El Niño eleva atenção sobre a safra 2026/27 de soja no Brasil, aponta boletim do Imea

O Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) confirmou, em boletim semanal divulgado nesta segunda-feira (22), que a National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) já identificou os sinais de El Niño em formação e em processo de intensificação no Oceano Pacífico Equatorial. Consequentemente, o instituto destaca que o fenômeno tende a favorecer o aumento das precipitações na região Sul do Brasil, enquanto pode provocar maior irregularidade das chuvas no Centro-Oeste, Norte e Matopiba.

Esse padrão climático é exatamente o que diversos relatórios já vinham sinalizando nas últimas semanas, incluindo a análise do Itaú BBA que classificava o El Niño 2026/27 como vetor estratégico de risco capaz de dividir o desempenho agrícola do Brasil entre regiões beneficiadas e regiões severamente afetadas.

Por que Mato Grosso concentra atenção especial

Em Mato Grosso, principal estado produtor de soja do país, o El Niño está associado ao aumento do risco de veranicos e de déficit hídrico durante o ciclo da cultura, o que pode comprometer tanto a semeadura quanto o desenvolvimento das lavouras. Consequentemente, segundo a análise do Imea, esse cenário climático eleva a possibilidade de perdas de produtividade e, consequentemente, de redução na produção de grãos no estado que sozinho responde por boa parte da soja brasileira.

Ademais, vale lembrar que o plantio da safra 2026/27 em Mato Grosso se inicia normalmente em setembro — período que, segundo as previsões mais recentes da NOAA, tem 80% de chance de coincidir com o primeiro trimestre de desenvolvimento do El Niño. Nesse sentido, a janela mais crítica de exposição ao fenômeno é justamente aquela em que a cultura está mais vulnerável a falhas no estabelecimento inicial das plantas.

O que muda na estratégia do produtor diante desse cenário

Diante da elevada probabilidade de El Niño, produtores e técnicos já começam a ajustar suas estratégias para a próxima safra. Segundo o professor Elmar Floss, diretor do Instituto de Ciências Agronômicas (Incia), em entrevista ao programa Bom Dia Agronegócio, ‘mais uma safra, mais um ano desafiador para os produtores brasileiros’ — e entre as principais estratégias está a diversificação das variedades de soja escolhidas e o escalonamento da época de plantio de cada uma delas, dissolvendo os riscos e mitigando os efeitos de potenciais adversidades climáticas.

Nesse sentido, para o produtor de Mato Grosso que tem na cultura de sucessão da soja uma parte importante de seu fluxo de caixa — geralmente o milho safrinha —, a decisão também envolve avaliar se vale o risco de manter a sucessão de milho ou substituir parte da área por culturas de cobertura, que oferecem menos exposição climática, mas também menos retorno financeiro direto.

O contexto mais amplo: um padrão que se repete em múltiplos relatórios

Essa não é a primeira vez que instituições de peso confirmam o mesmo padrão geográfico para o El Niño 2026/27: chuvas mais regulares no Sul, irregularidade no Centro-Oeste e Norte, e risco elevado para o Nordeste, classificado por relatórios anteriores como área de seca severa a extrema. Consequentemente, a convergência entre múltiplas fontes — Imea, Itaú BBA, NOAA — reforça que o planejamento da safra 2026/27 não pode mais tratar o fenômeno como cenário hipotético, e sim como premissa central de gestão de risco para praticamente todo o Centro-Sul e Nordeste do Brasil.

O que muda na prática para o produtor

  • Produtores de Mato Grosso: considerar a diversificação de variedades de soja com diferentes ciclos para reduzir a exposição a um único padrão climático adverso
  • Avaliar o escalonamento da época de plantio como estratégia de mitigação de risco para a safra 2026/27
  • Para quem depende da sucessão soja-milho safrinha: pesar o risco de manter a sucessão completa versus substituir parte da área por culturas de cobertura
  • Monitorar os próximos boletins do Imea e da NOAA sobre a evolução da probabilidade e intensidade do El Niño ao longo dos próximos meses
  • Produtores do Sul do Brasil: o cenário de chuvas acima da média pode ser favorável, mas também exige atenção ao manejo de excesso de umidade

Próximos passos

O plantio da safra 2026/27 de soja em Mato Grosso se inicia em setembro, período de maior probabilidade de manifestação do El Niño segundo a NOAA. O Imea deve atualizar suas projeções nos próximos boletins semanais.

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Jakeline Diógenes
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