A ApexBrasil realizou evento esta semana para apresentar os benefícios do Acordo Mercosul-UE para empresas e produtores brasileiros, destacando o acesso a um mercado de 720 milhões de consumidores e a redução de tarifas para centenas de produtos brasileiros, incluindo itens do agronegócio. Consequentemente, o acordo, que entrou em processo de ratificação após anos de negociação, representa para o agronegócio nordestino e especificamente cearense uma oportunidade concreta de expansão das exportações de frutas, mel, camarão e outros produtos diferenciados para o continente europeu. Nesse sentido, o evento da ApexBrasil chega num momento em que diversas iniciativas cearenses de internacionalização estão em andamento: o Programa Exporta Mais Brasil do Sebrae/CE para mel e própolis, a rodada internacional de negócios da PEC Brasil 2026 com 13 compradores estrangeiros, e as rotas de exportação de frutas pelo Porto do Pecém para Roterdã e Londres. O que o Mercosul-UE significa na prática para o produtor cearense O acordo Mercosul-UE prevê a redução gradual de tarifas de importação para dezenas de produtos agrícolas brasileiros no mercado europeu — incluindo frutas tropicais, mel, camarão e outros itens com presença crescente na pauta exportadora do Ceará. Consequentemente, a eliminação ou redução dessas tarifas ao longo de um período de transição de 7 a 10 anos cria uma vantagem competitiva gradual para os exportadores brasileiros frente a concorrentes de países que não têm acordo comercial com a UE. Nesse sentido, para o mel de tiúba e jandaíra da Caatinga — produtos que o Programa Exporta Mais Brasil busca posicionar nos mercados europeus —, a redução tarifária significa que o produto chega ao consumidor europeu com custo menor, permitindo ao exportador brasileiro ampliar margem ou reduzir preço para aumentar competitividade frente a concorrentes de países como o Uruguai (que já tem acesso facilitado via Mercosul) e outros produtores asiáticos. Os requisitos que o produtor precisa atender para acessar o mercado europeu Acesso a um mercado de 720 milhões de consumidores não vem sem exigências. Consequentemente, o mercado europeu é um dos mais rigorosos do mundo em termos de certificação sanitária, rastreabilidade, residuais de agrotóxicos e padrões de bem-estar animal. Para o produtor cearense que quer aproveitar o Mercosul-UE, o caminho começa por adequar os processos de produção e embalagem às normas europeias — exigência que o Programa Exporta Mais Brasil do Sebrae/CE busca facilitar com orientação técnica específica. Nesse sentido, a apicultura cearense — com seu diferencial de abelhas nativas sem ferrão, produção sem uso de agrotóxicos e identidade territorial da Caatinga — já reúne os atributos que o mercado europeu mais valoriza: origem identificada, processo natural e biodiversidade. O que falta, em muitos casos, é a formalização desses atributos em certificações reconhecidas internacionalmente — exatamente o suporte que o Sebrae/CE oferece no Programa Exporta Mais Brasil. O que muda na prática para o produtor Próximos passos O acordo Mercosul-UE avança no processo de ratificação. O Portal AgroMais acompanha as oportunidades para o agronegócio cearense no comércio com a Europa. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias.👉 www.portalagromais.com.br
Ceará tem 10% da agricultura familiar do Brasil e Desenrola Rural regularizou R$ 626 mi
O Ceará concentra 10% da agricultura familiar brasileira — dado apresentado pela ministra Fernanda Machiaveli durante o lançamento regional do Plano Safra em Fortaleza —, posicionando o estado como uma das principais bases da produção familiar do país. Consequentemente, além dos R$ 1,6 bilhão do Plano Safra da Agricultura Familiar especificamente destinados ao estado no novo ciclo, o evento de lançamento revelou outros dados relevantes sobre o impacto das políticas públicas na agricultura cearense. Nesse sentido, um dos destaques foi o desempenho do Desenrola Rural no Ceará: o programa já regularizou R$ 626,8 milhões em dívidas de 22,8 mil beneficiários no estado — um alívio financeiro concreto para produtores que carregavam dívidas de ciclos anteriores e que agora têm condições de acessar o novo crédito do Plano Safra 2026/27 sem a barreira do endividamento anterior. Os outros programas que chegam ao agricultor familiar cearense Além do crédito do Pronaf, o evento em Fortaleza também revelou o alcance de outros programas do governo federal no Ceará. Consequentemente, os Quintais Produtivos somam 11.936 unidades no estado — iniciativa que apoia famílias em situação de vulnerabilidade na produção de alimentos para o autoconsumo e para a venda local. O PAA — Programa de Aquisição de Alimentos — mobilizou R$ 26,18 milhões em chamadas públicas no Ceará, com previsão de aquisição de 1,87 mil toneladas de alimentos — conectando produtores familiares ao mercado institucional de alimentação escolar e assistência social. Ademais, um dos dados mais reveladores do ciclo que se encerrou foi apresentado pelo banco: nas últimas três edições do Plano Safra, houve elevação de 162% no volume de financiamentos para o Nordeste, com 2,4 milhões de agricultores familiares tendo acessado crédito rural com juros reduzidos. Nesse sentido, ‘O Plano Safra é, hoje, um dos maiores instrumentos de inclusão produtiva do nosso país’, afirmou a ministra Machiaveli, destacando que famílias que tinham renda de até R$ 60 mil por ano agora acessam um crédito que ‘realmente pode transformar as suas vidas’. O CredAmigo ampliado como porta de entrada para os menores produtores Uma das inovações destacadas durante o evento foi a ampliação do limite do CredAmigo no Plano Safra 2026/27 para R$ 74 mil, com manutenção da taxa de juros de 0,5% ao ano — condições que, somadas ao desconto de 40% para adimplentes no Nordeste, representam o instrumento de crédito mais acessível disponível para os menores produtores familiares. Consequentemente, para o agricultor familiar cearense que nunca acessou crédito formal, o CredAmigo com manutenção do desconto de 40% é frequentemente o primeiro passo — mais simples e com menos burocracia do que as demais linhas do Pronaf. Nesse sentido, com 54% das contratações do Agroamigo no Nordeste sendo assinadas por mulheres, fica evidente que o programa já encontrou seu público prioritário — e que as novas condições do Pronaf B para mulheres (microcrédito de R$ 28 mil) devem ampliar ainda mais esse protagonismo feminino no acesso ao crédito rural cearense. O que muda na prática para o produtor Próximos passos O Portal AgroMais acompanha os desdobramentos do Plano Safra 2026/27 para a agricultura familiar cearense e os programas complementares de apoio ao produtor. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
BNB confirma R$ 25,9 bi para o Nordeste com 54% das contratações do Agroamigo por mulheres
O Banco do Nordeste confirmou que operará R$ 25,9 bilhões em crédito rural para produção nos próximos 12 meses via Plano Safra 2026/27 — um aumento de 18% sobre o ciclo anterior e a injeção de R$ 4 bilhões adicionais na economia regional nordestina. Consequentemente, esse volume posiciona o BNB como o principal agente financeiro do crédito rural no Nordeste: o banco responde por mais de 94% dos contratos firmados pelo Plano Safra em sua área de atuação e aproximadamente 70% do volume financeiro contratado. Nesse sentido, um dos dados mais reveladores do lançamento regional em Fortaleza foi apresentado pelo superintendente de Agronegócios e Microfinança Rural do BNB, Luiz Sérgio Farias Machado: ‘54% das contratações do Agroamigo, o programa de Microfinança Rural do BNB, são assinados por mulheres’ — um dado que confirma, com números concretos, o protagonismo crescente da mulher rural que o Portal AgroMais vinha destacando na cobertura do IV Encontro das Mulheres do Agro na PEC Brasil 2026. A divisão dos R$ 25,9 bilhões e o foco em irrigação e baixo carbono Dos R$ 25,9 bilhões totais, R$ 13,4 bilhões serão direcionados para projetos empresariais de mini, pequenos, médios e grandes produtores, com foco principal em sistemas de irrigação, estruturas de armazenagem e técnicas de agricultura de baixo carbono. Consequentemente, essa ênfase em irrigação chega em momento especialmente relevante para o Nordeste, que enfrenta o El Niño histórico com projeções de anomalias sem precedentes em 150 anos — tornando a modernização dos sistemas de irrigação não apenas uma questão de produtividade, mas de sobrevivência da atividade agrícola em regiões já vulneráveis à irregularidade climática. Nesse sentido, os outros R$ 12,5 bilhões serão voltados exclusivamente para a agricultura familiar, com o BNB concentrando sua operação no Pronaf via Agroamigo — o programa de microcrédito rural orientado que, segundo dados do banco, atendeu no ciclo anterior 836 mil contratações, correspondendo a 98% de todas as operações rurais realizadas pela instituição. O balanço do ciclo anterior e o que esperar do novo O ciclo 2025/26 que se encerrou em 30 de junho registrou R$ 22,5 bilhões liberados pelo BNB em crédito rural, com R$ 11,9 bilhões destinados ao custeio e investimento da agricultura familiar. Consequentemente, com o novo ciclo partindo de um patamar 18% maior, a expectativa é que o BNB supere os recordes operacionais do ciclo anterior em número de contratos e volume financeiro. Nesse sentido, para o produtor familiar cearense que ainda não acessou o crédito do novo ciclo, a recomendação prática continua sendo organizar a documentação — DAP atualizada, CAR regularizado e comprovantes fiscais — e buscar o BNB ainda nesta primeira quinzena de julho, aproveitando o momento em que o novo ciclo começa sem os contingenciamentos que tipicamente se acumulam ao longo do segundo semestre. O que muda na prática para o produtor Próximos passos O BNB deve divulgar os primeiros resultados de contratações do novo ciclo ao longo de agosto. O Portal AgroMais acompanha o crédito rural para o produtor cearense. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias.👉 www.portalagromais.com.br
Estratégia dos frigoríficos funciona e oferta menor limita queda da arroba
A estratégia adotada pelos frigoríficos brasileiros de reduzir abates via férias coletivas diante do esgotamento da cota de exportação para a China está surtindo o efeito pretendido, segundo análise da Safras & Mercado. Consequentemente, ao reduzir a capacidade instalada, as indústrias controlam a oferta de carne no mercado doméstico e evitam queda ainda mais acentuada nos preços da arroba. Nesse sentido, embora a arroba tenha acumulado recuo de mais de R$ 20 em duas semanas — saindo de patamares acima de R$ 350 para a faixa de R$ 332-334 em São Paulo —, o ritmo de queda foi mais moderado do que analistas projetavam num cenário sem a gestão ativa da oferta pelos frigoríficos. Como a capacidade ociosa funciona como amortecedor de preços Quando frigoríficos reduzem as escalas de abate via férias coletivas, dois efeitos simultâneos se produzem no mercado. Consequentemente, primeiro, a demanda por gado vivo para abate diminui, reduzindo a pressão compradora sobre os pecuaristas e permitindo que os preços caiam sem o agravante de frigoríficos precisando comprar a qualquer preço para manter as plantas operando. Segundo, a menor oferta de carne no mercado interno reduz a pressão vendedora no atacado e no varejo, evitando que a queda do preço ao consumidor seja tão acentuada que sinalizaria uma recessão de demanda no setor. Nesse sentido, o analista Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado, resume bem a lógica: ‘O aumento da capacidade ociosa tem se tornado prática comum entre frigoríficos no mês de julho, avaliando as consequências do esgotamento precoce das cotas chinesas, fazendo com que a indústria precise se adequar a uma nova realidade de demanda.’ Essa gestão ativa contrasta com ciclos anteriores de esgotamento de cota, quando a falta de coordenação da indústria gerou quedas mais abruptas de preços. O que esperar nas próximas semanas Para as próximas semanas, o mercado permanecerá num equilíbrio delicado entre três forças: a menor demanda da China (que deve permanecer ausente parcialmente até setembro-outubro), a menor oferta doméstica gerenciada pelos frigoríficos via férias coletivas, e o comportamento do consumo interno, que tem se mostrado relativamente firme segundo os analistas. Consequentemente, esse equilíbrio sugere que a arroba deve permanecer pressionada, mas sem quedas abruptas adicionais — um cenário de ‘mercado em transição’, como classificou o zootecnista Felipe Fabbri, da Scot Consultoria. Nesse sentido, o gatilho mais esperado para inversão de tendência segue sendo setembro-outubro, quando frigoríficos devem começar a formar posições para a cota chinesa de 2027 — o que pode criar uma janela de recuperação antecipada nos preços da arroba para quem souber se posicionar com antecedência. O que muda na prática para o produtor Próximos passos O mercado aguarda sinais da China sobre a retomada das compras. O Portal AgroMais acompanha as cotações do boi gordo semanalmente. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias.👉 www.portalagromais.com.br
Brasil importa 85% dos fertilizantes e dependência fragiliza o agronegócio
O Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes consumidos na agricultura, e essa dependência estrutural tem impacto direto sobre a competitividade e a margem do produtor nacional, especialmente em momentos de volatilidade geopolítica. Consequentemente, a alta de mais de 40% no custo da ureia observada durante o conflito EUA-Irã no primeiro semestre de 2026 — seguida de queda de mais de 40% após a normalização geopolítica — ilustra perfeitamente o problema: o produtor brasileiro está sujeito a oscilações bruscas de custo que nada têm a ver com sua própria eficiência produtiva. Nesse sentido, segundo análise publicada pelo Notícias Agrícolas, essa dependência prejudica a eficiência do agronegócio brasileiro ao tornar o custo de produção altamente sensível a choques externos — eventos climáticos em países produtores de potássio, políticas tarifárias de exportadores como a Rússia e o Belarus, ou tensões geopolíticas que interrompem rotas marítimas de abastecimento. A composição da dependência e os principais gargalos O Brasil depende fortemente de importações especialmente de potássio (>95% importado), nitrogênio/ureia (~80%) e fosfato (~50%). Consequentemente, a dependência do potássio é especialmente preocupante porque os principais produtores mundiais — Rússia, Belarus e Canadá — estão sujeitos a dinâmicas geopolíticas e comerciais que podem restringir o acesso brasileiro ao insumo em momentos críticos. O conflito na Europa do Leste, por exemplo, afetou significativamente a oferta de potássio russo e bielorrusso, elevando os preços globais por períodos prolongados. Nesse sentido, o Brasil tem reservas conhecidas de potássio — especialmente no Amazonas e em Sergipe —, mas o desenvolvimento dessas reservas exigiria investimentos de longo prazo em mineração e infraestrutura que ainda não foram suficientemente viabilizados. Ademais, o crescimento do mercado de bioinsumos e a adoção de práticas de agricultura de baixo carbono — como o plantio direto, a fixação biológica de nitrogênio e os sistemas agroflorestais — são apontados como caminhos para reduzir gradualmente a dependência de fertilizantes sintéticos importados. O que o produtor pode fazer para mitigar o risco de dependência Embora a solução estrutural da dependência de fertilizantes exija política pública de longo prazo, o produtor pode adotar estratégias práticas para reduzir sua exposição ao risco de custo. Consequentemente, uma das mais relevantes é a antecipação das compras de fertilizantes para momentos de preço mais favorável — exatamente o que o lançamento da ferramenta de transparência de preços de insumos, divulgada esta semana, busca facilitar ao dar ao produtor acesso a referências de mercado antes de negociar. Nesse sentido, a diversificação de fornecedores, a substituição parcial de fertilizantes sintéticos por bioinsumos onde tecnicamente viável, e a eficiência no uso de nutrientes via análise de solo e adubação de precisão são estratégias que, além de reduzir o custo unitário, diminuem a exposição à volatilidade do mercado internacional de insumos. O que muda na prática para o produtor Próximos passos O Portal AgroMais acompanha o mercado de insumos agrícolas e as iniciativas para reduzir a dependência de fertilizantes importados no Brasil. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias.👉 www.portalagromais.com.br
Açúcar com oferta mundial apertada: Índia, Tailândia, Europa e E32 pressionam mercado
O mercado de açúcar entra na pauta desta semana com dados que sustentam atenção do setor: especialistas apontam que incertezas sobre a produção na Índia, Tailândia e Europa, somadas ao maior direcionamento da cana para o etanol no Brasil — especialmente após a entrada em vigor do E32 desde 24 de junho —, criam um cenário de oferta mundial mais apertada do que o mercado precificava até há algumas semanas. Consequentemente, esse contexto é especialmente relevante para o usineiro brasileiro que ainda precisa definir o mix de produção entre açúcar e etanol para o segundo semestre da safra 2026/27. Nesse sentido, o E32 — que obriga a mistura de 32% de etanol anidro na gasolina — está funcionando como um desvio de parte da produção de cana do açúcar para o etanol, reduzindo a oferta global do adoçante num momento em que outros grandes produtores também enfrentam incertezas climáticas. As incertezas nos principais produtores globais A Índia, maior produtor mundial de açúcar em alguns ciclos recentes, enfrenta condições climáticas de monitoramento, com irregularidades na chuva monção que podem impactar a produção da safra 2026/27. Consequentemente, a Tailândia, outro grande exportador asiático, também apresenta incertezas climáticas que os analistas vêm acompanhando de perto. Na Europa, a beterraba sacarina — principal matéria-prima para a produção de açúcar no continente — pode sofrer impactos de um verão que se anuncia mais seco do que a média em algumas regiões produtoras. Nesse sentido, quando se somam as incertezas em múltiplos produtores simultâneos, o mercado global de açúcar passa de uma posição de relativo conforto de oferta para um cenário de maior atenção — exatamente a mudança de percepção que os especialistas consultados pelo Notícias Agrícolas identificam nesta semana. O impacto do E32 na equação brasileira O Brasil responde por aproximadamente 40% das exportações mundiais de açúcar, tornando qualquer mudança no mix de produção das usinas brasileiras relevante para o mercado global. Consequentemente, com o E32 em vigor e a demanda por etanol anidro garantida pela política de mistura obrigatória, as usinas que haviam planejado maior participação do açúcar no mix de produção passam a ter incentivo adicional para redirecionar mais cana para o etanol — especialmente as usinas do Centro-Sul, onde a sazonalidade e o custo logístico do etanol são mais favoráveis. Nesse sentido, para o usineiro nordestino — que historicamente já tem maior orientação para o etanol anidro do que para o açúcar exportado —, o contexto atual reforça a estratégia que já vinha sendo adotada. Mas para usinas que vinham priorizando o açúcar para exportação, a combinação entre E32 e o cenário de oferta global mais apertada cria um momento de revisão do planejamento da safra. O que muda na prática para o produtor Próximos passos O mercado de açúcar deve receber novas informações sobre as safras de Índia e Tailândia ao longo de julho. O Portal AgroMais acompanha o complexo sucroenergético. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
Soja mantém alta com Weather Market ativo e preços devem subir no Brasil
A soja segue em trajetória de alta nesta terça-feira (7), dando continuidade ao movimento iniciado na véspera com a disparada de quase 3% em Chicago impulsionada por alertas de calor no Corn Belt americano. Consequentemente, a semana tem previsão de preços mais altos para a soja no Brasil, com a combinação de câmbio próximo de R$ 5,18 favorecendo o exportador e os portos sustentando patamares acima da paridade de exportação. Nesse sentido, vendedores seguem atentos às condições climáticas do Corn Belt americano e às valorizações internacionais, numa dinâmica típica do Weather Market de julho — período em que cada atualização climática dos Estados Unidos tem potencial de movimentar os preços para cima ou para baixo em questão de horas. Por que esta semana é considerada mais curta mas de movimento de alta A semana é considerada ‘mais curta’ pelos analistas devido ao feriado americano da sexta-feira passada, que reduziu o volume de negócios e criou menor liquidez nos pregões. Consequentemente, com os mercados voltando a plena liquidez nesta semana, o movimento iniciado na segunda-feira com a alta de quase 3% tende a ter mais impacto nas cotações do que se tivesse ocorrido numa semana normal — já que os participantes do mercado retornam com posições a ajustar e novos dados climáticos para precificar. Nesse sentido, o relatório semanal de condições de lavouras do USDA, publicado toda segunda-feira às 17h, já trouxe a primeira leitura completa do estado das lavouras americanas após o feriado — e seu conteúdo deve ser o principal catalisador das cotações ao longo desta semana, especialmente se confirmar ou ampliar as preocupações com o calor no Corn Belt que impulsionaram a alta de segunda-feira. O dilema do custo de carrego para quem ainda tem soja em estoque Para o produtor brasileiro que ainda mantém soja da safra 2025/26 em estoque, a alta desta semana renova o dilema entre vender agora ou aguardar preços ainda melhores. Consequentemente, o Rabobank, em seu último relatório AgroInfo, projeta que o real tende a se enfraquecer nos próximos meses — o que adicionaria mais um fator favorável ao retorno em reais das exportações de soja. Mas o mesmo relatório confirma a safra histórica de 182 milhões de toneladas no Brasil, volume que limita a capacidade de alta mais sustentada nos preços internos. Nesse sentido, a equação prática para o produtor é: calcular o custo de carrego mensal (juros + armazenagem + seguro), somar a perspectiva de câmbio mais favorável à frente, e comparar com o retorno imediato de vender nos portos que testam R$ 138/sc. Quem tem custo de carrego alto pode ter mais a ganhar vendendo agora do que aguardando pela eventual alta cambial. O que muda na prática para o produtor Próximos passos O Portal AgroMais acompanha as cotações de soja e os desdobramentos do Weather Market ao longo de julho. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
Super El Niño 2026 pode ser o mais forte em 150 anos, aponta NOAA
As projeções para o El Niño 2026/27 atingiram um novo e alarmante patamar: a NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos) foi obrigada a ampliar a escala de seus gráficos de 4°C para 5°C após o modelo climático CFSv2 registrar previsões de anomalias de temperatura que excediam o limite anteriormente utilizado. Consequentemente, dados da MetSul Meteorologia indicam anomalias de temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial Centro-Leste entre +3°C e +4°C para o pico do evento — previsto para o último trimestre de 2026 —, um nível de aquecimento potencialmente jamais observado nos últimos 150 anos. Nesse sentido, para colocar esses números em perspectiva: o super El Niño de 2015-16, considerado o mais intenso já registrado pelo método ONI da NOAA, atingiu máximo semanal de 3°C. O de 1982-83 chegou a 2,6°C. O de 1997-98, que causou devastação em todo o planeta, atingiu 2,3°C. As projeções atuais para o El Niño 2026/27 sugerem que o fenômeno pode superar todos esses registros históricos — ou ficando muito próximo do limite superior. O que significa a NOAA ampliar a escala dos próprios gráficos Desde abril de 2026, os gráficos do modelo CFSv2 da NOAA passaram por sucessivas ampliações de escala: em abril, o eixo vertical permitia representar anomalias de até 3°C; em maio, o limite passou para 4°C; e em julho, com as previsões continuando a aumentar e alguns membros do ensemble atingindo o teto da escala anterior, a NOAA foi obrigada a ampliar novamente para 5°C. Consequentemente, esse movimento — raro na história do monitoramento climático — indica que os próprios modelos que monitoram o fenômeno precisaram ser recalibrados para conseguir representar as projeções que estão sendo geradas. Nesse sentido, é importante destacar que o CFSv2 não é o único modelo apontando essa direção. O ECMWF (Centro Europeu de Previsões) e o conjunto multimodelo do IRI (Instituto Internacional de Pesquisa para Clima e Sociedade) convergem no prognóstico de que as anomalias superarão com folga o limiar de um evento muito forte (acima de 2°C), com possibilidade de superar 2,5°C — o que já colocaria o fenômeno entre os mais intensos já registrados, mesmo nas projeções mais conservadoras. O impacto específico para o Nordeste brasileiro e o produtor cearense Para o produtor cearense e nordestino, essa atualização muda fundamentalmente a escala do risco que precisa ser considerado no planejamento do segundo semestre. Consequentemente, El Niños mais intensos tendem a produzir impactos mais severos no Nordeste: secas mais prolongadas, irregularidade de chuvas mais acentuada, estiagens que podem se estender além do período esperado e maior intensidade das ondas de calor. Com projeções de pico no último trimestre de 2026 — justamente o período em que o produtor nordestino começa a preparar a terra para o plantio da safra 2026/27 —, o timing do fenômeno é especialmente crítico. Nesse sentido, a mensagem prática para o produtor nordestino não pode mais ser tratada como alerta preventivo genérico: é um chamado urgente a agir antes que o fenômeno se intensifique. Isso significa garantir estoques de forragem e suplementação para o rebanho nos próximos 30 a 60 dias; verificar a capacidade dos sistemas de armazenamento de água enquanto os reservatórios ainda estão em bom nível; e acessar o mais rapidamente possível as linhas do Plano Safra 2026/27 para irrigação (8% ao ano) e recuperação de pastagens (8,5% ao ano). O que muda na prática para o produtor Próximos passos A NOAA e o IRI devem publicar novas atualizações das projeções climáticas ao longo de julho. O Portal AgroMais acompanha o Super El Niño 2026 e seus impactos para o produtor cearense e nordestino. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias.👉 www.portalagromais.com.br