Entre os temas mais técnicos da programação da PEC Brasil 2026 esteve a análise dos impactos da reforma tributária sobre o setor agropecuário, palestra conduzida pelo coordenador do Núcleo Econômico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Renato Conchon, na sexta-feira (26). Consequentemente, o tema chega num momento em que produtores rurais de todo o país buscam entender como as novas regras tributárias, ainda em fase de regulamentação, vão afetar o custo e a competitividade da produção agropecuária.
Nesse sentido, a presença da CNA na feira através do Sistema CNA/Senar reforça o caráter multifacetado da PEC Brasil 2026, que combinou ao longo dos três dias discussões de genética animal, mercado internacional, sucessão rural e também temas de política econômica e tributária que afetam diretamente a rentabilidade do produtor.
Por que a reforma tributária preocupa o setor agropecuário
A reforma tributária brasileira, em processo de regulamentação, traz mudanças significativas na forma como impostos sobre consumo são cobrados em toda a cadeia produtiva — incluindo o agronegócio, setor com regras específicas historicamente negociadas para preservar a competitividade da produção rural brasileira. Consequentemente, entender os detalhes dessa transição é fundamental para que produtores e cooperativas possam se planejar financeiramente para os próximos ciclos.
Ademais, para cooperativas — modelo de organização produtiva amplamente utilizado no Ceará e em todo o Nordeste —, a reforma tributária tem implicações específicas, já que o regime de tributação cooperativista possui características próprias que precisam ser preservadas ou adaptadas no novo sistema. Nesse sentido, a palestra de Renato Conchon buscou justamente esclarecer esses pontos para o público presente.
O projeto de forrageiras do semiárido, outro destaque da CNA na feira
Além da pauta tributária, o Sistema CNA/Senar também apresentou na PEC Brasil 2026 o projeto que avalia, desde 2017, o potencial produtivo de plantas forrageiras às condições de clima e solo do semiárido, e a capacidade de resiliência dessas plantas ao pastejo por ovinos, bovinos de corte e leite — iniciativa que conta com a contribuição técnica da Embrapa. Consequentemente, esse projeto se conecta diretamente com a urgência climática que o Portal AgroMais já vinha destacando ao longo da cobertura da feira: diante do El Niño histórico projetado para o segundo semestre, forrageiras mais resistentes à seca são ferramenta estratégica para a pecuária do semiárido nordestino.
Nesse sentido, a combinação entre análise tributária e pesquisa em forrageiras resistentes ilustra bem o papel que a CNA busca desempenhar junto ao produtor rural: oferecer tanto inteligência econômica quanto tecnologia aplicada, em uma mesma estrutura institucional presente na feira.
O que muda na prática para o produtor
- Produtores rurais e cooperativas: buscar orientação técnica sobre os impactos específicos da reforma tributária em seu segmento produtivo
- Cooperativas: verificar como o regime de tributação cooperativista está sendo tratado na regulamentação da reforma
- Pecuaristas do semiárido: acompanhar os resultados do projeto de forrageiras da CNA/Embrapa para identificar espécies mais resistentes à seca
- Avaliar a adoção de forrageiras testadas para resiliência ao pastejo em condições de clima e solo do semiárido
- Acompanhar publicações da CNA sobre o avanço da regulamentação tributária para o setor agropecuário
Próximos passos
A regulamentação da reforma tributária para o setor agropecuário deve avançar nos próximos meses. O Portal AgroMais acompanha os desdobramentos tributários e suas implicações para o produtor cearense.
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