O café arábica e o robusta recuaram nesta segunda-feira (22), pressionados pelo avanço da colheita brasileira da safra 2026, que segue ampliando a oferta no curto prazo. Consequentemente, a expectativa de uma produção mais robusta para o ciclo atua como limitador para movimentos mais consistentes de alta nas bolsas internacionais, tanto na Bolsa de Nova York quanto na ICE Europa, em Londres.
Nesse contexto, apesar do recuo observado na abertura da semana, o mercado permanece atento às condições climáticas, especialmente aos efeitos do El Niño, que pode provocar irregularidades no regime de chuvas e nas temperaturas, afetando diretamente o desenvolvimento das lavouras nas principais regiões produtoras nos próximos meses.
Por que o mercado opera com cautela mesmo diante de boa safra
A lógica do mercado cafeeiro, assim como observamos em outras commodities agrícolas, costuma precificar com antecedência tanto os fundamentos de oferta presente quanto os riscos futuros. Consequentemente, mesmo com a colheita em ritmo favorável e a perspectiva de produção robusta para 2026, qualquer sinal de risco climático para os próximos ciclos é suficiente para conter movimentos de queda mais expressivos nos preços.
Ademais, esse comportamento já vinha sendo observado nas semanas anteriores, quando o mercado alternou sessões de alta e baixa conforme as previsões climáticas eram atualizadas — um padrão que tende a se repetir ao longo do segundo semestre, à medida que o El Niño avança em intensidade.
O El Niño como fator estrutural, não mais hipotético
Para o cafeicultor brasileiro, a principal mudança de postura recomendada pelo mercado nas últimas semanas é parar de tratar o El Niño como cenário hipotético e passar a incorporá-lo como premissa central do planejamento da safra 2026/27. Nesse sentido, o próprio relatório do Itaú BBA, divulgado nas últimas semanas, já havia identificado a janela crítica de setembro a outubro — período da florada do café — como especialmente vulnerável a chuvas erráticas decorrentes do fenômeno.
Consequentemente, cafeicultores de Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo e Bahia devem monitorar de perto as atualizações climáticas para esse período, já que floradas antecipadas, desuniformes ou com maior taxa de abortamento podem comprometer diretamente a produtividade do próximo ciclo — mesmo que a safra atual, em colheita, mantenha-se dentro das expectativas.
O que isso significa para a comercialização da safra atual
Diante desse cenário, a recomendação para quem ainda tem café da safra 2026 a comercializar é avaliar a fixação de parte da produção em momentos de alta pontual — como os observados em sessões anteriores, motivados por fatores técnicos ou geopolíticos —, em vez de aguardar uma tendência de alta sustentada que pode não se confirmar enquanto a colheita ainda está em pleno andamento. Portanto, o equilíbrio entre capturar preços favoráveis no curto prazo e gerenciar o risco climático do próximo ciclo é o desafio central do cafeicultor neste momento do ano.
O que muda na prática para o produtor
- Cafeicultores: avaliar a fixação de parte da produção da safra 2026 em momentos de alta pontual nas bolsas, sem esperar tendência sustentada
- Monitorar as previsões climáticas para a janela de setembro a outubro, crítica para a florada do café no próximo ciclo
- Acompanhar a evolução do El Niño nos próximos boletins do Itaú BBA e de outras instituições especializadas em risco agrícola
- Produtores de Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo e Bahia: redobrar atenção aos boletins climáticos regionais a partir de agosto
- Avaliar contratos futuros como instrumento de proteção diante da volatilidade que o El Niño deve trazer ao mercado cafeeiro no segundo semestre
Próximos passos
O mercado de café deve seguir sensível às atualizações climáticas relacionadas ao El Niño nas próximas semanas. O Portal AgroMais acompanha as cotações de café e os relatórios de risco climático para o setor.
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