O Nordeste é, disparadamente, a região que mais cria caprinos no Brasil. Segundo dados da Pesquisa da Pecuária Municipal do IBGE, a região concentra 96,3% do rebanho caprino nacional, e o Ceará responde por 9,0% dos caprinos do país — posição que coloca o estado entre os quatro maiores rebanhos caprinos do Brasil, atrás de Bahia, Pernambuco e Piauí. Em 2024, o setor bateu recorde histórico nacional, atingindo 13,3 milhões de cabeças. Consequentemente, essa concentração no semiárido nordestino tem explicação direta na formação genética do rebanho regional: ao longo de séculos, raças nativas se adaptaram às condições de escassez de água e alimento da caatinga, dando origem a animais extremamente rústicos, hoje reconhecidos como patrimônio genético do Nordeste.
Nesse sentido, na 73ª Expocrato 2026, essas raças nativas e exóticas dividem espaço nos julgamentos que reúnem 1.300 caprinos e ovinos inscritos, reforçando o papel da feira como vitrine genética para criadores de toda a região. Para o produtor que visita a feira nesta semana, a pista de julgamento é também uma aula prática de genética comparada — onde a rusticidade das raças nativas do semiárido convive com a alta performance das raças especializadas importadas.
Raças nativas e naturalizadas: o patrimônio genético do semiárido
A raça Moxotó, originária do vale do rio Moxotó em Pernambuco mas encontrada em todo o Nordeste, é a única raça caprina genuinamente brasileira oficialmente reconhecida. De pequeno porte, com peso médio de 31 kg nos machos e pelagem clara com duas auréolas negras ao redor dos olhos, tem aptidão principal para carne e pele. Consequentemente, sua rusticidade extrema a torna especialmente adaptada às condições do semiárido, sendo uma das raças mais utilizadas em programas de conservação de recursos genéticos animais no Brasil.
Nesse sentido, a raça Canindé — segregada no vale do rio Canindé no Piauí, com notícias de origem também na Bahia — é rústica, ativa e vigorosa, de porte médio a grande, com pelagem predominantemente negra, e é reconhecida como a raça nativa de maior produção leiteira do Brasil. A Repartida, outra raça nativa do Nordeste, caracteriza-se pela pelagem dividida ao meio em duas cores distintas — daí o apelido popular de ‘surrão’ — e tem como aptidão principal a produção de pele.
Raças exóticas de alta produção: o que entra em pista na Expocrato
A raça Boer, originária da África do Sul e resultado do cruzamento entre cabras indígenas africanas e animais de origem europeia, é a principal raça caprina especializada em produção de carne no Brasil, com machos podendo ultrapassar 80 kg. Consequentemente, sua presença na Expocrato reflete a crescente demanda por genética de corte de alta qualidade no Nordeste, onde o cruzamento de Boer com raças nativas tem se consolidado como estratégia de melhoria de ganho de peso sem perda de rusticidade.
Nesse sentido, a Anglo-Nubiana — de origem inglesa, chegando ao Brasil ainda na década de 1930 e espalhando-se por todo o Nordeste — é uma raça de dupla aptidão com fêmeas que podem atingir 60 a 80 kg, sendo amplamente utilizada tanto para carne quanto para leite. A Saanen, raça leiteira originária da Suíça com pelagem branca, é uma das principais responsáveis pela produção especializada de leite de cabra no Brasil, com médias que ultrapassam 2,5 kg de leite por dia durante a lactação — referência para quem quer entrar na cadeia de leite de cabra com alta produtividade.
O que muda na prática para o produtor
- Criadores de caprinos: visitar os julgamentos da Expocrato como oportunidade de comparar genética de raças nativas e exóticas em pista
- Produtores interessados em cruzamentos: avaliar o uso de Boer ou Anglo-Nubiana sobre rebanho nativo para ganho de peso sem perda de rusticidade
- Produtores leiteiros: a Saanen é referência para quem quer escalar a produção de leite de cabra — buscar informações sobre manejo durante a Expocrato
- Programas de conservação: acompanhar iniciativas de preservação da Moxotó — única raça caprina genuinamente brasileira — junto à Embrapa Caprinos e Ovinos
- Acompanhar os resultados dos julgamentos da Expocrato como indicador dos plantéis mais valorizados da região
Próximos passos
Os julgamentos de caprinos seguem na Expocrato até 19 de julho. O Portal AgroMais acompanha os resultados e os plantéis premiados.
🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias.
👉 www.portalagromais.com.br







