A partir de sábado (11 de julho), o Cariri cearense recebe a 82ª Expocrato — a maior feira agropecuária do Norte e Nordeste do Brasil —, que segue até dia 19 no Parque de Exposições Pedro Felício Cavalcante, em Crato, com exceção do dia 13. Consequentemente, a edição 2026 chega com o peso de uma das maiores feiras do país: na última edição, foram R$ 140 milhões em negócios e aproximadamente 20 mil empregos diretos e indiretos gerados na região do Cariri, segundo dados da Associação dos Criadores de Caprinos e Ovinos da Bio-região do Cariri. Nesse sentido, a Expocrato 2026 reúne cinco leilões, concurso leiteiro, julgamentos de raças, programação técnica com palestras sobre agricultura, pecuária, inovação e gestão rural, e uma parceria em tratativas com a Universidade Federal do Cariri (UFCA) para desenvolvimento de estudos científicos e ações de bem-estar animal — iniciativa inédita que aproxima a academia da cadeia produtiva regional. Pelo terceiro ano consecutivo, a feira será totalmente gratuita, com transporte público gratuito para todos os participantes. O Cariri como nova fronteira agrícola: algodão, trigo e banana Para entender a Expocrato além do evento em si, é preciso entender o Cariri como polo agropecuário em ascensão. O Campo Experimental da Embrapa Algodão em Barbalha — na Rodovia Otávio Sabino Dantas, km 4 — é o principal laboratório dessa transformação: desde 2019, pesquisadores desenvolvem no local uma nova base tecnológica para a produção de algodão no Ceará, com cultivares transgênicas adaptadas ao semiárido e custo de produção estimado em um terço do praticado no Cerrado. Consequentemente, segundo o pesquisador Fábio Aquino de Albuquerque, o algodão apresenta melhor desempenho na seca comparado a outras culturas — uma vantagem decisiva num contexto de El Niño histórico. Nesse sentido, o trigo é a novidade mais recente do Campo Experimental de Barbalha: pesquisas iniciadas em 2018 e com cultivares de ciclo curto adaptadas ao semiárido testadas desde 2024 produziram primeiros resultados positivos — o que pode abrir uma fronteira completamente nova para a produção de grãos no sul do Ceará. Ademais, o Cariri já é importante polo bananeiro nacional: Missão Velha é o oitavo maior produtor de banana do Brasil, com o solo propício à banana Prata e o Sítio Barreiras comercializando para Norte, Nordeste e Sudeste do país. A cultura que dá alma à maior feira do interior do Nordeste A Expocrato não é apenas uma feira agropecuária — é a expressão mais ampla de uma região que combina campo e cultura com uma intensidade rara no Brasil. Crato, conhecida como ‘Oásis do Sertão’ e capital cultural do Cariri, sedia uma feira que concentra, numa única semana, criadores, agricultores, empresas, técnicos, instituições e visitantes de todo o Brasil. Consequentemente, a dimensão cultural da Expocrato é indissociável da dimensão econômica: a região que produz o queijo que disputa o recorde do mundo em Jaguaribe, o algodão de fibra longa que abastece a indústria têxtil do Ceará, e a banana que está nas prateleiras dos maiores supermercados nacionais é a mesma que celebra a fé no Padre Cícero em Juazeiro, o Santo Antônio com o Carregamento do Pau da Bandeira em Barbalha — Patrimônio Cultural do Brasil — e a poesia de Patativa do Assaré em Assaré. Nesse sentido, para o produtor do Cariri que vai à Expocrato, a feira é onde o crédito do BNB se encontra com o conhecimento da Embrapa, com a genética dos leilões e com a tradição de um povo que sempre tirou riqueza de uma terra que parece árida para quem não a conhece. O Portal AgroMais vai cobrir a Expocrato 2026 com o olhar de quem entende que o campo cearense é muito maior do que os números que aparecem nas estatísticas. O que muda na prática para o produtor Próximos passos A 82ª Expocrato abre no sábado (11) e segue até 19 de julho no Parque de Exposições Pedro Felício Cavalcante, em Crato. O Portal AgroMais faz cobertura completa do evento. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
62ª ExpoJaguar: julgamentos, IG do Queijo Coalho e SISBI hoje.
A 62ª ExpoJaguar vive nesta quinta-feira (9 de julho) seu dia técnico mais intenso: às 06h acontece a 3ª ordenha do Concurso Leiteiro; às 08h têm início os julgamentos dos animais e a Oficina de Cortes Ovinos, que vai de 08h às 17h. Consequentemente, às 18h acontece a 4ª ordenha e, em seguida, uma das palestras mais estratégicas de toda a programação: a apresentação sobre a Indicação Geográfica do Queijo Coalho de Jaguaribe — o IG registrado pelo INPI e representado pela Queijaribe, que transforma um saber-fazer de mais de 300 anos em proteção jurídica reconhecida pelo Estado brasileiro. Nesse sentido, às 19h30, a palestra ‘Vendendo para o Brasil — Como Alcançar o SISBI’ oferece ao produtor o caminho prático para entrar no Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal — a porta de entrada para o mercado interestadual que pode multiplicar o alcance comercial do queijo coalho artesanal cearense. O Desfile da Rainha ExpoJaguar às 20h encerra a noite de quinta. A palestra sobre IG: o que está em jogo para os produtores de Jaguaribe A palestra sobre a Indicação Geográfica do Queijo Coalho de Jaguaribe é mais do que uma apresentação técnica: é a oportunidade de os produtores da região entenderem concretamente o que a IG significa para o valor do produto que fabricam. Consequentemente, a IG protege o queijo de Jaguaribe de falsificações — um problema real identificado pelo próprio presidente da Queijaribe, que registrou que produtos de outros estados do Nordeste são vendidos no mercado cearense com rótulos que sugerem origem jaguaribana. Com a IG formalizada no INPI, esse uso indevido do nome passa a ser ilegal. Nesse sentido, além da proteção, a IG abre acesso a mercados que valorizam origem certificada: redes de supermercados de alto padrão, exportadores de queijos artesanais, plataformas de gastronomia regional e programas de compras institucionais que exigem rastreabilidade. Para o produtor artesanal de Jaguaribe — que em média produz 111 quilos de queijo por dia e faz parte de uma cadeia que gera R$ 3 milhões por mês em receita —, a IG é o instrumento que pode elevar o valor do quilograma do queijo e ampliar o alcance da comercialização. O sábado e o recorde que pode mudar o calendário do agro cearense No sábado (11 de julho) às 17h, Jaguaribe entra em campo para reconquistar o título de Maior Queijo Coalho do Mundo — com uma forma que tem capacidade para aproximadamente 3.500 quilos, suficiente para superar o recorde de 3.364 quilos que Quixeramobim estabeleceu em 2025 durante a 7ª Copa Leite. Consequentemente, a produção do queijo recorde exige logística de coleta de cerca de 18 mil litros de leite, mobilizando produtores de toda a região, e representa a demonstração mais visível da capacidade produtiva da bacia leiteira do Vale do Jaguaribe. Nesse sentido, o que pode parecer apenas um show gastronômico é, na prática, um instrumento de marketing territorial que coloca o queijo coalho de Jaguaribe nas manchetes nacionais, reforça o argumento para a IG junto ao INPI e posiciona Jaguaribe como destino de turismo gastronômico e agropecuário — exatamente a combinação que a Alece reconheceu ao incluir a ExpoJaguar e o Festival do Queijo Coalho no calendário oficial de eventos do estado em 2026. O que muda na prática para o produtor Próximos passos A 62ª ExpoJaguar encerra no sábado (11) com o Maior Queijo Coalho do Mundo às 17h. O Portal AgroMais acompanha o evento. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
Boi gordo tem exportações fortes mas mercado interno travado e arroba pressionada
O boi gordo abre julho com uma leitura ambígua: bom ritmo de exportações nos primeiros dias do mês — com China e Estados Unidos entre os principais compradores — e mercado interno com baixa liquidez e negociações travadas. Consequentemente, o bom desempenho das exportações evita uma queda ainda mais acentuada da arroba, que permanece em torno de R$ 332-334 em São Paulo, segundo dados da Scot Consultoria. Nesse sentido, o relatório do Banco do Brasil alerta que o segundo semestre exige atenção ao preenchimento da cota chinesa de importação, que pode gerar tarifas mais altas sobre parte dos embarques até outubro — o período que o mercado já identificou como o mais provável para a retomada mais consistente dos preços da arroba. Por que o mercado interno está travado enquanto as exportações fluem A aparente contradição entre exportações fortes e mercado interno travado tem uma explicação direta: os frigoríficos que adotaram férias coletivas reduziram a demanda por gado vivo no mercado doméstico, deprimindo a arroba, mas continuam honrando os contratos de exportação firmados antes do esgotamento da cota chinesa — com volumes destinados a outros mercados, especialmente Estados Unidos e países do Oriente Médio. Consequentemente, o bom ritmo de exportações não se traduz em alta da arroba porque o volume sendo embarcado vem do estoque e de abates realizados antes das férias coletivas, não de compras novas de gado vivo. Nesse sentido, a relação de troca boi x bezerro permanece no pior nível dos últimos 11 anos — com o bezerro ainda caro e a arroba pressionada —, tornando especialmente desfavorável o momento para ampliar o rebanho via compra de reposição. Para o pecuarista nordestino, que ainda enfrenta o risco adicional do El Niño sobre as pastagens, a estratégia mais prudente é focar na qualidade e nutrição do rebanho existente enquanto aguarda a recuperação esperada para o último trimestre. O horizonte do quarto trimestre e o que o produtor deve fazer agora A expectativa do mercado para a retomada do boi gordo no quarto trimestre de 2026 se apoia em dois fatores principais: a retomada das compras chinesas com o início do novo ciclo de cota, e a redução da oferta de animais terminados decorrente da menor atividade de confinamento ao longo do segundo semestre. Consequentemente, o pecuarista que puder planejar a comercialização para setembro-outubro estará em posição mais favorável do que quem precisar vender em julho-agosto, quando a pressão baixista tende a ser mais intensa. Nesse sentido, o Portal AgroMais recomenda que o pecuarista nordestino priorize neste momento três ações concretas: garantir estoque de forragem e suplementação para o rebanho antes da intensificação da seca do El Niño; contratar o crédito do Plano Safra 2026/27 para recuperação de pastagens (8,5% ao ano) enquanto o Zarc ainda permite; e antecipar o protocolo vacinal e sanitário do rebanho antes que o calor e a seca do segundo semestre aumentem a vulnerabilidade dos animais. O que muda na prática para o produtor Próximos passos O Portal AgroMais acompanha as cotações do boi gordo e os desdobramentos da retomada das compras chinesas. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias.👉 www.portalagromais.com.br
Algodão bate recorde de exportação em junho com 217 mil toneladas e US$ 350 milhões
Enquanto a colheita de algodão no Mato Grosso ainda luta para sair do zero — com índice de avanço abaixo de 1% —, os dados de exportação de junho confirmam a força histórica do setor: o Brasil embarcou 217 mil toneladas de algodão, o maior volume já registrado para o mês de junho, alta de 63,4% em relação ao mesmo mês de 2025. Consequentemente, a receita gerada foi de US$ 350,6 milhões, crescimento de 64,1% na comparação anual, consolidando o Brasil como uma das principais referências mundiais na produção e exportação da fibra. Nesse sentido, o dado histórico de junho vem do estoque acumulado da safra anterior, já que a colheita atual ainda está nos primeiros dias — o que significa que, quando a colheita do Mato Grosso ganhar ritmo nas próximas semanas, um novo volume expressivo de algodão será disponibilizado ao mercado, potencialmente ampliando ainda mais o desempenho exportador do segundo semestre. A colheita atrasada e o paradoxo do algodão em julho O atraso na colheita de algodão no Mato Grosso — com índice abaixo de 1% num período em que normalmente já haveria avanço mais significativo — é atribuído às condições climáticas desfavoráveis ao longo do ciclo da safra, e cria uma situação paradoxal: o setor exporta volume histórico com o estoque antigo enquanto o novo volume ainda está no campo. Consequentemente, quando a colheita ganhar ritmo nas próximas semanas, a chegada simultânea de grandes volumes de algodão às algodoeiras e aos portos pode pressionar os fretes, que segundo analistas devem subir cerca de 10% em julho. Nesse sentido, o atraso na colheita também cria risco de qualidade: se o algodão coincide com períodos de chuva durante a colheita acelerada, a fibra pode ser comprometida, afetando os contratos de exportação que exigem padrões mínimos de qualidade. Para o produtor, o monitoramento da previsão climática para as regiões produtoras do Mato Grosso nas próximas semanas é essencial para calibrar o timing da colheita e minimizar perdas de qualidade. O que o recorde de junho diz sobre a competitividade do algodão brasileiro O volume histórico de 217 mil toneladas exportadas em junho não é um evento isolado: é a confirmação de uma tendência de crescimento da participação brasileira no mercado global de algodão que vem se intensificando nos últimos ciclos. Consequentemente, com a cotação da fibra em alta de mais de 3% em Nova York — sustentada justamente pela incerteza sobre o timing de oferta do algodão brasileiro —, o produtor que conseguir colher e entregar com qualidade e no tempo certo tem condições de capturar preços mais favoráveis. Nesse sentido, o algodão cearense e nordestino — cuja expansão foi impulsionada pelo Campo Experimental da Embrapa em Barbalha com nova base tecnológica desde 2019 — também se beneficia desse cenário: com custo de produção estimado em um terço do Cerrado e crescente organização dos produtores via Associação dos Produtores de Algodão do Ceará, a fibra do semiárido tem potencial de ampliar sua presença na pauta exportadora cearense nos próximos ciclos. O que muda na prática para o produtor Próximos passos O Portal AgroMais acompanha o avanço da colheita de algodão no MT e as exportações do segundo semestre. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias.👉 www.portalagromais.com.br
Bioinsumos chegam a R$ 6,2 bi e FBN economiza até US$ 40 bi por ano na soja brasileira
O mercado brasileiro de bioinsumos alcançou R$ 6,2 bilhões em 2025, crescimento de 15% sobre o ano anterior, com a área tratada chegando a 194 milhões de hectares — alta de 28%, segundo dados da CropLife Brasil. Consequentemente, o principal motor desse crescimento é a fixação biológica de nitrogênio (FBN): 90% das áreas cultivadas com soja no Brasil já utilizam essa tecnologia, que gera economia estimada entre US$ 25 bilhões e US$ 40 bilhões por ano aos produtores — montante que ilustra o quanto o Brasil já depende menos de fertilizantes nitrogenados sintéticos do que dependeria sem a FBN. Nesse sentido, o tema tem relevância especial neste momento: diante da dependência de 85% das importações de fertilizantes e da nova pressão geopolítica no Estreito de Ormuz, os bioinsumos se apresentam como a alternativa mais imediata e de menor custo para reduzir parcialmente a exposição do produtor à volatilidade dos insumos importados — sem exigir novos investimentos em infraestrutura. R$ 8/ha versus R$ 906/ha: a conta que justifica a FBN A matemática da fixação biológica de nitrogênio é difícil de ignorar: segundo a Embrapa, a inoculação com bactérias do gênero Bradyrhizobium permite suprir biologicamente a demanda de nitrogênio das plantas de soja ao custo de aproximadamente R$ 8 por hectare — comparado a cerca de R$ 906 por hectare na adubação nitrogenada convencional. Consequentemente, para um produtor com 500 hectares de soja, a diferença entre as duas abordagens é de aproximadamente R$ 449 mil por safra, só na linha de nitrogênio. Nesse sentido, o reconhecimento internacional dessa tecnologia foi explicitado em 2025, quando a pesquisadora da Embrapa Mariangela Hungria recebeu o World Food Prize — o chamado Nobel da Agricultura — pelo desenvolvimento de tecnologias ligadas à fixação biológica de nitrogênio. Para o Brasil, que concentra aproximadamente metade do mercado latino-americano de bioinsumos e figura entre os três maiores mercados globais, esse reconhecimento reforça o papel estratégico que o setor já desempenha na competitividade do agronegócio nacional. O que esperar do mercado de bioinsumos nos próximos anos O mercado global de bioinsumos deve atingir US$ 45 bilhões até 2032, com taxa anual de crescimento entre 13% e 14%, segundo o Agro in Data / Insper. O Brasil está posicionado para liderar esse movimento: além de concentrar metade do mercado latino-americano, tem mais de 200 empresas registradas no MAPA, mais de 1.500 produtos e crescimento superior a 50% entre 2022 e 2025. Consequentemente, com a Lei 15.070/2024 formalizando o marco regulatório dos bioinsumos — incluindo a produção on farm isenta de registro para consumo próprio —, o ambiente regulatório está cada vez mais favorável à expansão do setor. Nesse sentido, para o agricultor familiar cearense, os bioinsumos têm relevância dobrada: são tecnologias de baixo custo acessíveis mesmo sem escala; se enquadram nas linhas de agricultura de baixo carbono financiadas pelo BNB e pelo Pronaf; e podem ser produzidos on farm, sem dependência de fornecedores externos — uma vantagem especialmente importante em regiões remotas do semiárido. O que muda na prática para o produtor Próximos passos O Portal AgroMais acompanha o mercado de bioinsumos e a expansão da agricultura de baixo carbono no Brasil e no Nordeste. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
Brent acima de US$ 75 após revogação da licença iraniana pressiona insumos agrícolas
O mercado de energia mantém estado de alerta nesta quinta-feira (9 de julho) após os Estados Unidos revogarem na terça-feira (7) a Licença Geral X para venda de petróleo iraniano, movimento que elevou o Brent acima de US$ 75 por barril e pressionou o câmbio brasileiro para cima. Consequentemente, essa pressão geopolítica tem efeito em cascata sobre o agronegócio: fretes marítimos mais caros encarecem tanto as exportações de commodities quanto as importações de fertilizantes, e o dólar em alta eleva o custo de insumos importados referenciados em moeda americana. Nesse sentido, com o prazo para encerramento das transações existentes com petróleo iraniano marcado para 17 de julho — em menos de dez dias —, o mercado deve manter a volatilidade ao longo da próxima semana, tornando urgente a antecipação de compras de fertilizantes para a safra 2026/27 antes que a pressão geopolítica se transmita integralmente aos preços nas revendas agrícolas. O Estreito de Ormuz e a cadeia de transmissão para o campo O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do consumo global de petróleo, é o elo entre a tensão geopolítica e o custo do produtor rural. Consequentemente, quando petroleiros são atingidos nessa via estratégica e os EUA revogam licenças de exportação de energia iraniana, o efeito se propaga em múltiplas frentes: o petróleo sobe, o gás natural tende a acompanhar, e com ele o custo de produção da ureia — um dos fertilizantes nitrogenados mais utilizados na agricultura brasileira. Nesse sentido, o frete marítimo também responde à percepção de risco na região: com a rota do Estreito de Ormuz comprometida, parte dos carregamentos de fertilizantes vindos da Ásia e do Golfo Pérsico encara maior prêmio de risco logístico, encarecendo o produto na ponta do produtor. Para o Brasil, que importa 85% dos fertilizantes que consome — com mais de 95% do potássio e cerca de 80% da ureia vindo do exterior —, essa é uma exposição estrutural que eventos geopolíticos como o atual tornam visível de forma abrupta. O que o produtor deve fazer agora A convergência entre geopolítica pressionando petróleo, câmbio subindo e fertilizantes em risco de alta configura um cenário que exige ação imediata do produtor que ainda não fechou a compra de insumos para a safra 2026/27. Consequentemente, a recomendação dos analistas do ABRAMAGRO de travar fertilizantes antes que a janela de contratos longos feche — que o Portal AgroMais vinha destacando nas últimas semanas — ganha urgência redobrada diante do prazo de 17 de julho para encerramento das transações com petróleo iraniano. Nesse sentido, o produtor que utiliza bioinsumos com fixação biológica de nitrogênio já está parcialmente protegido nessa frente: ao substituir parte da ureia por inoculantes — com custo de R$ 8/ha versus R$ 906/ha da adubação nitrogenada convencional —, ele reduz sua exposição às oscilações do mercado internacional de fertilizantes sintéticos. Para quem ainda não adota a FBN, essa pode ser a crise que justifica a mudança. O que muda na prática para o produtor Próximos passos O prazo para encerramento das transações com petróleo iraniano é 17 de julho. O Portal AgroMais acompanha os desdobramentos geopolíticos e seus impactos sobre os custos de produção. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br