Julho chega com uma dinâmica bem conhecida pelos mercados de grãos: o chamado Weather Market, período em que o clima dos Estados Unidos — especialmente nas regiões produtoras do Meio-Oeste americano — assume o protagonismo na formação de preços nas bolsas de Chicago (CBOT). Consequentemente, o milho seguiu em alta nesta quinta-feira, com os futuros para setembro registrando valorização de 1,7% e o contrato dezembro subindo 1,7%, depois que os estoques trimestrais do USDA divulgados na terça-feira (30) vieram abaixo das expectativas do mercado: 134 milhões de toneladas, ante projeção de 137,37 milhões.
Nesse sentido, a soja iniciou julho com estabilidade em Chicago, aguardando os próximos relatórios de condições de lavouras antes de definir tendência mais clara, enquanto o trigo fechou a semana em alta sustentado pela oferta restrita no mercado global.
O que é o Weather Market e por que ele importa para o Brasil
O Weather Market é o período do ano em que as condições climáticas nos estados produtores dos Estados Unidos — como Iowa, Illinois e Indiana — exercem influência dominante sobre a formação de preços das principais commodities agrícolas nas bolsas internacionais. Consequentemente, qualquer desvio significativo do clima esperado nas lavouras americanas — seja seca, excesso de chuva ou geada fora de época — tende a se traduzir rapidamente em movimentos de alta ou baixa nos contratos futuros de Chicago.
Para o produtor brasileiro, o Weather Market é relevante porque os preços internacionais em Chicago funcionam como referência global para a formação do preço da soja e do milho no Brasil. Ademais, com a safrinha de milho brasileira ainda em colheita em partes do Centro-Oeste e a definição das intenções de plantio da safra 2026/27 se aproximando, o comportamento do Weather Market nas próximas semanas vai influenciar diretamente as cotações domésticas.
Os números que saíram do USDA e seus impactos
A atualização dos estoques trimestrais de grãos dos Estados Unidos divulgada pelo USDA na terça-feira trouxe uma surpresa: o estoque de milho americano ficou em 134 milhões de toneladas, ante projeção de 137,37 milhões — 2,4% abaixo do esperado. Consequentemente, esse resultado mais apertado do que o antecipado pelos traders contribuiu para sustentar a alta do milho ao longo desta semana, com os fundos de investimento ampliando posições compradas no cereal após a divulgação.
Nesse sentido, o resultado do USDA também revelou que a área plantada de milho nos EUA para a safra 2026/27 foi ligeiramente superior ao esperado, mas o mercado tratou o número de estoques mais apertados como o fator dominante na sessão de terça-feira — uma leitura que confirma a lógica do Weather Market: neste período do ano, o dado de oferta presente supera as projeções de safra futura como motor de preços.
O que muda na prática para o produtor
- Produtores de soja e milho: monitorar diariamente as condições climáticas nos estados produtores dos EUA durante o Weather Market de julho
- Acompanhar os relatórios semanais de condições de lavouras do USDA (às 17h de toda segunda-feira) como principal indicador antecipado de movimentos de preço
- Avaliar oportunidades de fixação de preço da safrinha de milho nos momentos de alta do Weather Market antes do início da colheita nas principais regiões
- Monitorar a curva futura de soja em Chicago para calibrar o timing de comercialização da produção 2025/26 ainda em estoque
- Acompanhar o câmbio em conjunto com as cotações internacionais para avaliar o retorno em reais das vendas de exportação
Próximos passos
Os relatórios semanais do USDA sobre condições de lavouras devem guiar o Weather Market ao longo de julho. O Portal AgroMais acompanha as cotações internacionais de grãos e seus efeitos sobre o produtor brasileiro.
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