Encerrada no último sábado (27), a PEC Brasil, nova denominação da PEC Nordeste, bateu todos os recordes das edições anteriores e superou as expectativas da organização. Consequentemente, realizado entre os dias 25 e 27 de junho, o evento reuniu mais de 130 mil visitantes, segundo estimativa preliminar, ultrapassando a projeção inicial de 100 mil pessoas e consolidando-se como o maior já realizado no Centro de Eventos do Ceará. A expectativa agora é superar os R$ 150 milhões em negócios. A programação técnica também registrou desempenho histórico. Com cerca de 130 palestras, seminários e capacitações, a feira alcançou o maior número de inscritos de todas as edições, reunindo aproximadamente 19 mil participantes, entre os quais integrantes de 270 caravanas vindas do interior do Ceará e de estados vizinhos. Para o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec), Amílcar Silveira, os números refletem a dimensão alcançada pela PEC Brasil. “O agro brasileiro hoje reconhece a importância da nossa feira. Batemos todos os recordes do Centro de Eventos: em público, em utilização de área e em palestras. Esse é um evento que mostra a força da economia do agronegócio do Ceará.” Espaços: a maior área já ocupada pela feira A PEC Brasil ocupou todos os pavilhões do Centro de Eventos do Ceará, além das salas destinadas à programação técnica, das docas e do estacionamento. Consequentemente, os pavilhões abrigaram cerca de 600 empresas e instituições, distribuídas em mais de 1.200 estandes. Ao todo, o evento ocupou aproximadamente 50 mil metros quadrados, a maior área utilizada desde a criação da feira. Na área externa, destinada à exposição de animais e aos leilões, foram apresentados mais de 800 exemplares, entre cerca de 300 bovinos, 500 ovinos e 30 equinos. Ademais, o espaço também sediou quatro leilões, que movimentaram mais de R$ 4 milhões. “Em um momento em que exposições e feiras agropecuárias estão encolhendo em diversas regiões do país, o Ceará está crescendo. Toda a área comercial da PEC Brasil foi vendida. Estamos vivendo um novo momento do agro no Ceará”, disse Amílcar Silveira. PEC Brasil 2026: os espaços que marcaram a edição Um dos destaques foi a Feira dos Municípios, que reuniu mais de 30 prefeituras cearenses em um espaço dedicado à exposição e comercialização de produtos locais de cada município. Nesse sentido, outro espaço tradicional foi a Expocamarão, organizada pela APCC, com cerca de 300 estandes destinados aos principais carcinicultores do Brasil. Já o Espaço Somoscoop, de responsabilidade do Sistema OCB, foi dedicado à agricultura familiar. Eventos: congressos internacionais e protagonismo de mulheres e jovens Durante a PEC Brasil, foram realizados o Congresso Internacional da Raça Zebu e o Congresso Brasileiro da Raça Sindi. Consequentemente, o evento também contou com uma rodada internacional de negócios, com a participação de 13 compradores estrangeiros, resultando em cerca de 200 reuniões entre compradores e fornecedores. Também integraram a programação o Encontro das Mulheres do Agro, com a participação de cerca de 2 mil pessoas, e o Encontro de Jovens do Agro, com aproximadamente 1.000 participantes. Para Amílcar Silveira, a mudança de marca, de PEC Nordeste para PEC Brasil, marca uma nova fase do evento. “A PEC Brasil nasce maior, mais moderna e conectada com os desafios e oportunidades do setor. Transformamos o Centro de Eventos em um grande ponto de encontro do agronegócio brasileiro, no evento que é, hoje, a maior demonstração da força do agronegócio cearense.” PEC Brasil é uma realização do Sistema Faec/Senar, em parceria com o Sebrae Ceará. A próxima edição será realizada em junho de 2027. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
Governador anuncia chegada da Masterboi a Iguatu na abertura da PEC Brasil
Durante a cerimônia de abertura da PEC Brasil 2026, na última quinta-feira (25), no Theatro José de Alencar, o governador Elmano de Freitas anunciou um dos investimentos mais relevantes para a pecuária cearense dos últimos anos: a chegada de um frigorífico da Masterboi ao município de Iguatu, com capacidade para abater entre 500 e 2 mil bois. Consequentemente, ‘fiquei muito feliz de estarmos juntos com a Federação para irmos atrás do frigorífico para o Estado do Ceará e saber que, muito em breve, nós teremos a Masterboi no Ceará’, declarou o governador, destacando que a região é considerada estratégica para fortalecer a cadeia da pecuária bovina no estado. Nesse sentido, o anúncio integrou um conjunto de sinalizações de investimento divulgadas durante a abertura da feira, que também incluiu projetos de infraestrutura, regularização da produção rural — com destaque para a carcinicultura — e modernização do campo através do uso de drones. Masterboi: porque Iguatu foi escolhida como sede do novo frigorífico Iguatu, município do Centro-Sul cearense, é historicamente uma região de vocação pecuária consolidada, com tradição na criação de bovinos e proximidade com áreas de pastagem do semiárido. Consequentemente, a chegada da Masterboi à região tem potencial de reorganizar a logística de comercialização do gado produzido no interior do Ceará, reduzindo a necessidade de transporte de animais vivos para abate em outros estados — uma mudança que pode beneficiar diretamente a margem do pecuarista local. Ademais, com capacidade para abater entre 500 e 2 mil bois, a unidade representa uma escala industrial significativa para o setor frigorífico cearense, que historicamente não conta com grande capilaridade de plantas de abate de grande porte no interior do estado. Nesse sentido, esse investimento se conecta com o momento de maior interesse de investidores em cadeias produtivas ligadas à pecuária que o presidente da Faec, Amílcar Silveira, já havia identificado durante a própria PEC Brasil 2026. O anúncio dentro de um pacote mais amplo de investimentos A chegada da Masterboi não foi o único anúncio relevante feito durante a cerimônia de abertura. O governador também destacou projetos voltados à expansão da infraestrutura, à regularização da produção rural — com menção específica à carcinicultura, setor que também teve lançamento de estudo técnico da SDE durante a feira — e à modernização do campo através do uso de drones. Consequentemente, esse conjunto de anúncios reforça a mensagem que Elmano de Freitas deixou registrada durante o evento: ‘vocês podem contar com este governador para aproveitarmos todas as oportunidades que o cenário apresenta para o Nordeste, para o Ceará e para o Brasil.’ Nesse sentido, para o pecuarista cearense, especialmente da região de Iguatu e do Centro-Sul do estado, o anúncio representa uma perspectiva concreta de fortalecimento da cadeia produtiva nos próximos anos — desde que os detalhes operacionais e o cronograma de instalação da unidade sejam confirmados pela Masterboi nas próximas semanas. O que muda na prática para o produtor Próximos passos A Masterboi deve detalhar o cronograma de instalação da unidade em Iguatu nas próximas semanas. O Portal AgroMais acompanha os desdobramentos desse investimento para a pecuária cearense. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias.👉 www.portalagromais.com.br
Seguro Rural sofre corte de R$ 56,2 milhões, preocupante diante do El Niño
O Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural sofreu novo corte de R$ 56,2 milhões no orçamento de 2026, segundo balanço divulgado na última semana. Consequentemente, a notícia preocupa o setor justamente no momento em que o El Niño 2026/27 é apontado por múltiplos relatórios — incluindo atualizações recentes do IRI, que projetam anomalias acima de 2,5°C no Pacífico — como um fenômeno que pode atingir patamar histórico, elevando a relevância do seguro rural como instrumento de proteção financeira para o produtor diante do risco climático do segundo semestre. Nesse sentido, o corte se soma a outras pressões orçamentárias que o governo enfrenta na construção do Plano Safra 2026/27, cujo anúncio está previsto para 1º de julho, em meio ao impasse já conhecido entre o pedido do setor produtivo (R$ 670 bilhões) e a sinalização do governo (em torno de R$ 550 a R$ 570 bilhões). Por que o timing desse corte preocupa especialmente o setor O Seguro Rural é o instrumento que protege financeiramente o produtor contra perdas decorrentes de eventos climáticos adversos — geadas, secas, excesso de chuva — exatamente o tipo de risco que vem se intensificando em 2026, com múltiplos episódios climáticos extremos já registrados ao longo do ano, desde a onda de frio histórica de junho até as projeções de seca severa para o Nordeste. Consequentemente, reduzir o orçamento disponível para subvencionar o prêmio do seguro justamente neste momento limita a capacidade de mais produtores acessarem essa proteção quando ela se torna mais necessária. Ademais, o Brasil historicamente tem taxa de penetração do seguro rural relativamente baixa em comparação com outros grandes produtores agrícolas mundiais, e cortes orçamentários recorrentes no programa de subvenção tendem a perpetuar essa baixa adesão, já que o custo do seguro sem subsídio se torna proporcionalmente mais caro para o produtor médio. O que esperar do Plano Safra para o seguro rural Com o anúncio do Plano Safra 2026/27 previsto para depois de amanhã, o setor aguarda para verificar se haverá algum reforço orçamentário específico para o Seguro Rural que possa compensar, ainda que parcialmente, o corte já confirmado. Consequentemente, diante do consenso cada vez maior entre instituições climáticas sobre a magnitude do El Niño projetado para o segundo semestre, a expectativa de produtores e entidades do setor é de que o governo reconheça a urgência de fortalecer, e não reduzir, os mecanismos de proteção financeira disponíveis. Nesse sentido, para o produtor cearense e nordestino, que enfrenta o maior grau de risco identificado pelos relatórios climáticos mais recentes para o El Niño 2026/27, acompanhar de perto as condições de seguro rural anunciadas no Plano Safra é tão importante quanto acompanhar as taxas de juros do crédito de custeio e investimento. O que muda na prática para o produtor Próximos passos O Plano Safra 2026/27 será anunciado em 1º de julho, quando devem ser conhecidas as condições específicas de seguro rural para o novo ciclo. O Portal AgroMais acompanha os desdobramentos orçamentários do programa. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
BNDES disponibiliza R$ 70 bilhões ao agro, com 80% mais para agricultura familiar do Nordeste
O BNDES confirmou a disponibilização de R$ 70 bilhões para financiar investimentos da agricultura brasileira no Plano Safra — o maior orçamento já destinado pelo banco ao setor, 5% acima do plano anterior e 180% maior do que o disponibilizado no Plano Safra 2022/23. Consequentemente, as regiões Norte e Nordeste contarão com destinação exclusiva de R$ 532 milhões para a agricultura familiar dessas regiões, valor 80% maior do que o montante aplicado no ano-safra anterior. Nesse sentido, segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, ‘a expressiva evolução desses números reafirma o forte compromisso do BNDES com o setor agropecuário brasileiro. Por meio do Plano Safra com um orçamento recorde de R$ 70 bilhões para o financiamento rural, estamos ao lado dos produtores, apoiando tecnologia, inovação e sustentabilidade.’ Como se divide o montante destinado pelo banco Do total de R$ 70 bilhões, R$ 39,7 bilhões correspondem a recursos equalizáveis que poderão ser acessados por meio de Programas Agropecuários do Governo Federal (PAGF), incremento de 19% em relação ao ano anterior. Consequentemente, o banco também oferece R$ 30,3 bilhões em recursos próprios via BNDES Crédito Rural — linha perene e não equalizável junto ao Tesouro —, dos quais R$ 14,4 bilhões têm custo financeiro em dólares americanos, voltados especialmente para produtores com receita em moeda estrangeira ou maior exposição cambial. Ademais, desde o início da operacionalização em 2020, as aprovações do BNDES Crédito Rural já alcançaram mais de R$ 23,4 bilhões para cerca de 37 mil operações, com mais de 95% das aprovações recentes destinadas à aquisição de máquinas e equipamentos — um indicativo de que a linha tem cumprido papel relevante na modernização do parque de máquinas agrícolas do país. Por que o reforço para o Norte e Nordeste é estrategicamente relevante A destinação exclusiva de R$ 532 milhões para a agricultura familiar do Norte e Nordeste, 80% maior do que no ciclo anterior, está alinhada à estratégia do BNDES e do Governo Federal de ampliar financiamentos que viabilizem a redução das desigualdades socioeconômicas e territoriais no país. Consequentemente, esse reforço chega em momento relevante para o produtor cearense, que historicamente enfrenta maior dificuldade de acesso a crédito formal em comparação com regiões mais consolidadas do agronegócio nacional, como o Centro-Oeste. Nesse sentido, esse incremento de recursos para a agricultura familiar nordestina se conecta diretamente com o momento vivido pelo agronegócio cearense, que acabou de sediar a PEC Brasil 2026 — evento que já sinalizou investimentos relevantes para o estado, como a chegada do frigorífico Masterboi a Iguatu — e que agora aguarda, com expectativa elevada, o anúncio completo do Plano Safra 2026/27, previsto para depois de amanhã. O que muda na prática para o produtor Próximos passos O Plano Safra 2026/27 será anunciado em 1º de julho, complementando os recursos já confirmados pelo BNDES. O Portal AgroMais acompanha as condições de crédito disponíveis para o produtor cearense. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
Semana decisiva para o agro com IGP-M, Focus e relatório de lavouras dos EUA
A semana que se inicia hoje é repleta de indicadores relevantes para o agronegócio, segundo levantamento da Safras & Mercado. Consequentemente, nesta segunda-feira (29), o destaque é a divulgação do IGP-M de junho pela FGV, do Boletim Focus do Banco Central e do relatório de condições das lavouras dos Estados Unidos pelo USDA, às 17h — indicadores que ajudam o mercado a calibrar expectativas tanto sobre inflação doméstica quanto sobre a safra americana de grãos. Nesse sentido, a agenda segue carregada ao longo da semana: terça-feira traz dados sobre as lavouras do Paraná pela Deral e o relatório trimestral de plantio e estoques do USDA, além dos dados do Caged de maio; quarta-feira reúne a estimativa preliminar de inflação da zona do euro, o relatório semanal de petróleo da EIA, dados de esmagamento de soja e uso de milho para etanol nos EUA — justamente no dia em que o Plano Safra brasileiro deve ser anunciado. Por que essa semana importa tanto para quem acompanha o mercado A concentração de indicadores nesta semana específica não é coincidência — ela reflete o calendário natural de publicações mensais e trimestrais que move o mercado agrícola internacional, mas ganha relevância ainda maior neste momento por coincidir com o anúncio do Plano Safra 2026/27, previsto para quarta-feira (1º de julho). Consequentemente, produtores e analistas terão, na mesma semana, acesso a informações sobre o cenário de custeio doméstico (Plano Safra), inflação (IGP-M e Focus) e fundamentos da safra americana (USDA) — um conjunto de dados que ajuda a formar o quadro mais completo possível para o planejamento da safra brasileira que se inicia. Ademais, o relatório trimestral de plantio e estoques do USDA, previsto para terça-feira, é um dos mais aguardados do calendário agrícola americano, já que detalha tanto a intenção de área plantada para a safra 2026/27 nos EUA quanto os estoques de fechamento do ciclo anterior — dados que influenciam diretamente as cotações de soja e milho em Chicago e, por consequência, os preços praticados no Brasil. O fechamento da semana com foco internacional Quinta-feira (2/07) concentra o relatório de emprego americano (payroll), os dados semanais de exportação de grãos dos EUA, e os relatórios de condições das lavouras da Argentina — tanto do Ministério da Agricultura quanto da Bolsa de Cereais de Buenos Aires —, além dos dados de desenvolvimento das lavouras do Rio Grande do Sul pela Emater. Consequentemente, esse conjunto de informações sobre a Argentina é particularmente relevante para o produtor brasileiro, já que o país vizinho é o principal concorrente direto do Brasil em culturas como soja, milho e trigo. Nesse sentido, a semana se encerra na sexta-feira (3/07) com o feriado da Independência nos EUA, que fecha os mercados financeiros americanos, mas ainda traz a pesquisa industrial de maio do IBGE e os dados de evolução das lavouras de Mato Grosso pelo Imea — fechando um ciclo intenso de informações que devem orientar as decisões do produtor brasileiro nas próximas semanas. O que muda na prática para o produtor Próximos passos O Plano Safra 2026/27 deve ser anunciado na quarta-feira (1º de julho). O Portal AgroMais vai cobrir o anúncio com análise completa para o produtor cearense e nordestino. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias.👉 www.portalagromais.com.br
Agronegócio vive paradoxo entre safras recordes e recuperações judiciais, mas Fiagros rendem mais
O agronegócio brasileiro vive um paradoxo que segue sendo destrinchado pelo mercado financeiro nesta segunda-feira (29): enquanto o país registra recordes de safras, com quase 1 bilhão de toneladas produzidas nos últimos três anos, produtores acumulam recuperações judiciais, aumento de inadimplência e sucessivos problemas financeiros. Consequentemente, a pergunta que fica no ar é direta: o agro deixou de ser pop e perdeu seu toque de Midas? Segundo analistas e gestores consultados, a resposta não é simples — é preciso separar os diferentes setores do agro para avaliar corretamente o cenário complexo que o Brasil enfrenta atualmente. Nesse sentido, dados da Anbima mostram que os fundos que investem em papéis do agronegócio somaram R$ 4,37 bilhões em captação até maio de 2026, aumento de 126,5% em relação ao mesmo período do ano passado — um sinal de que o mercado de capitais não abandonou o setor, mesmo diante das dificuldades. Por que os Fiagros estão rendendo tanto mesmo com produtores endividados Segundo dados do BTG Pactual, os Fiagros acumulam mais de 13% de retorno no ano — acima do retorno de ações (7,13%) e do CDI (6,68%), benchmark de renda fixa. No acumulado dos últimos 12 meses, o retorno chega a 29,75%. Consequentemente, essa aparente contradição se explica porque fundos com exposição diversificada a diferentes setores do agro conseguem navegar melhor o cenário atual, mesmo quando segmentos específicos — como soja e milho — enfrentam dificuldades. Ademais, segundo Manoel Pereira de Queiroz, sócio responsável por agronegócio da Mapa Capital, para entender o cenário atual é preciso voltar a 2019: por três anos, o setor de grãos viveu um ‘ciclo extraordinário’, quando quebras de safra em outros países fizeram o preço das commodities disparar, e o Brasil vendeu muito. Nesse sentido, esse período expandiu significativamente a área plantada e os investimentos do setor — investimentos que hoje, com a normalização dos preços internacionais e custos de produção ainda elevados, geram a pressão financeira observada em muitos produtores. O que isso significa para o produtor e o investidor Para o produtor rural, a lição do ciclo 2019-2022 é relevante: expansão acelerada em momentos de preços excepcionais pode gerar endividamento estrutural quando o mercado se normaliza — exatamente o que muitos produtores enfrentam hoje, com bancos mais seletivos na concessão de crédito tradicional. Consequentemente, esse cenário tem levado produtores a buscar o mercado de capitais como alternativa, mesmo com taxas de juros elevadas, para conseguir capital de giro e financiamento de investimentos. Para o investidor, por outro lado, o cenário atual mostra que apesar do desconto que os ativos do agro ainda apresentam em relação ao potencial do setor, segundo o próprio BTG Pactual, há oportunidade de retorno expressivo para quem manteve investimentos durante a turbulência recente e está colhendo os frutos da recuperação gradual que já se observa. O que muda na prática para o produtor Próximos passos O Portal AgroMais acompanha o desempenho dos Fiagros e a situação financeira do setor agropecuário brasileiro ao longo do segundo semestre de 2026. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias.👉 www.portalagromais.com.br
Etanol anidro do Nordeste ganha mercado garantido com o E32 em vigor
A região Nordeste, que produz pouco mais de 2 bilhões de litros de etanol por ano, já vinha direcionando suas usinas para a produção de etanol anidro — exatamente o componente cuja demanda é ampliada pelo E32, agora oficialmente em vigor desde 24 de junho. Consequentemente, essa estratégia de priorizar o anidro se explica pelo fato de o produto contar com mercado interno garantido pela política de mistura obrigatória na gasolina, oferecendo maior previsibilidade de receita do que o etanol hidratado ou o açúcar, sujeitos a maior volatilidade de preços internacionais. Nesse sentido, Alagoas se consolida como o maior produtor regional de etanol anidro, com Pernambuco também ampliando o foco no produto diante da menor atratividade do açúcar no mercado internacional ao longo dos últimos meses. A Paraíba como exemplo de política estadual de incentivo A estratégia de priorizar o etanol anidro já havia sido reforçada institucionalmente na Paraíba, onde o Decreto Estadual nº 47.764/2025 instituiu incentivo de ICMS ao Álcool Etílico Anidro Combustível (AEAC), com o objetivo de promover o desenvolvimento regional e ampliar as saídas interestaduais do produto. Consequentemente, esse tipo de política estadual de incentivo tributário ganha relevância redobrada agora que o E32 está em vigor, já que a demanda nacional pelo anidro deve crescer de forma direta e imediata com a nova mistura obrigatória. Ademais, o contexto de expansão da produção sucroalcooleira em outras regiões do país — como Minas Gerais, cuja safra de açúcar e etanol deve atingir 83,3 milhões de toneladas no ciclo atual, crescimento de 11,6% sobre o ciclo anterior — mostra que o Nordeste compete por espaço num mercado nacional de etanol anidro que está em expansão generalizada, e não apenas regional. O que isso significa para o setor sucroenergético nordestino Para as usinas do Nordeste, a confirmação do E32 representa uma oportunidade concreta de consolidar a estratégia de priorização do etanol anidro que já vinham adotando, com a vantagem adicional de contar agora com demanda nacional ainda maior e mais previsível. Consequentemente, esse movimento pode ajudar a mitigar parte da pressão que o setor sucroenergético nordestino vem sentindo com a queda do petróleo após o acordo EUA-Irã, que reduziu a paridade do etanol hidratado frente à gasolina nas últimas semanas. Nesse sentido, para o produtor de cana do Nordeste, a mensagem prática é clara: o anidro, sustentado pela política de mistura obrigatória, segue como a aposta mais segura de rentabilidade em um cenário de múltiplas pressões de mercado sobre o setor. O que muda na prática para o produtor Próximos passos O Portal AgroMais acompanha o comportamento do setor sucroenergético nordestino diante da confirmação do E32 e seus efeitos sobre a produção de etanol anidro na região. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br