O agro brasileiro encerrou 2025 representando 26,8% do Produto Interno Bruto (PIB) do país — o equivalente a R$ 2,56 trilhões em valor adicionado. Os dados são do levantamento anual do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
O resultado confirma o papel estrutural do setor para a economia nacional e reforça a responsabilidade do campo em sustentar o crescimento do país num momento de juros altos e pressões fiscais. O avanço do processamento agroindustrial e dos agrosserviços foi apontado como o principal motor de crescimento do setor no ano passado.
Agro: o que cresceu e o que preocupa
Dentro do agronegócio, a cadeia de processamento — que inclui frigoríficos, esmagadoras de soja, usinas de etanol e indústrias de alimentos — foi a que mais contribuiu para o resultado positivo de 2025. Os agrosserviços, que envolvem transporte, armazenagem, comércio e serviços financeiros ligados ao campo, também cresceram acima da média.
Por outro lado, a presidente da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), deputada Adriana Ventura, alertou que os bons números escondem fragilidades estruturais. Segundo ela, o alto custo de produção, o crédito mais caro — com a Selic em 15% ao ano — e a redução dos investimentos em máquinas agrícolas são os principais pontos de atenção para 2026.
O Nordeste no PIB do agro nacional
O Nordeste participa de forma crescente do resultado nacional do agronegócio. O Ceará, em particular, vem batendo recordes consecutivos em cadeias como camarão, leite, mel e avicultura. A fruticultura de exportação — com melão, melancia, manga e a nascente produção de uva — amplia a participação regional no agronegócio nacional e nas exportações.
Com o acordo Mercosul-UE em vigor e a fronteira MATOPI em expansão, a tendência é de crescimento da participação nordestina no agro nacional ao longo dos próximos anos.
O que muda na prática para o produtor
- O agro responde por mais de 1 em cada 4 reais do PIB nacional — seu peso político e econômico justifica atenção às políticas públicas do setor
- O crescimento do processamento agroindustrial sinaliza oportunidade para produtores que agregam valor antes de vender
- O alerta da FPA sobre crédito caro é real — o Plano Safra 2026/2027 precisa chegar com taxas adequadas para sustentar o desempenho do setor
- Para o Nordeste, o crescimento do agro nacional é uma oportunidade de ampliar a participação regional com as cadeias que o Ceará já tem estruturadas
- Queda nos investimentos em máquinas (como mostrou a Agrishow 2026) é um sinal de que o produtor está adiando renovação — exige atenção à produtividade de longo prazo
Próximos passos
O Plano Safra 2026/2027, previsto para ser anunciado até julho, será o termômetro de como o governo pretende sustentar o desempenho do agro nos próximos 12 meses. A CNA já entregou suas propostas — R$ 623 bilhões em crédito e R$ 4 bilhões para seguro rural são os pedidos centrais.
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