A guerra entre Estados Unidos e Irã entrou ontem (20 de julho) no nono dia consecutivo de ataques, com escalada que não dá sinais de desaceleração: a Guarda Revolucionária Islâmica iraniana informou que dois petroleiros explodiram e ficaram imobilizados ao tentar transitar pelo Estreito de Ormuz — rota por onde passa 20% do petróleo global. A Guarda Revolucionária afirmou que ‘essa passagem não será segura para o transporte de produtos petroquímicos, nem sequer de uma única gota de petróleo e gás, enquanto persistir a agressão americana’. Consequentemente, os preços do petróleo subiram mais de 2%, com o Brent superando US$ 90 por barril — alimentando temores de inflação global e pressionando diretamente os custos de fertilizantes e fretes marítimos.
Nesse sentido, o colapso de um acordo provisório de cessar-fogo assinado há um mês está por trás do retorno das hostilidades: as forças americanas realizaram novos bombardeios contra alvos militares iranianos, enquanto o Irã atacou bases dos EUA na Jordânia, no Kuwait e na Síria, e disparou mísseis contra aeronaves americanas no aeroporto de Aqaba. Sirenes de alerta soaram no Bahrein, e o Kuwait relatou intercepção de drones iranianos. Com quatro navios atravessando o Estreito de Ormuz no domingo — contra oito no dia anterior —, o fluxo de cargas pela rota já está reduzido à metade.
O que o Estreito de Ormuz tem a ver com a lavoura nordestina
A conexão entre o Estreito de Ormuz e a lavoura nordestina é direta e quantificável. O Brasil importa aproximadamente 85% dos fertilizantes que consome — com dependência superior a 95% no potássio e cerca de 80% na ureia —, e parte significativa dessas importações passa pelo Golfo Pérsico e pelo Estreito de Ormuz. Consequentemente, qualquer interrupção prolongada do tráfego marítimo na região eleva os fretes, reduz a disponibilidade de fertilizantes nos portos brasileiros e, num prazo de semanas a meses, se transmite como custo adicional para o produtor que precisa comprar ureia e MAP para o plantio.
Nesse sentido, o impacto já era preocupante antes das explosões de ontem: com o Brent agora acima de US$ 90 e o fluxo de navios pelo Ormuz reduzido à metade, o custo de frete marítimo para fertilizantes provenientes do Golfo Pérsico pode subir rapidamente nas próximas semanas. Para o produtor nordestino que planta a safra 2026/27 em novembro — e que precisaria contratar os fertilizantes em agosto-setembro para garantir entrega a tempo —, a janela de compra ao custo atual pode se fechar antes do previsto.
A ação mais urgente desta semana: comprar fertilizantes antes de amanhã
Com a tarifa americana de 25% entrando em vigor amanhã (22) e o Estreito de Ormuz com petroleiros explodindo, o produtor nordestino que ainda não comprou fertilizantes para a safra 2026/27 está diante do ambiente de pressão de custos mais concentrado do ano. Consequentemente, esses dois fatores juntos — tarifa e Ormuz — criam uma dinâmica em que cada dia de atraso tem potencial custo crescente: a tarifa pode mover o câmbio amanhã, e a crise do Ormuz pode elevar os fretes de fertilizantes nas próximas semanas.
Nesse sentido, a estratégia mais sólida disponível ao produtor nordestino neste momento é a compra parcial imediata — fechar pelo menos 50 a 60% do volume de fertilizantes necessário para a safra 2026/27 nos próximos dois dias, usando o câmbio e os preços atuais como referência, e reservar o restante para complementar nas próximas semanas conforme o mercado se estabilize. O Plano Safra 2026/27, com linhas de crédito para custeio e insumos a taxas historicamente baixas junto ao BNB, é o instrumento de financiamento disponível para fazer essa compra sem comprometer o caixa da propriedade.
O que muda na prática para o produtor
- Comprar pelo menos 50-60% dos fertilizantes para a safra 2026/27 hoje ou amanhã cedo — antes que a tarifa americana e a crise do Ormuz se transmitam integralmente aos preços
- Verificar disponibilidade de estoque com fornecedores regionais de insumos e comparar com cotações nacionais via ferramenta de transparência de preços
- Contratar linha de custeio do Plano Safra 2026/27 junto ao BNB para financiar a compra de fertilizantes sem comprometer o caixa da propriedade
- Diversificar fornecedores de fertilizantes para reduzir dependência de uma única origem geopolítica — especialmente importante com Ormuz em crise
- Monitorar o Brent diariamente como termômetro antecipado do custo de fertilizantes importados: Brent acima de US$ 90 pressiona fretes e custos de produção de ureia
Próximos passos
O Portal AgroMais acompanha a guerra EUA-Irã e seus impactos sobre fertilizantes, fretes e custos de produção agrícola no Brasil.
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