O Brasil acumula superávit comercial de US$ 37,32 bilhões no ano até a segunda semana de junho, crescimento de 37,1% em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Consequentemente, somente na segunda semana de junho, as exportações somaram US$ 16,37 bilhões — alta de 25,3% — enquanto a balança do período registrou superávit de US$ 4,66 bilhões, expansão de 76,9% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Além disso, o setor agropecuário cresceu 27,1% nas exportações da semana, somando US$ 3,95 bilhões, reforçando seu papel central na geração de divisas do país. Nesse contexto, a corrente de comércio acumulada no ano já soma US$ 292,56 bilhões, evidenciando a força do agronegócio mesmo em um cenário internacional marcado por volatilidade geopolítica nos meses recentes.
O desempenho setorial detalhado da semana
Além do crescimento de 27,1% na agropecuária, a indústria extrativa também teve desempenho expressivo na segunda semana de junho, com alta de 42,7% e exportações de US$ 4,03 bilhões. Consequentemente, o resultado conjunto dos setores mostra que o Brasil mantém múltiplas frentes de força no comércio exterior, reduzindo a dependência exclusiva de uma única cadeia produtiva.
No entanto, alguns produtos específicos da agropecuária registraram queda nas vendas na semana, como produtos hortícolas frescos ou refrigerados (-21,4%), especiarias (-10%) e matérias vegetais em bruto (-27,1%). Ademais, o açúcar e os melaços também recuaram 11,5%, refletindo a pressão de preços observada no mercado internacional do produto nas últimas semanas.
Superávit: O acumulado do ano confirma trajetória consistente
No acumulado de janeiro até a segunda semana de junho de 2026, em comparação ao mesmo período de 2025, as exportações brasileiras cresceram 10,4% e somaram US$ 164,94 bilhões. As importações, por sua vez, cresceram 4,4% e totalizaram US$ 127,62 bilhões. Como consequência, a balança comercial apresentou superávit de US$ 37,32 bilhões, com crescimento de 37,1% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Nesse sentido, o ritmo consistente de crescimento das exportações brasileiras ao longo do primeiro semestre de 2026 — mesmo diante de eventos como o conflito EUA-Irã e suas consequências sobre fertilizantes e petróleo — demonstra a resiliência do setor exportador nacional, com o agronegócio na linha de frente desse desempenho.
O que esperar para o segundo semestre
Com a trégua geopolítica confirmada pela assinatura do acordo EUA-Irã na última sexta-feira, e a perspectiva de normalização gradual dos preços de petróleo e fertilizantes, o cenário para o segundo semestre tende a ser de manutenção do ritmo positivo nas exportações agropecuárias. Por outro lado, o El Niño confirmado para o segundo semestre é o principal fator de risco a ser monitorado, já que pode afetar a disponibilidade de algumas culturas a partir do último trimestre do ano, especialmente nas regiões mais expostas, como Nordeste e Centro-Oeste.
O que muda na prática para o produtor
- Exportadores do agro: o cenário de superávit recorde reforça a competitividade brasileira mesmo diante de volatilidade geopolítica recente
- Monitorar os próximos boletins semanais da Secex para acompanhar a evolução do desempenho setorial ao longo de junho
- Produtores de hortícolas e especiarias: avaliar os motivos da queda nas exportações da semana e buscar diversificação de mercados
- Acompanhar o impacto da trégua EUA-Irã sobre os custos de fertilizantes e petróleo nas próximas semanas, fator que pode sustentar ainda mais o desempenho exportador
- Monitorar o avanço do El Niño como principal risco para a manutenção do ritmo positivo das exportações agropecuárias no segundo semestre
Próximos passos
A Secex publica boletins semanais sobre a balança comercial brasileira. O MDIC deve atualizar as projeções oficiais para o ano em julho. O Portal AgroMais acompanha os números do comércio exterior do agronegócio.
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