A semana que começa hoje (20 de julho) tem uma data marcada no calendário que todo produtor precisa conhecer: nesta quarta-feira (22), entra em vigor a tarifa americana de 25% sobre exportações brasileiras, confirmada pela USTR na semana passada e quantificada pela CNA em 36,5% das exportações do agronegócio para os EUA — equivalente a US$ 4,6 bilhões dos US$ 11,4 bilhões exportados em 2025. Consequentemente, para o agronegócio nordestino, as principais commodities de exportação — carne bovina, mel e pescados — estão isentas da sobretaxa, o que limita o impacto direto sobre as exportações da região. O risco desta semana é indireto, mas igualmente relevante: o câmbio.
Nesse sentido, a confirmação da tarifa nesta quarta pode desencadear dois movimentos opostos no câmbio: se o mercado reagir com aversão a risco, o real pode enfraquecer — o que eleva o retorno em reais das exportações de soja e carne, mas também eleva o custo dos fertilizantes e insumos importados em dólar. Se o mercado reagir com alívio após a confirmação das exceções — ou se houver sinalização de negociação —, o câmbio pode se apreciar, reduzindo o retorno das exportações. Para o produtor, os dois cenários exigem ação específica, e o Portal AgroMais detalha o que fazer em cada caso.
Cenário 1: câmbio sobe após a tarifa — o que fazer
Se o real enfraquecer após a entrada em vigor da tarifa na quarta-feira, o produtor com commodities a vender tem uma janela adicional de retorno elevado em reais. Consequentemente, para o produtor de soja com estoque, a alta do câmbio amplia o retorno em reais e pode ser o momento de acelerar a comercialização — especialmente se combinada com Chicago ainda nos US$ 12. Para o produtor que ainda não comprou fertilizantes para a safra 2026/27, câmbio mais alto significa custo maior de insumos importados: a ação correta nesse cenário é comprar imediatamente, antes de novas altas.
Nesse sentido, o produtor que tiver os dois problemas simultaneamente — soja para vender e fertilizante para comprar — pode, nesse cenário, usar o retorno da venda de soja para financiar a compra de insumos, travando as duas pontas enquanto o câmbio está elevado. Essa estratégia de travamento simultâneo é exatamente o tipo de gestão financeira integrada que a volatilidade de 2026 está tornando indispensável para qualquer propriedade que opera com commodities.
Cenário 2: câmbio cai após a tarifa — o que fazer
Se o mercado reagir com alívio à confirmação das exceções — especialmente a isenção de carne, café e mel —, ou se houver sinalização de negociação entre Brasil e EUA, o real pode se apreciar após a quarta-feira. Consequentemente, nesse cenário, o produtor com soja a vender verá o retorno em reais recuar mesmo com Chicago sustentada — tornando a janela atual (pré-quarta) mais favorável do que a pós-tarifa. Para o produtor que ainda não comprou fertilizantes, câmbio mais baixo significa insumos mais baratos: esperar pela confirmação da apreciação antes de fechar contratos pode valer a pena nesse cenário.
Nesse sentido, em ambos os cenários, a ação mais segura para o produtor nordestino que opera sem estrutura de hedge formal é simples: vender parte da soja antes de quarta-feira e aguardar com posição menor; comprar parte dos fertilizantes antes de quarta-feira e aguardar com margem para comprar mais se o câmbio recuar. A estratégia de divisão da decisão em partes — em vez de tudo ou nada — é o instrumento de gestão de risco mais acessível e eficaz para o produtor que não tem acesso a instrumentos financeiros mais sofisticados.
O que muda na prática para o produtor
- Vender parte da soja em estoque antes de quarta-feira (22) enquanto Chicago está nos US$ 12 e o câmbio ainda não incorporou o impacto da tarifa
- Comprar parte dos fertilizantes para a safra 2026/27 antes de quarta-feira — câmbio pré-tarifa pode ser mais favorável do que o pós-confirmação
- Monitorar o câmbio na manhã de quarta-feira (22) como indicador da direção do mercado após a entrada em vigor da tarifa
- Acompanhar eventual retaliação brasileira como fator adicional de volatilidade que pode ampliar o movimento do câmbio nas duas direções
- Verificar junto à CNA e à Faec as atualizações sobre a segunda investigação americana (trabalho forçado) que pode adicionar mais 12,5% de tarifa
Próximos passos
A tarifa de 25% dos EUA entra em vigor nesta quarta-feira (22). O Portal AgroMais acompanha os impactos em tempo real.
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