O governo federal atualizou os preços mínimos de produtos agrícolas das safras 2026/27 e 2027, com os novos valores definidos pelo Conselho Monetário Nacional e publicados na Portaria nº 934 no Diário Oficial da União da última segunda-feira (13). Consequentemente, os preços servirão de referência para as operações da Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM) — o programa que protege a renda dos produtores quando as cotações de mercado ficam abaixo dos valores estabelecidos, funcionando como uma rede de segurança especialmente relevante num momento de volatilidade geopolítica elevada.
Nesse sentido, a relação de produtos contemplados inclui algodão em caroço e em pluma, arroz longo fino em casca, borracha natural, cacau, feijão, leite, mandioca, milho, soja e sorgo, além de outros derivados. Para os produtos de verão e regionais, os novos parâmetros têm validade entre julho de 2026 e junho de 2028 — o que significa que o produtor que plantar a safra 2026/27 já terá como referência os preços mínimos atualizados que valerão para todo o ciclo.
O que são os preços mínimos e como funcionam na prática
A Política de Garantia de Preços Mínimos é um dos instrumentos mais antigos do Brasil de sustentação da renda agrícola. Consequentemente, quando o preço de mercado de um produto cai abaixo do preço mínimo estabelecido pelo CMN, o produtor pode acionar os mecanismos de suporte disponíveis — como o AGF (Aquisições do Governo Federal), o PEP (Prêmio para Escoamento do Produto) e o Pepro (Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural) —, que permitem ao governo adquirir o produto ao preço mínimo ou subsidiar a comercialização para que o produtor receba pelo menos o valor de referência.
Nesse sentido, para o produtor familiar cearense que planta feijão, milho, mandioca e algodão no semiárido, a atualização dos preços mínimos é uma referência importante para o planejamento da safra 2026/27: saber qual é o piso garantido pela política pública para cada produto permite calcular o pior cenário de receita antes de decidir o que plantar — e comparar com os custos de produção para avaliar a viabilidade de cada cultura.
Os produtos de maior relevância para o produtor nordestino
Entre os produtos atualizados na Portaria nº 934, os de maior relevância para o produtor nordestino são feijão, milho, algodão, mandioca e leite. Consequentemente, o feijão — uma das principais culturas alimentares do semiárido cearense, presente em quase todas as propriedades familiares — tem seu preço mínimo atualizado num momento em que os custos de produção subiram com a pressão de fertilizantes e defensivos. O algodão, que retomou espaço no Cariri e no Sertão Central com a tecnologia da Embrapa de Barbalha, ganha com a atualização um parâmetro de planejamento mais adequado ao ciclo 2026/27.
Nesse sentido, para o produtor de leite do Vale do Jaguaribe — a mais importante bacia leiteira do Ceará, com Jaguaribe produzindo 60 mil litros por dia —, o preço mínimo do leite é um parâmetro de última instância que garante que o valor recebido pela matéria-prima não caia abaixo de um piso que viabilize minimamente a atividade, mesmo nos períodos de maior queda sazonal de preço. Com o El Niño projetado para o 2º semestre, ter esse piso claramente estabelecido é importante para o produtor que está planejando quanto investir em suplementação e irrigação para manter a produção de leite.
O que muda na prática para o produtor
- Consultar a Portaria nº 934 do CMN no Diário Oficial para verificar os preços mínimos específicos de cada produto relevante para a propriedade
- Usar os preços mínimos atualizados como piso de planejamento de receita na planilha de viabilidade da safra 2026/27
- Produtores de feijão, milho, algodão e mandioca no semiárido: comparar o preço mínimo com o custo de produção atual para validar a viabilidade de cada cultura
- Pecuaristas leiteiros do Vale do Jaguaribe: verificar o novo preço mínimo do leite como referência de piso de receita para o 2º semestre de 2026
- Buscar orientação da Ematerce ou do Sebrae sobre os mecanismos de acionamento da PGPM (AGF, PEP, Pepro) quando os preços de mercado caem abaixo do mínimo
Próximos passos
O Portal AgroMais acompanha a Política de Garantia de Preços Mínimos e seus impactos para o produtor nordestino.
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