Entre as palestras que marcaram a trilha de Agroindústria na PEC Brasil 2026, a roda de conversa sobre os queijos especiais do Ceará reuniu marcas que já são referência regional — Nossa Santa, Queijo do Tonho, Fazenda Timbaúba e Laticínio Lopes — para discutir o que sustenta a identidade desses produtos num mercado cada vez mais dominado por grandes indústrias nacionais. Consequentemente, a discussão teve mediação ligada à Associação Queijo Cearense, entidade que atua na defesa e valorização dos produtores de queijos artesanais do estado.
Nesse sentido, a programação seguiu com a palestra ‘Sabores que geram valor: cases de sucesso e experiências de laticínios atendidos pelo Sebrae Ceará’, reforçando que a transformação dos queijos artesanais em negócio estruturado passa diretamente pelo apoio técnico e institucional disponível ao pequeno produtor cearense.
Pequena escala, grande identidade
O argumento central que sustentou a roda de conversa é direto: o queijo cearense não compete em volume com as grandes indústrias do Sudeste, e não precisa. Consequentemente, ele compete em identidade, em sabor de origem — características que o consumidor está cada vez mais dispostos a pagar mais para ter. Nesse sentido, essa lógica de valorização territorial já vínhamos destacando em outras cadeias da agricultura familiar nordestina, como o caso dos pequenos produtores de café em Minas Gerais que triplicaram a renda investindo em torrefação própria e venda direta.
Ademais, o Ceará abriga simultaneamente grandes players da cadeia láctea, como a Alvoar Lácteos — quinta maior indústria de laticínios do Brasil —, e uma rede de produtores artesanais que cresce em paralelo, mostrando que o setor lácteo cearense consegue sustentar escalas de produção muito diferentes sem que uma exclua a outra.
O caminho do selo de origem
Um dos pontos mais relevantes discutidos na roda de conversa foi a busca por reconhecimento formal de origem para os queijos especiais cearenses — movimento que já está em curso em outras cadeias do estado, como a manta de carneiro dos Inhamuns, que pleiteia no INPI o título de primeira Indicação Geográfica ovina do Brasil. Consequentemente, a pergunta que ficou no ar entre os produtores presentes foi direta: se a manta de Tauá pode ter esse reconhecimento, por que o queijo do Ceará não pode também?
Nesse sentido, o Prêmio Brasil Artesanal de Cachaça, com júri popular realizado também durante a PEC Brasil 2026, reforça que esse movimento de valorização da produção artesanal cearense não se limita aos laticínios — a cachaça de Viçosa do Ceará também buscou, na mesma feira, o caminho da legalização e do mercado através de assistência técnica do Senar.
O que muda na prática para o produtor
- Pequenos produtores de queijo: buscar a Associação Queijo Cearense para informações sobre defesa e valorização da produção artesanal
- Avaliar o processo de Indicação Geográfica como estratégia de valorização, seguindo o exemplo da manta de carneiro de Tauá
- Buscar assistência técnica do Sebrae Ceará para estruturar processos de produção, embalagem e comercialização
- Explorar canais de venda direta e identidade territorial como diferencial frente à concorrência industrial
- Acompanhar iniciativas similares em outras cadeias artesanais cearenses, como a cachaça de Viçosa do Ceará
Próximos passos
A PEC Brasil 2026 encerra hoje, sábado (27), no Centro de Eventos do Ceará. O Portal AgroMais acompanha o movimento de valorização da produção artesanal cearense.
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