A semana que começa hoje (20 de julho) concentra mais prazos, oportunidades e riscos simultâneos do que qualquer outra semana do segundo semestre de 2026 para o produtor nordestino. A tarifa americana de 25% entra em vigor nesta quarta (22); a soja está nos US$ 12 em Chicago numa janela identificada pelo mercado como de oportunidade; a MP 1.376 de dívidas rurais aguarda regulamentação com prazo até novembro; o Plano Safra 2026/27 tem crédito disponível com taxas históricas; e o El Niño se intensifica com pico projetado para o quarto trimestre. Consequentemente, o Portal AgroMais elenca as cinco ações concretas que o produtor nordestino precisa concluir antes de sexta-feira (24 de julho) — com prazo, raciocínio e passo seguinte para cada uma. Nesse sentido, essas cinco ações não são sugestões abstratas: são decisões com data de vencimento que, se adiadas para a semana seguinte, terão custo crescente — seja em câmbio mais alto nos insumos, em crédito com janela restringida pelo Zarc, em documentação para a MP sem tempo hábil, em forragem mais cara pela escassez da seca, ou em relacionamentos pós-Expocrato que esfriam com o tempo. Ação 1 e 2: fertilizantes e Plano Safra — os dois com prazo de quarta-feira A primeira ação desta semana é a compra de fertilizantes para a safra 2026/27. O raciocínio é direto: a tarifa americana de 25% entra em vigor nesta quarta (22), e o câmbio pode se mover em qualquer direção após a confirmação. Se o real enfraquecer, os fertilizantes importados ficam mais caros imediatamente. Se o câmbio permanecer estável, o patamar atual já é mais favorável do que o que pode vir após eventuais escaladas da disputa comercial EUA-Brasil nas próximas semanas. Consequentemente, o passo seguinte é: ligar hoje para o fornecedor de insumos, verificar disponibilidade, comparar preços com a ferramenta de transparência de preços de insumos e fechar pelo menos 50% do volume necessário para a safra antes de quarta-feira. Nesse sentido, a segunda ação é contratar o crédito do Plano Safra 2026/27 junto ao BNB — especificamente as linhas de irrigação (8% ao ano) e recuperação de pastagens (8,5% ao ano), as mais relevantes para atravessar o El Niño. O raciocínio: o Zarc começa a restringir janelas de plantio por região à medida que as datas-limite se aproximam, e os bancos vinculam a liberação do crédito ao cumprimento das datas recomendadas. Quem contratar agora tem a liberdade de usar o dinheiro quando precisar. Quem contratar em setembro pode descobrir que a janela de irrigação que o Zarc recomenda para aquela cultura já passou. Ações 3, 4 e 5: MP 1.376, forragem e follow-up pós-Expocrato — os que não têm segunda chance A terceira ação é reunir a documentação para a MP 1.376 de dívidas rurais. Não há prazo de quarta-feira para isso — o prazo de contratação é novembro —, mas a lógica é a mesma: o laudo técnico de perdas de safra que a CNA exige como pré-requisito leva tempo para ser elaborado por um profissional habilitado, e começar agora garante que o documento esteja pronto quando a regulamentação sair, sem pressão de prazo de última hora. Consequentemente, o passo seguinte é contatar hoje a Ematerce, o Senar Ceará ou um agrônomo de confiança para iniciar a elaboração do laudo. Nesse sentido, a quarta ação é garantir o estoque de forragem e suplementação mineral para o rebanho. O raciocínio: a seca prevista pelo INMET para julho-setembro já está em curso, e os preços de feno, palma e silagem tendem a subir progressivamente com a escassez. Comprar agora, antes do pico da seca, é comprar mais barato. E a quinta ação — menos urgente em prazo, mas a que tem menor segunda chance — é contatar os fornecedores, criadores e parceiros conhecidos na Expocrato para fechar os negócios que ficaram em aberto durante a feira, enquanto o relacionamento ainda está fresco e os decisores ainda estão com a Expocrato na memória. O que muda na prática para o produtor Próximos passos O Portal AgroMais acompanha semanalmente as ações prioritárias para o produtor nordestino no segundo semestre de 2026. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
Legado da Expocrato 2026: do Nelore ranqueado ao Cariri como nova fronteira do agro
Com a Expocrato 2026 encerrada, é hora de consolidar o legado que a 82ª edição deixa para o agronegócio cearense — um conjunto de marcos que o Portal AgroMais documentou dia a dia ao longo de toda a semana de feira. A primeira exposição ranqueada do Nelore no Ceará, aprovada pela ABCZ e organizada pela DC Assessoria com apoio da ACCOA e da Faec, é o marco mais emblemático: ela insere o estado definitivamente no circuito nacional de melhoramento genético bovino — onde a pontuação em ranking da ABCZ é moeda de valorização de plantel, de acesso a compradores de outros estados e de diferenciação comercial que os criadores cearenses não tinham antes desta edição. Consequentemente, os campeões Melodia FIV Giber e Fértil FIV Imbiribeira — ambos FIV, ambos de linhagens de alta performance — demonstraram que a biotecnologia de reprodução já chegou ao Ceará em escala comercial. Nesse sentido, esse legado genético é acompanhado por um legado de cadeia produtiva: a 4ª Super Copa HCG mostrou que o Cariri tem a melhor genética Saanen do Nordeste em pista; a Copa HCG Santa Inês reafirmou a raça nativa mais numerosa do país; a ExpoFísio demonstrou que o maior evento agropecuário do Norte-Nordeste tem compromisso com toda a sociedade — não apenas com os negócios; e os quatro leilões com animais de sete estados fizeram do Cariri, nesta semana, o maior polo de diversidade genética animal de todo o interior do Nordeste. O Cariri como nova fronteira — o que os dados confirmam O conceito de ‘nova fronteira do agronegócio nordestino’ não é retórica editorial — é respaldado por dados concretos que o Portal AgroMais acompanhou ao longo da cobertura da Expocrato 2026. Consequentemente, o algodão da Embrapa de Barbalha — com custo de um terço do praticado no Cerrado e mais de 1.800 hectares cadastrados em municípios do Cariri — é a mais clara demonstração de que a região tem uma vantagem competitiva genuína em culturas que a economia convencional não havia enxergado. O mel de Santana do Cariri — que fez do município o maior produtor nacional em 2023 com quase 1,2 milhão de quilos — é outro: uma cadeia que cresceu 241% em sete anos partindo de uma cultura de subsistência para uma commodity de exportação. Nesse sentido, o trigo adaptado ao semiárido, testado pela Embrapa de Barbalha desde 2024 com resultados positivos nos primeiros experimentos, pode ser o próximo capítulo dessa história: uma cultura completamente nova para o sul do Ceará, que poderia transformar o Cariri numa das poucas regiões semiáridas do mundo com produção comercial de trigo. A Expocrato 2026, ao reunir genética de elite, tecnologia da Embrapa, crédito do BNB e conhecimento da Arena Tec num único evento, foi o palco onde todas essas apostas convergiram — e onde criadores, produtores e técnicos puderam enxergar o Cariri não como ele é hoje, mas como ele pode ser em 2030. O ciclo pós-Expocrato — o que vem agora O encerramento da Expocrato 2026 não é um ponto final: é o início do ciclo de implementação do que foi negociado, financiado e aprendido ao longo da semana. Consequentemente, os contratos de crédito firmados com o BNB precisam ser formalizados; os animais adquiridos nos leilões precisam ser transportados, instalados e adaptados ao novo ambiente; as tecnologias apresentadas pela Embrapa na Arena Tec precisam ser testadas nas propriedades; e os networking construídos ao longo da feira precisam ser mantidos por canais de comunicação que persistam além da semana de evento. Nesse sentido, para o Portal AgroMais, o ciclo pós-Expocrato é tão editorial quanto o ciclo da feira em si: os resultados dos leilões com os valores de arrematação, os números finais de negócios, o balanço do concurso leiteiro, o impacto da ExpoFísio no calendário de eventos de inclusão do Cariri — tudo isso será documentado e publicado nas próximas semanas. A Expocrato 2026 é um evento de uma semana que tem consequências para o ano inteiro. E o Portal AgroMais acompanha essas consequências. O que muda na prática para o produtor Próximos passos O Portal AgroMais publica nas próximas semanas o balanço completo da Expocrato 2026 com todos os resultados e o ciclo pós-feira. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
Expocrato 2026 encerrou com 11 t de recicláveis, meta de R$ 150 mi e marcos históricos
A 82ª Expocrato encerrou no sábado (18 de julho) no Parque de Exposições Pedro Felício Cavalcante, em Crato, com um balanço de sustentabilidade que reflete a maturidade do evento: mais de 11 toneladas de resíduos recicláveis já haviam sido recolhidas antes do encerramento, resultado de uma parceria entre a Prefeitura do Crato (Secretaria de Meio Ambiente), a Associação dos Agentes Recicladores do Crato (AARC) e a Associação de Criadores de Ovinos e Caprinos da Bio-Região do Araripe (ACCOA). Segundo Ailton Júnior, presidente da AARC, a perspectiva para o balanço final é bastante otimista: ‘Essa é a melhor época do ano para nós. O maior benefício não é apenas o retorno financeiro para os catadores, mas principalmente o ganho para a natureza.’ Consequentemente, com cerca de 70% dos resíduos gerados nos espaços da feira sendo retirados e destinados corretamente em tempo recorde, a Expocrato 2026 estabelece um padrão de responsabilidade ambiental que poucos eventos agropecuários do porte equivalente conseguem replicar. Nesse sentido, o balanço de negócios deve confirmar ou superar a meta de R$ 150 milhões em movimentação financeira — o que representaria o maior resultado da história da feira, superando os R$ 140 milhões da edição anterior. O evento gerou em torno de 20 mil empregos diretos e indiretos, com a rede hoteleira das cidades do Cariri registrando ocupação máxima durante toda a semana de programação. Os marcos históricos da Expocrato 2026 — uma edição que o Ceará vai lembrar O Portal AgroMais documentou ao longo da semana os marcos históricos que distinguem a 82ª edição de todas as anteriores. A primeira exposição ranqueada do Nelore no Ceará pela ABCZ — idealizada pela DC Assessoria com apoio da ACCOA e da Faec — representou a inserção definitiva do estado no circuito nacional de melhoramento genético bovino. Consequentemente, os campeões Melodia FIV Giber (Grande Campeã, HDR Agronegócios LTDA, Fazenda Haras Dona Rosa) e Fértil FIV Imbiribeira (Grande Campeão, Luíz Jatobá Filho, Fazenda Imbiribeira) — ambos produtos de Fertilização In Vitro — demonstraram que a biotecnologia de reprodução animal já opera em plena escala no Ceará, em paridade técnica com os maiores polos de genética do Brasil. Nesse sentido, a 4ª Super Copa HCG consolidou o Cariri como centro de referência da caprinocultura leiteira com Saanen no Nordeste, com 25 lotes leiloados diretamente da pista e R$ 25 mil em premiações. A Copa HCG Santa Inês reafirmou a posição da raça nativa mais numerosa do país. A ExpoFísio reuniu 300 crianças e 600 participantes em experiências de inclusão sensorial no universo agropecuário. E os quatro leilões com raças de sete estados — Dorper, White Dorper, Santa Inês, Anglo-Nubiano, Sindi, Girolando, Gir e Pardo Suíço — posicionaram o evento como o maior polo de genética animal do interior do Nordeste. A sustentabilidade como diferencial competitivo da Expocrato 2026 As 11 toneladas de resíduos recicláveis recolhidas antes do balanço final não são apenas um número ambiental — são um argumento econômico e reputacional que diferencia a Expocrato de feiras agropecuárias concorrentes. Consequentemente, a parceria entre a Prefeitura do Crato, a AARC e a ACCOA cria um modelo de gestão de resíduos que combina sustentabilidade ambiental com impacto social: os catadores da AARC geram renda com o material recolhido, enquanto a ACCOA contribui com o protocolo de separação e destinação corretos dentro do parque de exposições. Nesse sentido, para o Portal AgroMais, a dimensão ambiental da Expocrato 2026 é tão relevante quanto os R$ 150 milhões em negócios: ela demonstra que o maior evento agropecuário do interior do Nordeste já incorporou a sustentabilidade como pilar estrutural — não como adorno. Num momento em que protocolos de rastreabilidade e sustentabilidade estão se tornando requisitos de acesso a mercados internacionais, especialmente europeus, a Expocrato que já pratica a coleta seletiva em escala está construindo um ativo de reputação que vai além da semana da feira. O que muda na prática para o produtor Próximos passos O Portal AgroMais publica o balanço completo da Expocrato 2026 com números finais de negócios e impacto para o agronegócio cearense. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
Chuvas favorecem semeadura no Sul e Nordeste prepara travessia da seca — Brasil em dois tempos
O Canal Rural desta segunda-feira (20) sinaliza que chuvas devem favorecer o início da semeadura em diferentes regiões do Brasil nas próximas semanas, com precipitações no Sul e em partes do Centro-Oeste esperadas para o período que antecede as primeiras janelas de plantio da safra 2026/27. Consequentemente, o movimento do Sul e do Centro-Oeste em direção à preparação da próxima safra — que inclui o Fórum Nacional de Máxima Produtividade de Soja previsto para setembro em Ipiranga do Norte (MT) — contrasta com a realidade do Nordeste, onde o INMET confirmou déficit hídrico entre julho e setembro e o produtor se prepara para atravessar três meses de seca antes das primeiras chuvas de novembro. Nesse sentido, o Brasil agrícola opera literalmente em dois tempos neste início de segunda metade de julho: enquanto o Sul prepara a semeadura da safra 2026/27 com as primeiras chuvas favoráveis, o Nordeste implementa as ações de resiliência que vão determinar se o produtor chega ao plantio de novembro com rebanho saudável, reservatórios em nível e crédito contratado — ou reativo e descapitalizado. O que a janela de plantio significa para o produtor nordestino No Nordeste, a janela de plantio da safra 2026/27 para culturas de sequeiro como feijão e milho começa com as primeiras chuvas de novembro — mas as decisões de crédito, insumos e planejamento precisam ser tomadas agora, em julho, quando o Zarc (Zoneamento Agrícola de Risco Climático) ainda está plenamente disponível para todas as datas e culturas. Consequentemente, o Zarc é o instrumento que define, município a município e cultura a cultura, as janelas de data de plantio com menor risco climático — e os bancos que operam linhas do Plano Safra vinculam a liberação de crédito ao cumprimento das datas recomendadas pelo Zarc. Nesse sentido, o produtor nordestino que quer plantar feijão ou milho em novembro com crédito do Plano Safra precisa contratar essa linha agora — não em outubro, quando a janela de plantio do Zarc já está próxima e os bancos intensificam as exigências de documentação. A contratação antecipada garante que o dinheiro chegue a tempo para a compra de sementes e fertilizantes antes do plantio — e que o produtor não perca a janela de menor risco climático por falta de crédito disponível no momento certo. A preparação do Nordeste para o 2º semestre — o checklist completo Enquanto o Sul monitora as chuvas e planeja a semeadura, o checklist do produtor nordestino para o segundo semestre de 2026 é diferente — mas igualmente urgente. Consequentemente, ele começa pela água: verificar o nível dos açudes e cisternas, reparar vazamentos e bombas antes que a seca se intensifique, e avaliar se o volume disponível é suficiente para o rebanho até novembro. Em seguida, o rebanho: antecipar a vermifugação e a vacinação, ajustar o protocolo nutricional com suplementação mineral, e avaliar o descarte estratégico de animais de baixa performance que consomem recursos sem retorno. Nesse sentido, o terceiro item do checklist é o crédito: contratar as linhas do Plano Safra 2026/27 para irrigação e pastagem enquanto o Zarc ainda está aberto, e organizar a documentação para a MP 1.376 de dívidas rurais enquanto a regulamentação não sai. O quarto é a forragem: garantir estoque de feno, palma ou silagem suficiente para três meses de seca — preços desses produtos tendem a subir com a intensificação da escassez. E o quinto é a genética: aproveitar o impulso da Expocrato 2026 para contatar os criadores e produtores conhecidos durante a feira e fechar negócios de reposição ou melhoria de plantel antes que a janela de relacionamento se feche. O que muda na prática para o produtor Próximos passos O Portal AgroMais acompanha a preparação do produtor nordestino para o segundo semestre e a chegada do El Niño. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
Exportações do agronegócio somam US$ 13,39 bi em julho e El Niño pressiona adaptação
As exportações do agronegócio brasileiro somam US$ 13,39 bilhões na parcial de julho de 2026, segundo os dados do Agrolink desta segunda-feira (20) — confirmando o ritmo forte de embarques que tem caracterizado o segundo semestre e posicionando julho como um dos meses mais expressivos do ano para a pauta exportadora brasileira. Consequentemente, soja, carne bovina, café e açúcar seguem como os principais itens da pauta, com a carne bovina registrando receita 25% acima de julho de 2025 no parcial do mês — um resultado que antecede a entrada em vigor das tarifas americanas nesta quarta-feira (22) e que pode ser impactado, nos próximos dias, pela reação do câmbio à confirmação da medida. Nesse sentido, o Agrolink também destaca dois movimentos macroeconômicos relevantes para o produtor nesta segunda-feira: a inflação desacelerou, o que alivia parte da pressão sobre os custos de produção domésticos; e o câmbio ganha novo destaque como variável central para os negócios do agronegócio no segundo semestre — especialmente com a tarifa americana na iminência de entrar em vigor. El Niño pressiona adaptação no campo — e o que isso significa concretamente O outro destaque do Agrolink nesta segunda-feira é o El Niño, que o portal classifica como fator que intensifica a necessidade de adaptação no campo brasileiro no segundo semestre. Consequentemente, a previsão climática confirma o que o INMET havia alertado na semana passada: déficit hídrico no Nordeste entre julho e setembro, irregularidade de chuvas no Centro-Oeste e anomalias de temperatura acima da média em praticamente todo o país — com o Super El Niño da NOAA projetando pico de anomalias de +3°C a +4°C no quarto trimestre. Nesse sentido, ‘adaptação no campo’ não é uma expressão vaga: para o produtor nordestino, ela se traduz em ações concretas e imediatas. O primeiro nível é o manejo do rebanho: antecipação de vermifugação, vacinação e suplementação mineral antes que o calor e a escassez de pasto intensifiquem a pressão parasitária e o estresse nutricional dos animais. O segundo nível é a água: verificação e reforço dos reservatórios enquanto ainda há disponibilidade hídrica para reparos e ampliação. O terceiro nível é o crédito: contratação das linhas de irrigação (8% ao ano) e pastagem (8,5% ao ano) do Plano Safra 2026/27 antes que o Zarc restrinja as janelas de plantio. O câmbio como variável central do 2º semestre do agronegócio A destacado pelo Agrolink sobre o câmbio ganhando ‘novo destaque’ é uma síntese precisa do ambiente que o produtor brasileiro enfrenta neste segundo semestre. Consequentemente, com a tarifa americana de 25% entrando em vigor nesta quarta, a inflação em desaceleração no Brasil e as projeções de câmbio sendo revisadas por bancos e consultorias ao longo da semana, o produtor que opera com exportações — ou com insumos importados — precisa tratar o câmbio como uma variável de gestão ativa, não de observação passiva. Nesse sentido, para o produtor nordestino que não exporta diretamente mas compra fertilizantes e defensivos em dólar, a mensagem desta semana é clara: o câmbio pode mover-se em qualquer direção na quarta-feira, e a única forma de se proteger é fechar parte das compras de insumos antes da confirmação da tarifa — e usar o eventual movimento pós-quarta como oportunidade para completar o estoque de fertilizantes para a safra 2026/27 com a visão de mercado mais clara que terá após a confirmação do impacto. O que muda na prática para o produtor Próximos passos O Portal AgroMais acompanha as exportações do agronegócio e os impactos do El Niño sobre o campo nordestino ao longo do segundo semestre. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
MP 1.376 em detalhes: condições e o que fazer agora para renegociar dívidas rurais
A Medida Provisória 1.376, publicada em 15 de julho, já tem seus detalhes consolidados pela CNA num Comunicado Técnico que o Portal AgroMais analisou na semana passada — e esta semana, com a regulamentação da MP ainda pendente, é o momento ideal para o produtor nordestino se preparar com antecedência. A MP autoriza a contratação de linhas de crédito para liquidar ou amortizar dívidas rurais e Cédulas de Produto Rural (CPRs) de produtores afetados por perdas de safra, eventos climáticos extremos ou queda dos preços agropecuários entre 2019 e 2025. Consequentemente, para o produtor nordestino que acumulou prejuduízos em múltiplos ciclos — combinação de El Niño dos anos anteriores, irregularidade climática e queda de preços de commodities —, a MP 1.376 pode ser o instrumento mais relevante de recuperação financeira disponível neste segundo semestre. Nesse sentido, a CNA também apresentou avaliação mista: a entidade reconhece que a MP amplia as possibilidades de renegociação e cria bases para um fundo garantidor, mas destaca que o endividamento rural ainda não foi solucionado de forma estrutural. Produtores como Lucas Scheffer, de Cacequi (RS), ouvidos pelo Canal Rural, afirmam que o prazo de dez anos dado pela MP para o pagamento dos débitos ainda é insuficiente para a realidade de quem perdeu safras consecutivas. É um instrumento relevante — mas que o produtor precisa usar em combinação com o Plano Safra 2026/27 para construir uma base financeira sustentável para o próximo ciclo. As condições completas da MP 1.376 — o que cabe a cada perfil de produtor A MP 1.376 estabelece duas faixas de acesso. Na condição geral — para produtores com perdas em pelo menos duas safras entre 2019 e 2025 e redução mínima de 30% na renda bruta —, as condições são: no Pronaf, até R$ 400 mil com juros de 6% ao ano e prazo de até oito anos; no Pronamp, até R$ 2 milhões com juros de 9% ao ano e oito anos; e para os demais produtores, até R$ 4 milhões com juros de 12% ao ano e oito anos. Consequentemente, na condição excepcional — para produtores com perdas em pelo menos três safras e redução mínima de 40% na renda bruta —, as condições são significativamente mais favoráveis: no Pronaf, até R$ 500 mil com juros de 5% ao ano e prazo de até dez anos; no Pronamp, até R$ 2,5 milhões com juros de 8% ao ano e dez anos; e para os demais, até R$ 8 milhões com juros de 11% ao ano e dez anos. Nesse sentido, em todas as faixas, a primeira amortização do principal vence dois anos após a contratação — com pagamento apenas de juros durante o período de carência —, e as garantias poderão ser ajustadas quando consideradas desproporcionais à operação. As dívidas que podem ser incluídas são: custeio, comercialização e industrialização; parcelas de investimentos vencidas ou com vencimento até 31 de dezembro de 2026; operações já renegociadas ou prorrogadas anteriormente; e CPRs com liquidação financeira emitidas em favor de instituições financeiras. O prazo para contratação é 12 de novembro de 2026, mas a abertura efetiva depende de regulamentação ainda pendente. O que o produtor nordestino precisa fazer agora — antes da regulamentação A ausência de regulamentação não é razão para esperar — é razão para se preparar. Consequentemente, a documentação que a CNA aponta como necessária inclui: laudo de profissional habilitado (agrônomo, veterinário, engenheiro agrícola ou técnico de nível médio registrado no CREA) comprovando as perdas de safra do período 2019-2025; notas fiscais de insumos e produção; declarações de imposto de renda rural dos exercícios correspondentes; extratos bancários demonstrando variação de renda; e comprovantes de perda de produção ou variação de preços dos produtos agropecuários no período. Nesse sentido, para o produtor nordestino que sofreu perdas por seca ou estiagem — categoria expressamente contemplada na MP como justificativa climática —, o caminho mais direto é contatar a Ematerce, o Senar Ceará ou um técnico agrícola de confiança para a elaboração do laudo técnico de perdas. Esse laudo é o documento sem o qual nenhuma outra papelada é suficiente — e elaborá-lo com antecedência, antes da regulamentação, é a diferença entre acessar o programa no primeiro dia ou ficar na fila. O que muda na prática para o produtor Próximos passos O Portal AgroMais acompanha a regulamentação da MP 1.376 e orienta o produtor nordestino sobre como acessar as linhas de renegociação de dívidas rurais. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
Tarifa americana de 25% entra em vigor dia 22 — o que monitorar e fazer antes de sexta
A semana que começa hoje (20 de julho) tem uma data marcada no calendário que todo produtor precisa conhecer: nesta quarta-feira (22), entra em vigor a tarifa americana de 25% sobre exportações brasileiras, confirmada pela USTR na semana passada e quantificada pela CNA em 36,5% das exportações do agronegócio para os EUA — equivalente a US$ 4,6 bilhões dos US$ 11,4 bilhões exportados em 2025. Consequentemente, para o agronegócio nordestino, as principais commodities de exportação — carne bovina, mel e pescados — estão isentas da sobretaxa, o que limita o impacto direto sobre as exportações da região. O risco desta semana é indireto, mas igualmente relevante: o câmbio. Nesse sentido, a confirmação da tarifa nesta quarta pode desencadear dois movimentos opostos no câmbio: se o mercado reagir com aversão a risco, o real pode enfraquecer — o que eleva o retorno em reais das exportações de soja e carne, mas também eleva o custo dos fertilizantes e insumos importados em dólar. Se o mercado reagir com alívio após a confirmação das exceções — ou se houver sinalização de negociação —, o câmbio pode se apreciar, reduzindo o retorno das exportações. Para o produtor, os dois cenários exigem ação específica, e o Portal AgroMais detalha o que fazer em cada caso. Cenário 1: câmbio sobe após a tarifa — o que fazer Se o real enfraquecer após a entrada em vigor da tarifa na quarta-feira, o produtor com commodities a vender tem uma janela adicional de retorno elevado em reais. Consequentemente, para o produtor de soja com estoque, a alta do câmbio amplia o retorno em reais e pode ser o momento de acelerar a comercialização — especialmente se combinada com Chicago ainda nos US$ 12. Para o produtor que ainda não comprou fertilizantes para a safra 2026/27, câmbio mais alto significa custo maior de insumos importados: a ação correta nesse cenário é comprar imediatamente, antes de novas altas. Nesse sentido, o produtor que tiver os dois problemas simultaneamente — soja para vender e fertilizante para comprar — pode, nesse cenário, usar o retorno da venda de soja para financiar a compra de insumos, travando as duas pontas enquanto o câmbio está elevado. Essa estratégia de travamento simultâneo é exatamente o tipo de gestão financeira integrada que a volatilidade de 2026 está tornando indispensável para qualquer propriedade que opera com commodities. Cenário 2: câmbio cai após a tarifa — o que fazer Se o mercado reagir com alívio à confirmação das exceções — especialmente a isenção de carne, café e mel —, ou se houver sinalização de negociação entre Brasil e EUA, o real pode se apreciar após a quarta-feira. Consequentemente, nesse cenário, o produtor com soja a vender verá o retorno em reais recuar mesmo com Chicago sustentada — tornando a janela atual (pré-quarta) mais favorável do que a pós-tarifa. Para o produtor que ainda não comprou fertilizantes, câmbio mais baixo significa insumos mais baratos: esperar pela confirmação da apreciação antes de fechar contratos pode valer a pena nesse cenário. Nesse sentido, em ambos os cenários, a ação mais segura para o produtor nordestino que opera sem estrutura de hedge formal é simples: vender parte da soja antes de quarta-feira e aguardar com posição menor; comprar parte dos fertilizantes antes de quarta-feira e aguardar com margem para comprar mais se o câmbio recuar. A estratégia de divisão da decisão em partes — em vez de tudo ou nada — é o instrumento de gestão de risco mais acessível e eficaz para o produtor que não tem acesso a instrumentos financeiros mais sofisticados. O que muda na prática para o produtor Próximos passos A tarifa de 25% dos EUA entra em vigor nesta quarta-feira (22). O Portal AgroMais acompanha os impactos em tempo real. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
Boi gordo: frigoríficos mais ativos e contrato futuro projeta R$ 369,50/@ em janeiro/27
Em curto período, as cotações do mercado do boi gordo melhoraram e começam a dar novo ânimo aos pecuaristas, segundo o Notícias Agrícolas desta segunda-feira (20). Frigoríficos mais ativos na compra de gado, exportações 25% acima de julho de 2025 em receita e um mercado futuro que já precifica R$ 369,50 por arroba para o contrato de janeiro de 2027 na B3 — três sinais que, juntos, apontam para a consolidação do piso que analistas da Scot Consultoria e da Safras & Mercado vinham projetando para o segundo semestre. Consequentemente, o coordenador Felipe Fabbri, da Scot Consultoria, indica que os preços da arroba devem subir consideravelmente a partir de setembro, à medida que a indústria se prepara para atender a demanda da cota de importação chinesa prevista para 2027. Nesse sentido, os dados de exportação confirmam o suporte externo ao mercado: até o dia 8 de julho, as exportações brasileiras de carne bovina geraram US$ 668,1 milhões, com preço médio de US$ 6.382,20 por tonelada — resultado que representa alta de 25% no valor médio diário em relação a julho de 2025, confirmando que a demanda internacional pela carne brasileira permanece firme mesmo com o esgotamento da cota chinesa. O que o contrato futuro em R$ 369,50/@ para janeiro de 2027 significa na prática O contrato de boi gordo para vencimento em janeiro de 2027, negociado a R$ 369,50 por arroba na B3, representa uma alta de mais de 12% sobre os patamares físicos de meados de julho — e é o sinal mais concreto de que o mercado já antecipa a recuperação que os analistas projetam para o quarto trimestre de 2026 e o início de 2027. Consequentemente, esse prêmio entre o físico atual (em torno de R$ 329-330/@) e o futuro de janeiro (R$ 369,50/@) é o mapa do dilema do pecuarista: vender agora, capturando a liquidez atual com piso se consolidando, ou aguardar até outubro/novembro apostando na convergência do físico para o nível que a B3 já está precificando. Nesse sentido, a decisão depende de uma variável que o mercado futuro não calcula por conta do pecuarista: o custo de manutenção do rebanho durante os próximos meses de seca prevista pelo INMET para o semiárido. Com déficit hídrico confirmado para julho-setembro e El Niño com pico projetado para o quarto trimestre, manter gado terminado em boa condição até outubro-novembro no Nordeste tem custo crescente de forragem e suplementação. Se esse custo for superior ao diferencial entre o preço atual e o futuro de janeiro, a decisão racional é vender agora — não aguardar. Os outros mercados de carne e o ambiente geral de proteínas no Brasil O boi gordo não é o único mercado de carne que apresenta dinâmica interessante neste início de semana. Consequentemente, o frango registrou alta em julho, segundo o Cepea, enquanto as carnes bovina e suína recuaram — um padrão que reflete o ambiente de custo de produção diferenciado entre as proteínas e a maior elasticidade da demanda doméstica por frango como alternativa mais acessível à carne bovina. Nesse sentido, para o pecuarista que vende para o mercado interno — especialmente o pequeno produtor leiteiro e de corte nordestino que abastece o mercado local —, o recuo do boi no varejo interno é sinal de que a demanda doméstica ainda não foi reavivada de forma plena com a chegada dos salários de julho. A recuperação do consumo interno é o complemento necessário para que a alta do mercado externo se transmita integralmente para os preços pagos ao produtor no campo — e esse processo deve ganhar força ao longo das próximas semanas. O que muda na prática para o produtor Próximos passos O Portal AgroMais acompanha semanalmente as cotações do boi gordo e os sinais de recuperação do mercado pecuário brasileiro. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
Soja volta aos US$ 12 em Chicago e Brasil tem janela de oportunidade.
A soja voltou a operar acima de US$ 12 por bushel em Chicago no final da semana passada e consolida esse patamar nesta segunda-feira (20 de julho), com o Notícias Agrícolas sinalizando que o Brasil abre a semana com uma janela de oportunidade para venda de soja no mercado disponível e de safra nova. O movimento é sustentado por três fatores simultâneos: demanda chinesa mais ativa nas compras de soja americana, Weather Market vivo com calor monitorado no Corn Belt, e óleo de soja disparando quase 3% na sexta-feira (17) — atingindo a maior cotação em seis semanas após as tarifas americanas sobre sebo bovino brasileiro reduzirem a oferta de matéria-prima concorrente para o biodiesel nos EUA. Consequentemente, a analista Ikanuza Pimentel, da Pátria Agronegócios, resume o cenário com precisão: com dólar e prêmios estáveis, as cotações no Brasil acompanham diretamente o movimento de Chicago. Nesse sentido, o contexto de demanda por parte da China merece atenção especial: a retomada das compras chinesas de soja americana, que analistas da Reuters acompanharam na semana passada, reduz parcialmente as preocupações sobre o ritmo das exportações norte-americanas e fortalece o cenário de maior demanda internacional — um pilar de suporte adicional às cotações que se soma ao Weather Market e ao driver geopolítico do óleo de soja. O driver inesperado: como a tarifa americana sobre o sebo bovino impulsionou o óleo de soja Um dos movimentos mais reveladores da semana passada foi a alta de quase 3% no óleo de soja em Chicago na sexta-feira (17) — atingindo a maior cotação em seis semanas. O catalisador foi a própria tarifa americana sobre produtos brasileiros: ao taxar o sebo bovino brasileiro, que compete com o óleo de soja como matéria-prima para o biodiesel nos EUA, Washington reduziu indiretamente a oferta de uma matéria-prima alternativa para a indústria americana de biocombustíveis. Consequentemente, a demanda por óleo de soja como substituto aumentou, elevando as cotações do complexo soja numa dinâmica que poucos analistas haviam antecipado — demonstrando que os efeitos das tarifas americanas sobre o agronegócio brasileiro são multidirecionais e nem sempre intuitivos. Nesse sentido, essa dinâmica reforça a recomendação que o Portal AgroMais vem fazendo: antes de reagir ao noticiário de tarifa com pessimismo ou otimismo extremos, o produtor precisa entender os mecanismos específicos de transmissão de preço para o produto que ele vende. Para o produtor de soja, a alta do óleo de soja em Chicago desta semana pode ser um suporte adicional às cotações — exatamente no momento em que a janela de comercialização foi identificada pelo mercado. A janela desta semana e o risco de quarta-feira Com Chicago nos US$ 12, demanda chinesa ativa e óleo de soja em alta, o mercado aponta que esta semana oferece condições favoráveis para comercialização de soja no disponível e para fixação de preços de safra nova. Consequentemente, o principal risco desta janela é a própria tarifa americana que entra em vigor nesta quarta-feira (22): dependendo de como o mercado financeiro reagir à confirmação da medida, o câmbio pode se mover — e qualquer movimento relevante do dólar altera o retorno em reais que o produtor recebe pela soja. Nesse sentido, a recomendação do Portal AgroMais para o produtor com soja em estoque é clara: monitorar diariamente o câmbio e os prêmios de exportação ao longo desta semana, comparar com o custo de carrego acumulado desde a colheita, e considerar a realização parcial antes de quarta-feira caso a margem já seja satisfatória. Quem aguardou a janela dos US$ 12 chegou — não é o momento de começar a esperar pelos US$ 12,50. O que muda na prática para o produtor Próximos passos O Portal AgroMais acompanha as cotações de soja e os impactos da tarifa americana sobre o mercado de commodities ao longo desta semana decisiva. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br