Os contratos de soja para julho fecharam esta segunda-feira com queda de 0,2% na Bolsa de Chicago (CBOT), a US$ 11,92¼ por bushel. O recuo vem depois de a oleaginosa ter atingido uma máxima de sete semanas em 4 de maio, quando superou os US$ 12 por bushel. A pressão baixista atual vem de dois lados: a melhora das condições de oferta na América do Sul e o bom andamento do plantio nos EUA.
A safra brasileira 2025/26 está projetada em recorde próximo de 180 milhões de toneladas, segundo a Trading Economics, com base em dados do mercado. O plantio americano já está 33% concluído — 10 pontos percentuais à frente da média histórica, com previsões de clima mais seco favorecendo a semeadura no Meio-Oeste.
Soja: O que está sustentando o mercado
Apesar da pressão de oferta, o mercado encontra suporte em dois fatores. O primeiro é a demanda por biocombustíveis: a Agência de Proteção Ambiental dos EUA finalizou mandatos recordes do Padrão de Combustível Renovável para 2026-2027, elevando os volumes obrigatórios de mistura de biocombustíveis e aumentando a demanda por óleo de soja para produção de biodiesel.
O segundo fator é geopolítico: os confrontos entre EUA e Irã no Estreito de Ormuz elevaram os preços globais do petróleo, o que reforça indiretamente a competitividade dos biocombustíveis e sustenta a demanda por matérias-primas como a soja. Além disso, o encontro Trump-Xi previsto para esta semana mantém o mercado em compasso de espera.
Soja: Mercado físico brasileiro segue firme
No mercado físico brasileiro, o Indicador Cepea/Esalq segue em patamar rentável para o produtor. O câmbio, com o dólar a R$ 4,89, amplifica o retorno em reais mesmo com a queda dos preços em Chicago. O Brasil registrou recorde histórico de exportações de soja em abril — 16,75 milhões de toneladas, alta de 9,7% sobre o ano anterior.
O que muda na prática para o produtor
- A queda para US$ 11,92 não elimina a janela de vendas — os preços seguem em patamar historicamente rentável
- O câmbio favorável (R$ 4,89/dólar) amplifica o retorno em reais e compensa parte da queda em Chicago
- O relatório WASDE do USDA na quarta (13) pode reverter ou confirmar a tendência de baixa — aguardar antes de grandes decisões de venda
- A reunião Trump-Xi pode provocar volatilidade expressiva nas cotações a partir de quinta (15)
- Produtores do Matopiba devem monitorar o diferencial de base em relação às praças do Centro-Oeste antes de fechar negócios
Próximos passos
O USDA publica o relatório WASDE na quarta (13), com novas estimativas de oferta e demanda global de grãos. Os resultados da reunião Trump-Xi na quinta (15) adicionam uma segunda camada de volatilidade. A combinação dos dois eventos pode definir a direção das cotações para as próximas semanas.







