PEC Brasil | O PEC Nordeste virou PEC Brasil. E a mudança de nome não é cosmética — é uma declaração de intenções. A 1ª edição da PEC Brasil, novo nome do tradicional evento promovido pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec) há quase 30 anos, acontece de 25 a 27 de junho de 2026 no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza. A expectativa é receber mais de 100 mil pessoas e movimentar mais de R$ 150 milhões em negócios durante os três dias. Com 600 empresas e instituições distribuídas em cerca de 1.300 estandes e mais de 32 mil metros quadrados de área, a PEC Brasil é a maior feira indoor do setor agropecuário do país. O evento reúne produtores rurais, empresários, pesquisadores, investidores, técnicos e representantes de cadeias produtivas do Brasil e do exterior — num momento em que o agro cearense vive um de seus períodos mais dinâmicos da história. PEC Brasil: Por que a mudança de nome importa O PEC Nordeste foi, por quase três décadas, o maior evento agropecuário da região. A decisão de renomear para PEC Brasil não é apenas simbólica — é estratégica. O reposicionamento nacional sinaliza que o agronegócio cearense e nordestino não quer mais ser tratado como mercado regional ou secundário. O presidente da Faec, Amílcar Silveira, é direto: ‘O agro brasileiro reconhece hoje a importância da nossa feira. A PEC Brasil nasce maior, mais moderna e conectada com os desafios e oportunidades do setor. Continuaremos valorizando o Nordeste, mas agora com uma visão ainda mais ampla e nacional.’ O timing do relançamento é perfeito. O acordo Mercosul-UE entrou em vigor em maio. A Transnordestina avança para o Porto do Pecém. As exportações cearenses crescem 49% no primeiro quadrimestre de 2026. O PEC Brasil chega para consolidar esse momento — e para mostrar ao país inteiro o que o campo nordestino é capaz. PEC Brasil: 32 mil m², 600 expositores e 270 caravanas do interior A PEC Brasil 2026 vai ocupar todos os pavilhões do Centro de Eventos do Ceará, além dos espaços nas docas e no estacionamento externo — totalizando mais de 32 mil metros quadrados. A programação técnica deve capacitar entre 12 mil e 15 mil pessoas, com a participação de 270 caravanas de municípios do interior do Ceará e de estados vizinhos. São mais de 600 empresas e instituições públicas e privadas expositoras em cerca de 1.300 estandes. Para quem vem do interior, o PEC Brasil é oportunidade única de acessar fornecedores, comparar tecnologias, conhecer linhas de crédito e fazer negócios que normalmente só seriam possíveis em viagens a São Paulo ou Brasília. A programação inclui palestras, seminários, leilões, concursos e atrações musicais — uma a cada dia. A diversidade de formatos garante que o evento tenha relevância tanto para o produtor que quer fechar um negócio quanto para o técnico que busca atualização e para o jovem que está iniciando na atividade rural. Expocamarão: 300 estandes e toda a cadeia nacional no mesmo espaço Um dos destaques mais relevantes da PEC Brasil 2026 para o agronegócio cearense é a Expocamarão, organizada pela Associação dos Produtores de Camarão Cultivado do Ceará (APCC). Com cerca de 300 estandes, o evento reúne os principais carcinicultores do Ceará, Rio Grande do Norte e Piauí — estados responsáveis por praticamente toda a produção brasileira de camarão cultivado. A carcinicultura cearense produz 54% do camarão nacional e está em momento de expectativa: a vedação sanitária que bloqueia as exportações para a Europa desde 2018 está sendo negociada junto ao Mapa e à Comissão Europeia. O Mercosul-UE abriu a janela tarifária — e quando a barreira sanitária cair, o camarão cearense terá mercado garantido. A Expocamarão 2026 acontece exatamente nesse momento de transição. Leilões, concurso leiteiro, mulheres e jovens do agro A programação de pecuária é outro destaque. O Concurso Leiteiro terá cerca de 300 vacas e acontecerá no estacionamento externo em uma área três vezes maior do que a da edição de 2025 — sinal do crescimento da bovinocultura leiteira como cadeia de relevância no estado. Quatro leilões de gado bovino acontecerão nas docas do centro de eventos. O evento também aposta na agenda de diversidade e renovação do agro. O Encontro das Mulheres do Agro deve reunir 2 mil participantes. O Encontro de Jovens do Agro deve atrair mil pessoas. As duas iniciativas reconhecem que o campo do século 21 é construído por gerações e perfis diferentes — e que a inclusão desses públicos é parte essencial da sustentabilidade do setor. Os seminários técnicos, organizados pelos sindicatos rurais e câmaras setoriais, cobrem bovinocultura, caprinovinocultura, avicultura, carcinicultura, equinocultura, apicultura e agroindústria. Para quem trabalha com qualquer uma dessas cadeias, o PEC Brasil é o maior espaço de atualização técnica disponível no segundo semestre. Feira dos Municípios, cooperativas e startups agro A Feira dos Municípios reúne 40 prefeituras cearenses num espaço dedicado à exposição e comercialização de produtos locais — da agricultura à agroindústria e ao artesanato. É o Ceará do interior em vitrine nacional. O Espaço Somoscoop, coordenado pelo Sistema OCB, é dedicado à agricultura familiar e às cooperativas — canais de comercialização e organização produtiva que são especialmente relevantes para os pequenos e médios produtores cearenses. O evento também terá espaço para startups do agro, ensino e pesquisa, e áreas de gastronomia regional. A presença das startups é especialmente relevante no contexto do AiTec e do ecossistema de inovação que está se formando no Ceará — conectando o campo à tecnologia de forma prática e acessível. O que muda na prática para o produtor Próximos passos A PEC Brasil 2026 acontece de 25 a 27 de junho no Centro de Eventos do Ceará, Fortaleza. Realização: Sistema Faec/Senar, em parceria com o Sebrae Ceará. O evento é aberto ao público. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
Transnordestina: o que muda para o agro quando os trilhos chegarem ao porto
Em junho de 2026, a Ferrovia Transnordestina completa 20 anos de obras. Duas décadas marcadas por paralisações, rescisões de contrato, disputas jurídicas e mudanças de governo. Mas também por avanços reais: 727 quilômetros de trilhos já estão concluídos, a Fase 1 — que liga Paes Landim (PI) ao Porto do Pecém (CE) — está com 81% de execução física e o prazo de entrega é 2027. A ferrovia que o Nordeste esperava há vinte anos está chegando. E com ela, uma transformação logística que pode mudar de forma permanente a competitividade do agronegócio regional — reduzindo o custo de frete, ampliando o acesso ao Porto do Pecém e conectando o interior produtivo do Piauí, Ceará e Pernambuco ao mercado global. Esta análise examina onde estão as obras, o que já está funcionando, o que falta para a conclusão e, mais importante, o impacto concreto que a Transnordestina terá para o produtor rural nordestino quando os trilhos chegarem ao porto. Transnordestina: 727 km prontos, 326 km em execução A Transnordestina tem 1.206 quilômetros de extensão total planejada, divididos em duas fases. A Fase 1 — o trecho mais longo e estratégico, ligando Paes Landim (PI) ao Porto do Pecém (CE) — está com 81% de conclusão física e é a prioridade absoluta das obras em 2026. A Fase 2, de Paes Landim a Eliseu Martins (PI), está com 35% de execução e tem previsão de conclusão em 2028. Dos 11 lotes em que a obra foi dividida no Ceará, quatro já foram entregues. Cerca de metade da linha férrea no trecho cearense deve estar totalmente concluída até julho de 2026, totalizando 253 dos 527 quilômetros no estado. Os lotes 9 (Baturité–Aracoiaba, 46 km) e 10 (Aracoiaba–Caucaia, 51 km) — os mais complexos, por cruzarem o relevo serrano da Ibiapaba — tiveram ordem de serviço assinada no fim de dezembro de 2025 e estão em fase inicial de execução. Em fevereiro de 2026, chegou da China o último lote de trilhos necessário para concluir a montagem completa da linha férrea — sinal de que o gargalo de suprimento foi resolvido. O investimento total da obra é estimado em R$ 15 bilhões, dos quais cerca de R$ 8,2 bilhões já foram aplicados. A Sudene, principal financiadora via FDNE, já liberou R$ 6,6 bilhões dos R$ 7,4 bilhões comprometidos até 2027. Transnordestina: milho, sorgo e calcário nos trilhos desde dezembro de 2025 A Transnordestina não é mais apenas promessa. Desde dezembro de 2025, o primeiro trecho operacional já transporta cargas comerciais. Milho, sorgo, calcário agrícola e gipsita são os produtos que iniciaram a operação — commodities e insumos agrícolas que trocaram as rodovias congestionadas pelos trilhos. O início das operações comerciais no trecho pronto é emblemático. Pela primeira vez na história do Nordeste, um produtor de grãos do interior cearense pode escoar sua produção por ferrovia com destino ao porto. O custo por tonelada-quilômetro do transporte ferroviário é tipicamente entre 3 e 4 vezes menor que o rodoviário — vantagem que se traduz em margem adicional para o produtor e em competitividade ampliada para os produtos nordestinos no mercado global. A Transnordestina também terá cargas de retorno estratégicas. O transporte de fertilizantes — especialmente a ureia produzida pelas Fafens de Camaçari (BA) e Aracaju (SE) e o futuro terminal de GNL do Pecém — e de combustíveis armazenados no novo terminal de tancagem do porto são as principais cargas previstas no sentido porto-interior. Isso significa que o mesmo trem que leva soja ou milho para o porto pode voltar carregado de ureia ou calcário — reduzindo ainda mais o custo logístico. O traçado estratégico: Piauí, Ceará e Pernambuco conectados ao Pecém A malha concessionada da Transnordestina distribui 609 quilômetros no Ceará, 395 no Piauí e 202 quilômetros em Pernambuco — trecho que liga Salgueiro ao Complexo Portuário de Suape. As obras do trecho pernambucano devem ser iniciadas ainda em 2026, segundo o Ministério dos Transportes. O traçado cruza regiões produtoras de soja, milho e sorgo do sudeste do Piauí — parte do MATOPI —, passa pelo sertão cearense com sua pecuária, cajucultura e agricultura familiar, e conecta tudo isso ao Porto do Pecém. Para a região MATOPI — que inclui partes do Maranhão, Tocantins e Piauí —, a Transnordestina complementa o corredor já existente via Porto de Itaqui (MA) com uma rota alternativa mais direta até a Europa, pelo Pecém. O diretor de Relações Governamentais da TLSA, Ismael Trinks, resume o potencial: ‘Estamos possibilitando a criação de empregos e oferecendo uma opção logística extremamente eficiente e barata para o Nordeste, especialmente para o Ceará.’ A ferrovia deve operar com capacidade estimada de até 30 milhões de toneladas por ano quando concluída — volume que transformaria o Porto do Pecém em um dos principais hubs de exportação do Brasil. Transnordestina: O impacto concreto para o produtor rural nordestino O impacto da Transnordestina para o produtor rural nordestino vai muito além da redução do frete. É uma mudança de patamar competitivo que afeta múltiplas cadeias produtivas. Para os grãos — milho, sorgo e soja — do interior do Ceará e do Piauí, o frete ferroviário pode reduzir o custo de escoamento em R$ 30 a R$ 50 por tonelada em relação ao transporte rodoviário. Para uma safra de 100 mil toneladas, isso equivale a uma economia de R$ 3 a R$ 5 milhões — o que pode transformar lavouras marginalmente lucrativas em negócios viáveis. Para a fruticultura do Vale do Jaguaribe — especialmente melão, melancia e a crescente produção de uva —, o benefício é ainda mais expressivo. Frutas frescas são produtos perecíveis com alto valor agregado. A redução do tempo de trânsito e do custo de frete por contêiner refrigerado pode ampliar a janela de exportação e o acesso a mercados mais distantes. Para a cajucultura, a carcinicultura e o mel cearense — produtos que precisam de escala para viabilizar a exportação —, a Transnordestina é o instrumento que pode viabilizar cooperativas de exportação no interior do estado, agregando produção de múltiplos municípios em
ANÁLISE DE MERCADO — Etanol e Biocombustíveis no Brasil em 2026: o E32, o etanol de milho e a nova fronteira energética
ANÁLISE DE MERCADO — Etanol e Biocombustíveis | O Brasil vive em 2026 um momento de inflexão histórica no mercado de biocombustíveis. A produção combinada de etanol — de cana-de-açúcar e de milho — deve superar 43 bilhões de litros na safra 2026/27, crescimento estimado entre 7,9% e 14% em relação ao ciclo anterior, dependendo do mix de produção das usinas. O etanol de milho, que chegou ao mercado comercial apenas em 2017, já responde por 27% da produção do Centro-Sul e deve ganhar mais 3 bilhões de litros de capacidade adicional somente em 2026 com a entrada de 16 novas plantas. Ao mesmo tempo, o governo federal avança na aprovação do E32 — elevação da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32% —, medida que, quando aprovada pelo CNPE, vai criar demanda adicional de 1 bilhão de litros de etanol anidro por ano. E no horizonte mais distante, o Combustível do Futuro prevê chegar ao E35 nos próximos anos. Esta análise examina os vetores que moldam o mercado de etanol e biocombustíveis no Brasil em 2026, o impacto do E32, o papel crescente do etanol de milho, os riscos de excesso de oferta e as oportunidades que esse cenário cria para o agro nacional. Etanol e Biocombustíveis: O Brasil como potência global O Brasil é o segundo maior produtor mundial de etanol, atrás apenas dos Estados Unidos. A diferença é que o etanol americano é feito de milho e o brasileiro é majoritariamente de cana-de-açúcar — com a vantagem ambiental do etanol de cana, que emite até 70% menos CO₂ que a gasolina no ciclo de vida completo, contra 40% do etanol de milho americano. O país tem uma estrutura única no mundo: uma frota de mais de 40 milhões de veículos flex fuel, que podem rodar com qualquer proporção de etanol e gasolina; a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina (hoje em 30%); e um mercado de etanol hidratado para consumo direto que cresce de forma consistente. Essa combinação cria uma demanda interna estruturalmente robusta — diferente de outros países produtores que dependem exclusivamente da exportação. Em 2024, o setor sucroenergético registrou o maior volume de açúcar exportado da história — 38,3 milhões de toneladas embarcadas para mais de 150 países, gerando US$ 18,6 bilhões em divisas. O etanol hidratado avançou 33% nas vendas internas. Esses números confirmam o papel estratégico do setor na economia brasileira. O E32: o que é, por que importa e quando vai acontecer A elevação da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32% — o E32 — é a medida mais aguardada pelo setor sucroenergético em 2026. O vice-presidente Geraldo Alckmin sinalizou que ‘está tudo encaminhado’. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, expressou ‘grande possibilidade’ do avanço. Os testes técnicos já concluíram a viabilidade. O que falta é a reunião do CNPE e a assinatura da portaria — que pode ocorrer a qualquer momento. A justificativa para o E32 é tripla. Econômica: o etanol anidro estava mais barato que a gasolina importada mesmo antes da alta do petróleo pelo conflito no Oriente Médio — e com o petróleo elevado, essa diferença aumenta. O Brasil importa cerca de 15% da gasolina consumida, dependência que custa caro em câmbio e em vulnerabilidade geopolítica. Ambiental: cada litro de etanol substituto da gasolina reduz as emissões de CO₂ em aproximadamente 70%, alinhando o Brasil às metas do Acordo de Paris. De segurança energética: menos importação de gasolina significa menos exposição às oscilações do petróleo e ao Estreito de Ormuz. O impacto do E32 no mercado é direto. Segundo a NovaBio (Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia), a medida vai acrescentar aproximadamente 1,052 bilhão de litros de etanol anidro ao mercado — crescimento de 6,6% na demanda. O setor afirma ter capacidade para atender sem problemas. A implementação deve ser feita em regime excepcional, com vigência inicial de 180 dias, prorrogável por igual período — um mecanismo de flexibilidade caso o mercado precise de ajuste. O etanol de milho: a nova fronteira que já é realidade Em 2017, quando a FS abriu a primeira usina exclusivamente de etanol de milho no Brasil, em Lucas do Rio Verde (MT), muitos no setor de cana duvidaram da escala. Menos de dez anos depois, o etanol de milho já responde por 27% da produção total no Centro-Sul e deve ultrapassar 12 bilhões de litros na safra 2026/27, segundo a Unem. O crescimento é estrutural. O Rabobank projeta que mais de 3 bilhões de litros de capacidade adicional de etanol de milho entrarão em operação somente em 2026, com 16 novas plantas previstas para iniciar operações, segundo a ANP. A StoneX estima crescimento de 7,9% na produção combinada de etanol de cana e milho em 2026/27 — com o milho puxando o crescimento. A lógica do etanol de milho é diferente da da cana. A cana é uma planta perene, com ciclo de cinco anos, e as usinas são fixas em suas regiões. O milho é uma cultura anual e flexível — pode ser cultivado em grande parte do Brasil e armazenado por longos períodos, dando às usinas de etanol de milho maior flexibilidade logística e de abastecimento. Para o agro nordestino, a expansão do etanol de milho no Centro-Oeste cria demanda adicional interna para o cereal — o que pode oferecer suporte às cotações em momentos de excesso de oferta. A aquisição de 40% da FS pela AMAGGI por US$ 100 milhões é o sinal mais claro de que os grandes grupos do agro brasileiro estão apostando no etanol de milho como negócio de longo prazo. Etanol e Biocombustíveis: O risco de excesso de oferta e o equilíbrio do mercado Nem tudo são boas notícias. Com a oferta de etanol crescendo mais rápido que a demanda, analistas alertam para o risco de pressão sobre os preços. A StoneX estima que a relação etanol/gasolina pode cair abaixo de 65% — o nível a partir do qual o etanol