A PEC Brasil 2026 começa amanhã, quinta-feira, e a organização confirma que todos os espaços comerciais foram vendidos antes mesmo da abertura — sinal do crescimento contínuo da feira mesmo num momento em que outras exposições agropecuárias do país reduzem de tamanho. Consequentemente, segundo o presidente da Faec, Amílcar Silveira, ‘em uma época em que exposições agropecuárias e feiras agropecuárias no Brasil estão diminuindo de tamanho, no Ceará elas estão crescendo, e a PEC Brasil demonstra isso.’ A programação confirma exposição de cerca de 800 animais, quatro leilões, palestras, seminários e atividades de inovação e capacitação, reunindo mais de 600 empresas e instituições em 1.300 estandes distribuídos por mais de 32 mil metros quadrados — números que consolidam a feira como a maior do setor agropecuário das regiões Norte e Nordeste e a maior feira indoor do agronegócio brasileiro. PEC Brasil 2026: uma cerimônia de abertura à altura da nova marca nacional A cerimônia de abertura ocorrerá no Theatro José de Alencar, um dos espaços culturais mais simbólicos de Fortaleza, com apresentação da cantora Marina Elali — um formato que eleva o status do evento para além do tradicional corte de fita em estandes comerciais. Consequentemente, o governador Elmano de Freitas já confirmou presença na abertura, reforçando o peso institucional que a feira ganhou nesta primeira edição sob a nova marca PEC Brasil. Segundo o presidente da Faec, ‘a PecBrasil mostrará, a partir desta edição, as virtudes de toda a cadeia produtiva do agro, do campo à mesa do consumidor’ — uma declaração que resume a ambição de transformar o evento em uma vitrine completa do agronegócio nacional, e não apenas regional. Os 800 animais e a força da pecuária na nova edição Um dos números mais expressivos confirmados para esta edição da PEC Brasil 2026 é a presença de cerca de 800 animais em exposição — volume que reforça o peso da pecuária dentro da programação geral da feira, ao lado dos quatro leilões de gado bovino já confirmados e do Concurso Leiteiro, que deve reunir cerca de 300 vacas em área três vezes maior do que a utilizada na edição de 2025. Consequentemente, segundo Amílcar Silveira, ‘as exposições no Ceará estão muito bem, agora vem a PEC com 800 animais e esperamos mais de 100 mil pessoas.’ Ademais, a programação técnica deve capacitar entre 12 mil e 15 mil participantes, com a presença de 270 caravanas oriundas do interior do Ceará e de estados vizinhos — um fluxo de visitantes que reforça o caráter regional e nacional simultâneo que a feira busca consolidar nesta edição. O que esperar do primeiro dia, amanhã Com a abertura marcada para amanhã, o produtor cearense e nordestino que pretende participar da PEC Brasil 2026 deve se preparar para um evento de dimensão histórica para o agronegócio regional. Consequentemente, a expectativa de superar todos os indicadores das edições anteriores — incluindo público, volume de negócios, número de expositores, instituições participantes, leilões e animais em exposição — coloca esta edição como um marco na trajetória de quase 30 anos da feira, antes conhecida como PEC Nordeste. O que muda na prática para o produtor Próximos passos A PEC Brasil 2026 começa amanhã, quinta-feira (25), com cerimônia de abertura no Theatro José de Alencar. O evento segue até sábado (27) no Centro de Eventos do Ceará. O Portal AgroMais vai cobrir os três dias com matérias diárias. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
Ritmo das exportações de milho recua na semana, mas segue à frente de 2025
O ritmo das exportações brasileiras de milho recuou na última semana, segundo dados acompanhados pelo mercado, mas o volume embarcado segue à frente do registrado no mesmo período de junho de 2025 — um indicativo de que, apesar da desaceleração pontual, o desempenho anual do cereal continua em trajetória positiva. Consequentemente, esse comportamento se soma a outros sinais que já vínhamos destacando sobre a entrada da safrinha no mercado, com volume crescente disponível para exportação a partir do Centro-Oeste. Na mesma linha, o USDA confirmou nesta terça-feira (23) uma nova venda de milho ao México — reforçando que a demanda mexicana pelo cereal americano permanece ativa, mesmo em um contexto de relativa abundância de oferta global após as boas safras tanto americana quanto brasileira. Por que o recuo semanal não preocupa, segundo o mercado Embarques de commodities agrícolas naturalmente apresentam variação semana a semana, influenciados por fatores logísticos, disponibilidade de navios e calendário de colheita nas diferentes regiões produtoras. Consequentemente, um recuo pontual no ritmo de exportação de milho não necessariamente indica uma mudança de tendência, especialmente quando o volume acumulado segue superior ao do mesmo período do ano anterior. Nesse sentido, a comparação mais relevante para avaliar a saúde do mercado exportador é o desempenho acumulado, e não a variação semana a semana — e por esse critério, o milho brasileiro mantém trajetória de crescimento sobre 2025, reforçando o protagonismo do Brasil no comércio internacional do cereal. O México como comprador recorrente de milho americano A confirmação de nova venda de milho dos EUA ao México pelo USDA reforça a importância desse mercado para os exportadores americanos — e indiretamente também sinaliza a dimensão da demanda global pelo cereal, beneficiando o mercado como um todo, incluindo o Brasil em destinos onde o produto nacional compete diretamente com o americano. Consequentemente, o monitoramento desse tipo de transação ajuda o produtor brasileiro a entender a dinâmica de preços e demanda em mercados-chave para o cereal. Ademais, vale lembrar que, com a entrada da safrinha brasileira ganhando volume nas próximas semanas, a competição entre origens (Brasil e EUA) por destinos como México, países asiáticos e Oriente Médio deve se intensificar — um fator que tende a manter os preços do milho sob pressão moderada no curto prazo. O que isso significa para o produtor brasileiro de milho Para o produtor de milho no Brasil, o quadro atual sugere um mercado de exportação ainda saudável, mas competitivo. Consequentemente, a recomendação é acompanhar de perto tanto o ritmo de exportação brasileiro quanto a evolução das vendas americanas para destinos-chave, já que esses dois fluxos, combinados, determinam boa parte da dinâmica de preços do milho no mercado internacional ao longo dos próximos meses. O que muda na prática para o produtor Próximos passos O USDA publica relatórios semanais de vendas de exportação de milho. O Portal AgroMais acompanha o ritmo das exportações brasileiras e americanas do cereal. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
ATR da cana-de-açúcar em São Paulo cai abaixo de R$ 1 e liga alerta para produtores
O preço do ATR (Açúcar Total Recuperável) da cana-de-açúcar em São Paulo caiu para abaixo de R$ 1, um patamar que já liga sinal de alerta entre os produtores da principal região canavieira do país. Consequentemente, esse movimento de queda chega num momento em que o setor sucroenergético já enfrentava decisões complexas sobre o mix de produção entre etanol e açúcar, especialmente diante da retração do petróleo após o acordo EUA-Irã, que reduziu a paridade do etanol frente à gasolina nas últimas semanas. Para o produtor de cana-de-açúcar, portanto, a combinação entre ATR mais baixo e margem pressionada exige atenção redobrada ao planejamento financeiro da safra que se inicia neste período no Centro-Sul — especialmente porque o valor do ATR é a métrica que determina diretamente a remuneração do fornecedor de cana à usina. Por que o ATR é tão importante para a remuneração do produtor O ATR mede a quantidade de açúcares recuperáveis presentes na cana-de-açúcar entregue pelo produtor à usina, sendo a base de cálculo para a remuneração no sistema Consecana, adotado pela maioria do setor sucroenergético em São Paulo e em outros estados produtores. Consequentemente, quando o preço do ATR cai, o produtor recebe menos por tonelada de cana entregue, mesmo que o volume colhido permaneça estável — uma pressão direta sobre a rentabilidade da atividade. Nesse sentido, a queda para abaixo de R$ 1 representa um patamar psicológico relevante para o setor, já que historicamente esse nível costuma sinalizar um momento de maior cautela entre produtores e usinas na negociação de contratos e na definição de estratégias para os próximos ciclos. A conexão com a queda do petróleo e a paridade do etanol Esse cenário de pressão sobre o ATR se conecta diretamente com outro movimento que vínhamos acompanhando nas últimas semanas: a queda do petróleo após o acordo EUA-Irã reduziu a paridade do etanol frente à gasolina, tornando a produção do biocombustível relativamente menos atrativa para as usinas. Consequentemente, com menos incentivo para priorizar etanol, e com o preço do ATR também em queda, o setor sucroenergético enfrenta um momento de pressão simultânea em duas frentes que normalmente funcionam como alternativas uma à outra. Ademais, vale lembrar que o debate sobre a aprovação do E32 pelo CNPE, que segue em curso, ganha relevância ainda maior nesse contexto — caso aprovado, o aumento do percentual de mistura de etanol anidro na gasolina poderia ajudar a sustentar a demanda pelo biocombustível mesmo num cenário de petróleo mais barato, oferecendo certo alívio ao setor diante da pressão atual sobre o ATR. O que esperar para a safra que se inicia no Centro-Sul Com a safra de cana 2026/27 se iniciando neste período no Centro-Sul, o cenário de ATR mais baixo e paridade do etanol pressionada cria um ambiente de planejamento mais desafiador para usinas e produtores. Consequentemente, a decisão sobre o mix de produção entre etanol e açúcar — historicamente uma das principais ferramentas de gestão de risco do setor sucroenergético — ganha complexidade adicional neste ciclo, já que nenhuma das duas alternativas apresenta, neste momento, um cenário de preços claramente mais vantajoso. O que muda na prática para o produtor Próximos passos A safra de cana 2026/27 se inicia neste período no Centro-Sul. O CNPE deve avançar nas discussões sobre o E32 ao longo do segundo semestre. O Portal AgroMais acompanha os preços de ATR e os desdobramentos do setor sucroenergético. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias.👉 www.portalagromais.com.br
Custo de produção da soja 2026/27 sobe 3,21% em Mato Grosso, aponta Senar-MT
O levantamento do Custo de Produção Agropecuário (CPA), conduzido pelo Senar-MT em parceria com o Imea, projeta alta de 3,21% no custeio da soja 2026/27 em Mato Grosso, para R$ 4.315,29 por hectare. Consequentemente, dois insumos puxaram o aumento de forma mais expressiva: fertilizantes e corretivos subiram 5,40%, pressionados por fatores geopolíticos, enquanto defensivos agrícolas avançaram quase 11% sobre o ciclo anterior — juntos, formam o peso central do pacote de preparo da lavoura. Nesse sentido, a margem ficou mais apertada na mesma proporção: o ponto de equilíbrio da atividade aumentou 9,13%, o que significa que o produtor precisa colher mais sacas por hectare ou vender a soja a preço mais alto apenas para manter o mesmo nível de lucro do ciclo passado. Por que o aumento de fertilizantes surpreende diante da queda recente da ureia À primeira vista, o aumento de 5,40% nos fertilizantes pode parecer contraditório com a notícia, amplamente divulgada nas últimas semanas, de que a ureia já recuou mais de 40% em oito semanas após a reabertura do Estreito de Ormuz. No entanto, é importante entender que esse levantamento do CPA provavelmente reflete uma média de preços de um período mais amplo, incluindo os meses de pico da crise geopolítica no Oriente Médio — quando os fertilizantes nitrogenados chegaram a subir 50% e o fosfato diamônico também registrou altas expressivas. Consequentemente, é possível que os próximos levantamentos do CPA, à medida que incorporarem mais plenamente a reversão de preços observada em junho, mostrem números mais favoráveis para o custo de fertilizantes na safra 2026/27 — mas o registro atual ainda carrega o peso acumulado dos meses mais críticos da crise. O alerta da analista do Imea sobre o El Niño Segundo a analista do Imea, Milena, responsável pelo levantamento, ‘a incerteza quanto à intensidade do El Niño preocupa o setor, já que esse fenômeno impacta diretamente o desenvolvimento da cultura e limita o potencial produtivo das lavouras.’ Consequentemente, a combinação entre custo de produção mais elevado e risco climático ao longo do ciclo cria um cenário de dupla pressão para o produtor: paga mais para plantar, e ainda enfrenta incerteza sobre quanto vai efetivamente colher. Ademais, o Inmet e a NOAA já confirmaram o retorno do fenômeno climático, com chance elevada de intensidade forte no verão — e o efeito sobre a soja costuma ser desigual, tendendo a regularizar a chuva no Sul e abrir veranicos no Centro-Oeste justamente na fase em que se define o enchimento de grãos. Por que Mato Grosso serve de referência para todo o Brasil O recado deste levantamento ultrapassa as fronteiras estaduais. Por ser o maior produtor nacional de soja, Mato Grosso serve de referência para todas as regiões produtoras, já que fertilizantes e defensivos sobem no mercado internacional para todo o setor — e não apenas para um estado específico. Consequentemente, quem planta no Sul, no Matopiba ou no Cerrado mineiro sente pressão de custo semelhante à observada em Mato Grosso, ainda que com variações regionais específicas de logística e disponibilidade de insumos. O que muda na prática para o produtor Próximos passos O Senar-MT e o Imea devem atualizar o levantamento de Custo de Produção Agropecuário nos próximos meses, possivelmente já refletindo a queda recente nos preços de fertilizantes. O Portal AgroMais acompanha os custos de produção da soja no Brasil. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
Frente fria avança pelo Brasil e acende novo alerta para geadas em áreas produtoras
Uma nova frente fria avança pelo território brasileiro nesta semana, provocando queda acentuada nas temperaturas e reativando o alerta para geadas em regiões produtoras do Centro-Sul — um padrão climático que já havíamos acompanhado em ocasiões anteriores neste mês, com o avanço de massas de ar polar associadas a ciclones extratropicais. Consequentemente, lavouras de café em fase final de ciclo, milho safrinha ainda a campo e pastagens de inverno voltam a ficar sob atenção redobrada nos próximos dias. Para o produtor dessas regiões, a recomendação permanece a mesma observada nas semanas anteriores: acompanhar diariamente os boletins do Inmet, que costuma emitir alertas com até 72 horas de antecedência para esse tipo de evento — uma janela de tempo que permite adotar medidas de proteção em culturas mais sensíveis. Por que junho tem sido um mês de geadas recorrentes em 2026 O padrão observado neste mês de junho — com múltiplas frentes frias e ciclones extratropicais provocando alertas sucessivos de geada — não é necessariamente atípico para o período, já que o inverno costuma trazer justamente esse tipo de evento para o Centro-Sul do Brasil. No entanto, a recorrência de alertas em semanas consecutivas reforça a necessidade de monitoramento constante por parte de produtores de culturas perenes e de ciclo longo, que acumulam exposição ao risco a cada nova onda de frio. Consequentemente, para a cafeicultura, que já enfrenta o desafio adicional do El Niño projetado para a janela de florada entre setembro e outubro, cada evento de geada no inverno atual se soma a um quadro de incertezas climáticas que se estende por praticamente todo o ano produtivo — da frente fria de hoje ao calor irregular da próxima primavera. O que monitorar nos próximos dias Para o milho safrinha que ainda está em fase de colheita em algumas regiões do Centro-Sul, o risco de geada pode acelerar a necessidade de finalizar a colheita antes que a frente fria comprometa grãos ainda no campo. Já para a cafeicultura, especialmente em regiões de maior altitude no Sul de Minas e no Cerrado mineiro, o monitoramento deve ser ainda mais rigoroso, já que geadas tardias têm potencial de causar queima de folhas e comprometer parte da produção do próximo ciclo. Ademais, para a pecuária, o frio intenso eleva o consumo energético dos animais, exigindo atenção à suplementação alimentar em sistemas extensivos, especialmente em propriedades que já vêm enfrentando redução na qualidade das pastagens de inverno. O que muda na prática para o produtor Próximos passos O Inmet deve atualizar os alertas de geada e frio intenso diariamente enquanto a frente fria permanecer ativa sobre o Centro-Sul. O Portal AgroMais acompanha os boletins climáticos e publica alertas quando relevante para o produtor. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
El Niño eleva atenção sobre a safra 2026/27 de soja no Brasil, aponta boletim do Imea
O Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) confirmou, em boletim semanal divulgado nesta segunda-feira (22), que a National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) já identificou os sinais de El Niño em formação e em processo de intensificação no Oceano Pacífico Equatorial. Consequentemente, o instituto destaca que o fenômeno tende a favorecer o aumento das precipitações na região Sul do Brasil, enquanto pode provocar maior irregularidade das chuvas no Centro-Oeste, Norte e Matopiba. Esse padrão climático é exatamente o que diversos relatórios já vinham sinalizando nas últimas semanas, incluindo a análise do Itaú BBA que classificava o El Niño 2026/27 como vetor estratégico de risco capaz de dividir o desempenho agrícola do Brasil entre regiões beneficiadas e regiões severamente afetadas. Por que Mato Grosso concentra atenção especial Em Mato Grosso, principal estado produtor de soja do país, o El Niño está associado ao aumento do risco de veranicos e de déficit hídrico durante o ciclo da cultura, o que pode comprometer tanto a semeadura quanto o desenvolvimento das lavouras. Consequentemente, segundo a análise do Imea, esse cenário climático eleva a possibilidade de perdas de produtividade e, consequentemente, de redução na produção de grãos no estado que sozinho responde por boa parte da soja brasileira. Ademais, vale lembrar que o plantio da safra 2026/27 em Mato Grosso se inicia normalmente em setembro — período que, segundo as previsões mais recentes da NOAA, tem 80% de chance de coincidir com o primeiro trimestre de desenvolvimento do El Niño. Nesse sentido, a janela mais crítica de exposição ao fenômeno é justamente aquela em que a cultura está mais vulnerável a falhas no estabelecimento inicial das plantas. O que muda na estratégia do produtor diante desse cenário Diante da elevada probabilidade de El Niño, produtores e técnicos já começam a ajustar suas estratégias para a próxima safra. Segundo o professor Elmar Floss, diretor do Instituto de Ciências Agronômicas (Incia), em entrevista ao programa Bom Dia Agronegócio, ‘mais uma safra, mais um ano desafiador para os produtores brasileiros’ — e entre as principais estratégias está a diversificação das variedades de soja escolhidas e o escalonamento da época de plantio de cada uma delas, dissolvendo os riscos e mitigando os efeitos de potenciais adversidades climáticas. Nesse sentido, para o produtor de Mato Grosso que tem na cultura de sucessão da soja uma parte importante de seu fluxo de caixa — geralmente o milho safrinha —, a decisão também envolve avaliar se vale o risco de manter a sucessão de milho ou substituir parte da área por culturas de cobertura, que oferecem menos exposição climática, mas também menos retorno financeiro direto. O contexto mais amplo: um padrão que se repete em múltiplos relatórios Essa não é a primeira vez que instituições de peso confirmam o mesmo padrão geográfico para o El Niño 2026/27: chuvas mais regulares no Sul, irregularidade no Centro-Oeste e Norte, e risco elevado para o Nordeste, classificado por relatórios anteriores como área de seca severa a extrema. Consequentemente, a convergência entre múltiplas fontes — Imea, Itaú BBA, NOAA — reforça que o planejamento da safra 2026/27 não pode mais tratar o fenômeno como cenário hipotético, e sim como premissa central de gestão de risco para praticamente todo o Centro-Sul e Nordeste do Brasil. O que muda na prática para o produtor Próximos passos O plantio da safra 2026/27 de soja em Mato Grosso se inicia em setembro, período de maior probabilidade de manifestação do El Niño segundo a NOAA. O Imea deve atualizar suas projeções nos próximos boletins semanais. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
EUA suspendem sanções ao Irã — fundos liberados podem comprar grãos americanos
Em um desdobramento direto do acordo de paz assinado na semana passada na Suíça, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou isenção das sanções ao Irã até 21 de agosto, permitindo que o país volte a vender petróleo e produtos petroquímicos e receba pagamento por eles. Consequentemente, esse é considerado o primeiro passo importante, entre vários previstos no acordo, para fornecer benefícios econômicos concretos ao Irã. O detalhe que interessa diretamente ao agronegócio veio do próprio vice-presidente americano, JD Vance: o enviado da Casa Branca, Jared Kushner, genro de Trump, elaborou um mecanismo pelo qual os Estados Unidos e o Catar terão controle sobre os fundos iranianos quando estes forem descongelados — e esse dinheiro poderá ser gasto na compra de milho, soja e trigo americanos. Por que o destino dos fundos importa para o mercado global de grãos A revelação de que parte dos recursos liberados ao Irã será direcionada à compra de commodities agrícolas americanas tem um significado que vai além do valor financeiro em si. Consequentemente, trata-se de um mecanismo desenhado para garantir que o alívio econômico ao Irã gere, simultaneamente, demanda concreta para o setor agrícola dos Estados Unidos — uma forma de tornar o acordo politicamente mais palatável internamente, ao mostrar benefício direto para o produtor americano. Nesse sentido, embora a notícia sobre as sanções beneficie diretamente os exportadores dos EUA e não do Brasil, ela reforça o movimento mais amplo de normalização comercial pós-conflito que já vínhamos acompanhando nas últimas semanas, com efeitos sobre toda a cadeia global de grãos — desde a queda nos preços de fertilizantes até a retomada do tráfego no Estreito de Ormuz. O fim de semana de tensão que quase ameaçou o acordo Vale destacar que, antes dessa confirmação, o acordo provisório enfrentou um momento de tensão. Após um fim de semana que pareceu colocar em risco o entendimento firmado há uma semana — incluindo ameaças do próprio Trump de reiniciar a guerra caso o Irã fechasse o estreito —, o tráfego de petroleiros voltou a aumentar na hidrovia, e os preços do petróleo retomaram a trajetória de queda. Consequentemente, o Brent fechou em queda de 2,85%, a US$ 78,27, e o WTI recuou 2,04%, para US$ 74,30. Ademais, JD Vance afirmou que suas conversas com autoridades iranianas na Suíça lançaram ‘uma boa base para um acordo de paz definitivo’, embora o Irã tenha negado ter iniciado discussões sobre seu programa nuclear — um dos pontos mais sensíveis das negociações, que segue em aberto. O que isso significa para o produtor brasileiro de grãos Para o produtor brasileiro, a notícia de hoje é mais um sinal de que a normalização das relações entre EUA e Irã está avançando de forma concreta — o que tende a sustentar a trajetória de queda já observada nos preços de fertilizantes nas últimas semanas. No entanto, é importante notar que o mecanismo de compra de grãos americanos com fundos iranianos representa também um fortalecimento da posição competitiva dos EUA no mercado global, o que pode, em alguma medida, competir com as exportações brasileiras em destinos específicos do Oriente Médio e da Ásia Central. O que muda na prática para o produtor Próximos passos A isenção de sanções dos EUA ao Irã vale até 21 de agosto, quando deve ser revisada conforme o progresso das negociações para um acordo final. O Portal AgroMais acompanha os desdobramentos do acordo EUA-Irã e seus efeitos sobre o mercado global de commodities agrícolas. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br