Entre os 1.500 bovinos inscritos na 73ª Expocrato, os julgamentos de raça contemplam categorias como Gir, Girolando, Nelore, Sindi e Pardo Suíço, além da Brasileira Nordestina de Pardo Suíço — uma das disputas de maior tradição na feira. Cada uma dessas raças carrega uma história distinta de adaptação ao Brasil e, em particular, ao clima seco do semiárido nordestino. Consequentemente, a presença simultânea dessas raças na Expocrato reflete a própria história da pecuária nordestina: uma base genética zebuína, resistente ao clima semiárido, combinada a sucessivos cruzamentos com raças leiteiras europeias em busca de maior produtividade.
Nesse sentido, compreender as características de cada raça é fundamental para o produtor que busca fazer escolhas genéticas estratégicas — seja para intensificar a produção de leite, melhorar a eficiência de conversão em carne ou ampliar a rusticidade do rebanho para enfrentar as condições climáticas projetadas para o segundo semestre de 2026 com o Super El Niño.
As raças zebuínas: a base da pecuária nordestina
O Nelore, de origem indiana, é a raça bovina de maior expressão no Brasil, respondendo por cerca de 85% de todo o gado do país. Rústico, com boa adaptação ao calor e bom ganho de peso, é a base da pecuária de corte extensiva praticada em todo o território nacional, incluindo o semiárido nordestino. Consequentemente, sua presença nos julgamentos da Expocrato atesta a importância da raça como parâmetro de qualidade genética para os criadores de toda a região.
Nesse sentido, o Gir — também de origem indiana, chegando ao Brasil em 1911 — é uma raça de dupla aptidão que passou por décadas de melhoramento genético tornando-se referência em produção leiteira em climas tropicais. O Sindi, importado do Paquistão na década de 1950, encontrou no semiárido nordestino um ambiente muito semelhante ao de sua região de origem: é reconhecido pela extrema rusticidade e pela capacidade de transformar alimentos secos e de baixa qualidade nutricional em carne e leite mesmo em períodos de escassez, sem perder a fertilidade — e a maior parte do rebanho Sindi do Brasil está hoje concentrada no semiárido nordestino.
Girolando e Pardo Suíço: as raças leiteiras que definem a produção do Nordeste
O Girolando — cruzamento brasileiro entre 5/8 de sangue Holandês e 3/8 de sangue Gir — combina a rusticidade zebuína com a alta capacidade produtiva da raça leiteira europeia, e é hoje responsável por cerca de 80% de todo o leite produzido no Brasil. Consequentemente, para o produtor leiteiro do Cariri que busca genética de alta produtividade sem abrir mão da rusticidade necessária para o semiárido, o Girolando é a escolha de maior adoção nacional — e os julgamentos da Expocrato oferecem a referência de plantel mais qualificada da região.
Nesse sentido, o Pardo Suíço — uma das raças bovinas mais antigas do mundo, originária da Suíça e chegando ao Brasil em 1911 — tem forte vocação leiteira e é muito utilizado em cruzamentos com raças zebuínas como Nelore, Gir e Guzerá, gerando animais com maior rusticidade sem perder capacidade produtiva. O cruzamento entre Pardo Suíço e Guzerá deu origem à raça Lavínia, amplamente utilizada no Nordeste. A disputa da Brasileira Nordestina de Pardo Suíço é uma das de maior tradição na Expocrato, reunindo os melhores exemplares dessa linhagem adaptada às condições do semiárido.
O que muda na prática para o produtor
- Pecuaristas de corte: acompanhar os julgamentos de Nelore na Expocrato como referência de padrão racial e valorização de plantel
- Produtores leiteiros: visitar os julgamentos de Girolando e Gir — o Girolando responde por 80% do leite produzido no Brasil e é a principal referência de genética leiteira adaptada ao semiárido
- Criadores no Cariri: avaliar o Sindi como opção de raça extremamente rústica para rebanhos que enfrentam estiagem severa — especialmente relevante com o El Niño projetado
- Acompanhar a disputa da Brasileira Nordestina de Pardo Suíço — uma das provas de maior tradição na Expocrato e referência de genética leiteira adaptada ao Nordeste
- Verificar junto ao BNB as linhas de crédito do Plano Safra 2026/27 para aquisição de reprodutores de raças de alta genética durante a Expocrato
Próximos passos
Os julgamentos bovinos da Expocrato seguem até 19 de julho com 1.500 animais inscritos. O Portal AgroMais acompanha os resultados e os plantéis premiados.
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