Amanhã (11 de julho), o Cariri cearense recebe a 82ª Expocrato — a maior feira agropecuária do Norte e Nordeste do Brasil —, que vai até o dia 19 no Parque de Exposições Pedro Felício Cavalcante, em Crato, com exceção do dia 13. Consequentemente, a edição de 2026 chega com a ambição declarada de ser ‘a maior Expocrato de todos os tempos’, reunindo Jota Quest e Gusttavo Lima na programação musical, além de cinco leilões, concurso leiteiro, julgamentos de raças, palestras técnicas e a tradicional Feira Agropecuária que é o coração econômico do evento. Nesse sentido, a feira é gratuita e acessível pelo terceiro ano consecutivo, com transporte público gratuito para os participantes — garantindo que o acesso à maior concentração de agronegócio do interior do Nordeste não seja restrito por condições financeiras. A Expocrato além dos shows: o agro que o Cariri constrói Para além da programação musical, a Expocrato 2026 é o encontro anual do agronegócio de uma região que vem se consolidando como nova fronteira agrícola do Ceará. Consequentemente, a presença esperada da Embrapa — que mantém Campo Experimental em Barbalha desde o início da década com pesquisas em algodão de custo 1/3 do Cerrado, trigo adaptado ao semiárido testado desde 2024 e mais 10 cadeias produtivas — transforma a Expocrato em vitrine das tecnologias que podem mudar a produtividade do campo cearense. Nesse sentido, o ‘Triângulo do Cariri’ — Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha — é a região mais dinâmica do interior cearense: além do algodão e do trigo da Embrapa, Missão Velha é o 8º maior produtor de banana do Brasil, com o Sítio Barreiras comercializando a fruta para Norte, Nordeste e Sudeste. Para os pecuaristas da região, a Expocrato é onde a genética dos leilões se encontra com o crédito do BNB e com o conhecimento técnico das palestras — a combinação que o Portal AgroMais identificou como o tripé do desenvolvimento agropecuário regional. A conexão com o Plano Safra e o El Niño — o contexto que o produtor precisa levar à feira O produtor que vai à Expocrato 2026 amanhã chega num momento de confluência de oportunidade e risco que talvez não se repita tão concentrado em poucos dias. Consequentemente, a oportunidade é o Plano Safra 2026/27: com R$ 1,6 bilhão destinados ao Ceará, linhas de irrigação a 8% ao ano, recuperação de pastagens a 8,5% e crédito para sociobiodiversidade a 1%, o produtor que vier à Expocrato sabendo o que quer financiar e com a documentação em ordem pode sair com negócios concretos. Nesse sentido, o risco é o Super El Niño 2026/27: com anomalias projetadas de +3°C a +4°C no Pacífico e pico esperado no quarto trimestre, o Cariri deve enfrentar um dos períodos de seca mais severos das últimas décadas. Para o pecuarista que criar ovinos, caprinos e bovinos na região, a Expocrato é o momento de perguntar para quem sabe: quais tecnologias da Embrapa ajudam meu rebanho a atravessar essa seca? Qual linha de crédito financia o reservatório que fará diferença em agosto? Essa é a Expocrato que o Portal AgroMais vai cobrir a partir de amanhã. O que muda na prática para o produtor Próximos passos A 82ª Expocrato começa amanhã e o Portal AgroMais inicia sua cobertura diária do evento. Acompanhe nas redes e no site. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
62ª ExpoJaguar encerra amanhã com Maior Queijo Coalho do Mundo e programação hoje
A 62ª ExpoJaguar vive hoje, sexta-feira (10 de julho), sua última jornada antes do grande encerramento: às 06h acontece a última ordenha do Concurso Leiteiro, a Oficina de Boas Práticas em Produção de Alimentos vai de 08h às 17h, e às 18h abre a Exposição de Produtos da Cadeia do Leite — uma vitrine da produção leiteira e queijeira do Vale do Jaguaribe que vai até as 23h e concentra na última noite antes do encerramento tudo que a cadeia tem de mais representativo. Consequentemente, o Show Infantil às 18h30 e o Concurso ‘A Mais Bela Voz’ às 20h30 completam a noite de sexta. Nesse sentido, amanhã (11 de julho) às 17h, Jaguaribe entra em campo para reconquistar o título de Maior Queijo Coalho do Mundo — com uma forma que tem capacidade para aproximadamente 3.500 quilos, suficiente para superar o recorde atual de 3.364 quilos estabelecido por Quixeramobim durante a 7ª Copa Leite em 2025. Antes disso, às 08h acontece o Grande Campeonato Santa Inês e às 10h a Premiação dos Animais. A Exposição da Cadeia do Leite: uma vitrine que vai além do queijo A Exposição de Produtos da Cadeia do Leite, que acontece hoje das 18h às 23h no Parque Gilberto Guerra, é muito mais do que uma feira de queijos: ela materializa toda a extensão de uma cadeia produtiva que, em Jaguaribe, absorve 90% dos 60 mil litros de leite produzidos diariamente e os transforma em produtos que vão do queijo coalho artesanal aos derivados de leite, iogurtes, requeijão e doce de leite que chegam a mercados de todo o Brasil. Consequentemente, para o produtor que quer entender o que o mercado valoriza, ver o que é exposto na noite de hoje é um exercício prático de inteligência de mercado. Nesse sentido, a combinação da Exposição da Cadeia do Leite com a palestra de ontem sobre a Indicação Geográfica do Queijo Coalho de Jaguaribe e a formação sobre SISBI forma um ciclo completo de aprendizado que a ExpoJaguar ofereceu ao produtor ao longo desta edição: produzir com qualidade, certificar a origem e acessar mercados maiores. O recorde de amanhã no contexto da cadeia que o sustenta A tentativa do Maior Queijo Coalho do Mundo amanhã não é um evento isolado — é o ápice visível de uma cadeia produtiva que o Portal AgroMais cobriu em profundidade ao longo desta semana: mais de 40 mil cabeças de gado leiteiro, 60 mil litros de leite por dia, 90% transformados localmente em queijo, 2.500 empregos e R$ 3 milhões por mês em receita com a venda do queijo coalho. Consequentemente, para fazer o queijo recorde de 2.703 quilos que Jaguaribe detinha anteriormente, foram necessários 18 mil litros de leite — volume que ilustra a escala da bacia leiteira local e a capacidade de mobilização coletiva dos produtores. Nesse sentido, o que pode parecer apenas um show gastronômico é, na prática, um instrumento de marketing territorial que coloca o queijo coalho de Jaguaribe nas manchetes nacionais e reforça o argumento para a IG no INPI. Se a forma de 3.500 quilos for preenchida amanhã, Jaguaribe não apenas reconquista um título: reafirma, diante de todo o Brasil, que é e sempre foi a Terra do Queijo Coalho. O que muda na prática para o produtor Próximos passos A 62ª ExpoJaguar encerra amanhã (11/07) com o Maior Queijo Coalho do Mundo às 17h. O Portal AgroMais faz cobertura do encerramento. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
Patente inédita cria fertilizante inteligente brasileiro que regenera solos e reduz emissões
Uma patente inédita desenvolvida por pesquisadores brasileiros criou um fertilizante inteligente com capacidade de liberar nutrientes de forma controlada conforme a demanda da planta, com potencial para regenerar solos degradados e reduzir as emissões de óxido nitroso — um dos gases de efeito estufa mais potentes associados à agricultura. Consequentemente, a inovação representa um avanço significativo para o país que lidera o mercado global de bioinsumos e tem em curso o maior programa de agricultura de baixo carbono do mundo, e chega noticiada pelo Notícias Agrícolas nesta sexta-feira, quando o debate sobre a dependência de fertilizantes importados está no centro da pauta. Nesse sentido, o timing da inovação não poderia ser mais relevante: com o Brasil importando 85% dos fertilizantes que consome e a tensão geopolítica no Estreito de Ormuz pressionando os preços dos insumos sintéticos, qualquer tecnologia que reduza a dependência de fertilizantes convencionais tem valor estratégico imediato — tanto econômico quanto geopolítico — para o setor produtivo nacional. Como funciona o fertilizante inteligente e seu diferencial O diferencial do fertilizante inteligente em relação aos fertilizantes convencionais é a liberação controlada: em vez de disponibilizar todos os nutrientes de uma vez — grande parte dos quais são perdidos por lixiviação, volatilização ou fixação no solo antes de serem absorvidos pela planta —, o novo produto libera os nutrientes de forma gradual, conforme a planta demanda. Consequentemente, essa característica reduz as perdas, aumenta a eficiência de utilização dos nutrientes pela cultura e diminui a necessidade de reaplicações ao longo do ciclo produtivo. Nesse sentido, o potencial de regenerar solos degradados é especialmente relevante para o contexto brasileiro e, em particular, para o semiárido cearense: solos desgastados pelo uso intensivo, pela erosão e pela irregularidade climática são uma realidade em grande parte do interior do Ceará, e um fertilizante que nutra a planta ao mesmo tempo em que restaura a estrutura e a microbiota do solo representa um avanço duplo em produtividade e resiliência. A inovação no contexto da transição para a agricultura de baixo carbono A redução das emissões de óxido nitroso — que tem potencial de aquecimento global 273 vezes maior do que o CO₂ em 100 anos — é um dos objetivos centrais da agenda de descarbonização da agricultura brasileira. Consequentemente, o fertilizante inteligente que reduz essas emissões ao liberar nitrogênio de forma controlada se insere diretamente nessa agenda, podendo potencialmente ser elegível para créditos de carbono — uma nova fonte de receita para o produtor que adota práticas de agricultura de baixo carbono. Nesse sentido, o Brasil já lidera globalmente em agricultura de baixo carbono graças ao ABC+ (Programa para Adaptação e Baixa Emissão de Carbono na Agropecuária), ao programa Renovagro e ao crescimento dos sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF). A patente do fertilizante inteligente adiciona mais um instrumento a esse arsenal — e a perspectiva de acesso a créditos de carbono pode tornar a adoção da nova tecnologia financeiramente atraente mesmo para produtores que ainda não atuam com o argumento ambiental como prioridade. O que muda na prática para o produtor Próximos passos O Portal AgroMais acompanha as inovações em bioinsumos e fertilizantes e seus impactos para o produtor brasileiro. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
Boi gordo com sinais de arrefecimento da oferta, mas arroba segue pressionada
O mercado do boi gordo encerra a semana com um dado que pode ser o início da virada: a oferta de animais começa a dar sinais de arrefecimento, segundo análise do Notícias Agrícolas — o que pode estar indicando a formação do piso que os analistas vêm projetando para a arroba antes de uma recuperação no quarto trimestre. Consequentemente, apesar do arrefecimento da oferta, a demanda pela carne brasileira continua como fator de pressão: a cota chinesa esgotada e as férias coletivas dos frigoríficos mantêm o ambiente de baixa liquidez no mercado físico. Nesse sentido, o Farmnews documentou a profundidade do problema na relação de troca boi x bezerro: ‘A relação de troca caiu em junho para patamares pouco acima de 2,00 bezerros por boi gordo, o menor valor histórico para o período do ano.’ Com o preço do boi gordo pressionado e o bezerro ainda caro, o confinador e o pecuarista que pensa em ampliar o rebanho enfrentam a pior equação financeira do ciclo. Por que o arrefecimento da oferta é o sinal mais esperado pelo mercado O conceito de ‘arrefecimento da oferta’ de boi gordo é específico: significa que o número de animais prontos para abate chegando ao mercado começa a diminuir — seja porque os produtores estão retendo animais esperando preços melhores, seja porque a combinação de relação de troca desfavorável e risco climático do El Niño está reduzindo o interesse em confinamento. Consequentemente, quando a oferta de animais prontos para abate cai, os frigoríficos que retornam das férias coletivas precisam competir por volume menor, o que tende a pressionar os preços da arroba para cima. Nesse sentido, esse é o mecanismo que o mercado aguarda para que a arroba forme um piso e comece a recuperação projetada para o quarto trimestre. A retomada das compras chinesas no novo ciclo de cota é o gatilho externo; o arrefecimento da oferta doméstica é o gatilho interno. Com os dois convergindo entre setembro e outubro, as projeções de alta consistente para o último trimestre ganham sustentação. A estratégia do pecuarista nordestino neste momento Para o pecuarista cearense, que se prepara para a Expocrato a partir de amanhã e para o El Niño ao longo do segundo semestre, o sinal de arrefecimento da oferta é relevante mas não muda a estratégia de curto prazo. Consequentemente, quem tem gado pronto deve avaliar vender agora — ao redor de R$ 330-334/@ — ou aguardar o piso, que pode estar se formando, mas ainda não se confirmou. Quem ainda tem animais em engorda tem mais espaço para esperar setembro-outubro, quando a arroba deve mostrar recuperação. Nesse sentido, o dado mais importante para calibrar essa decisão é o custo de manutenção do gado em pastagem diante do El Niño: se a seca se intensificar em agosto e setembro, como projetado, o custo de suplementar o rebanho pode subir significativamente — reduzindo o benefício de aguardar a recuperação da arroba. O pecuarista que fizer essa conta antes de decidir terá mais segurança em sua escolha. O que muda na prática para o produtor Próximos passos O Portal AgroMais acompanha as cotações do boi gordo e os sinais de formação do piso da arroba ao longo de julho. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
FPA rejeita MP das dívidas rurais e cobra PL original: ‘Não há qualquer acordo’
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) reagiu com firmeza à proposta do governo de resolver a questão do endividamento rural por meio de uma Medida Provisória em vez de avançar com o PL 5.122/2023, que já tramita na Câmara e conta com amplo apoio do setor produtivo. Consequentemente, após reunião com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a bancada emitiu nota categórica: ‘Não há qualquer acordo.’ O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), afirmou que a proposta de MP ‘ainda deixa de fora pontos considerados essenciais pelo setor.’ Nesse sentido, a rejeição da FPA à MP não é uma postura de confronto pelo confronto: ela reflete diferenças concretas sobre o conteúdo do instrumento de renegociação. Enquanto o governo propõe uma MP com escopo mais restrito, a FPA defende que o PL 5.122/2023 — já aprovado em comissões e com amplo apoio parlamentar — oferece mecanismos mais abrangentes de securitização de dívidas e maior elegibilidade de produtores para a renegociação. Por que a forma jurídica importa — PL versus MP A divergência entre FPA e governo sobre a forma jurídica do instrumento — Projeto de Lei versus Medida Provisória — tem implicações práticas relevantes para o produtor endividado. Consequentemente, uma MP entra em vigor imediatamente após a publicação, mas precisa ser ratificada pelo Congresso em até 120 dias — e pode ser alterada ou rejeitada durante a tramitação, gerando incerteza jurídica. Um PL tramita com mais tempo, mas produz lei ordinária de maior estabilidade e previsibilidade para o produtor que assina um acordo de renegociação. Nesse sentido, para o produtor endividado que aguarda a renegociação, a briga política em torno do instrumento jurídico significa meses adicionais de incerteza — período em que os juros continuam correndo sobre as dívidas. Segundo dados da CNA, o endividamento do setor rural atingiu níveis recordes nos últimos ciclos, com parte significativa dos produtores descapitalizados após a combinação de safras de margens estreitas com custo de insumos elevado. O que o produtor cearense deve acompanhar Para o agricultor familiar e o pequeno produtor cearense que acessou o Desenrola Rural — que já regularizou R$ 626,8 milhões em dívidas de 22,8 mil beneficiários no Ceará —, a briga política em torno do PL 5.122/2023 é relevante porque define o que acontece com quem tem dívidas maiores ou mais complexas, que o Desenrola Rural não abrangeu. Consequentemente, o PL 5.122/2023 ou eventual MP que o substitua pode ser o caminho para que médios e grandes produtores endividados consigam regularizar sua situação e voltar a acessar o crédito do Plano Safra — completando o ciclo que o Desenrola iniciou para os menores. Nesse sentido, a FPA deve manter a pressão sobre o governo ao longo de julho, com o Congresso retornando do recesso parlamentar em agosto — quando o debate sobre as dívidas rurais deve voltar ao centro da agenda política do agronegócio. O que muda na prática para o produtor Próximos passos O Congresso retorna do recesso em agosto. O Portal AgroMais acompanha a tramitação do PL das dívidas rurais e seus impactos para o produtor cearense. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
Soja firme com portos em R$ 142/sc e ganho de 1 saca por hectare com recuo do Super Simples
A semana que se encerra foi de movimento favorável para o produtor de soja: os preços da oleaginosa no mercado brasileiro permaneceram firmes, com os portos testando R$ 142 por saca nesta sexta-feira — alta relevante ante os R$ 138/sc do início da semana. Consequentemente, duas forças simultâneas explicam o movimento: a manutenção do Weather Market ativo em Chicago, com o calor no Corn Belt americano pressionando as cotações internacionais, e o recuo do imposto Super Simples sobre as exportações de soja, que aliviou a carga tributária dos exportadores e se traduziu em melhores relações de troca para o produtor. Nesse sentido, segundo análise do Notícias Agrícolas, a melhora nas relações de troca representa ganho de quase uma saca por hectare para o produtor em relação à semana anterior — um dado concreto que ilustra bem como variáveis tributárias e cambiais afetam diretamente a rentabilidade da lavoura, independentemente do que aconteça nos preços internacionais. A China não para de comprar — e o Brasil segue mais competitivo A demanda chinesa continua sendo o principal fator de sustentação do mercado de soja nesta semana. Após a COFCO ter comprado até 600 mil toneladas de soja americana na semana passada em ‘aquisições políticas’, novas compras de 264 mil toneladas foram realizadas — numa estratégia de diversificação de fontes que mantém os EUA satisfeitos diplomaticamente, mas preserva o Brasil como referência de preço para o mercado global. Consequentemente, o relatório WASDE do USDA, divulgado nesta sexta-feira, trouxe as primeiras projeções formais para a safra 2026/27, calibrando as expectativas de oferta e demanda globais que vão guiar as cotações nas próximas semanas. Nesse sentido, o Canal Rural reporta que em seu relatório mais recente, o USDA estimou a área plantada com soja em 2026 nos EUA em 85,4 milhões de acres, alta de 5% em relação ao ano anterior — número que ficou em linha com as expectativas do mercado. Os estoques trimestrais em 1º de junho somaram 1,06 bilhão de bushels, 5% acima do mesmo período de 2025, configurando oferta confortável no mercado global que limita altas mais expressivas nos preços — mas não impede que o produtor brasileiro capture bons preços na janela atual. O que o produtor deve fazer nesta janela de fechamento de semana Para o produtor com soja em estoque da safra 2025/26, a combinação de portos em R$ 142/sc, câmbio pressionado pela tensão geopolítica e recuo do Super Simples configura uma das melhores janelas de comercialização das últimas semanas. Consequentemente, o cálculo prático é direto: comparar o preço atual de porto com o custo de carrego mensal acumulado — juros, armazenagem e risco de deterioração —, e decidir com base no dado, não na expectativa de altas ainda maiores que podem ou não se materializar. Nesse sentido, o Rabobank projeta enfraquecimento do real nos próximos meses, o que poderia ampliar ainda mais o retorno em reais das exportações de soja. Mas quem espera pelo câmbio ideal enquanto o custo de carrego corrói a margem pode chegar tarde à janela. O produtor mais bem informado é o que faz as duas contas — carrego e câmbio projetado — antes de decidir. O que muda na prática para o produtor Próximos passos O relatório WASDE do USDA desta sexta vai calibrar as projeções para a safra 2026/27. O Portal AgroMais acompanha as cotações de soja e seus impactos para o produtor brasileiro. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
MP do Frete trava no Senado e caminhoneiros ameaçam greve geral até 16 de julho
Uma crise com potencial de paralisar o escoamento da produção agropecuária brasileira se forma no Senado Federal: a Medida Provisória 1.343/2026 — conhecida como MP do Frete —, que endurece o controle sobre a tabela de fretes mínimos do transporte rodoviário de cargas, perde validade em 16 de julho caso não seja votada até lá. Consequentemente, o presidente da Abrava (Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores), Wallace Landim, o Chorão, afirmou que se Davi Alcolumbre não pautar o texto até a próxima semana, caminhoneiros devem deflagrar greve nacional — comparando o risco de desabastecimento ao da greve histórica de 2018. Nesse sentido, em vídeo que circulou amplamente, o dirigente foi direto ao presidente do Senado: ‘O senhor não queira deixar a MP caducar. O senhor vai segurar uma greve nacional no teu nome.’ A MP foi editada pelo governo federal em março deste ano para reforçar o cumprimento da política de pisos mínimos do frete rodoviário e foi aprovada na Câmara dos Deputados em junho — mas a comissão mista responsável pela análise no Senado sequer foi instalada, embora o texto já tenha recebido 427 emendas parlamentares. O que diz a MP e por que o agronegócio divide-se sobre ela A MP 1.343/2026 endurece o controle sobre a tabela de fretes mínimos: toda operação de transporte de carga precisará obrigatoriamente ser registrada no CIOT (Código Identificador da Operação de Transporte), com travas tecnológicas que impedirão emissão do código caso o valor inserido seja inferior ao piso regulamentar. Consequentemente, infrações cometidas até a publicação da futura lei serão convertidas em advertências de forma retroativa — com exceção de casos com fraude ou dolo comprovados —, e multas de 2022 foram perdoadas em emenda incluída na Câmara. Nesse sentido, a posição do agronegócio sobre a MP é complexa e dividida. A FPA defende a valorização do transporte, mas critica a metodologia da ANTT: ‘Há um entendimento claro no setor agropecuário de que o modelo adotado pela ANTT não reflete a realidade do transporte no país, ao desconsiderar fatores essenciais como diferenças regionais, frete de retorno, diversidade de cargas e o perfil da frota, o que acaba gerando distorções relevantes e desalinhadas com a prática de mercado.’ O deputado Pedro Lupion negou que a FPA atue contra os caminhoneiros, afirmando que o questionamento ‘se concentra no modelo de cálculo e fiscalização.’ O risco concreto de uma greve para o produtor nordestino Para o produtor cearense e nordestino, que depende quase integralmente do transporte rodoviário para escoar grãos, frutas, queijo coalho, carne bovina e mel para os mercados consumidores, uma greve de caminhoneiros no próximo final de semana representaria um risco logístico de alta magnitude — especialmente num momento em que a ExpoJaguar encerra com o Maior Queijo Coalho do Mundo amanhã e a Expocrato abre suas portas no Cariri. Consequentemente, a greve de 2018 durou dez dias e causou desabastecimento de combustíveis, alimentos e insumos agrícolas em todo o país, com prejuízos estimados em bilhões de reais para a cadeia agropecuária. Nesse sentido, o prazo é urgente: se o Senado não pautar a MP até 16 de julho — próxima quarta-feira —, o texto caduca automaticamente, e a articulação dos caminhoneiros prevê mobilização em Brasília já no início da próxima semana. A recomendação prática para o produtor que tem carga programada para os próximos dias é acompanhar de perto a evolução da crise política no Senado e antecipar eventuais decisões de embarque caso o risco de paralisação se confirme. O que muda na prática para o produtor Próximos passos O prazo para votação da MP do Frete no Senado é 16 de julho. O Portal AgroMais acompanha os desdobramentos e seus impactos para a logística do agronegócio. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br