Rota do Cordeiro | Criar o animal sempre foi a parte que o sertão domina. O desafio, repetido por produtores e técnicos, é outro: como escoar e agregar valor a uma produção que já tem escala. Em Tauá, no entanto, esse caminho começa a ganhar contornos concretos — e ele passa por mercados que vão muito além da feira local.
O município abriga uma unidade voltada à exportação de ovinos e caprinos com foco no mercado Halal, segmento que segue normas específicas de abate e processamento exigidas por países de maioria muçulmana. Consequentemente, a iniciativa sinaliza uma ambição clara: conectar o rebanho dos Inhamuns a compradores internacionais dispostos a pagar mais por um produto certificado e rastreável.
A Rota do Cordeiro
Tauá também foi contemplado pelo programa Rota do Cordeiro, ação do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional que apoia a produção de cordeiros e cabritos no Nordeste. Com a participação da Embrapa e de parceiros locais, portanto, o programa busca estruturar toda a atividade ligada à criação — da porteira para dentro até a comercialização — reconhecendo a expertise da região na criação de pequenos ruminantes.
O esforço se soma a um projeto de fortalecimento da ovinocultura agroindustrial conduzido no estado, que reúne a Secretaria do Desenvolvimento Econômico, a Embrapa Caprinos e Ovinos, a Ematerce e o Senar. Nesse sentido, a ideia é viabilizar a produção de cordeiros em escala suficiente para abastecer a agroindústria, transformando a atividade em geradora de emprego e renda no semiárido.
Assistência técnica como chave
Entre os pontos considerados indispensáveis pela Embrapa para que o modelo funcione está a assistência técnica continuada ao produtor. Em outras palavras, não basta ter rebanho — é preciso levar tecnologia ao campo de forma permanente, com simulações que consideram os diferentes tamanhos de propriedade da região. Foi com esse objetivo que técnicos e produtores já se reuniram em Tauá para discutir as tecnologias necessárias ao desenvolvimento da cadeia.
A Agro Tauá entra nessa engrenagem como espaço de articulação. Ao reunir gestores, pesquisadores e produtores em torno do tema do agronegócio no semiárido, portanto, a feira ajuda a encurtar a distância entre quem cria no curral e quem decide as políticas e os mercados. Para Tauá, o recado é direto: o futuro da ovinocultura local não está apenas em produzir mais, mas em produzir com destino certo.
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