Mudança climática | O clima é o maior risco do agronegócio brasileiro em 2026 — e 79% das empresas do setor já sentem isso na prática. É o que revela o estudo ‘Top 10 riscos e oportunidades no agro em 2026’, elaborado pela EY (Ernst & Young), uma das maiores consultorias e empresas de auditoria do mundo. O levantamento identifica as principais preocupações das empresas do setor e avalia o grau de preparação das organizações para enfrentar um ambiente marcado por volatilidade, transformação tecnológica e pressões ambientais.
A timing da publicação não poderia ser mais relevante. Em 2026, o El Niño foi confirmado com 63% de chance de atingir intensidade forte, o acordo EUA-Irã trouxe instabilidade nos mercados de energia e fertilizantes, e as exportações do agro chegaram a US$ 70,5 bilhões no acumulado de janeiro a maio — o maior da história. Consequentemente, o setor está simultaneamente no pico de seu desempenho e diante de seus maiores riscos estruturais.
Mudança climática: Os três principais riscos identificados
Em primeiro lugar, as mudanças climáticas lideram com folga. Para 79% dos entrevistados, o impacto climático é alto ou muito alto para seus negócios. Nesse contexto, a confirmação do El Niño 2026 com potencial intensidade forte é o exemplo mais imediato — com risco de seca no Nordeste, excesso de chuvas no Sul e atraso na safra 2026/27.
Em segundo lugar, os riscos geopolíticos aparecem com crescente preocupação. A dependência das exportações — que responderam por 50,2% de tudo que o Brasil vendeu ao exterior em maio — torna o setor vulnerável a movimentos como tarifas americanas, conflitos no Oriente Médio e bloqueios logísticos. O conflito EUA-Irã dos últimos meses é o caso mais recente e mais eloquente.
Em terceiro lugar, a escassez de talentos qualificados surge como desafio crescente. O agronegócio moderno demanda profissionais com capacidade de operar tecnologias de precisão, analisar dados e gerenciar cadeias de suprimento complexas — um perfil que ainda é escasso no mercado de trabalho brasileiro, especialmente no interior do Nordeste.
As oportunidades que o estudo identifica
Além dos riscos, o estudo da EY aponta oportunidades concretas para o agro brasileiro em 2026. A diversificação de mercados é a principal delas: o Brasil registrou 639 aberturas de mercado e mais de 250 ampliações de acesso para produtos do agronegócio desde 2023 — o que reduz a dependência de poucos compradores e abre portas para novos produtos.
Além disso, a tecnologia de precisão é apontada como diferencial competitivo crescente. Sensores de solo, drones, inteligência artificial aplicada à gestão da lavoura e plataformas digitais de comercialização são exemplos de ferramentas que permitem ao produtor reduzir custos, melhorar a produtividade e tomar decisões mais embasadas.
Nesse sentido, o estudo reforça algo que o agronegócio cearense conhece bem: o desafio não é só produzir mais, mas produzir melhor — com mais eficiência, mais sustentabilidade e mais capacidade de resposta às mudanças do mercado global.
O que muda na prática para o produtor
- Incorporar o risco climático no planejamento da safra 2026/27 — com o El Niño confirmado, o seguro rural é o principal instrumento de proteção financeira
- Diversificar destinos de exportação: além da China (40% das compras), explorar a UE (via Mercosul-UE), o Oriente Médio e o Sudeste Asiático
- Investir em qualificação da equipe: o gargalo de talentos identificado pela EY é especialmente relevante para cooperativas e agroindústrias do interior nordestino
- Adotar ao menos uma ferramenta de agricultura de precisão na próxima safra — sensores de umidade, mapas de solo ou plataformas de gestão reduzem custos e melhoram a tomada de decisão
- Participar de eventos como o PEC Brasil 2026 e o Coalizão Agro para networking com empresas e profissionais que já implementaram as soluções identificadas pelo estudo da EY
Próximos passos
O estudo completo da EY está disponível no Portal do Agronegócio. O Portal AgroMais vai publicar análise específica sobre os riscos e oportunidades identificados para o agro nordestino. O PEC Brasil 2026 acontece de 25 a 27 de junho em Fortaleza.
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