercado de 720 milhões de consumidores com redução gradual de tarifas; o Oriente Médio e a Ásia são mercados alternativos que não estão sujeitos às tarifas americanas.

O arroz brasileiro e a dependência do mercado americano

O arroz brasileiro na lista de tarifados é uma surpresa menor: os EUA não são o principal destino do arroz brasileiro, e o produto americano tem proteções tarifárias históricas que já dificultavam a competitividade brasileira no mercado local. Consequentemente, o impacto da nova tarifa sobre as exportações de arroz para os EUA é incremental sobre uma base já limitada — o que não significa ausência de impacto, mas sugere que a relevância para os produtores de arroz nordestinos é menor do que para outros setores.

Nesse sentido, a análise da Amcham Brasil citada pelo Agro World alerta para um risco sistêmico mais amplo: em setores nos quais o exportador brasileiro é tomador de preço e não consegue repassar a tarifa ao importador americano, a sobretaxa comprime margens — e, num segundo momento, pode forçar a redução de volume exportado para os EUA. A recomendação para qualquer produtor com exportações para os EUA é mapear com precisão a elasticidade de demanda do comprador americano antes de assumir que a tarifa pode ser repassada.

O que muda na prática para o produtor

  • Usineiros com exportações de açúcar para os EUA: avaliar a capacidade de repasse da tarifa ao importador americano antes de 22 de julho
  • Explorar a diversificação de destinos: UE (Mercosul-UE em ratificação), Oriente Médio e Ásia como alternativas ao mercado americano
  • Produtores de açúcar orgânico: calcular se a tarifa de 25% inviabiliza o nicho premium americano ou apenas comprime a margem para níveis ainda aceitáveis
  • Usineiros nordestinos: a orientação para etanol anidro (E32) é a proteção natural contra o impacto da tarifa americana no açúcar — revisar o mix açúcar/etanol à luz da nova realidade
  • Acompanhar o andamento do Acordo Mercosul-UE como destino alternativo com condições preferenciais crescentes para o açúcar brasileiro

Próximos passos

O Portal AgroMais acompanha o impacto da tarifa americana sobre a cadeia sucroenergética brasileira e nordestina.

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Jakeline Diógenes
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