Sertão dos Inhamuns | Para quem olha de fora, é esporte e espetáculo. Para quem vive do campo no Sertão dos Inhamuns, no entanto, é negócio que gira o ano inteiro. A economia do cavalo, sustentada por modalidades como vaquejada, tira boi, pega de boi e mangalarga machador, foi tema de mesa de debate na Agro Tauá e revela uma frente econômica que cresce ao lado da tradicional criação de ovinos e caprinos.
A discussão reuniu nomes de peso do setor equestre cearense, entre eles embaixadores do ranch sorting no Ceará, dirigentes de associações de criadores e selecionadores de cavalos de raça. Consequentemente, o recado comum foi o de que cada animal que entra na arena representa uma cadeia produtiva inteira em movimento, e que essa cadeia tem peso real na economia das feiras e dos municípios.
Uma cadeia que vai além da arena
O raciocínio é simples de entender quando se acompanha um competidor. Antes de chegar à prova, ele compra ou cria o cavalo, investe em sela e acessórios, paga exames veterinários, garante feno, ração e transporte do animal. Além disso, durante os eventos, movimenta hospedagem, alimentação e serviços na cidade que sedia a competição. Cada dupla que entra no esporte, portanto, aciona dezenas de pequenos negócios em volta.
Em feiras agropecuárias, essa engrenagem se intensifica. Nesse sentido, os eventos atraem atletas que trazem seus próprios animais, geram público e dão visibilidade a toda a economia ligada ao cavalo, do criador ao comerciante de insumos. Consequentemente, o esporte equestre, nesse desenho, deixa de ser apenas entretenimento e passa a ser vetor de negócios e de circulação de renda na região.
O ranch sorting como vitrine
Nenhuma modalidade traduz melhor esse momento do que o ranch sorting, também conhecido como tira boi. Apontado como o esporte equestre que mais cresce no Brasil em número de inscrições oficiais junto à Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Quarto de Milha, a ABQM, ele registrou um salto de 48% nas inscrições de um campeonato nacional para o seguinte. Ademais, conhecido como o esporte da família, é praticado por homens, mulheres, crianças e idosos, o que amplia o público e a base de praticantes.
Em uma região onde o trabalho com o gado e a criação de cavalos faz parte do cotidiano, portanto, o esporte encontra terreno fértil. A presença de embaixadores da modalidade, de presidentes de associações e de criadores de Quarto de Milha e de Mangalarga Machador na mesa de Tauá mostra que o setor se organiza para transformar a aptidão natural do sertanejo com o cavalo em atividade econômica estruturada.
Tradição que segura o jovem no campo
Mais do que renda imediata, dirigentes do setor enxergam no esporte equestre uma ferramenta de permanência. Em outras palavras, ao oferecer ao jovem do sertão uma atividade que une cultura, competição e oportunidade de negócio, as modalidades equestres ajudam a criar laços com o território e alternativas de vida no campo, num momento em que o êxodo rural preocupa gestores em todo o semiárido.
A Agro Tauá, ao dedicar uma mesa inteira ao tema, reconhece que o cavalo voltou ao centro da conversa econômica do município. Consequentemente, se a ovinocaprinocultura define a identidade histórica de Tauá, a economia equestre desponta como a frente que diversifica essa base e movimenta a feira a cada apartação cronometrada. No sertão, o cavalo sempre teve função. Agora, tem também faturamento.
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