O presidente Donald Trump prorrogou ontem (11) por mais 90 dias a suspensão da trégua tarifária norte-americanas sobre importações chinesas. O decreto foi assinado pela Casa Branca e ampliou a trégua que venceria nesta terça-feira (12). O movimento é o capítulo mais recente de uma disputa comercial que dura anos — e que tem o agronegócio brasileiro como um dos protagonistas indiretos.
O acordo inclui o compromisso da China de aumentar as compras de produtos agrícolas americanos, especialmente soja, gado e vegetais, conforme indicado no memorando da Casa Branca. Para o Brasil, que se tornou o maior fornecedor de soja da China durante o período de boicote ao produto americano, a notícia exige atenção.
Trégua tarifária: o que diz o acordo e o que ainda está em aberto
A trégua prevê redução significativa das tarifas cruzadas entre os dois países e a criação de um canal permanente de diálogo econômico com reuniões regulares. No campo agrícola, a China se comprometeu a ampliar as compras de commodities americanas — mas os volumes anunciados seguem abaixo da média histórica anterior à guerra tarifária, segundo análise da Coface.
Trump pediu à China, no domingo (10), que multiplicasse por quatro o volume de compras de soja norte-americana. Ainda não ficou claro se esse pedido foi atendido como parte do acordo. O que está confirmado é que a trégua tem validade de 90 dias — e não resolve as questões estruturais mais profundas da disputa, como propriedade intelectual, subsídios estatais e disputa geopolítica.
Trégua tarifária: o que muda para o Brasil
Durante o período mais intenso do boicote chinês à soja americana, entre maio e outubro de 2025, o Brasil exportou cerca de 21,2 milhões de toneladas de soja para a China — com alta de 37,5% na comparação anual, segundo dados da Administração Geral de Alfândegas da China. Esse espaço pode ser parcialmente disputado pela soja americana nos próximos meses.
Analistas da Coface avaliam, contudo, que a China continuará sua estratégia de diversificação via Brasil. ‘A dependência estrutural da China em relação ao Brasil não deve mudar’, afirma a consultoria, que aponta que os volumes comprometidos com os EUA ficam abaixo da média histórica. André Nassar, presidente da Abiove, reforça: ‘Durante o impasse, o Brasil ampliou significativamente suas vendas, com crescimento estimado de 16% nas exportações de soja para a China em 2025.’
O que muda na prática para o produtor
- Produtores com soja em estoque devem monitorar os preços nos próximos dias — a trégua pode pressionar levemente as cotações no mercado spot
- O câmbio em queda (dólar a R$ 4,89) reduz o retorno em reais mesmo com preços estáveis em Chicago — atenção ao timing de venda
- A demanda chinesa pelo Brasil não deve desaparecer — mas a margem de preferência pode diminuir se os EUA retomarem exportações em volume
- O relatório WASDE do USDA amanhã (13) vai dar mais clareza sobre o cenário de oferta e demanda global — aguardar antes de decisões relevantes
- Para milho e proteína animal, a mesma lógica se aplica — qualquer comprometimento chinês com produtos americanos afeta o fluxo de compras do Brasil
Próximos passos
A trégua tem validade de 90 dias. O prazo encerra em meados de agosto de 2026, quando o cenário volta a ser renegociado. O relatório WASDE do USDA amanhã (13) deve trazer as primeiras estimativas revisadas após o acordo. O mercado de soja abrirá a semana com esse novo pano de fundo geopolítico.
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