O programa Cresce Ceará promove no dia 21 de maio, em Fortaleza, um evento dedicado ao agronegócio cearense. O encontro chega num momento de transformação acelerada do setor, marcado pela entrada em vigor do acordo Mercosul-UE, pelos investimentos recordes em fruticultura de exportação e pela agenda tecnológica que avança sobre as cadeias produtivas do estado. O evento reúne representantes de cadeias produtivas, governo estadual e setor privado para debater os caminhos do agro cearense diante do novo cenário. A realização em Fortaleza antecede dois outros eventos estratégicos: o Cresce Ceará de 21 de maio é a abertura de uma agenda de junho que inclui o Coalizão Agro em Limoeiro do Norte nos dias 10 e 11. Cresce Ceará: Por que este momento é especialmente relevante O agronegócio cearense vive uma das fases mais dinâmicas de sua história. O acordo Mercosul-UE abriu o mercado europeu para frutas, pescados e outros produtos cearenses com desgravação tarifária progressiva. Os investimentos de R$ 100 milhões em uva na Chapada do Apodi sinalizam uma nova fase da fruticultura regional. E a carcinicultura — com o Ceará respondendo por 54% da produção nacional de camarão cultivado — aguarda o desbloqueio sanitário para acessar a Europa. Ao mesmo tempo, desafios estruturais persistem: a cajucultura precisa de renovação urgente do cajueiral, o crédito rural está mais caro com a Selic em 15%, e a adequação às normas sanitárias europeias exige investimento contínuo. O Cresce Ceará é o espaço para colocar esses temas na mesa. Cresce Ceará|: Tecnologia e sustentabilidade na pauta Além das questões de mercado, o evento deve abordar o papel da tecnologia na modernização das cadeias produtivas cearenses. O uso de inteligência artificial na avicultura, a automação na carcinicultura e os sistemas de irrigação de precisão na fruticultura são exemplos de inovações que já estão transformando o campo cearense. A sustentabilidade também deve estar na pauta, especialmente diante das exigências europeias de rastreabilidade e origem responsável. A conformidade com os padrões ambientais da UE é condição para acessar o mercado do bloco — e o Ceará precisa avançar nessa direção de forma coordenada entre o setor público e privado. O que muda na prática para o produtor Próximos passos O Cresce Ceará acontece no dia 21 de maio em Fortaleza. O Coalizão Agro 2026, próximo evento estratégico para o agro cearense, ocorre nos dias 10 e 11 de junho em Limoeiro do Norte, no Vale do Jaguaribe — entrada gratuita. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
PROCONVE MAR-II pode encarecer máquinas agrícolas em até 25% no Brasil
O agronegócio brasileiro enfrenta um novo fator de pressão nos custos: o PROCONVE MAR-II, novo padrão de emissões para máquinas agrícolas e equipamentos fora-de-estrada, está sendo desenvolvido pelo Ministério do Meio Ambiente em conjunto com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. A regulamentação, se aprovada nos termos atuais, pode elevar o preço das máquinas agrícolas entre 15% e 25%, segundo alertas da AliançaBiodiesel e do Canal Rural. O debate ganha relevância num momento em que o setor de máquinas já enfrenta queda nas vendas — a Agrishow 2026 registrou retração de 22% nas intenções de negócios —, o crédito rural está mais caro e os produtores adiam a renovação do parque de máquinas. O que muda com o PROCONVE MAR-II O novo padrão de emissões exige motores mais sofisticados, com sistemas eletrônicos avançados de injeção, tratamento de gases e gerenciamento térmico. Além do preço mais alto na compra, a operação também ficaria mais cara: o uso obrigatório de diesel S10 e do aditivo ARLA-32 pode elevar o custo operacional em até 20%, segundo estimativas do setor. A AliançaBiodiesel critica o foco da proposta na redução de poluentes locais — material particulado e óxidos de nitrogênio — sem dar o devido espaço ao debate sobre descarbonização e redução global de gases de efeito estufa. Para a entidade, o Brasil tem posição estratégica no uso de biocombustíveis e deveria priorizar tecnologias alinhadas à transição energética nacional. PROCONVE MAR-II: Etanol e biometano como alternativas ao diesel Enquanto o debate regulatório avança, as montadoras aceleraram os investimentos em máquinas movidas a biocombustíveis. Na Agrishow 2026, etanol e biometano foram os grandes protagonistas da nova geração de equipamentos. A Valtra apresentou motores a biometano e etanol com potência entre 200 cv e 300 cv, redução de até 90% nas emissões de CO₂ e desempenho equivalente ao diesel. A Bosch lançou o sistema Dual Fuel Diesel Etanol, que permite substituir em média 35% do diesel por etanol — com picos de até 60% — em colhedoras e tratores sem perda de potência. A Case IH avançou nos testes da colhedora Austoft 9000 a etanol, com mais de 600 horas de operação e 20 mil toneladas de cana colhidas em condições reais. A New Holland comercializa o T6.180 Methane Power, primeiro trator movido a biometano disponível comercialmente no Brasil. A Fenasul e Expoleite 2026, que acontece esta semana no RS, deve trazer novos anúncios nessa direção. O que muda na prática para o produtor Próximos passos O PROCONVE MAR-II ainda está em fase de discussão regulatória. O Ministério do Meio Ambiente deve abrir consulta pública mais ampla nos próximos meses. O setor aguarda a definição dos prazos de implementação — que, se seguirem o ritmo do MAR-I, podem levar anos até a adoção plena. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias.
EUA e China firmam trégua tarifária de 90 dias com soja no centro do acordo
O presidente Donald Trump prorrogou ontem (11) por mais 90 dias a suspensão da trégua tarifária norte-americanas sobre importações chinesas. O decreto foi assinado pela Casa Branca e ampliou a trégua que venceria nesta terça-feira (12). O movimento é o capítulo mais recente de uma disputa comercial que dura anos — e que tem o agronegócio brasileiro como um dos protagonistas indiretos. O acordo inclui o compromisso da China de aumentar as compras de produtos agrícolas americanos, especialmente soja, gado e vegetais, conforme indicado no memorando da Casa Branca. Para o Brasil, que se tornou o maior fornecedor de soja da China durante o período de boicote ao produto americano, a notícia exige atenção. Trégua tarifária: o que diz o acordo e o que ainda está em aberto A trégua prevê redução significativa das tarifas cruzadas entre os dois países e a criação de um canal permanente de diálogo econômico com reuniões regulares. No campo agrícola, a China se comprometeu a ampliar as compras de commodities americanas — mas os volumes anunciados seguem abaixo da média histórica anterior à guerra tarifária, segundo análise da Coface. Trump pediu à China, no domingo (10), que multiplicasse por quatro o volume de compras de soja norte-americana. Ainda não ficou claro se esse pedido foi atendido como parte do acordo. O que está confirmado é que a trégua tem validade de 90 dias — e não resolve as questões estruturais mais profundas da disputa, como propriedade intelectual, subsídios estatais e disputa geopolítica. Trégua tarifária: o que muda para o Brasil Durante o período mais intenso do boicote chinês à soja americana, entre maio e outubro de 2025, o Brasil exportou cerca de 21,2 milhões de toneladas de soja para a China — com alta de 37,5% na comparação anual, segundo dados da Administração Geral de Alfândegas da China. Esse espaço pode ser parcialmente disputado pela soja americana nos próximos meses. Analistas da Coface avaliam, contudo, que a China continuará sua estratégia de diversificação via Brasil. ‘A dependência estrutural da China em relação ao Brasil não deve mudar’, afirma a consultoria, que aponta que os volumes comprometidos com os EUA ficam abaixo da média histórica. André Nassar, presidente da Abiove, reforça: ‘Durante o impasse, o Brasil ampliou significativamente suas vendas, com crescimento estimado de 16% nas exportações de soja para a China em 2025.’ O que muda na prática para o produtor Próximos passos A trégua tem validade de 90 dias. O prazo encerra em meados de agosto de 2026, quando o cenário volta a ser renegociado. O relatório WASDE do USDA amanhã (13) deve trazer as primeiras estimativas revisadas após o acordo. O mercado de soja abrirá a semana com esse novo pano de fundo geopolítico. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br