MP do Frete trava no Senado e caminhoneiros ameaçam greve geral até 16 de julho

Uma crise com potencial de paralisar o escoamento da produção agropecuária brasileira se forma no Senado Federal: a Medida Provisória 1.343/2026 — conhecida como MP do Frete —, que endurece o controle sobre a tabela de fretes mínimos do transporte rodoviário de cargas, perde validade em 16 de julho caso não seja votada até lá. Consequentemente, o presidente da Abrava (Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores), Wallace Landim, o Chorão, afirmou que se Davi Alcolumbre não pautar o texto até a próxima semana, caminhoneiros devem deflagrar greve nacional — comparando o risco de desabastecimento ao da greve histórica de 2018.

Nesse sentido, em vídeo que circulou amplamente, o dirigente foi direto ao presidente do Senado: ‘O senhor não queira deixar a MP caducar. O senhor vai segurar uma greve nacional no teu nome.’ A MP foi editada pelo governo federal em março deste ano para reforçar o cumprimento da política de pisos mínimos do frete rodoviário e foi aprovada na Câmara dos Deputados em junho — mas a comissão mista responsável pela análise no Senado sequer foi instalada, embora o texto já tenha recebido 427 emendas parlamentares.

O que diz a MP e por que o agronegócio divide-se sobre ela

A MP 1.343/2026 endurece o controle sobre a tabela de fretes mínimos: toda operação de transporte de carga precisará obrigatoriamente ser registrada no CIOT (Código Identificador da Operação de Transporte), com travas tecnológicas que impedirão emissão do código caso o valor inserido seja inferior ao piso regulamentar. Consequentemente, infrações cometidas até a publicação da futura lei serão convertidas em advertências de forma retroativa — com exceção de casos com fraude ou dolo comprovados —, e multas de 2022 foram perdoadas em emenda incluída na Câmara.

Nesse sentido, a posição do agronegócio sobre a MP é complexa e dividida. A FPA defende a valorização do transporte, mas critica a metodologia da ANTT: ‘Há um entendimento claro no setor agropecuário de que o modelo adotado pela ANTT não reflete a realidade do transporte no país, ao desconsiderar fatores essenciais como diferenças regionais, frete de retorno, diversidade de cargas e o perfil da frota, o que acaba gerando distorções relevantes e desalinhadas com a prática de mercado.’ O deputado Pedro Lupion negou que a FPA atue contra os caminhoneiros, afirmando que o questionamento ‘se concentra no modelo de cálculo e fiscalização.’

O risco concreto de uma greve para o produtor nordestino

Para o produtor cearense e nordestino, que depende quase integralmente do transporte rodoviário para escoar grãos, frutas, queijo coalho, carne bovina e mel para os mercados consumidores, uma greve de caminhoneiros no próximo final de semana representaria um risco logístico de alta magnitude — especialmente num momento em que a ExpoJaguar encerra com o Maior Queijo Coalho do Mundo amanhã e a Expocrato abre suas portas no Cariri. Consequentemente, a greve de 2018 durou dez dias e causou desabastecimento de combustíveis, alimentos e insumos agrícolas em todo o país, com prejuízos estimados em bilhões de reais para a cadeia agropecuária.

Nesse sentido, o prazo é urgente: se o Senado não pautar a MP até 16 de julho — próxima quarta-feira —, o texto caduca automaticamente, e a articulação dos caminhoneiros prevê mobilização em Brasília já no início da próxima semana. A recomendação prática para o produtor que tem carga programada para os próximos dias é acompanhar de perto a evolução da crise política no Senado e antecipar eventuais decisões de embarque caso o risco de paralisação se confirme.

O que muda na prática para o produtor

  • Produtores com embarques programados: monitorar de perto a votação da MP do Frete no Senado até 16/07 e avaliar antecipação de cargas
  • Cooperativas e tradings: acionar planos de contingência logística caso a greve se concretize após o prazo de 16/07
  • Produtores de queijo, frutas e carnes perecíveis: redobrar atenção ao risco logístico — produtos perecíveis são os mais vulneráveis a paralisações
  • Acompanhar o Portal AgroMais para atualizações diárias sobre a crise da MP do Frete ao longo da semana
  • Caso a greve se confirme: priorizar o abastecimento de combustível e insumos críticos antes da paralisação

Próximos passos

O prazo para votação da MP do Frete no Senado é 16 de julho. O Portal AgroMais acompanha os desdobramentos e seus impactos para a logística do agronegócio.

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Jakeline Diógenes
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