Mel, camarão e leite nordestino: os setores que ganham com a isenção americana e como capitalizar

Enquanto a tarifa americana de 25% preocupa setores como açúcar e madeira, o agronegócio nordestino tem razões concretas para encarar a nova realidade comercial com menos pessimismo do que o noticiário geral sugere. Consequentemente, três dos setores mais dinâmicos do Ceará e do Nordeste saem da semana em posição favorável: o mel (isento da tarifa), o camarão (isento como pescado) e o leite — que não tem os EUA como destino de exportação e segue protegido da disputa comercial enquanto constrói sua identidade de produto com IG e diferenciação.

Nesse sentido, a pergunta que o Portal AgroMais coloca nesta sexta-feira não é ‘o que a tarifa vai prejudicar?’ — mas ‘como o produtor nordestino pode capitalizar sobre as vantagens que tem neste novo cenário?’

Mel do Cariri — da isenção americana ao caminho para o mercado premium

Com Santana do Cariri como maior produtor municipal de mel do Brasil em 2023, o Ceará como 5º no ranking nacional e crescimento de 241% entre 2017 e 2024, a isenção do mel da tarifa americana é o tipo de abertura que o setor precisava para considerar a diversificação de destinos além da Europa. Consequentemente, o Programa Exporta Mais Brasil do Sebrae/CE já está trabalhando as certificações necessárias para o mercado europeu — e as mesmas certificações (rastreabilidade, controle de resíduos, identidade de origem) são relevantes para o FDA americano.

Nesse sentido, o próximo passo para os apicultores do Cariri é usar o momento de visibilidade gerada pela isenção americana para avançar nas certificações com apoio do Sebrae/CE, da Fecap (Federação Cearense de Apicultores) e das cooperativas locais. O projeto Centercop, que prevê uma central de cooperativas em Maracanaú para organizar a exportação direta, é exatamente o tipo de infraestrutura que transformaria a isenção americana de oportunidade teórica em receita real para os apicultores.

Camarão e leite nordestino — os próximos passos para capitalizar

Para a carcinicultura cearense — líder nacional com 110 mil toneladas por ano —, a isenção dos pescados abre a porta americana sem o custo adicional de 25%. Mas acessar o mercado americano de camarão exige certificações do FDA e padrões de rastreabilidade que muitas empresas cearenses ainda estão desenvolvendo. Consequentemente, o caminho mais rápido é a articulação entre as grandes empresas já exportadoras (que têm certificação) e as cooperativas menores que têm volume mas não têm estrutura de exportação direta — um modelo que pode ampliar o alcance do setor no mercado americano sem exigir que cada produtor individual faça o investimento em certificação sozinho.

Nesse sentido, para o Nordeste leiteiro — que a análise do Notícias Agrícolas desta semana posicionou como ‘de improvável a potência’ —, o leite e o queijo nordestino têm nos mercados regionais e nacional o destino prioritário, o que os protege naturalmente da volatilidade das disputas comerciais com os EUA. A estratégia do queijo coalho de Jaguaribe, com IG em processo no INPI e Lei Estadual de reconhecimento, é o modelo que o Nordeste leiteiro deve seguir: identidade territorial, proteção jurídica e diferenciação de produto como antídoto para a commoditização.

O que muda na prática para o produtor

  • Apicultores do Cariri: contatar a Fecap e o Sebrae/CE para acelerar o processo de certificação para exportação — o FDA americano e o mercado europeu usam referenciais similares
  • Carcinicultores cearenses: verificar junto à Abcc e ao Sindcarce os requisitos do FDA para exportação de camarão cultivado para os EUA
  • Cooperativas de mel e camarão: explorar o modelo de exportação coletiva para diluir custos de certificação e acesso a mercados externos
  • Produtores leiteiros do Vale do Jaguaribe: avançar na IG do Queijo Coalho via Queijaribe como proteção jurídica e diferenciação de mercado
  • Acompanhar o projeto Centercop em Maracanaú como referência de infraestrutura de exportação coletiva para o mel cearense

Próximos passos

O Portal AgroMais acompanha as oportunidades de exportação para o mel, camarão e produtos diferenciados do Nordeste no novo cenário tarifário.

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Jakeline Diógenes
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