O agronegócio brasileiro registrou seu melhor primeiro trimestre da história: as exportações do setor somaram US$ 38,1 bilhões entre janeiro e março de 2026, alta de 0,9% sobre o mesmo período de 2025 e o maior valor da série histórica para o período. Consequentemente, as importações agropecuárias totalizaram US$ 5 bilhões — queda de 3,3% —, resultando em superávit recorde de US$ 33 bilhões, alta de 1,8% sobre igual intervalo do ano passado.
Nesse sentido, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, ressaltou que o resultado ‘mostra a força de um setor construído com trabalho e investimento ao longo de muitos anos’, destacando a abertura de 30 novos mercados só no primeiro trimestre — que se somam aos mais de 500 abertos nos três primeiros anos da gestão atual.
Os mercados que mais cresceram e os que recuaram
A China manteve a liderança como principal destino das exportações do agronegócio brasileiro, com US$ 11,33 bilhões (29,8% do total) e crescimento de 4,7% na comparação anual. Consequentemente, os mercados que registraram os maiores crescimentos percentuais foram Filipinas (+68,3%), Índia (+47,1%), Tailândia (+23,8%), México (+21,7%) e Chile (+21,8%) — uma diversificação geográfica que reduziu a dependência exclusiva da China, mesmo com o mercado asiático mantendo a liderança absoluta.
Nesse sentido, o ponto negativo foi a retração de 31,2% nas exportações para os Estados Unidos — reflexo das tensões tarifárias que marcaram o primeiro semestre de 2026 —, que caiu de sua posição habitual no ranking dos principais compradores do agronegócio brasileiro. Ademais, apesar do aumento de 3,8% no volume exportado, o preço médio recuou 2,8%, com queda nas cotações de açúcar bruto, algodão, milho e farelo de soja — evidenciando que o recorde de valor se apoiou principalmente no volume e na diversificação de mercados.
O que esses números significam para o Nordeste
Para o agronegócio cearense e nordestino, os dados do primeiro trimestre histórico de exportações confirmam uma tendência que o Portal AgroMais vinha acompanhando: o Nordeste está cada vez mais inserido nesse fluxo exportador, com a fruticultura irrigada do Vale do Jaguaribe, a carcinicultura e o mel da Caatinga ganhando presença em mercados internacionais que o Brasil abre progressivamente. Consequentemente, a abertura de 30 novos mercados no primeiro trimestre representa oportunidades reais para produtos nordestinos que ainda não exportam, mas têm potencial — exatamente o público que o Programa Exporta Mais Brasil do Sebrae/CE, lançado recentemente para mel e própolis, busca alcançar.
Nesse sentido, o superávit recorde de US$ 33 bilhões no primeiro trimestre também reforça o papel estratégico do crédito rural — especialmente o novo Plano Safra 2026/27, que entra em vigor esta semana — como instrumento de manutenção da competitividade exportadora brasileira ao longo dos próximos meses.
O que muda na prática para o produtor
- Exportadores cearenses: usar os dados de crescimento nos mercados de Filipinas (+68,3%) e Índia (+47,1%) como referência para diversificar destinos além da China e da Europa
- Produtores interessados em exportar: conectar-se ao Programa Exporta Mais Brasil do Sebrae/CE para aproveitar os 30 novos mercados abertos no 1º trimestre
- Acompanhar os dados de exportação do 2º trimestre de 2026, que serão afetados pelo esgotamento da cota chinesa de carne bovina
- Avaliar o potencial de produtos com alta de demanda internacional — como proteína animal, frutas tropicais e mel — para ampliação da pauta exportadora
- Monitorar a evolução do câmbio como fator que pode ampliar ou reduzir o retorno em reais das exportações ao longo do segundo semestre
Próximos passos
O Ministério da Agricultura deve divulgar os dados de exportação do 2º trimestre nos próximos meses. O Portal AgroMais acompanha o desempenho do agronegócio brasileiro no comércio internacional.
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