As projeções para o El Niño 2026/27 atingiram um novo e alarmante patamar: a NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos) foi obrigada a ampliar a escala de seus gráficos de 4°C para 5°C após o modelo climático CFSv2 registrar previsões de anomalias de temperatura que excediam o limite anteriormente utilizado. Consequentemente, dados da MetSul Meteorologia indicam anomalias de temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial Centro-Leste entre +3°C e +4°C para o pico do evento — previsto para o último trimestre de 2026 —, um nível de aquecimento potencialmente jamais observado nos últimos 150 anos.
Nesse sentido, para colocar esses números em perspectiva: o super El Niño de 2015-16, considerado o mais intenso já registrado pelo método ONI da NOAA, atingiu máximo semanal de 3°C. O de 1982-83 chegou a 2,6°C. O de 1997-98, que causou devastação em todo o planeta, atingiu 2,3°C. As projeções atuais para o El Niño 2026/27 sugerem que o fenômeno pode superar todos esses registros históricos — ou ficando muito próximo do limite superior.
O que significa a NOAA ampliar a escala dos próprios gráficos
Desde abril de 2026, os gráficos do modelo CFSv2 da NOAA passaram por sucessivas ampliações de escala: em abril, o eixo vertical permitia representar anomalias de até 3°C; em maio, o limite passou para 4°C; e em julho, com as previsões continuando a aumentar e alguns membros do ensemble atingindo o teto da escala anterior, a NOAA foi obrigada a ampliar novamente para 5°C. Consequentemente, esse movimento — raro na história do monitoramento climático — indica que os próprios modelos que monitoram o fenômeno precisaram ser recalibrados para conseguir representar as projeções que estão sendo geradas.
Nesse sentido, é importante destacar que o CFSv2 não é o único modelo apontando essa direção. O ECMWF (Centro Europeu de Previsões) e o conjunto multimodelo do IRI (Instituto Internacional de Pesquisa para Clima e Sociedade) convergem no prognóstico de que as anomalias superarão com folga o limiar de um evento muito forte (acima de 2°C), com possibilidade de superar 2,5°C — o que já colocaria o fenômeno entre os mais intensos já registrados, mesmo nas projeções mais conservadoras.
O impacto específico para o Nordeste brasileiro e o produtor cearense
Para o produtor cearense e nordestino, essa atualização muda fundamentalmente a escala do risco que precisa ser considerado no planejamento do segundo semestre. Consequentemente, El Niños mais intensos tendem a produzir impactos mais severos no Nordeste: secas mais prolongadas, irregularidade de chuvas mais acentuada, estiagens que podem se estender além do período esperado e maior intensidade das ondas de calor. Com projeções de pico no último trimestre de 2026 — justamente o período em que o produtor nordestino começa a preparar a terra para o plantio da safra 2026/27 —, o timing do fenômeno é especialmente crítico.
Nesse sentido, a mensagem prática para o produtor nordestino não pode mais ser tratada como alerta preventivo genérico: é um chamado urgente a agir antes que o fenômeno se intensifique. Isso significa garantir estoques de forragem e suplementação para o rebanho nos próximos 30 a 60 dias; verificar a capacidade dos sistemas de armazenamento de água enquanto os reservatórios ainda estão em bom nível; e acessar o mais rapidamente possível as linhas do Plano Safra 2026/27 para irrigação (8% ao ano) e recuperação de pastagens (8,5% ao ano).
O que muda na prática para o produtor
- Garantir estoques de forragem e suplementação para o rebanho nos próximos 30 a 60 dias, antes da intensificação do El Niño no 3º e 4º trimestres
- Verificar imediatamente a capacidade de armazenamento de água da propriedade enquanto os reservatórios ainda estão em bom nível
- Acessar as linhas do Plano Safra 2026/27 para irrigação (8% ao ano) e recuperação de pastagens (8,5% ao ano) o quanto antes
- Consultar os boletins mensais do Inmet e da Funceme para monitorar a evolução das anomalias de temperatura no Pacífico e seus impactos projetados para o Ceará
- Avaliar a contratação de seguro rural mesmo sem subvenção garantida, dada a magnitude histórica do El Niño projetado
Próximos passos
A NOAA e o IRI devem publicar novas atualizações das projeções climáticas ao longo de julho. O Portal AgroMais acompanha o Super El Niño 2026 e seus impactos para o produtor cearense e nordestino.
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