O agronegócio brasileiro enfrenta um novo fator de pressão nos custos: o PROCONVE MAR-II, novo padrão de emissões para máquinas agrícolas e equipamentos fora-de-estrada, está sendo desenvolvido pelo Ministério do Meio Ambiente em conjunto com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. A regulamentação, se aprovada nos termos atuais, pode elevar o preço das máquinas agrícolas entre 15% e 25%, segundo alertas da AliançaBiodiesel e do Canal Rural.
O debate ganha relevância num momento em que o setor de máquinas já enfrenta queda nas vendas — a Agrishow 2026 registrou retração de 22% nas intenções de negócios —, o crédito rural está mais caro e os produtores adiam a renovação do parque de máquinas.
O que muda com o PROCONVE MAR-II
O novo padrão de emissões exige motores mais sofisticados, com sistemas eletrônicos avançados de injeção, tratamento de gases e gerenciamento térmico. Além do preço mais alto na compra, a operação também ficaria mais cara: o uso obrigatório de diesel S10 e do aditivo ARLA-32 pode elevar o custo operacional em até 20%, segundo estimativas do setor.
A AliançaBiodiesel critica o foco da proposta na redução de poluentes locais — material particulado e óxidos de nitrogênio — sem dar o devido espaço ao debate sobre descarbonização e redução global de gases de efeito estufa. Para a entidade, o Brasil tem posição estratégica no uso de biocombustíveis e deveria priorizar tecnologias alinhadas à transição energética nacional.
PROCONVE MAR-II: Etanol e biometano como alternativas ao diesel
Enquanto o debate regulatório avança, as montadoras aceleraram os investimentos em máquinas movidas a biocombustíveis. Na Agrishow 2026, etanol e biometano foram os grandes protagonistas da nova geração de equipamentos.
A Valtra apresentou motores a biometano e etanol com potência entre 200 cv e 300 cv, redução de até 90% nas emissões de CO₂ e desempenho equivalente ao diesel. A Bosch lançou o sistema Dual Fuel Diesel Etanol, que permite substituir em média 35% do diesel por etanol — com picos de até 60% — em colhedoras e tratores sem perda de potência. A Case IH avançou nos testes da colhedora Austoft 9000 a etanol, com mais de 600 horas de operação e 20 mil toneladas de cana colhidas em condições reais.
A New Holland comercializa o T6.180 Methane Power, primeiro trator movido a biometano disponível comercialmente no Brasil. A Fenasul e Expoleite 2026, que acontece esta semana no RS, deve trazer novos anúncios nessa direção.
O que muda na prática para o produtor
- Produtores que planejam renovar o parque de máquinas devem acompanhar o andamento do PROCONVE MAR-II — a regulamentação pode encarecer os equipamentos nos próximos anos
- A solução Dual Fuel da Bosch já está disponível e permite substituir parte do diesel por etanol em máquinas existentes — alternativa para reduzir custos operacionais sem trocar o equipamento
- Tratores e colhedoras a biometano são viáveis especialmente para propriedades com produção de suínos ou resíduos orgânicos que permitam gerar o combustível internamente
- O debate regulatório ainda não está encerrado — vale acompanhar as consultas públicas do Ministério do Meio Ambiente para participar e contribuir com a posição do setor
- A redução de emissões via biocombustíveis pode abrir portas para certificações de sustentabilidade valorizadas no mercado europeu pós-Mercosul-UE
Próximos passos
O PROCONVE MAR-II ainda está em fase de discussão regulatória. O Ministério do Meio Ambiente deve abrir consulta pública mais ampla nos próximos meses. O setor aguarda a definição dos prazos de implementação — que, se seguirem o ritmo do MAR-I, podem levar anos até a adoção plena.
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