O etanol hidratado registrou recuo de 4,98% nas últimas semanas, segundo análise da Edenred Mobilidade, num movimento que, paradoxalmente, reforça o papel estratégico do biocombustível em meio ao debate sobre a aprovação do E32 pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Consequentemente, a queda de preços do etanol — influenciada pela retração do petróleo após o acordo EUA-Irã — torna o produto ainda mais competitivo frente à gasolina em diversas regiões do país, mesmo com a paridade pressionada pelo barril mais barato.
Ademais, o debate sobre o aumento do percentual de mistura de etanol anidro na gasolina segue como um dos temas mais relevantes para o setor sucroenergético no segundo semestre, especialmente diante da safra de cana que se inicia nas próximas semanas no Centro-Sul do país.
Porque a queda do etanol não é necessariamente uma má notícia
À primeira vista, a queda de quase 5% no preço do etanol poderia parecer negativa para o setor sucroenergético — afinal, significa receita menor por litro vendido. No entanto, a análise da Edenred Mobilidade aponta para uma leitura mais sofisticada: quando o preço cai de forma proporcional ou mais lenta do que o da gasolina, a competitividade relativa do etanol no momento da escolha do consumidor no posto de combustível pode efetivamente melhorar.
Nesse sentido, a paridade etanol-gasolina — que historicamente é o indicador mais relevante para decidir se vale a pena abastecer com o biocombustível — depende da relação entre os dois preços, e não do valor absoluto de cada um isoladamente. Consequentemente, mesmo com o etanol mais barato em termos absolutos, ele pode estar relativamente mais atrativo se a gasolina caiu ainda mais rápido.
O debate sobre o E32 ganha nova camada de complexidade
O CNPE avalia há meses a possibilidade de elevar o percentual de mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, do atual E27 para o E32 — uma mudança que aumentaria significativamente a demanda estrutural pelo biocombustível. Por outro lado, a queda do petróleo após o acordo EUA-Irã, que reduziu a pressão inflacionária sobre os combustíveis fósseis, pode enfraquecer parte do argumento de segurança energética e de redução de custos que sustentava a proposta do E32.
Ademais, com o etanol mais barato em termos absolutos — como mostra a queda de 4,98% —, alguns analistas argumentam que o momento é, na verdade, favorável para avançar com o E32, já que o custo de transição para o consumidor final seria menor justamente quando o biocombustível está em um dos seus pontos de preço mais competitivos dos últimos meses.
O que isso significa para o setor sucroenergético no segundo semestre
Para as usinas brasileiras, a combinação entre queda do etanol e debate em curso sobre o E32 cria um cenário de decisão complexa para o mix de produção da próxima safra de cana, que se inicia nas próximas semanas no Centro-Sul. Consequentemente, usineiros precisam avaliar se priorizam a produção de etanol — apostando na aprovação do E32 e na recuperação futura dos preços — ou se direcionam parte da cana para açúcar, cujo mercado também enfrenta pressões específicas.
Nesse contexto, a decisão final do CNPE sobre o E32 deve ser um dos fatores mais determinantes para o planejamento do setor sucroenergético ao longo do segundo semestre de 2026, com impacto direto sobre o mix de produção das usinas em todo o país.
O que muda na prática para o produtor
- Usineiros: acompanhar de perto a decisão do CNPE sobre o E32 antes de definir o mix final de produção entre etanol e açúcar para a safra que se inicia
- Monitorar a paridade etanol-gasolina nas diferentes regiões do Brasil — a competitividade relativa pode estar mais favorável do que sugere a queda em termos absolutos
- Para consumidores de frotas e fretistas: avaliar o abastecimento com etanol nas regiões onde a paridade está mais favorável neste momento
- Acompanhar os desdobramentos do acordo EUA-Irã sobre os preços do petróleo, que têm efeito direto na competitividade do etanol nos próximos meses
- Produtores de cana: considerar cenários de mix de produção que equilibrem etanol e açúcar diante da incerteza regulatória sobre o E32
Próximos passos
O CNPE deve avançar nas discussões sobre o E32 ao longo do segundo semestre de 2026. A safra de cana no Centro-Sul se inicia nas próximas semanas. O Portal AgroMais acompanha os desdobramentos do setor sucroenergético.
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