O vice-presidente Geraldo Alckmin colocou o Ceará no centro do debate sobre o acordo Mercosul-UE. Em declarações recentes ao Diário do Nordeste, Alckmin destacou que o estado é um “grande e importante produtor de frutas” e vai se beneficiar diretamente da zeragem dos impostos de importação para produtos como melão, melancia e manga — os principais itens do agronegócio cearense comercializados com o bloco europeu.
“Estamos falando de 720 milhões de pessoas e US$ 22 trilhões de mercado, 1/4 do PIB do mundo. Vai abrir muitas oportunidades. O Ceará, por exemplo, é um grande importante produtor de frutas. Vai zerar o imposto de importação”, afirmou o vice-presidente.
O que o acordo Mercosul-UE representa em números
Dados do Mercosul indicam que 99% dos produtos do agronegócio brasileiro terão redução progressiva de imposto de importação na União Europeia. Para as frutas cearenses, a desgravação beneficia especialmente o melão, a melancia e a manga — culturas que já têm presença consolidada no mercado europeu e que agora passam a competir com tarifa reduzida ou zerada frente a fornecedores de outros países sem acordo equivalente.
O Vale do Jaguaribe concentra a maior parte da produção dessas frutas no Ceará. A região combina incidência solar elevada, irrigação eficiente via perímetros públicos e logística de exportação via Porto do Pecém — um dos menores tempos de travessia até a Europa entre os portos brasileiros.
Mercosul-UE: Turismo e relações diplomáticas também no radar
Alckmin também ressaltou que os benefícios do acordo vão além do comércio de produtos. Para o vice-presidente, o tratado aproxima culturalmente e socialmente os dois blocos, com impacto positivo no turismo e nas relações bilaterais.
Outro ponto mencionado foi a derrubada da exigência de visto para turistas chineses entrarem no Brasil, que passa a valer a partir de segunda-feira (11). Em 2025, o número de solicitações de vistos de turistas da China cresceu 35% — e a eliminação do visto deve ampliar ainda mais esse fluxo.
O que muda na prática para o produtor
- Produtores de melão, melancia e manga do Vale do Jaguaribe têm desgravação tarifária progressiva para o mercado europeu — o planejamento para aumentar a produção começa agora
- A adequação às normas sanitárias e de rastreabilidade europeias é condição inegociável para exportar ao bloco
- O Porto do Pecém é o principal ativo logístico para o escoamento de frutas cearenses à Europa — produtores do interior devem se conectar a essa cadeia
- Cooperativas e grupos de produtores têm mais força para acessar o mercado europeu do que produtores individuais — vale investir na organização coletiva
- A eliminação do visto para chineses pode aumentar o turismo e as conexões comerciais entre o Ceará e a China
Próximos passos
O impacto do acordo sobre as exportações de frutas cearenses começará a aparecer nos dados mensais da balança comercial ao longo do segundo semestre de 2026. A Faec e o governo estadual devem intensificar as ações de adequação das cadeias produtivas às exigências europeias nos próximos meses.
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