Faltam 9 dias para o maior evento indoor do agronegócio do país chegar a Fortaleza. O PEC Brasil 2026 — primeira edição com o nome nacional, que antes era PEC Nordeste — acontece de 25 a 27 de junho no Centro de Eventos do Ceará. Com 100 mil visitantes esperados, R$ 150 milhões em negócios projetados, 600 expositores em 1.300 estandes e 32 mil metros quadrados de área, o evento é a maior vitrine do agronegócio nordestino para o Brasil e para o mundo. Além disso, o timing deste ano é especialmente estratégico. O PEC Brasil acontece apenas 4 dias antes do anúncio do Plano Safra 2026/27, previsto para 1º de julho. Consequentemente, o produtor que participar do evento vai chegar ao anúncio do plano com informações frescas sobre preços de insumos, tecnologias disponíveis e condições de mercado — o que permitirá tomar decisões de financiamento com muito mais embasamento. Os destaques do PEC Brasil 2026 por cadeia produtiva Para os carcinicultores, a Expocamarão com aproximadamente 300 estandes é o maior encontro da cadeia nacional. O evento reúne os principais carcinicultores do Ceará, Rio Grande do Norte e Piauí — os estados responsáveis por praticamente toda a produção brasileira de camarão cultivado. Nesse contexto, as negociações para remover a vedação sanitária europeia ao camarão cearense tornam o encontro do setor especialmente relevante em 2026. Para os pecuaristas, o Concurso Leiteiro com 300 vacas — em área três vezes maior que 2025 — e os quatro leilões bovinos nas docas do evento são os maiores espaços de avaliação de genética animal do semestre no Nordeste. Além disso, o momento é favorável para a bovinocultura de corte, que registrou alta de 50,2% nas exportações em maio. Para os agricultores familiares, cooperativas e associações, o Espaço Somoscoop (Sistema OCB), a Feira dos Municípios com 40 prefeituras cearenses e o Encontro das Mulheres do Agro (2 mil participantes esperados) são os espaços mais relevantes. Ademais, os seminários técnicos organizados pelos sindicatos rurais e câmaras setoriais cobrem bovinocultura, carcinicultura, apicultura, avicultura, agroindústria e outros segmentos. O contexto que torna o PEC Brasil 2026 histórico O PEC Brasil 2026 chega num momento em que o agronegócio nordestino e cearense está em transformação acelerada. O Mercosul-UE está em vigor, abrindo o maior mercado consumidor do mundo para os produtos nordestinos. A Transnordestina avança para o Porto do Pecém, prometendo reduzir o custo logístico do interior ao porto. As exportações cearenses cresceram 49% no primeiro quadrimestre de 2026. Consequentemente, a mudança de nome de PEC Nordeste para PEC Brasil não é apenas simbólica — é uma declaração de que o agro cearense não quer mais ser visto como mercado regional. Nesse sentido, o presidente da Faec, Amílcar Silveira, resume o momento: ‘A PEC Brasil nasce maior, mais moderna e conectada com os desafios e oportunidades do setor. Continuaremos valorizando o Nordeste, mas agora com uma visão ainda mais ampla e nacional.’ O que muda na prática para o produtor Próximos passos O PEC Brasil 2026 acontece de 25 a 27 de junho no Centro de Eventos do Ceará, Fortaleza. O Plano Safra 2026/27 será anunciado em 1º de julho. O Portal AgroMais vai cobrir o evento com matérias diárias e análise dos principais negócios e anúncios. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
Funceme: quadra chuvosa 2026 no Ceará encerrou dentro da média — Cariri ficou acima
Funceme | A Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos divulgou o balanço oficial da quadra chuvosa de 2026 no Ceará: o estado acumulou 665,2 milímetros entre fevereiro e maio — dentro da faixa de normalidade, com desvio positivo de 9,2% em relação à média histórica de 609,2 mm. O resultado representa melhora significativa sobre 2025, quando o Ceará registrou apenas 518,7 mm no mesmo período — próximo do limite inferior da média. O destaque regional da quadra chuvosa de 2026 é o Cariri, que foi a única região do estado com chuvas acima da média histórica. Nesse contexto, o volume acima do esperado na região beneficiou diretamente a recarga de reservatórios e criou condições mais favoráveis para a agricultura regional. Além disso, segundo dados da Cogerh, atingiram 9,87 bilhões de m³ armazenados dos 18,4 bilhões de capacidade total. O que o resultado significa para o agro cearense Para o agronegócio cearense, o encerramento da quadra chuvosa dentro da média representa uma base hídrica razoável para iniciar o segundo semestre. Consequentemente, os reservatórios estão em posição melhor do que em junho de 2025 — o que é especialmente relevante diante do El Niño confirmado com potencial de intensidade forte. Para a fruticultura irrigada do Vale do Jaguaribe, os reservatórios com maior volume garantem disponibilidade hídrica para a safra de exportação do segundo semestre — especialmente o melão, que é colhido entre julho e outubro. Além disso, para a pecuária leiteira do sertão e do Cariri, as pastagens ainda úmidas e o maior volume nos açudes reduzem o custo de alimentação animal nos próximos meses. Por outro lado, o Cariri se destaca como a região mais bem posicionada hidrologicamente no estado. Com chuvas acima da média e reservatórios com bom nível, a região está em condições privilegiadas para atravessar o segundo semestre — mesmo que o El Niño se intensifique conforme projetado. Funceme: o cenário de 73% do território com chuvas dentro da média O balanço oficial aponta que 73% do território cearense registrou chuvas dentro da média histórica durante a quadra de 2026. O volume total observado no estado — 665,4 mm — ficou apenas 41 mm abaixo do limite que definiria a classificação como ‘acima da média’ no cenário geral. Nesse sentido, o resultado poderia ter sido ainda melhor com uma semana adicional de chuvas bem distribuídas. Além disso, o resultado de 2026 representa um aumento de 28% no volume de chuvas em relação a 2025, quando o Ceará registrou 518,7 mm — um valor próximo do limite inferior da média histórica. Portanto, o estado encerrou a quadra chuvosa com maior segurança hídrica do que no ciclo anterior, o que é um ponto positivo para o planejamento do segundo semestre. A atenção necessária para o segundo semestre Apesar do balanço positivo da quadra chuvosa, o El Niño confirmado introduz uma variável de incerteza para o segundo semestre. Historicamente, fenômenos La Niña e El Niño têm efeitos opostos no Nordeste: enquanto a La Niña tende a favorecer as chuvas na região, o El Niño tende a reduzi-las. Com 63% de chance de intensidade forte, o El Niño de 2026 pode reduzir as precipitações de julho a dezembro — exatamente o período em que o Ceará depende dos reservatórios para manter a produção irrigada. Nesse contexto, a mensagem para o produtor cearense é clara: o bom estoque hídrico atual é uma vantagem que precisa ser gerenciada com eficiência, não desperdiçada. Portanto, investir agora em sistemas de irrigação de precisão — que consomem 30% a 50% menos água que métodos convencionais — é uma forma concreta de multiplicar o alcance do volume disponível nos reservatórios. O que muda na prática para o produtor Próximos passos A Funceme divulga novo prognóstico climático para o trimestre JAS no início de julho. A Cogerh atualiza diariamente o volume dos reservatórios cearenses. O Portal AgroMais monitora o quadro hídrico do estado e publica análise semanal. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
Mudança climática é o principal risco do agro em 2026, aponta 79% das empresas
Mudança climática | O clima é o maior risco do agronegócio brasileiro em 2026 — e 79% das empresas do setor já sentem isso na prática. É o que revela o estudo ‘Top 10 riscos e oportunidades no agro em 2026’, elaborado pela EY (Ernst & Young), uma das maiores consultorias e empresas de auditoria do mundo. O levantamento identifica as principais preocupações das empresas do setor e avalia o grau de preparação das organizações para enfrentar um ambiente marcado por volatilidade, transformação tecnológica e pressões ambientais. A timing da publicação não poderia ser mais relevante. Em 2026, o El Niño foi confirmado com 63% de chance de atingir intensidade forte, o acordo EUA-Irã trouxe instabilidade nos mercados de energia e fertilizantes, e as exportações do agro chegaram a US$ 70,5 bilhões no acumulado de janeiro a maio — o maior da história. Consequentemente, o setor está simultaneamente no pico de seu desempenho e diante de seus maiores riscos estruturais. Mudança climática: Os três principais riscos identificados Em primeiro lugar, as mudanças climáticas lideram com folga. Para 79% dos entrevistados, o impacto climático é alto ou muito alto para seus negócios. Nesse contexto, a confirmação do El Niño 2026 com potencial intensidade forte é o exemplo mais imediato — com risco de seca no Nordeste, excesso de chuvas no Sul e atraso na safra 2026/27. Em segundo lugar, os riscos geopolíticos aparecem com crescente preocupação. A dependência das exportações — que responderam por 50,2% de tudo que o Brasil vendeu ao exterior em maio — torna o setor vulnerável a movimentos como tarifas americanas, conflitos no Oriente Médio e bloqueios logísticos. O conflito EUA-Irã dos últimos meses é o caso mais recente e mais eloquente. Em terceiro lugar, a escassez de talentos qualificados surge como desafio crescente. O agronegócio moderno demanda profissionais com capacidade de operar tecnologias de precisão, analisar dados e gerenciar cadeias de suprimento complexas — um perfil que ainda é escasso no mercado de trabalho brasileiro, especialmente no interior do Nordeste. As oportunidades que o estudo identifica Além dos riscos, o estudo da EY aponta oportunidades concretas para o agro brasileiro em 2026. A diversificação de mercados é a principal delas: o Brasil registrou 639 aberturas de mercado e mais de 250 ampliações de acesso para produtos do agronegócio desde 2023 — o que reduz a dependência de poucos compradores e abre portas para novos produtos. Além disso, a tecnologia de precisão é apontada como diferencial competitivo crescente. Sensores de solo, drones, inteligência artificial aplicada à gestão da lavoura e plataformas digitais de comercialização são exemplos de ferramentas que permitem ao produtor reduzir custos, melhorar a produtividade e tomar decisões mais embasadas. Nesse sentido, o estudo reforça algo que o agronegócio cearense conhece bem: o desafio não é só produzir mais, mas produzir melhor — com mais eficiência, mais sustentabilidade e mais capacidade de resposta às mudanças do mercado global. O que muda na prática para o produtor Próximos passos O estudo completo da EY está disponível no Portal do Agronegócio. O Portal AgroMais vai publicar análise específica sobre os riscos e oportunidades identificados para o agro nordestino. O PEC Brasil 2026 acontece de 25 a 27 de junho em Fortaleza. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias.👉 www.portalagromais.com.br
Agro brasileiro exporta US$ 16 bi em maio de 2026 — soja, carnes e novos mercados batem recordes
Agro brasileiro | O agronegócio brasileiro entregou um resultado histórico em maio de 2026. As exportações do setor somaram US$ 16 bilhões no mês — crescimento de 8,2% em relação a maio de 2025 e o segundo maior valor já registrado para o período. Consequentemente, o setor respondeu por 50,2% de tudo que o Brasil vendeu ao exterior, consolidando sua posição como principal motor do comércio exterior nacional. No acumulado de janeiro a maio, as vendas externas do agro alcançaram US$ 70,5 bilhões — recorde histórico para os cinco primeiros meses do ano, com crescimento de 4,6% na comparação anual. O resultado foi sustentado tanto pelo aumento do volume embarcado (+ 3,6%) quanto pela valorização dos preços médios dos produtos (+ 4,4%). Com importações de apenas US$ 1,6 bilhão, o superávit do setor no mês chegou a US$ 14,4 bilhões — alta de 9,7%. Agro brasileiro: Soja lidera, carnes batem recordes, açúcar recua A soja permaneceu como o principal produto da pauta exportadora. Em maio, as vendas externas do grão alcançaram US$ 6,3 bilhões — crescimento de 14,6% em relação a maio de 2025 —, com embarques de 14,8 milhões de toneladas. Além disso, o complexo soja (incluindo farelo e óleo) movimentou US$ 7,5 bilhões, avanço de 16,3%. As proteínas animais foram os grandes destaques do mês, com recordes expressivos. A carne bovina in natura alcançou US$ 1,7 bilhão — alta de 50,2% —, com embarques de 262 mil toneladas e a China respondendo por mais de 60% das compras. A carne de frango registrou US$ 883 milhões (+40%) com embarques de 442 mil toneladas (+32%). A carne suína atingiu US$ 278 milhões — também recorde para o mês. Em contrapartida, o setor sucroenergético registrou resultados mais modestos. As exportações de açúcar VHP somaram 1,8 milhão de toneladas, queda de 10% na comparação anual. Além disso, os preços internacionais recuaram mais de 20% em relação a maio de 2025 — o que pressionou as receitas do setor. Por outro lado, o algodão e as fibras tiveram expansão de 39,6% no período, e o DDG — subproduto do etanol de milho — registrou crescimento de 37,7% nas exportações acumuladas de janeiro a maio. Novos mercados e diversificação de destinos Um dos aspectos mais relevantes do resultado de maio é a diversificação de destinos. A China continuou como principal comprador, com US$ 6,3 bilhões — cerca de 40% do total. No entanto, a União Europeia respondeu por US$ 2,4 bilhões e os Estados Unidos por US$ 837 milhões. Além disso, Bangladesh, Tailândia, Vietnã, Paquistão, Turquia e Jordânia ampliaram suas aquisições de produtos do agro brasileiro. Nesse sentido, o esforço de abertura de mercados do Ministério da Agricultura — que contabiliza 639 aberturas e mais de 250 ampliações de acesso desde 2023 — está produzindo resultados concretos. A redução da dependência de poucos compradores é um fator de resiliência estratégica para o agro brasileiro diante de cenários geopolíticos voláteis como o do Oriente Médio. O que muda na prática para o produtor Próximos passos O Mapa divulga mensalmente os dados de exportações do agronegócio. O próximo relatório, referente a junho, deve sair no início de julho. O PEC Brasil 2026 (25-27/06) reúne os principais compradores internacionais de produtos do agro nordestino. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
Copom deve manter Selic em 14,25% esta semana — e o crédito rural sente diretamente
Crédito rural | O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) se reúne nesta semana — e a expectativa do mercado é que a decisão interrompa o ciclo de corte de juros. Segundo a ASA (Azimut Santo Agostinho), a Selic deve ser mantida em 14,25% ao final de 2026, com apenas mais um corte de 25 pontos-base. Nesse contexto, o acordo EUA-Irã, que animou os mercados e derrubou o petróleo, não foi suficiente para alterar as expectativas dos analistas sobre a política monetária brasileira. Para o agronegócio, a manutenção da Selic em patamar elevado tem efeito direto sobre o custo do crédito rural e sobre o volume do Plano Safra 2026/27. Consequentemente, o produtor que aguardava uma queda mais rápida dos juros para viabilizar o financiamento da próxima safra deve recalibrar suas expectativas. Por que o acordo EUA-Irã não muda o Copom A lógica da ASA é direta: mesmo com o alívio geopolítico do acordo EUA-Irã, o cenário doméstico brasileiro segue pressionado por fatores estruturais que o BC não pode ignorar. Em primeiro lugar, as expectativas de inflação para o horizonte mais longo (2028 e 2029) seguem em deterioração. Em segundo lugar, o mercado de trabalho está aquecido, sustentando a demanda interna e limitando a velocidade do desinflacionamento. Além disso, a Petrobras e o Governo seguraram boa parte do repasse da alta do petróleo aos combustíveis nos últimos meses — o que deixa pouco espaço para a inflação se beneficiar de eventual recuo do barril com o acordo EUA-Irã. Nesse sentido, o impacto do acordo sobre a inflação brasileira é mais limitado do que parece à primeira vista. Por outro lado, a ASA aponta que os efeitos de segunda ordem dos fertilizantes caros já começam a aparecer na inflação de alimentos — com pressão sobre bens industrializados ao longo da cadeia produtiva. Sendo assim, o BC tem pouco espaço para afrouxar a política monetária neste momento. O impacto da Selic alta no crédito rural A manutenção da Selic em 14,25% tem três efeitos diretos sobre o crédito rural. Em primeiro lugar, o custo de equalização do Plano Safra — que é o subsídio pago pelo Tesouro para cobrir a diferença entre a Selic e a taxa final cobrada do produtor — aumenta. Portanto, o governo tem menos espaço para oferecer o volume de crédito pedido pelo setor (R$ 670 bi) sem comprometer o fiscal. Em segundo lugar, as linhas de crédito com taxas de mercado ficam mais caras. O produtor que não tem acesso ao Pronaf ou ao FNE do BNB vai pagar taxas próximas a Selic + 3% ou 4% ao ano — o que representa 17% a 18% ao ano. Nesse nível, o crédito só se paga se a margem da safra for expressiva. Em terceiro lugar, o custo de carregamento de estoques aumenta. Com a Selic a 14,25%, manter soja ou milho em armazém por um mês custa aproximadamente 1,2% do valor do produto. Sendo assim, a decisão entre vender agora ou aguardar melhores preços precisa levar esse custo em conta de forma explícita. O que muda na prática para o produtor Próximos passos O Copom se reúne nesta semana e divulga sua decisão na quarta-feira (18). O Plano Safra 2026/27 será anunciado em 1º de julho. O Plano Safra 2025/26 encerra em 30 de junho. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
Copa do Mundo 2026 movimenta agro de US$ 1,8 trilhão — Brasil é fornecedor nos bastidores
A Copa do Mundo 2026 — realizada nos Estados Unidos, Canadá e México — é, silenciosamente, um dos maiores eventos do agronegócio mundial. Segundo análise do CompreRural, carne bovina, milho, leite, frutas, logística e cadeias globais de produção operam nos bastidores do Mundial, que se transforma numa das maiores vitrines do poder econômico do agro. Nesse contexto, o Brasil não está apenas na Copa como nação jogadora: está nos estádios como fornecedor de alimento, proteína e logística para um torneio de 48 seleções e bilhões de espectadores. A edição de 2026 evidencia algo que normalmente passa despercebido: sem agricultura, simplesmente não existe evento global em larga escala. Da carne servida em um estádio americano ao milho presente nos tacos mexicanos, do leite canadense utilizado na hospitalidade premium à logística que conecta três países simultaneamente, tudo começa no campo. Copa do Mundo 2026: O que importa para o agro brasileiro O Brasil é uma das maiores potências exportadoras de alimentos do mundo. Consequentemente, sua presença nos bastidores da Copa não é coincidência — é resultado de décadas de investimento em produtividade, qualidade sanitária e abertura de mercados. Em maio de 2026, o agronegócio brasileiro exportou US$ 16 bilhões — o segundo maior valor da série histórica para o mês. Parte significativa dessa produção foi destinada aos EUA, Canadá e México — justamente os países que sediam o torneio. Além disso, o Brasil exportou carne bovina para mais de 150 países em 2025, com crescimento consistente nos mercados norte-americano e europeu. Nesse sentido, a Copa do Mundo 2026 é também uma oportunidade de marketing para o agro brasileiro. Quando um produto brasileiro é servido em um estádio da FIFA, ele ganha uma exposição global que nenhuma campanha publicitária convencional seria capaz de proporcionar. As exigências de rastreabilidade na Copa do Mundo 2026 — uma oportunidade para o agro A FIFA já adota diretrizes de compras sustentáveis que exigem critérios rigorosos de origem dos alimentos, rastreabilidade e responsabilidade ambiental. Para o agro brasileiro, portanto, esses requisitos representam um desafio e uma oportunidade simultaneamente. O desafio é claro: produtores que não têm certificação, rastreabilidade e documentação adequada ficam fora dos contratos de fornecimento para grandes eventos. A oportunidade, por outro lado, é que o Brasil tem investido crescentemente nesses sistemas. O Mapa abriu 639 novos mercados e ampliou outros 250 desde 2023, com exigências sanitárias e de rastreabilidade cada vez mais rigorosas. Além disso, o DDG — subproduto do etanol de milho — registrou crescimento de 37,7% nas exportações de janeiro a maio de 2026, alcançando 555 mil toneladas e US$ 130 milhões. Ademais, a Copa do Mundo 2026 evidencia algo que o Brasil conhece bem: grandes economias dependem de cadeias agroalimentares eficientes, rastreáveis e tecnologicamente integradas. Eventos globais deixaram de depender apenas de infraestrutura esportiva — hoje, segurança alimentar, sustentabilidade e rastreabilidade são ativos estratégicos. O que o Nordeste pode aprender com essa lógica Para o agronegócio nordestino — e cearense em particular —, a Copa do Mundo 2026 oferece uma lição estratégica relevante. O mel da Caatinga, o camarão do litoral, a fruta irrigada do Vale do Jaguaribe e a farinha artesanal do sertão têm todos potencial de acessar mercados globais de alta exigência. No entanto, para isso acontecer, é preciso investir exatamente no que a FIFA cobra de seus fornecedores: rastreabilidade, certificação e consistência de oferta. Nesse contexto, eventos como o PEC Brasil 2026 — que acontece de 25 a 27 de junho em Fortaleza — e o Mercosul-UE em vigor são oportunidades concretas de conectar o produtor nordestino a mercados que valorizam a origem e a sustentabilidade do que consomem. O que muda na prática para o produtor Próximos passos A Copa do Mundo 2026 acontece de junho a julho nos EUA, Canadá e México. O PEC Brasil 2026 ocorre de 25 a 27 de junho no Centro de Eventos do Ceará. O Plano Safra 2026/27 será anunciado em 1º de julho. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
Acordo EUA-Irã é memorando preliminar — agro deve ter cautela com fertilizantes e etanol
Acordo EUA-Irã | O acordo entre os Estados Unidos e o Irã anunciado no domingo (14) é, tecnicamente, um memorando de entendimento — e não um tratado definitivo. Apesar da reação positiva dos mercados, que derrubou o petróleo para a faixa de US$ 80 por barril e animou bolsas globais, analistas alertam que os pontos mais sensíveis do conflito ainda estão longe de ser resolvidos. Consequentemente, o agronegócio brasileiro deve manter cautela antes de tomar decisões de longo prazo com base no alívio geopolítico. Segundo o Infomoney, o texto completo do acordo ainda não foi divulgado, as duas partes apresentam informações contraditórias sobre seu conteúdo e os temas centrais — programa nuclear iraniano, controle efetivo do Estreito de Ormuz e o papel de Israel na equação regional — ficaram para uma próxima rodada de negociações. Sendo assim, a assinatura formal prevista para 19 de junho na Suíça é o próximo passo concreto, mas não necessariamente o ponto final do processo. Acordo EUA-Irã: O que foi acordado e o que ficou de fora O memorando prevê a interrupção imediata das hostilidades entre EUA e Irã e a reabertura do Estreito de Ormuz, conforme anunciou Trump. No entanto, há uma divergência relevante: o Irã insiste em manter o controle sobre o Estreito, enquanto os EUA afirmaram em diversas ocasiões que isso era inaceitável. Além disso, o programa nuclear iraniano — razão central do conflito — não teve desfecho claro no memorando. A agência estatal iraniana Mehr afirmou que a retomada da navegação dependerá de ‘arranjos iranianos’ — o que introduz uma dose de incerteza sobre quando e em quais condições o Estreito estará efetivamente livre. Nesse contexto, analistas avaliam que o acordo reduziu a tensão no curto prazo, mas prolonga a incerteza de médio prazo. Por outro lado, Israel ficou de fora do acordo, o que representa outro foco de risco para a estabilidade da região. Porque o agro deve agir com cautela no acordo EUA-Irã Para o agronegócio brasileiro, o impacto do acordo em duas frentes opostas exige análise cuidadosa antes de qualquer decisão. Do lado positivo, a perspectiva de reabertura do Estreito de Ormuz pode reduzir os custos logísticos dos fertilizantes — especialmente nitrogenados — que dependem dessa rota. Além disso, a queda do petróleo reduz o custo de diesel e de outros insumos energéticos. Portanto, para o produtor que estava aguardando uma janela para comprar ureia a preços menores, o movimento de mercado desta semana pode representar uma oportunidade. Do lado negativo, a queda do petróleo reduz a paridade do etanol frente à gasolina, enfraquecendo a justificativa econômica de curto prazo para o E32. Além disso, analistas da StoneX e da ASA alertam que a durabilidade do acordo ainda está por ser comprovada — episódios anteriores de cessar-fogo entre países do Oriente Médio tiveram baixa durabilidade. Consequentemente, recomenda-se não alterar estratégias de médio e longo prazo com base apenas no memorando anunciado no domingo. O que observar até 19 de junho A cerimônia de assinatura formal do acordo está prevista para 19 de junho, na Suíça. Esse é o próximo evento-chave para avaliar se o memorando tem sustentação suficiente para alterar permanentemente o cenário geopolítico do Oriente Médio. Caso a assinatura ocorra conforme previsto e os mercados de petróleo e fertilizantes continuem respondendo positivamente, a janela de compra antecipada de insumos para a safra 2026/27 pode se abrir com mais clareza nas semanas seguintes. Em contrapartida, qualquer sinal de impasse na cerimônia de 19 de junho pode reverter rapidamente parte do otimismo dos mercados — restabelecendo o prêmio de risco sobre o petróleo e, portanto, sobre os fertilizantes. O que muda na prática para o produtor Próximos passos A cerimônia de assinatura do acordo EUA-Irã está prevista para 19 de junho, na Suíça. O Plano Safra 2026/27 será anunciado em 1º de julho. O PEC Brasil 2026 acontece de 25 a 27 de junho no Centro de Eventos do Ceará. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br