A carcinicultura segue como um dos grandes eixos da PEC Brasil 2026, e no segundo dia o debate avança para a fronteira tecnológica do setor: a seleção genômica aplicada ao melhoramento do camarão. Consequentemente, a discussão coloca o produtor brasileiro diante de uma ferramenta capaz de acelerar ganhos de produtividade, sanidade e resistência, num momento em que a cadeia busca eficiência para competir globalmente.
A pauta ganha estatura internacional com a presença de João Luis Lopes da Costa Rocha, especialista que dirige programas de melhoramento genético em cinco países. Nesse sentido, sua trajetória traduz o estágio em que a carcinicultura entrou: o de uma atividade que se apoia em ciência de ponta para dar o próximo salto.
O que a seleção genômica muda na prática
Segundo João Luis Lopes da Costa Rocha, ‘a seleção genômica permite identificar, ainda na fase de reprodutor, quais animais carregam os genes associados a maior crescimento, melhor conversão alimentar e resistência a patógenos — isso reduz em anos o tempo que levaríamos para obter o mesmo ganho usando apenas seleção fenotípica tradicional.’ Consequentemente, a fala resume o salto qualitativo que a tecnologia representa: em vez de esperar gerações para observar o desempenho de um lote inteiro, o produtor pode tomar decisões de reprodução com base em informação genética detalhada desde o início.
Ademais, para o carcinicultor cearense, essa conversa chega em momento estratégico, já que a feira também abriga, nesta edição, o lançamento de um estudo técnico da SDE sobre a carcinicultura no estado, feito em parceria com a Funceme e a Secretaria da Pesca e Aquicultura. Nesse sentido, dados de manejo, clima e genética começam a se conectar numa mesma estratégia de desenvolvimento para o setor.
Da ciência de ponta ao tanque de cultivo
Dirigir programas de melhoramento genético em cinco países diferentes exige adaptar uma mesma base científica a realidades de manejo, clima e infraestrutura muito distintas — exatamente o desafio que o Brasil, e particularmente o Nordeste, enfrenta ao tentar aplicar tecnologias de ponta em sistemas de produção que vão do pequeno produtor familiar a grandes fazendas verticalizadas. Consequentemente, a presença de João Luis na PEC Brasil serve também como ponte entre o conhecimento acadêmico de fronteira e a realidade prática do produtor cearense.
Nesse sentido, o investimento em genética se conecta diretamente ao que a palestra internacional de Yahira Piedrahita, sobre a recuperação do Equador após a crise da mancha branca, já havia indicado no primeiro dia da feira: ciência aplicada com consistência é o que separa cadeias produtivas vulneráveis de cadeias resilientes e competitivas globalmente.
O que muda na prática para o produtor
- Carcinicultores: avaliar a adoção de reprodutores com histórico de seleção genômica para acelerar ganhos de produtividade e resistência sanitária
- Buscar parcerias com laboratórios especializados em genética de camarão para acesso a material genético selecionado
- Acompanhar o estudo da SDE sobre a carcinicultura cearense para entender como a genética se conecta aos dados climáticos do estado
- Investir em capacitação técnica sobre seleção genômica, tema que deve ganhar relevância crescente no setor nos próximos anos
- Conectar a discussão genética com as exigências sanitárias internacionais discutidas no primeiro dia da feira pela palestrante equatoriana Yahira Piedrahita
Próximos passos
A PEC Brasil 2026 segue até sábado (27) no Centro de Eventos do Ceará. O Portal AgroMais acompanha os desdobramentos da trilha de Carcinicultura ao longo dos três dias de evento.
🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias.
👉 www.portalagromais.com.br








