A região Nordeste, que produz pouco mais de 2 bilhões de litros de etanol por ano, já vinha direcionando suas usinas para a produção de etanol anidro — exatamente o componente cuja demanda é ampliada pelo E32, agora oficialmente em vigor desde 24 de junho. Consequentemente, essa estratégia de priorizar o anidro se explica pelo fato de o produto contar com mercado interno garantido pela política de mistura obrigatória na gasolina, oferecendo maior previsibilidade de receita do que o etanol hidratado ou o açúcar, sujeitos a maior volatilidade de preços internacionais.
Nesse sentido, Alagoas se consolida como o maior produtor regional de etanol anidro, com Pernambuco também ampliando o foco no produto diante da menor atratividade do açúcar no mercado internacional ao longo dos últimos meses.
A Paraíba como exemplo de política estadual de incentivo
A estratégia de priorizar o etanol anidro já havia sido reforçada institucionalmente na Paraíba, onde o Decreto Estadual nº 47.764/2025 instituiu incentivo de ICMS ao Álcool Etílico Anidro Combustível (AEAC), com o objetivo de promover o desenvolvimento regional e ampliar as saídas interestaduais do produto. Consequentemente, esse tipo de política estadual de incentivo tributário ganha relevância redobrada agora que o E32 está em vigor, já que a demanda nacional pelo anidro deve crescer de forma direta e imediata com a nova mistura obrigatória.
Ademais, o contexto de expansão da produção sucroalcooleira em outras regiões do país — como Minas Gerais, cuja safra de açúcar e etanol deve atingir 83,3 milhões de toneladas no ciclo atual, crescimento de 11,6% sobre o ciclo anterior — mostra que o Nordeste compete por espaço num mercado nacional de etanol anidro que está em expansão generalizada, e não apenas regional.
O que isso significa para o setor sucroenergético nordestino
Para as usinas do Nordeste, a confirmação do E32 representa uma oportunidade concreta de consolidar a estratégia de priorização do etanol anidro que já vinham adotando, com a vantagem adicional de contar agora com demanda nacional ainda maior e mais previsível. Consequentemente, esse movimento pode ajudar a mitigar parte da pressão que o setor sucroenergético nordestino vem sentindo com a queda do petróleo após o acordo EUA-Irã, que reduziu a paridade do etanol hidratado frente à gasolina nas últimas semanas.
Nesse sentido, para o produtor de cana do Nordeste, a mensagem prática é clara: o anidro, sustentado pela política de mistura obrigatória, segue como a aposta mais segura de rentabilidade em um cenário de múltiplas pressões de mercado sobre o setor.
O que muda na prática para o produtor
- Usineiros nordestinos: avaliar a ampliação da produção de etanol anidro diante da demanda garantida pelo E32 em vigor
- Acompanhar possíveis incentivos estaduais de ICMS para o AEAC em outros estados nordestinos, seguindo o modelo já adotado pela Paraíba
- Produtores de cana de Alagoas e Pernambuco: considerar contratos de fornecimento de longo prazo para o anidro, dada a maior previsibilidade do mercado
- Monitorar a expansão da produção sucroalcooleira em outras regiões do país para entender a dinâmica de oferta nacional do anidro
- Avaliar o mix de produção entre anidro, hidratado e açúcar à luz do novo cenário de demanda criado pelo E32
Próximos passos
O Portal AgroMais acompanha o comportamento do setor sucroenergético nordestino diante da confirmação do E32 e seus efeitos sobre a produção de etanol anidro na região.
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