Unicamp extrai isoflavonas do farelo de soja e cacau

Pesquisadores da Unicamp conseguiram desenvolver tecnologias capazes de extrair isoflavonas do farelo de soja e aumentar sua biodisponibilidade para as indústrias de alimentos, cosméticos e suplementos — e, além do farelo de soja, os pesquisadores valorizaram as cascas da amêndoa de cacau, subproduto que normalmente é descartado mas possui alto potencial de aproveitamento. A isoflavona extraída do farelo de soja é um fitoestrógeno de alto valor comercial: suplementos de isoflavona de soja são amplamente comercializados nos mercados de saúde e bem-estar da Europa, do Japão e dos EUA, com preços por quilo muito superiores ao do farelo convencional destinado à ração animal. A tecnologia da Unicamp para aumentar a biodisponibilidade das isoflavonas — tornando-as mais facilmente absorvidas pelo organismo — adiciona ainda mais valor ao produto, posicionando-o para o mercado premium de suplementos funcionais. Para o produtor de soja do MATOPIBA nordestino: a inovação da Unicamp sinaliza que o farelo de soja — hoje vendido como subproduto de menor valor do esmagamento —, tem potencial de ser fracionado para extrair compostos de alto valor antes de ir para a ração animal. Para o cacauicultor nordestino que vai à ExpoCacau de amanhã (25/08) em Ilhéus: a valorização das cascas de amêndoa de cacau é uma notícia diretamente relevante para sua operação. As cascas representam 10-12% do peso das amêndoas beneficiadas — um volume que hoje tem custo de descarte e que a pesquisa da Unicamp aponta como tendo ‘alto potencial de aproveitamento’. Consequentemente, o A Força do Agro #807 documentou a inovação de maior impacto prático para dois produtos nordestinos simultaneamente: o farelo de soja do MATOPIBA e as cascas de amêndoa de cacau da Bahia.

Nesse sentido, a Embrapa Agroindústria Tropical em Fortaleza (CE) — que pesquisa tecnologias de aproveitamento de subprodutos do caju, do cacau e de frutas tropicais nordestinas — é o recurso mais próximo disponível para o cacauicultor nordestino que quer entender como tecnologias similares de valorização de subprodutos do cacau se aplicam à sua realidade regional. O Portal AgroMais vai documentar o que a ExpoCacau de 25-27/08 em Ilhéus vai apresentar sobre aproveitamento de subprodutos do cacau com lente nordestina.

O que a isoflavona do farelo de soja significa para o produtor do MATOPIBA nordestino

O farelo de soja é o subproduto do esmagamento da soja: depois que a esmagadora extrai o óleo, o resíduo proteico é o farelo, que vai principalmente para a ração animal (frangos, suínos e bovinos). O farelo de soja tem preço por tonelada significativamente mais baixo do que o óleo de soja — e muito mais baixo do que os compostos funcionais que ele contém, como as isoflavonas. A tecnologia da Unicamp para extrair isoflavonas do farelo com maior biodisponibilidade cria um novo fluxo de valor dentro do processamento da soja: antes de o farelo ir integralmente para a ração, uma fração de alto valor (as isoflavonas) pode ser extraída e destinada ao mercado premium de suplementos e alimentos funcionais. Para o produtor de soja do MATOPIBA nordestino, esse dado tem uma leitura de médio prazo: à medida que as esmagadoras brasileiras adotam essa tecnologia de fracionamento do farelo, o valor agregado por tonelada de soja processada aumenta — o que, por sua vez, aumenta a demanda por soja de alta qualidade e pode elevar os prêmios pagos pela soja nordestina. O produtor que planta variedades com maior teor de isoflavonas pode, no médio prazo, negociar prêmio sobre as variedades convencionais — similar ao que acontece com o cacau de origem (que paga prêmio sobre o cacau convencional) e com o mel de IG do Cariri (que paga prêmio sobre o mel sem denominação de origem). Consequentemente, a inovação da Unicamp documentada pelo A Força do Agro #807 é um passo na direção de um mercado de soja mais diferenciado — onde a qualidade composicional da soja (não apenas o volume por hectare) pode gerar prêmio para o produtor.

Nesse sentido, a Embrapa Soja (sediada em Londrina-PR com campo experimental no MATOPIBA nordestino) pesquisa variedades de soja com composição química diferenciada — incluindo teor de proteína, perfil de aminoácidos e concentração de isoflavonas. O produtor nordestino que quer entender quais variedades têm maior teor de isoflavonas pode consultar as publicações da Embrapa Soja disponíveis gratuitamente em embrapa.br/soja.

As cascas de amêndoa de cacau — o que a Unicamp revelou para o cacauicultor nordestino

A segunda parte da inovação do A Força do Agro #807 — a valorização das cascas de amêndoa de cacau pelo grupo de pesquisa da Unicamp — é especialmente relevante para o cacauicultor nordestino da Bahia que vai à ExpoCacau de amanhã (25/08) em Ilhéus. As cascas de amêndoa (conhecidas também como ‘shell’ ou casca de cacau) são o subproduto do processo de torrefação e descascamento das amêndoas nas fábricas de chocolate: após a torra, as amêndoas são descascadas e as cascas representam 10-12% do peso total das amêndoas processadas. Hoje, a maior parte das cascas de amêndoa de cacau é descartada ou usada como biomassa de baixo valor (adubo ou ração animal). A Unicamp identificou ‘alto potencial de aproveitamento’ nas cascas — o que sugere que compostos de interesse para as indústrias de alimentos, cosméticos ou nutracêuticos estão presentes nesse subproduto que hoje vai para o descarte. Para o cacauicultor nordestino da Bahia que beneficia suas amêndoas localmente (com fermentário e secador próprios), as cascas de amêndoa são um subproduto com custo de descarte que a inovação da Unicamp aponta como tendo valor potencial. A escala de valorização depende do volume de cascas disponível — e é justamente no volume agregado de cascas de várias propriedades (via cooperativa) que o potencial se transforma em negócio viável. Consequentemente, a inovação da Unicamp documentada pelo A Força do Agro #807 é o dado mais recente disponível para o cacauicultor nordestino que quer entender como valorizar cada parte do cacau que produz — e a ExpoCacau de amanhã (25/08) é o melhor lugar disponível para discutir isso com os especialistas presentes.

Nesse sentido, a Embrapa Agroindústria Tropical em Fortaleza (CE) pesquisa tecnologias de aproveitamento de subprodutos de frutas tropicais nordestinas — e o cacau é uma das culturas em que a Embrapa documenta o aproveitamento de subprodutos (incluindo o mel de cacau, extraído durante a fermentação). O Portal AgroMais vai cobrir a ExpoCacau de 25-27/08 com lente nordestina e vai documentar o que os especialistas presentes têm a dizer sobre valorização de subprodutos do cacau.

O que muda na prática para o produtor

  • Assistir ao A Força do Agro #807 disponível em revistaoeste.com — explicação técnica completa da extração de isoflavonas do farelo de soja e da valorização das cascas de amêndoa de cacau pelos pesquisadores da Unicamp
  • Produtores de soja do MATOPIBA: verificar com a Embrapa Soja (embrapa.br/soja) quais variedades disponíveis para o MATOPIBA têm maior teor de isoflavonas — dado que pode gerar prêmio de qualidade no médio prazo
  • Cacauicultor nordestino na ExpoCacau de amanhã (25/08): perguntar nos estandes de beneficiamento e nos pesquisadores do Fórum Anual do Cacau sobre valorização das cascas de amêndoa — o A Força do Agro #807 confirmou que o potencial existe
  • Verificar com a Embrapa Agroindústria Tropical (Fortaleza-CE) o estado da pesquisa de aproveitamento de subprodutos do cacau nordestino — cascas de amêndoa e mel de cacau como produtos com valor potencial
  • Acompanhar o A Força do Agro de segunda a sexta-feira às 19h50 na Revista Oeste — fonte obrigatória de inovação tecnológica e tendências de mercado do agronegócio documentada no radar do Portal AgroMais

Próximos passos

O Portal AgroMais acompanha o A Força do Agro e as inovações do campo nordestino com lente cearense.

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Jakeline Diógenes
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