Enquanto a colheita de algodão no Mato Grosso ainda luta para sair do zero — com índice de avanço abaixo de 1% —, os dados de exportação de junho confirmam a força histórica do setor: o Brasil embarcou 217 mil toneladas de algodão, o maior volume já registrado para o mês de junho, alta de 63,4% em relação ao mesmo mês de 2025. Consequentemente, a receita gerada foi de US$ 350,6 milhões, crescimento de 64,1% na comparação anual, consolidando o Brasil como uma das principais referências mundiais na produção e exportação da fibra.
Nesse sentido, o dado histórico de junho vem do estoque acumulado da safra anterior, já que a colheita atual ainda está nos primeiros dias — o que significa que, quando a colheita do Mato Grosso ganhar ritmo nas próximas semanas, um novo volume expressivo de algodão será disponibilizado ao mercado, potencialmente ampliando ainda mais o desempenho exportador do segundo semestre.
A colheita atrasada e o paradoxo do algodão em julho
O atraso na colheita de algodão no Mato Grosso — com índice abaixo de 1% num período em que normalmente já haveria avanço mais significativo — é atribuído às condições climáticas desfavoráveis ao longo do ciclo da safra, e cria uma situação paradoxal: o setor exporta volume histórico com o estoque antigo enquanto o novo volume ainda está no campo. Consequentemente, quando a colheita ganhar ritmo nas próximas semanas, a chegada simultânea de grandes volumes de algodão às algodoeiras e aos portos pode pressionar os fretes, que segundo analistas devem subir cerca de 10% em julho.
Nesse sentido, o atraso na colheita também cria risco de qualidade: se o algodão coincide com períodos de chuva durante a colheita acelerada, a fibra pode ser comprometida, afetando os contratos de exportação que exigem padrões mínimos de qualidade. Para o produtor, o monitoramento da previsão climática para as regiões produtoras do Mato Grosso nas próximas semanas é essencial para calibrar o timing da colheita e minimizar perdas de qualidade.
O que o recorde de junho diz sobre a competitividade do algodão brasileiro
O volume histórico de 217 mil toneladas exportadas em junho não é um evento isolado: é a confirmação de uma tendência de crescimento da participação brasileira no mercado global de algodão que vem se intensificando nos últimos ciclos. Consequentemente, com a cotação da fibra em alta de mais de 3% em Nova York — sustentada justamente pela incerteza sobre o timing de oferta do algodão brasileiro —, o produtor que conseguir colher e entregar com qualidade e no tempo certo tem condições de capturar preços mais favoráveis.
Nesse sentido, o algodão cearense e nordestino — cuja expansão foi impulsionada pelo Campo Experimental da Embrapa em Barbalha com nova base tecnológica desde 2019 — também se beneficia desse cenário: com custo de produção estimado em um terço do Cerrado e crescente organização dos produtores via Associação dos Produtores de Algodão do Ceará, a fibra do semiárido tem potencial de ampliar sua presença na pauta exportadora cearense nos próximos ciclos.
O que muda na prática para o produtor
- Produtores de algodão no MT: ajustar o planejamento logístico considerando os fretes +10% em julho com o avanço da colheita
- Monitorar as previsões climáticas para as regiões produtoras nas próximas semanas para calibrar o timing da colheita
- Avaliar a qualidade do algodão a ser colhido sob pressão de tempo e risco de chuvas
- Produtores cearenses: acompanhar o Campo Experimental da Embrapa em Barbalha e a Associação dos Produtores de Algodão do CE para inserção na cadeia exportadora
- Verificar contratos de exportação em aberto considerando o cenário de fretes mais caros em julho
Próximos passos
O Portal AgroMais acompanha o avanço da colheita de algodão no MT e as exportações do segundo semestre.
🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias.👉 www.portalagromais.com.br







