A confirmação de que 2026 será um ano recorde para as exportações brasileiras de algodão, segundo a Anea, chega em momento especialmente favorável para o Ceará, que retomou o cultivo da fibra em 2026 com a revitalização de 600 hectares em Tauá, no âmbito do Programa Estadual de Fortalecimento e Revitalização da Cotonicultura. Consequentemente, o cenário nacional de demanda firme — puxada por Bangladesh, Paquistão, Turquia e Vietnã — e de estabilidade nos custos de fertilizantes reforça a viabilidade econômica de longo prazo para os produtores cearenses que estão recomeçando a atividade depois de décadas de praticamente desaparecimento da cultura no estado. Para Tauá, que também sediou neste fim de semana o debate sobre o tema na Agro Tauá 2026, o momento é de convergência entre política pública estadual, mercado nacional favorável e tradição histórica do sertão com o algodão. Por que o cenário nacional importa para quem está começando agora Para um produtor que está retomando uma cultura depois de décadas de ausência — como é o caso da cotonicultura em Tauá —, o contexto de mercado nacional é tão importante quanto as condições locais de solo e clima. Nesse sentido, entrar numa atividade em um momento de demanda global fraca e preços deprimidos representa risco financeiro elevado, enquanto entrar num momento de recorde de exportações e preços firmes reduz substancialmente essa incerteza inicial. Consequentemente, os dados da Anea — confirmando 3,129 milhões de toneladas exportadas na temporada e revisão para cima da safra 2026/27 — funcionam como um sinal de confiança para os produtores cearenses que estão investindo nos primeiros hectares de algodão em décadas no estado. Ademais, a queda recente nos preços de fertilizantes nitrogenados, consequência da reabertura do Estreito de Ormuz, reduz diretamente o custo de produção justamente no momento em que esses novos cotonicultores estão estruturando suas operações. O objetivo de abastecer a cadeia têxtil cearense ganha novo fôlego O Programa Estadual de Fortalecimento e Revitalização da Cotonicultura tem como objetivo declarado abastecer a cadeia têxtil local com matéria-prima própria, reduzindo a dependência de fibra de fora do estado. Nesse contexto, o cenário nacional de algodão recorde não compete diretamente com esse objetivo — pelo contrário, complementa-o, já que a maior parte da produção brasileira é destinada à exportação para mercados asiáticos, enquanto a produção cearense em expansão pode se concentrar prioritariamente no abastecimento da indústria têxtil local. Consequentemente, essa divisão de mercados — exportação para a produção nacional de maior escala e mercado interno para a produção cearense em fase de retomada — pode representar uma estratégia inteligente de posicionamento para os produtores de Tauá e dos demais 17 municípios incluídos no programa estadual. O que a Agro Tauá 2026 reforçou sobre o tema O debate sobre a retomada da cotonicultura, presente na programação da Agro Tauá 2026, que se encerra justamente hoje, ganhou contexto adicional com a notícia do recorde nacional de exportações divulgada nos últimos dias. Em outras palavras, os produtores que participaram das discussões sobre algodão durante o evento puderam conectar a realidade local de Tauá — com seus 600 hectares revitalizados — ao panorama nacional favorável que se consolidou exatamente na mesma semana. Para o Portal AgroMais, que acompanhou de perto a cobertura da Agro Tauá 2026, essa convergência entre o debate local e a notícia nacional ilustra bem como o agronegócio cearense está cada vez mais conectado aos movimentos do mercado global — uma mudança significativa para um território historicamente visto como periférico nas políticas agrícolas nacionais. O que muda na prática para o produtor Próximos passos A Agro Tauá 2026 encerra hoje seu terceiro e último dia. O Programa Estadual de Fortalecimento e Revitalização da Cotonicultura deve divulgar balanço da safra cearense ao longo do segundo semestre. O Portal AgroMais acompanha a evolução da cultura no estado. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
PEC Brasil 2026 em 4 dias: maior feira indoor do agro do país abre em Fortaleza
A contagem regressiva chega aos 4 dias finais. A PEC Brasil 2026, nova marca da tradicional feira promovida pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec) há quase 30 anos, acontece de 25 a 27 de junho no Centro de Eventos do Ceará, com expectativa de movimentar mais de R$ 150 milhões em negócios e receber mais de 100 mil visitantes ao longo dos três dias de programação. Consequentemente, serão mais de 600 empresas e instituições distribuídas em 1.300 estandes, ocupando mais de 32 mil metros quadrados entre pavilhões, docas e estacionamento externo. Para o produtor cearense, portanto, esta última semana antes do evento é o momento final de organizar a visita — especialmente porque a feira antecede em apenas 4 dias o anúncio do Plano Safra 2026/27, previsto para 1º de julho. Os destaques confirmados da programação Entre os destaques confirmados para a PEC Brasil 2026 estão a Expocamarão, organizada pela Associação dos Produtores de Camarão Cultivado do Ceará (APCC), com cerca de 300 estandes reunindo carcinicultores do Ceará, Rio Grande do Norte e Piauí — os estados responsáveis por praticamente toda a produção brasileira de camarão cultivado. Além disso, o Concurso Leiteiro contará com cerca de 300 vacas leiteiras, em área três vezes maior do que a utilizada na edição de 2025, e quatro leilões de gado bovino acontecerão em espaço montado nas docas do centro de eventos. Ademais, a Feira dos Municípios reunirá 40 prefeituras cearenses em espaço dedicado à exposição e comercialização de produtos locais da agricultura, pecuária, agroindústria e artesanato. O Encontro das Mulheres do Agro deve reunir 2 mil participantes, enquanto o Encontro de Jovens do Agro espera atrair mil pessoas. Nesse sentido, o Espaço Somoscoop, de responsabilidade do Sistema OCB, será dedicado à agricultura familiar e às cooperativas. Por que a mudança de nome reflete um momento histórico A mudança de PEC Nordeste para PEC Brasil marca o reposicionamento estratégico da feira, ampliando sua abrangência nacional e internacional. Segundo o presidente da Faec, Amílcar Silveira, ‘o agro brasileiro reconhece hoje a importância da nossa feira. A PEC Brasil nasce maior, mais moderna e conectada com os desafios e oportunidades do setor. Continuaremos valorizando o Nordeste, mas agora com uma visão ainda mais ampla e nacional.’ Consequentemente, Silveira complementa a visão estratégica: ‘transformamos o Centro de Eventos em um grande ponto de encontro do agronegócio brasileiro, no evento que é, hoje, a maior demonstração da força do agronegócio cearense.’ Nesse sentido, a nova marca chega em momento de consolidação para o agro nordestino, que vem de exportações recordes, da assinatura do acordo Mercosul-UE e de eventos de grande porte como a própria Agro Tauá 2026, que se encerra justamente hoje. O timing estratégico com o Plano Safra 2026/27 Um dos aspectos mais relevantes do calendário desta semana é a proximidade entre o encerramento da PEC Brasil 2026, em 27 de junho, e o anúncio oficial do Plano Safra 2026/27, previsto para 1º de julho — apenas 4 dias depois. Consequentemente, o produtor que participar da PEC Brasil com perguntas organizadas sobre crédito rural, levando-as diretamente aos representantes do Banco do Nordeste e do Banco do Brasil presentes no evento, vai chegar ao anúncio do Plano Safra significativamente mais bem informado do que quem não participar da feira. Portanto, a recomendação para os próximos 4 dias é clara: organizar previamente as prioridades de visita, considerando o tamanho do evento, e preparar dúvidas específicas sobre crédito, tecnologia e mercados para aproveitar ao máximo a presença das instituições financeiras na feira. O que muda na prática para o produtor Próximos passos A PEC Brasil 2026 acontece de 25 a 27 de junho no Centro de Eventos do Ceará, Fortaleza. O Plano Safra 2026/27 será anunciado em 1º de julho, quatro dias após o encerramento do evento. O Portal AgroMais vai cobrir a feira com matérias diárias. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
Produção de ovos perde ritmo no início de 2026 e preços sobem no Brasil
A produção brasileira de ovos perdeu ritmo no início de 2026, resultando em alta de preços para o consumidor e maior atenção dos produtores avícolas sobre os custos de produção. Consequentemente, o movimento se soma a outros sinais de pressão na cadeia de proteína animal, especialmente diante da volatilidade nos preços de insumos como o milho ao longo do primeiro semestre. Para o produtor nordestino que opera na avicultura de ovos, portanto, o cenário de preços mais altos pode representar oportunidade de melhoria de margem, desde que os custos de ração sejam bem administrados nos próximos meses. O que explica a perda de ritmo na produção A desaceleração na produção de ovos no início de 2026 reflete uma combinação de fatores que pressionaram o setor avícola ao longo dos últimos meses. Entre os principais, destacam-se os custos elevados de ração — fortemente influenciados pelo preço do milho, principal insumo da nutrição animal —, que reduziram as margens de muitos produtores e desestimularam a expansão ou mesmo a manutenção plena dos plantéis de poedeiras. Além disso, fatores sanitários e climáticos pontuais também podem ter contribuído para a redução do ritmo produtivo em algumas regiões, embora o efeito mais consistente observado pelo mercado seja, de fato, a pressão de custos sobre a rentabilidade da atividade. Como a alta de preços pode beneficiar o produtor que se manteve no setor Para os avicultores que mantiveram a produção mesmo diante do cenário desafiador de custos elevados, a alta de preços resultante da menor oferta representa uma oportunidade real de recuperação de margem. Nesse sentido, o mecanismo de mercado funciona de forma relativamente previsível: quando a oferta diminui e a demanda permanece estável ou cresce, os preços sobem, beneficiando quem ainda está produzindo. Consequentemente, o momento atual pode ser especialmente favorável para produtores que conseguiram administrar bem os custos de ração nos últimos meses — seja através de contratos de fornecimento de milho com preços fixados, seja através de eficiência produtiva superior à média do setor. O que monitorar para os próximos meses Para o avicultor de ovos, especialmente no Nordeste, o fator mais relevante a monitorar nos próximos meses é a evolução dos preços do milho — insumo que respondeu por boa parte da pressão de custos observada no início de 2026. Consequentemente, com a entrada da safrinha no mercado brasileiro e a perspectiva de preços mais moderados para o cereal ao longo do segundo semestre, a margem da avicultura de ovos pode melhorar ainda mais, somando-se ao efeito já positivo da alta de preços do produto final. Ademais, é importante observar se a recuperação de preços é suficiente para estimular novos entrantes ou a expansão dos plantéis existentes — um movimento que, se ocorrer de forma intensa, pode eventualmente reverter parte da alta observada atualmente. O que muda na prática para o produtor Próximos passos A evolução dos preços do milho com a entrada da safrinha deve ser o principal fator a observar nos próximos meses para a avicultura de ovos. O Portal AgroMais acompanha os preços da cadeia de proteína animal. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
Agro Tauá 2026 encerra hoje com as disputas finais da vaquejada no Sertão dos Inhamuns
Hoje é o último dia da Agro Tauá 2026, evento que consolidou ao longo de três dias o protagonismo de Tauá na ovinocaprinocultura, na retomada da cotonicultura, na economia equestre e no debate sobre desenvolvimento do semiárido — com a presença do ministro da Agricultura, André de Paula, e do maior produtor de camarão do Brasil, Cristiano Maia. Consequentemente, a programação de encerramento deste domingo reserva as disputas finais da vaquejada, tradicionalmente um dos pontos altos do evento, reunindo competidores de toda a região dos Inhamuns e de municípios vizinhos. Para o município, que já é reconhecido como a Capital do Carneiro do Ceará, o evento reforça a vocação de transformar a tradição rural do sertão em economia organizada — combinando ovinocaprinocultura, esportes equestres, algodão e palma forrageira numa única vitrine. O que os três dias de evento revelaram sobre a Agro Tauá A Agro Tauá 2026 funcionou como uma síntese completa da economia do semiárido cearense. Ao longo dos três dias, o evento abordou desde a busca pela primeira Indicação Geográfica ovina do Brasil — a manta de carneiro dos Inhamuns — até a retomada histórica da cotonicultura na região, passando pela economia equestre representada por modalidades como vaquejada, ranch sorting e a presença do Mangalarga Marchador, raça nacional que move bilhões. Consequentemente, o ponto mais simbólico do evento foi a mesa que reuniu o ministro André de Paula e o empresário Cristiano Maia, debatendo o agronegócio do semiárido com a presença de lideranças do cooperativismo, do governo estadual e do setor produtivo. Nesse sentido, a presença simultânea de política pública de alto nível e de histórias de empreendedorismo bem-sucedido — como a de Cristiano Maia, que partiu do sertão para se tornar o maior produtor de camarão do Brasil — deu ao evento uma dimensão que vai muito além de uma feira agropecuária tradicional. A vaquejada como ponto culminante da programação A vaquejada, modalidade equestre profundamente enraizada na cultura do sertão nordestino, encerra a Agro Tauá 2026 com suas disputas finais neste domingo. Ademais, a presença dessa tradição cultural ao lado de discussões técnicas sobre Indicação Geográfica, mercado Halal e retomada da cotonicultura ilustra exatamente o que dirigentes do setor equestre destacaram durante o evento: a economia do cavalo e do gado no sertão é, simultaneamente, tradição cultural e atividade econômica estruturada. Para os competidores e o público presente neste último dia, portanto, a vaquejada representa o ponto de encontro entre o que Tauá sempre foi — terra de tradição com o gado e o cavalo — e o que o município está se tornando: um polo organizado de desenvolvimento econômico regional. O legado que a Agro Tauá deixa para o sertão dos Inhamuns Com o encerramento de hoje, a Agro Tauá 2026 deixa um conjunto de sinalizações importantes para o futuro econômico da região. A busca pela Indicação Geográfica da manta de carneiro, a retomada de 600 hectares de algodão, o crescimento do ranch sorting como esporte equestre, e o debate de alto nível sobre o semiárido com a presença do ministro da Agricultura formam, juntos, uma narrativa de um território que está organizando sua vocação produtiva histórica em direção a resultados econômicos concretos. Consequentemente, o recado que ficou de todo o evento é o mesmo que marcou a fala de Cristiano Maia na mesa de sábado: o semiárido brasileiro não pede pena, pede oportunidade. E quando ela aparece, como mostrou a Agro Tauá 2026 ao longo destes três dias, o sertão sabe transformar terra seca em economia que gera emprego, renda e futuro. O que muda na prática para o produtor Próximos passos O PEC Brasil 2026 acontece de 25 a 27 de junho no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza — apenas 4 dias após o encerramento da Agro Tauá. O Portal AgroMais publicará balanço completo dos resultados financeiros e de público da Agro Tauá 2026 nos próximos dias. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
Etanol recua 4,98% e reforça papel estratégico em meio ao debate sobre o E32
O etanol hidratado registrou recuo de 4,98% nas últimas semanas, segundo análise da Edenred Mobilidade, num movimento que, paradoxalmente, reforça o papel estratégico do biocombustível em meio ao debate sobre a aprovação do E32 pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Consequentemente, a queda de preços do etanol — influenciada pela retração do petróleo após o acordo EUA-Irã — torna o produto ainda mais competitivo frente à gasolina em diversas regiões do país, mesmo com a paridade pressionada pelo barril mais barato. Ademais, o debate sobre o aumento do percentual de mistura de etanol anidro na gasolina segue como um dos temas mais relevantes para o setor sucroenergético no segundo semestre, especialmente diante da safra de cana que se inicia nas próximas semanas no Centro-Sul do país. Porque a queda do etanol não é necessariamente uma má notícia À primeira vista, a queda de quase 5% no preço do etanol poderia parecer negativa para o setor sucroenergético — afinal, significa receita menor por litro vendido. No entanto, a análise da Edenred Mobilidade aponta para uma leitura mais sofisticada: quando o preço cai de forma proporcional ou mais lenta do que o da gasolina, a competitividade relativa do etanol no momento da escolha do consumidor no posto de combustível pode efetivamente melhorar. Nesse sentido, a paridade etanol-gasolina — que historicamente é o indicador mais relevante para decidir se vale a pena abastecer com o biocombustível — depende da relação entre os dois preços, e não do valor absoluto de cada um isoladamente. Consequentemente, mesmo com o etanol mais barato em termos absolutos, ele pode estar relativamente mais atrativo se a gasolina caiu ainda mais rápido. O debate sobre o E32 ganha nova camada de complexidade O CNPE avalia há meses a possibilidade de elevar o percentual de mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, do atual E27 para o E32 — uma mudança que aumentaria significativamente a demanda estrutural pelo biocombustível. Por outro lado, a queda do petróleo após o acordo EUA-Irã, que reduziu a pressão inflacionária sobre os combustíveis fósseis, pode enfraquecer parte do argumento de segurança energética e de redução de custos que sustentava a proposta do E32. Ademais, com o etanol mais barato em termos absolutos — como mostra a queda de 4,98% —, alguns analistas argumentam que o momento é, na verdade, favorável para avançar com o E32, já que o custo de transição para o consumidor final seria menor justamente quando o biocombustível está em um dos seus pontos de preço mais competitivos dos últimos meses. O que isso significa para o setor sucroenergético no segundo semestre Para as usinas brasileiras, a combinação entre queda do etanol e debate em curso sobre o E32 cria um cenário de decisão complexa para o mix de produção da próxima safra de cana, que se inicia nas próximas semanas no Centro-Sul. Consequentemente, usineiros precisam avaliar se priorizam a produção de etanol — apostando na aprovação do E32 e na recuperação futura dos preços — ou se direcionam parte da cana para açúcar, cujo mercado também enfrenta pressões específicas. Nesse contexto, a decisão final do CNPE sobre o E32 deve ser um dos fatores mais determinantes para o planejamento do setor sucroenergético ao longo do segundo semestre de 2026, com impacto direto sobre o mix de produção das usinas em todo o país. O que muda na prática para o produtor Próximos passos O CNPE deve avançar nas discussões sobre o E32 ao longo do segundo semestre de 2026. A safra de cana no Centro-Sul se inicia nas próximas semanas. O Portal AgroMais acompanha os desdobramentos do setor sucroenergético. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
Cacau atinge máxima de um mês em Londres com temores sobre o El Niño na África
O cacau opera em alta em Londres, atingindo a máxima de um mês nesta semana, impulsionado por temores persistentes sobre os efeitos do El Niño nas principais regiões produtoras da África Ocidental. Consequentemente, o mercado segue monitorando de perto as condições climáticas em países como Costa do Marfim e Gana, responsáveis por mais da metade da produção mundial do grão. Para o Brasil, que vem ampliando sua produção de cacau no Cerrado mineiro e em outras regiões, o cenário de preços firmes em Londres é favorável — especialmente num momento em que a Expocacer mira novos mercados e aposta em safra maior na região. Nesse contexto, vale destacar que o mesmo El Niño que sustenta os preços do cacau africano é o fenômeno climático que ameaça intensificar a seca no semiárido nordestino brasileiro a partir do segundo semestre. Porque a África Ocidental concentra tanto risco para o mercado de cacau Costa do Marfim e Gana respondem, juntos, por mais da metade de toda a produção mundial de cacau — uma concentração geográfica que torna o mercado extremamente sensível a qualquer alteração climática nessas regiões. Consequentemente, quando o El Niño ameaça reduzir as chuvas ou alterar os padrões climáticos na África Ocidental, o impacto potencial sobre a oferta global é desproporcionalmente grande em relação a outras commodities agrícolas mais distribuídas geograficamente. Ademais, o cacau já vinha de um período de volatilidade expressiva nos últimos anos, com problemas fitossanitários, envelhecimento de plantios e questões climáticas anteriores pressionando a oferta global e elevando os preços a níveis historicamente altos. Nesse sentido, qualquer novo fator de risco — como o El Niño atual — tende a reforçar essa tendência de preços elevados, já que o mercado tem pouca margem de segurança em termos de estoques. A oportunidade brasileira em meio à volatilidade global Enquanto o mercado global de cacau enfrenta incertezas climáticas concentradas na África, o Brasil vem construindo uma posição cada vz mais relevante como produtor alternativo. O Cerrado mineiro, em particular, tem atraído investimentos crescentes na cultura, com a Expocacer — cooperativa de referência na região — mirando novos mercados e apostando em safra maior para os próximos ciclos. Consequentemente, o cenário de preços firmes em Londres — sustentado pelos temores sobre a África — cria um ambiente favorável para que produtores brasileiros expandam a cultura com maior segurança financeira. Portanto, para quem está avaliando a entrada na cacauicultura ou a expansão de áreas já existentes, o momento atual de preços elevados representa uma janela de oportunidade relevante. O paradoxo do El Niño: bom para o cacau, ruim para o Nordeste Vale destacar um paradoxo importante neste cenário: o mesmo El Niño que sustenta os preços do cacau ao ameaçar a produção africana é o fenômeno climático que preocupa o agronegócio nordestino brasileiro. Com 63% de chance de atingir intensidade forte, o El Niño tende a reduzir as precipitações no semiárido do Ceará e de outros estados nordestinos, aumentando o risco de seca prolongada nos próximos meses. Nesse sentido, enquanto o produtor de cacau no Cerrado mineiro pode se beneficiar indiretamente da volatilidade climática africana, o produtor do semiárido nordestino enfrenta o lado mais desafiador do mesmo fenômeno — um lembrete de como eventos climáticos globais produzem efeitos completamente distintos dependendo da região e da cadeia produtiva envolvida. O que muda na prática para o produtor Próximos passos O mercado de cacau deve seguir voláteis enquanto persistirem as incertezas climáticas na África Ocidental. O Portal AgroMais acompanha os desdobramentos do El Niño tanto para o Nordeste brasileiro quanto para os mercados globais de commodities agrícolas. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
Ministro da Agricultura e maior produtor de camarão do Brasil debatem semiárido na Agro Tauá
Agricultura | Era quase meio-dia quando a mesa mais aguardada da Agro Tauá começou, e o tema não poderia ser mais oportuno: o agronegócio no semiárido, suas oportunidades, desafios e perspectivas para o desenvolvimento regional. Consequentemente, o que se viu na sequência foi um encontro raro, em que um ministro nascido no sertão e o maior produtor de camarão do Brasil traduziram, cada um a seu modo, o que significa empreender e governar para uma das regiões mais desafiadoras do país. A mesa reuniu André Carlos Alves de Paula Filho, ministro da Agricultura e Pecuária do Brasil, ao lado de nomes de peso do agro cearense: o empresário Cristiano Peixoto Maia, do Grupo Samaria, Fábio Ferreira Feijó, secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado, lideranças do cooperativismo e do setor produtivo, como Valdemar Gomes, da COOPDEST, e David Girão, representando a Alvoar Lácteos, quinta maior indústria de laticínios do Brasil, nascida da união entre a cearense Betânia e a mineira Embaré. Além disso, a Federação da Agricultura do Estado do Ceará, presidida por José Amílcar de Araújo Silveira, também diretor da CNA, foi representada no encontro. O peso político da mesa se refletiu também na plateia. O debate teve a mediação de Domingos Filho, que ao lado de Domingos Neto recebeu os participantes na condição de anfitrião do evento. Ademais, prestigiaram ainda o encontro a prefeita de Tauá, Patrícia Aguiar, e a vice-prefeita de Fortaleza, Gabriela Aguiar, além de parlamentares e outras lideranças do setor agropecuário, reforçando a relevância do tema para o desenvolvimento do Ceará e de toda a região do semiárido. Um ministro que conhece o sertão por dentro A presença de André de Paula carrega um simbolismo que não passou despercebido. Natural do Recife, o ministro é nordestino e conhece de perto as agruras e as potencialidades do semiárido. Antes de assumir a pasta da Agricultura, em abril de 2026, ele comandou o Ministério da Pesca e Aquicultura entre 2023 e 2026, experiência que o aproxima de cadeias produtivas estratégicas para o Nordeste, como a aquicultura e a carcinicultura. Esse histórico foi lido por muitos dos presentes como uma vantagem concreta para o Ceará e para toda a região. Em outras palavras, ter à frente do Ministério da Agricultura alguém que entende as especificidades da produção nordestina, e que já dialogou com setores como o do camarão, abre uma ponte direta entre as demandas do sertão e as decisões tomadas em Brasília. Para um território historicamente visto como periférico nas políticas agrícolas nacionais, portanto, a diferença é significativa. Cristiano Maia: persistência, determinação e conta na ponta do lápis Se o ministro trouxe a perspectiva da política pública, foi Cristiano Maia quem prendeu o público com a narrativa de quem construiu um império a partir do chão do sertão. Nascido na Fazenda Samaria, em Jaguaribara, filho de agricultores e criado entre seis irmãos, ele é hoje reconhecido como o maior produtor de camarão do Brasil e preside a Camarão BR, entidade que reúne os maiores carcinicultores do país. Os números do seu grupo dão a dimensão da trajetória. A produção é distribuída por todo o país, e a operação envolve laboratórios de pós-larva, indústria de beneficiamento e até uma fábrica de ração que verticaliza a cadeia. Consequentemente, o Ceará, maior produtor nacional, responde sozinho por cerca de 60 mil toneladas de camarão por ano, dentro de uma produção brasileira que gira em torno de 170 mil toneladas anuais e que projeta seguir crescendo. Mais do que cifras, o que marcou a fala de Cristiano Maia foi a perspectiva de quem empreende com os pés no semiárido. Nesse sentido, ele trouxe o público para o centro do debate ao falar de persistência, de determinação e, sobretudo, da importância de fazer a conta na ponta do lápis, de conhecer custos e de planejar antes de sonhar grande. Sua história, portanto, funcionou como prova viva de que o sertão não é obstáculo, e sim ponto de partida para quem tem disposição de trabalhar. O semiárido como vocação, não como limite O debate em Tauá se sustenta em uma base econômica real. O município é o maior criador de ovinos e caprinos do Ceará, concentrando, segundo o IBGE, 7,8% do rebanho caprino e 7,0% do rebanho ovino do estado. Além disso, é também um dos pontos de partida da retomada do algodão cearense e tem na palma forrageira a base alimentar que sustenta o rebanho na convivência com a seca. A mesa, nesse sentido, conversou diretamente com a vocação produtiva da cidade que a sediou. Ao reunir governo, federação, cooperativas e empresários do porte de Cristiano Maia e David Girão em torno do mesmo tema, a Agro Tauá cumpriu o papel que feiras como essa têm de melhor: encurtar a distância entre quem produz no curral e quem decide as políticas e move os grandes negócios. Consequentemente, o recado que ficou da manhã de sábado foi direto. O semiárido brasileiro não pede pena, pede oportunidade. E, quando ela aparece, o sertão mostra que sabe transformar terra seca em economia que gera emprego, renda e futuro. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br