El Niño 2026/27 pode elevar riscos para soja, milho, café e cana, aponta novo relatório

Um novo alerta sobre o El Niño 2026/27 reforça que o fenômeno climático deve elevar os riscos para múltiplas culturas simultaneamente — soja, milho, café e cana entre as mais expostas — com potencial de aumentar a volatilidade no agronegócio em escala global. Consequentemente, a confirmação se soma a outros relatórios recentes, como o do Itaú BBA, que já classificava o El Niño 2026/27 como um vetor estratégico de risco capaz de dividir o desempenho agrícola do Brasil entre regiões beneficiadas e regiões severamente afetadas.

Para o produtor brasileiro, portanto, a mensagem que se consolida nas últimas semanas é a mesma: o planejamento da safra 2026/27 não pode mais tratar o El Niño como cenário hipotético, mas como premissa central de gestão de risco em praticamente todas as principais cadeias produtivas do país.

El Niño: porque múltiplas culturas são afetadas ao mesmo tempo

Diferentemente de eventos climáticos localizados, que afetam uma região ou cultura específica, o El Niño tem a particularidade de alterar padrões de circulação atmosférica em escala continental — o que explica por que soja, milho, café e cana podem ser impactados simultaneamente, ainda que por mecanismos distintos. Consequentemente, enquanto a soja e o milho sofrem principalmente com atrasos de plantio e veranicos no Centro-Oeste e Matopiba, o café enfrenta o risco de floradas erráticas, e a cana pode ser afetada tanto pelo estresse hídrico em algumas regiões quanto pelo excesso de chuva em outras.

Nesse sentido, a cana-de-açúcar merece atenção especial porque a safra do Centro-Sul, que se inicia normalmente em abril, já está em andamento, e qualquer irregularidade climática ao longo dos próximos meses pode afetar tanto a produtividade agrícola quanto o teor de açúcar (ATR) da matéria-prima — variável crítica para a decisão das usinas entre produzir mais etanol ou mais açúcar.

A volatilidade como nova normalidade para o segundo semestre

Ademais, o relatório reforça que a combinação de múltiplos riscos climáticos simultâneos tende a se traduzir em maior volatilidade nos mercados futuros de commodities agrícolas — um padrão que já vínhamos observando nas últimas semanas, com o mercado de café alternando sessões de alta e baixa conforme as atualizações climáticas chegam. Consequentemente, essa volatilidade deve se intensificar à medida que o El Niño avança em força ao longo do segundo semestre, especialmente no último trimestre do ano, quando o fenômeno deve atingir sua maior intensidade segundo as projeções mais recentes.

El Niño: o que isso significa para a gestão de risco do produtor

Diante de um cenário de riscos climáticos múltiplos e simultâneos, a gestão de risco do produtor brasileiro precisa ser igualmente multifacetada. Para quem produz soja e milho, isso significa considerar a diversificação de variedades e o escalonamento do plantio. Para o cafeicultor, monitorar de perto a janela de florada. Para o setor sucroenergético, acompanhar o desenvolvimento do canavial e ajustar o planejamento de moagem conforme as condições reais observadas em campo.

O que muda na prática para o produtor

  • Produtores de soja e milho: considerar diversificação de variedades e escalonamento do plantio para reduzir a exposição a um único padrão climático adverso
  • Cafeicultores: monitorar a janela crítica de florada entre setembro e outubro com atenção redobrada às atualizações do Itaú BBA e da Conab
  • Usineiros de cana: acompanhar o desenvolvimento do canavial nas próximas semanas para ajustar o planejamento de moagem e o mix de produção entre etanol e açúcar
  • Avaliar instrumentos de hedge e seguro rural para as culturas mais expostas ao El Niño identificadas no relatório
  • Acompanhar atualizações semanais de instituições como Itaú BBA, Conab e Funceme sobre a evolução do fenômeno ao longo do segundo semestre

Próximos passos

O El Niño deve atingir sua maior intensidade no último trimestre de 2026, segundo as projeções mais recentes. O Portal AgroMais acompanha os relatórios de risco climático e seus desdobramentos para as principais cadeias do agronegócio brasileiro.

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Jakeline Diógenes
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