Do sertão ao café de altitude: trajetória inspira agro no Ceará

O cultivo do café na Serra de Baturité tem histórias que atravessam gerações. Uma delas é a do produtor Sérgio Patrício, do Sítio Bem-te-vi, que transformou um sonho de infância em uma trajetória marcada por persistência, inovação e valorização da agricultura familiar.

Filho de agricultor do sertão central cearense, Sérgio cresceu acompanhando o esforço do pai no campo. Ainda criança, viu a família deixar a propriedade rural em busca de oportunidades na cidade. Anos depois, a vontade de retomar as raízes falou mais alto.

Em 2000, antes mesmo de adquirir uma casa em Fortaleza, ele comprou um sítio na região do Maciço de Baturité, tradicional produtora de café no Ceará.

Do abandono à renovação do cafezal

Quando adquiriu a propriedade, o café existente estava cultivado de forma tradicional e apresentava sinais de abandono. A primeira colheita foi modesta: seis sacas de 60 quilos, secadas em estrutura improvisada.

Mas o que parecia um começo tímido se transformou em ponto de virada. Sérgio buscou orientação técnica junto à Embrapa, adotou novas cultivares mais produtivas e investiu em viveiros de mudas, substituindo práticas antigas de transplante direto por manejo mais técnico e estruturado.

A mudança elevou a produtividade e trouxe qualidade ao café produzido no sítio.

Tecnologia, manejo e visão de longo prazo

O produtor destaca que o café exige acompanhamento durante todo o ano. Diferente de culturas sazonais, o café demanda atenção constante, do florescimento à maturação — um ciclo de aproximadamente nove meses.

Com manejo adequado, um pé de café pode produzir por décadas, o que exige planejamento técnico e visão de longo prazo.

Hoje, o Sítio Bem-te-vi integra o movimento de valorização do café da Serra de Baturité, reconhecido pela qualidade diferenciada e pelo potencial de mercado.

Tradição familiar e identidade regional

A trajetória de Sérgio carrega forte simbolismo familiar. A memória do pai agricultor segue presente na condução da propriedade. A decisão de investir no campo foi, também, uma forma de resgatar essa identidade.

O Maciço de Baturité tem se consolidado como polo produtor de café de altitude no Ceará, unindo tradição, clima favorável e adoção de tecnologia no campo.

A história do Sítio Bem-te-vi é exemplo de como persistência, conhecimento técnico e conexão com as raízes podem transformar desafios em resultados concretos para o agro cearense.


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Jakeline Diógenes

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