O relatório AgroInfo de junho do Rabobank confirmou o que o mercado já vinha antecipando: o Brasil deve colher uma safra histórica de 182 milhões de toneladas de soja na temporada 2025/26, volume que representa um acréscimo de 10 milhões de toneladas em comparação ao ciclo anterior. Consequentemente, o resultado reflete a combinação entre expansão moderada da área cultivada e condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento das lavouras, consolidando ainda mais a posição do Brasil como maior produtor e exportador mundial da oleaginosa.
Nesse sentido, a safra histórica chega em momento de grande relevância para o setor: o novo Plano Safra 2026/27, que entrou em vigor nesta semana, vai financiar justamente o ciclo de plantio que começa a partir de setembro e outubro — quando o produtor brasileiro precisará equilibrar as decisões de área e custeio com as perspectivas de mercado influenciadas pelo Weather Market e pelo El Niño.
O que sustentou a safra histórica
Segundo o Rabobank, dois fatores principais sustentaram o resultado recorde: a expansão moderada da área cultivada — que continuou crescendo, mas em ritmo menor do que nos picos de expansão de 2020-2022 — e as condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento das lavouras, especialmente nas regiões do Matopiba, principal fronteira agrícola do Brasil. Consequentemente, a combinação entre produtividade crescente por hectare e área em expansão é o padrão que tem sustentado os recordes sucessivos da soja brasileira nos últimos ciclos.
Ademais, a Embrapa e o setor de sementes têm desempenhado papel fundamental nessa trajetória, com o desenvolvimento de variedades mais produtivas, resistentes a doenças e adaptadas a diferentes condições edafoclimáticas — incluindo o trabalho de melhoramento genético para resistência à ferrugem asiática, cujo vazio sanitário obrigatório entrou em vigor justamente nesta semana.
Os desafios para a safra 2026/27 que começa a se delinear
Com a safra 2025/26 praticamente concluída e os resultados históricos confirmados, o mercado já começa a olhar para os desafios da próxima temporada. Consequentemente, o El Niño 2026/27, projetado para atingir patamar histórico com anomalias acima de 2,5°C no Pacífico, é a principal variável climática a ser monitorada nos próximos meses — com risco de veranicos no Centro-Oeste e Matopiba que podem comprometer a janela de semeadura e o desenvolvimento inicial das lavouras.
Nesse sentido, o novo Plano Safra, com a extensão da obrigatoriedade do Zarc para contratos de custeio acima de R$ 200 mil a partir desta semana, representa uma resposta concreta do governo a esse risco: ao exigir que o crédito respeite o zoneamento de risco climático, a medida busca alinhar o financiamento da safra com as condições climáticas mais favoráveis de cada região, reduzindo a exposição ao risco do El Niño.
O que muda na prática para o produtor
- Produtores de soja: planejar a safra 2026/27 com base nas indicações do Zarc para seu município, especialmente diante do El Niño projetado para o segundo semestre
- Avaliar o timing de plantio da próxima safra considerando o risco de veranicos no Centro-Oeste e Matopiba associados ao El Niño
- Produtores com soja em estoque: calcular o custo de carrego diante do volume expressivo disponível no mercado, que tende a limitar altas mais consistentes nos preços
- Acompanhar as intenções de área de plantio nos próximos meses como indicador antecipado da tendência de preços para a safra 2026/27
- Verificar as variedades disponíveis com melhor resistência à ferrugem asiática antes de definir o planejamento de sementes para a próxima safra
Próximos passos
O USDA deve publicar seu relatório de oferta e demanda mundiais em agosto, com as primeiras projeções oficiais para a safra 2026/27. O Portal AgroMais acompanha o mercado de soja e os desdobramentos climáticos.
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