E a Marketeira do Agro tá on! E hoje está on diretamente de Goiânia, onde o AgroMKT Summit reúne algumas das principais vozes do marketing, da comunicação, da inovação e dos negócios no agronegócio brasileiro. Subo ao palco para falar sobre os sotaques do agro. Mas não estou falando apenas da maneira como pronunciamos uma palavra. Sotaque é território. É memória. É cultura. É a forma como uma comunidade interpreta o mundo, constrói confiança e decide com quem quer fazer negócio. Não existe um único agro brasileiro Quando observamos o agronegócio de longe, é fácil tratá-lo como um mercado homogêneo. Mas o agro do Sul não é igual ao do Centro-Oeste. O Cerrado não se comunica da mesma forma que o Sertão. A realidade de uma grande fazenda de grãos não é a mesma de uma pequena queijaria artesanal, de uma unidade produtiva de camarão ou de uma propriedade dedicada à criação de caprinos. As culturas produzidas mudam. O clima muda. O tamanho das operações muda. As relações comerciais, os eventos, os símbolos e os canais de confiança também mudam. Mesmo assim, muitas estratégias continuam sendo criadas em um centro e simplesmente replicadas para todo o país. O resultado pode ser uma comunicação tecnicamente correta, visualmente bonita e emocionalmente distante. Regionalizar exige mais do que traduzir uma campanha Uma marca não se torna nordestina porque colocou um chapéu de couro em uma peça. Não se torna próxima do produtor porque usou uma expressão regional. Quando esses recursos não nascem de conhecimento e respeito, podem produzir caricatura em vez de conexão. Regionalizar começa pela escuta. É compreender como as pessoas compram, com quem se aconselham, quais eventos frequentam, o que valorizam e quais dificuldades enfrentam. É conhecer as cadeias produtivas locais e reconhecer que uma estratégia precisa conversar com a realidade econômica de quem está do outro lado. No Nordeste, relações presenciais, indicação e confiança possuem enorme peso. Feiras, exposições, encontros de produtores, cooperativas, associações e comunidades digitais formam redes que influenciam decisões. Ignorar essas redes é desperdiçar inteligência de mercado. O Nordeste não pode ser reduzido à seca Durante muito tempo, o Sertão foi comunicado quase exclusivamente pela falta: falta de água, de oportunidade, de desenvolvimento. Essa narrativa não desapareceu completamente. Mas quem conhece o território sabe que existe outra história sendo construída. O sol, antes apresentado apenas como adversário, tornou-se ativo para a produção de energia. A necessidade de conviver com o Semiárido estimulou tecnologias, manejo adaptado e uso mais eficiente dos recursos. A região produz frutas, mel, leite, queijos, camarão, aves, ovinos, caprinos e conhecimento. Comunicar o Nordeste contemporâneo é reconhecer desafios sem apagar potência. É mostrar tradição e inovação ocupando o mesmo espaço. Representatividade precisa chegar à estratégia Não basta usar a imagem do produtor em uma campanha se ele não foi ouvido na construção da mensagem. Não basta falar sobre diversidade regional se as decisões continuam concentradas em equipes que conhecem apenas uma parte do país. Representatividade real acontece quando diferentes territórios participam da pesquisa, da criação, da execução e da avaliação. Isso melhora a comunicação e também melhora o negócio, porque reduz suposições e aproxima a marca das necessidades do mercado. Conexão é resultado No final, regionalizar não é fragmentar o Brasil. É reconhecer sua complexidade para construir uma estratégia nacional mais inteligente. Uma marca que conhece os sotaques do agro consegue escolher melhor os canais, desenvolver ofertas mais adequadas, construir confiança e transformar presença em relacionamento. O agro fala com muitos sotaques. A grande oportunidade das marcas está em aprender a escutá-los antes de tentar responder. E a Marketeira do Agro segue on — levando o Ceará, o Nordeste e as histórias do nosso povo para os espaços onde o futuro do agronegócio está sendo discutido. O que muda na prática para marcas do agro • Mapear diferenças culturais e produtivas antes de replicar campanhas nacionais. • Ouvir produtores, associações, cooperativas e canais locais durante a construção da estratégia. • Evitar estereótipos como atalho para representar regiões complexas. • Adaptar canais, ofertas e linguagem à forma como cada território constrói confiança. • Tratar representatividade regional como inteligência de mercado e não apenas como elemento visual. Próximos passos O debate sobre os sotaques do agro reforça uma agenda que vai além da comunicação: conhecer melhor o território ajuda empresas a reduzir suposições, desenvolver ofertas mais aderentes e construir relações comerciais mais consistentes. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias.👉 www.portalagromais.com.br
Aracati recebe Festival do Camarão com mutirão de licenciamento
Aracati recebe nesta sexta-feira (4) e sábado (5) a segunda edição do Festival do Camarão do Vale do Jaguaribe. O evento reúne produtores, empresários, especialistas e público em uma programação que combina negócios, gastronomia, conhecimento técnico e atendimento aos carcinicultores. Realizado pela Associação dos Produtores de Camarão do Ceará (APCC), em parceria com Sistema Faec/Senar, Sebrae e Prefeitura de Aracati, o festival terá feira de negócios, feira gastronômica, artesanato, simpósios técnico-científicos, oficinas de manejo e gastronomia, concurso gastronômico e atendimento técnico. Licenciamento ganha espaço dentro do evento Um dos pontos mais relevantes é o mutirão de licenciamentos, realizado nos dois dias, das 17h às 22h, na Carreta do Agro. A presença do serviço aproxima regularização ambiental e desenvolvimento da atividade produtiva. Programação técnica acompanha os dois dias As atividades técnicas acontecem das 9h às 17h no Teatro Municipal Francisca Clotilde. O objetivo é levar atualização e orientação aos produtores sobre manejo e temas ligados à cadeia. Negócios e gastronomia ampliam a cadeia de valor As feiras de negócios e gastronômica funcionam das 17h às 22h na Rua Grande. O formato aproxima produção, consumo, fornecedores e gastronomia, mostrando que a carcinicultura movimenta atividades além da fazenda. Evento abre oportunidade para mapear gargalos Mais do que registrar a programação, o festival permite investigar questões estruturais: regularização, acesso a crédito, custo de ração, tecnologia, produtividade, processamento e mercado. O que muda na prática para o produtor • Produtores podem aproveitar o atendimento técnico e o mutirão de licenciamento. • Empresas têm oportunidade de mapear fornecedores, clientes e tecnologias. • Regularização deve ser tratada como parte da estratégia de investimento. • O evento pode aproximar produção primária e gastronomia de maior valor agregado. • A cadeia precisa transformar encontros setoriais em dados sobre gargalos e oportunidades. Próximos passos O Portal AgroMais deve acompanhar o festival buscando dados sobre regularização, custos, produção e potencial de expansão da carcinicultura no Vale do Jaguaribe. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias.👉 www.portalagromais.com.br
Frango brasileiro mira novembro para possível retomada na UE
A suspensão europeia às importações de produtos brasileiros de origem animal entrou em vigor em 3 de setembro, mas a avicultura já trabalha com uma janela para possível revisão das restrições. A expectativa do setor é que os resultados da auditoria europeia sobre controles de antimicrobianos permitam nova avaliação do frango brasileiro em novembro. A inspeção europeia percorreu elos da cadeia produtiva para verificar a implementação dos procedimentos adotados pelo Brasil. Como o ciclo de produção de aves é mais curto, o setor consegue apresentar evidências de um ciclo completo dentro das novas regras em prazo menor que a bovinocultura. Restrição afeta um mercado de alto valor A União Europeia não é apenas destino de volume. Parte das vendas envolve produtos de maior valor agregado, o que torna a substituição do mercado mais complexa mesmo quando outros compradores absorvem toneladas. Auditoria passa a ser o ponto decisivo A qualidade das evidências coletadas e a avaliação técnica europeia serão determinantes para uma eventual reinclusão do Brasil na lista de fornecedores autorizados. Redirecionar volume não garante a mesma margem Mercados alternativos podem reduzir o impacto sobre produção e estoques, mas diferenças de mix, preço e exigências comerciais significam que preservar volume não é necessariamente preservar rentabilidade. Impasse ganhou dimensão diplomática O governo brasileiro contestou as restrições e sinalizou possibilidade de recorrer a instrumentos legais e comerciais caso não haja solução. Até o momento, isso deve ser tratado como posição de negociação, não como retaliação já aplicada. O que muda na prática para o produtor • Novembro é uma referência de avaliação, não garantia de retomada. • Acompanhar resultado formal da auditoria europeia. • Monitorar preços e destinos alternativos do frango brasileiro. • Observar impactos sobre produtos de maior valor agregado. • Separar medidas técnicas de eventuais respostas diplomáticas ou comerciais. Próximos passos Os próximos dois meses serão decisivos para a avicultura. O foco deve permanecer no relatório da auditoria e nas decisões formais das autoridades europeias. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias.👉 www.portalagromais.com.br
Seguro rural: Senado aprova reforma e projeto segue para sanção
O Senado aprovou nesta quinta-feira (3) o projeto que reformula o seguro rural brasileiro. O PL 2.951/2024 segue agora para sanção presidencial e cria mudanças que procuram ampliar a previsibilidade da política de proteção ao produtor diante de perdas climáticas e outros riscos. Entre os principais pontos estão a execução orçamentária obrigatória da subvenção ao prêmio do seguro rural dentro do montante previsto na Lei Orçamentária, a estruturação do chamado Fundo Catástrofe e benefícios para operações de crédito rural amparadas por seguro. Subvenção ganha proteção contra contingenciamento O texto proíbe contingenciamento ou bloqueio das despesas relativas à subvenção do prêmio do seguro rural. A execução, porém, continua limitada ao valor previsto no projeto de orçamento enviado pelo Executivo. Fundo Catástrofe volta ao centro da política Previsto desde 2010, mas nunca operacionalizado, o fundo poderá reunir seguradoras, resseguradoras, cooperativas, empresas do agronegócio e ativos da União para oferecer cobertura suplementar a riscos de maior dimensão. Seguro poderá melhorar condições de crédito Operações amparadas por seguro poderão ter taxas, prazos e limites diferenciados, além de prioridade no acesso ao crédito rural, inclusive em situações de prorrogação ou renegociação. Indenização passa a ter prazos definidos Quando não houver necessidade de vistoria presencial, o processamento deverá ocorrer em até 15 dias após o aviso. O pagamento terá prazo de 30 dias após entrega da documentação ou vistoria, conforme o caso. O que muda na prática para o produtor • A aprovação ainda depende de sanção presidencial. • Execução obrigatória não significa orçamento ilimitado: vale o montante aprovado. • Produtores devem observar como bancos incorporarão seguro às condições de crédito. • O Fundo Catástrofe dependerá de regulamentação e estruturação efetiva. • Seguro pode ganhar peso na gestão financeira diante de maior risco climático. Próximos passos O próximo passo é a sanção presidencial. Depois, regulamentação e orçamento determinarão quanto da nova arquitetura chegará efetivamente ao produtor. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
China pode desafiar Brasil no mercado global de frango
A China começa a mudar de posição no comércio mundial de carne de frango. Tradicionalmente acompanhada pelo agronegócio brasileiro como grande mercado comprador, o país tornou-se exportador líquido da proteína em 2025 e poderá ganhar relevância como concorrente internacional ao longo da próxima década, segundo avaliação do Rabobank divulgada pela Reuters. A produção chinesa cresceu e passou a gerar excedentes exportáveis, especialmente de cortes como peito de frango, que têm menor preferência no mercado doméstico. Em 2025, as exportações chinesas superaram 1 milhão de toneladas, enquanto o Brasil permaneceu líder global, com cerca de 5,3 milhões de toneladas. A disputa deve acontecer em mercados estratégicos O Rabobank aponta que a expansão chinesa pode aumentar a competição em destinos da Ásia, África e Oriente Médio — regiões importantes para a diversificação das exportações brasileiras. Brasil mantém ampla vantagem de escala A mudança chinesa não significa perda imediata da liderança brasileira. O Brasil ainda exporta várias vezes mais e possui uma cadeia altamente integrada, competitiva e reconhecida sanitariamente em diversos mercados. Mudança estrutural exige nova leitura da China A principal mudança é estratégica: o país asiático não deve ser observado apenas pela demanda que gera. Produção, custos, política de exportação e acesso a mercados chineses também passam a importar para o planejamento brasileiro. Valor agregado pode ganhar importância Com mais concorrentes disputando volume, diferenciação sanitária, rastreabilidade, cortes específicos, marca e relacionamento comercial podem ganhar peso na preservação de margens. O que muda na prática para o produtor • Acompanhar exportações chinesas e os destinos em que crescem. • Monitorar Oriente Médio, África e Ásia como zonas de competição. • Preservar diferenciais sanitários e de custo da produção brasileira. • Buscar valor agregado e adequação de produtos por mercado. • Tratar a China simultaneamente como cliente, produtor e concorrente. Próximos passos A evolução das exportações chinesas nos próximos anos mostrará se o país se consolida como concorrente relevante ou permanece concentrado em nichos específicos. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
Preços globais dos alimentos sobem 1,9% e açúcar avança 11,9%
Os preços internacionais dos alimentos voltaram a ganhar força em agosto. O Índice de Preços de Alimentos da FAO alcançou 133,3 pontos, alta de 1,9% sobre julho e de 2,5% em relação ao mesmo mês de 2025. Segundo a agência das Nações Unidas, o movimento foi disseminado entre os principais grupos de commodities. O açúcar liderou a pressão, com avanço de 11,9% no mês e maior nível desde junho de 2025. A FAO relaciona a alta a perspectivas mais apertadas para a oferta global em 2026/27, incluindo clima adverso na União Europeia, riscos associados ao El Niño na Ásia, menor produção brasileira e a decisão da Índia de permitir importações de açúcar bruto sem tarifa. Cereais também entram na pressão O índice de cereais avançou 2,2% em agosto. Trigo e milho foram influenciados por preocupações climáticas, demanda e incertezas logísticas. A FAO também reduziu sua projeção para a produção mundial de cereais em 2026. Brasil aparece dos dois lados do movimento O país é grande exportador de açúcar, grãos, carnes e óleos vegetais. Por isso, preços internacionais mais altos podem melhorar receitas de exportação, mas também elevar custos de alimentos, rações e insumos dentro do mercado doméstico. Clima e geopolítica voltam a formar prêmio de risco A FAO destaca a convergência entre eventos climáticos, conflitos e problemas logísticos. Esse conjunto aumenta a incerteza sobre oferta e reposiciona segurança de abastecimento como variável estratégica. Açúcar merece acompanhamento especial A alta mensal de 11,9% é o dado mais forte do relatório. Para o Brasil, a evolução da produção no Centro-Sul e o comportamento do clima global serão determinantes para saber se o movimento terá continuidade. O que muda na prática para o produtor • Acompanhar açúcar, milho e trigo como indicadores de pressão sobre alimentos. • Separar oportunidade de exportação de possível pressão sobre custos domésticos. • Monitorar El Niño e produção brasileira de açúcar. • Observar preços de ração nas cadeias de proteína animal. • Evitar tratar a alta mensal como garantia de tendência contínua. Próximos passos O próximo índice da FAO será divulgado em 2 de outubro. Até lá, clima, logística no Mar Negro e oferta de açúcar serão variáveis centrais. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br