O café arábica negocia perto de seus menores níveis em meses, pressionado pela perspectiva de oferta robusta no Brasil para o próximo ciclo. Segundo a Conab, a safra brasileira de café 2026/27 deve atingir um recorde histórico de 66,2 milhões de sacas — com destaque para os 44,1 milhões de sacas de arábica, beneficiados pelas chuvas favoráveis registradas em Minas Gerais, principal região produtora do país. Além disso, casas de análise internacionais já projetam números ainda mais otimistas. A StoneX elevou sua estimativa para um recorde de 75,3 milhões de sacas, enquanto a Marex Group projeta 75,9 milhões — superando inclusive a previsão anterior da Sucafina, de 75,4 milhões. Consequentemente, o mercado vem reprecificando as expectativas de oferta para baixo nos preços, na medida em que as projeções de safra seguem sendo revisadas para cima. Café arábica: Por que os preços recuam mesmo com a colheita em andamento A lógica do mercado de café é, em parte, contraintuitiva para quem não acompanha de perto: mesmo com a colheita atual ainda em curso, os preços já refletem as expectativas para o próximo ciclo. Nesse sentido, a confirmação de chuvas favoráveis em Minas Gerais desde o início do ano elevou progressivamente as estimativas de safra, pressionando os preços para baixo ao longo dos últimos meses. Em contrapartida, a Cooxupé — maior cooperativa de café do Brasil, com forte presença no Sul de Minas — estima queda de 10% nas exportações de 2026, para aproximadamente 4,4 milhões de sacas, abaixo das 4,9 milhões de 2025. Essa redução de curto prazo na oferta é consequência direta da safra menor de 2025, e ainda pressiona os volumes de exportação no primeiro semestre de 2026 — mesmo com as perspectivas otimistas para a nova colheita. Ademais, os traders têm observado que os produtores continuam retendo vendas na expectativa de preços mais altos, o que limita a disponibilidade imediata no mercado físico e cria uma dinâmica de preços mais complexa do que apenas ‘mais oferta, preços mais baixos’. Tensões geopolíticas seguem como fator de sustentação de preços Apesar da pressão da safra recorde, as tensões geopolíticas globais — incluindo riscos para rotas logísticas e aumento de custos de transporte — continuam fornecendo algum suporte aos preços do café. Nesse contexto, o acordo EUA-Irã, ainda incerto conforme declarações do próprio Trump nesta semana, é um dos fatores que mantém parte do prêmio de risco nas commodities agrícolas globais, incluindo o café. Para o cafeicultor brasileiro, portanto, o cenário de médio prazo é de preços mais moderados em razão da safra recorde — mas a colheita atual ainda sustenta alguma firmeza pontual, especialmente diante das incertezas geopolíticas que seguem em aberto. O que vem depois: a expectativa para 2027/28 Olhando mais adiante, o mercado já antecipa o potencial de uma produção ainda maior em 2027/28, que pode ultrapassar 80 milhões de sacas — desde que não ocorram eventos climáticos adversos, como geadas no próximo inverno ou novos períodos de seca entre setembro de 2026 e fevereiro de 2027. Consequentemente, o cafeicultor que está planejando investimentos de médio prazo deve considerar esse cenário de oferta crescente ao avaliar a viabilidade de expansão de área ou de renovação de cafezais. O que muda na prática para o produtor Próximos passos A Conab deve publicar novo levantamento da safra de café 2026/27 nos próximos meses, com dados mais precisos sobre a colheita em andamento. O Portal AgroMais acompanha as cotações de café semanalmente. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
Palma forrageira: a base alimentar que sustenta a ovinocaprinocultura de Tauá
Palma forrageira | Antes de a manta chegar à mesa e de o cordeiro ganhar o mercado, há uma planta que faz o trabalho invisível de manter o rebanho vivo entre uma chuva e outra. A palma forrageira, resistente como poucas à estiagem, é a base alimentar que sustenta boa parte da pecuária do semiárido e ganha espaço de destaque na programação da Agro Tauá. A relação é direta. De nada adianta uma região ter o maior rebanho de ovinos e caprinos do Ceará se faltar comida para os animais nos longos períodos de seca. É aí que entra a palma, cultura adaptada ao clima sertanejo que oferece volume de massa e água aos rebanhos quando o pasto nativo não dá conta. Consequentemente, sustentar o efetivo dos Inhamuns passa, necessariamente, por garantir essa forragem. Palma forrageira: Esperança que gera retorno Não é por acaso que a palestra sobre o tema na feira foi batizada de ‘palma forrageira’ a planta que alimenta a esperança e gera retorno no campo’. Nesse sentido, a escolha das palavras resume o duplo papel da cultura: de um lado, segurança alimentar para o rebanho em um ambiente hostil; de outro, retorno econômico para quem consegue planejar a alimentação animal e reduzir perdas em anos difíceis. O debate é conduzido por especialistas ligados ao programa Agro Tauá Produtivo, que trata a forragem como parte de um sistema maior de desenvolvimento rural. Portanto, manejar bem a palma significa atravessar a seca com menos prejuízo, manter a produtividade do rebanho e, no fim da conta, proteger a renda das famílias que vivem da criação de pequenos ruminantes. Sustentabilidade na prática Mais do que uma solução pontual, a palma representa um modelo de convivência com o semiárido. Em vez de lutar contra o clima, portanto, o produtor aprende a trabalhar com plantas que prosperam nele, num arranjo que combina resiliência ambiental e viabilidade econômica. É a tradução prática da ideia de que o sertão não precisa ser combatido, e sim compreendido. Ao colocar a palma forrageira lado a lado com temas como ovinocaprinocultura, algodão e esportes equestres, a Agro Tauá lembra que a economia do campo se sustenta em camadas. A mais visível costuma ser o produto final. A mais decisiva, muitas vezes, é a planta que ninguém vê, mas que mantém o rebanho de pé. Em Tauá, essa planta tem nome, e ela alimenta tanto o gado quanto a esperança de quem produz. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
Mercado Halal e Rota do Cordeiro: a profissionalização da ovinocultura em Tauá
Rota do Cordeiro | Criar o animal sempre foi a parte que o sertão domina. O desafio, repetido por produtores e técnicos, é outro: como escoar e agregar valor a uma produção que já tem escala. Em Tauá, no entanto, esse caminho começa a ganhar contornos concretos — e ele passa por mercados que vão muito além da feira local. O município abriga uma unidade voltada à exportação de ovinos e caprinos com foco no mercado Halal, segmento que segue normas específicas de abate e processamento exigidas por países de maioria muçulmana. Consequentemente, a iniciativa sinaliza uma ambição clara: conectar o rebanho dos Inhamuns a compradores internacionais dispostos a pagar mais por um produto certificado e rastreável. A Rota do Cordeiro Tauá também foi contemplado pelo programa Rota do Cordeiro, ação do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional que apoia a produção de cordeiros e cabritos no Nordeste. Com a participação da Embrapa e de parceiros locais, portanto, o programa busca estruturar toda a atividade ligada à criação — da porteira para dentro até a comercialização — reconhecendo a expertise da região na criação de pequenos ruminantes. O esforço se soma a um projeto de fortalecimento da ovinocultura agroindustrial conduzido no estado, que reúne a Secretaria do Desenvolvimento Econômico, a Embrapa Caprinos e Ovinos, a Ematerce e o Senar. Nesse sentido, a ideia é viabilizar a produção de cordeiros em escala suficiente para abastecer a agroindústria, transformando a atividade em geradora de emprego e renda no semiárido. Assistência técnica como chave Entre os pontos considerados indispensáveis pela Embrapa para que o modelo funcione está a assistência técnica continuada ao produtor. Em outras palavras, não basta ter rebanho — é preciso levar tecnologia ao campo de forma permanente, com simulações que consideram os diferentes tamanhos de propriedade da região. Foi com esse objetivo que técnicos e produtores já se reuniram em Tauá para discutir as tecnologias necessárias ao desenvolvimento da cadeia. A Agro Tauá entra nessa engrenagem como espaço de articulação. Ao reunir gestores, pesquisadores e produtores em torno do tema do agronegócio no semiárido, portanto, a feira ajuda a encurtar a distância entre quem cria no curral e quem decide as políticas e os mercados. Para Tauá, o recado é direto: o futuro da ovinocultura local não está apenas em produzir mais, mas em produzir com destino certo. Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. www.portalagromais.com.br
Algodão cearense: preço interno se beneficia do cenário nacional favorável
Algodão | A notícia de que o preço interno do algodão segue mais vantajoso do que a paridade de exportação chega em momento oportuno para o Ceará. O estado iniciou em 2026 a revitalização de aproximadamente 600 hectares de algodão em Tauá, no Sertão dos Inhamuns, marco do Programa Estadual de Fortalecimento e Revitalização da Cotonicultura, que prevê a distribuição de 50 toneladas de sementes em 18 municípios cearenses e potencial de gerar até 15 mil empregos. Consequentemente, o cenário nacional de preços favoráveis ao mercado interno funciona como incentivo adicional para os produtores que estão retomando a cultura depois de décadas de praticamente desaparecimento da atividade no estado, motivada pela praga do bicudo do algodoeiro nos anos 1980, quando o Ceará chegou a ser um dos principais polos produtores do Brasil. Algodão cearense: cenário impulsiona retomada Os produtores que estão iniciando o cultivo de algodão em municípios como Tauá enfrentam, naturalmente, um período de aprendizado e ajuste — desde o manejo da cultura até a logística de beneficiamento e comercialização. Nesse contexto, ter o mercado interno operando com preços mais vantajosos do que a exportação reduz parte do risco financeiro dessa curva de aprendizado, já que o produtor pode vender para a indústria têxtil nacional sem precisar competir diretamente com os preços internacionais. Ademais, o objetivo declarado do Programa Estadual de Fortalecimento e Revitalização da Cotonicultura é justamente abastecer a cadeia têxtil local com matéria-prima própria, reduzindo a dependência de fibra de fora. Consequentemente, o cenário atual de demanda doméstica aquecida — que sustenta os preços internos acima da paridade de exportação — é exatamente o tipo de ambiente que viabiliza esse objetivo na prática. Os números da retomada em Tauá e no estado A operação em Tauá, sob assistência técnica direta da Ematerce e supervisão da Embrapa, revitalizou aproximadamente 600 hectares dedicados à cultura — um marco que o Governo do Ceará tratou como histórico no início de 2026. A meta de área de plantio no estado gira em torno de 5 mil hectares, com uma média de dois a três empregos gerados por hectare cultivado, segundo as projeções do programa estadual. Para entender a magnitude da retomada, vale lembrar que o Ceará já foi um dos principais polos produtores de algodão do Brasil, chegando à liderança nacional em meados dos anos 1980, com mais de um milhão de hectares plantados e mais de uma centena de indústrias de beneficiamento — até a chegada do bicudo do algodoeiro, somada à queda dos preços e ao deslocamento das usinas para o Cerrado, desmontar essa cadeia. O papel da tecnologia atual na retomada Diferentemente da década de 1980, a retomada atual conta com tecnologia que não existia anteriormente. Técnicos da Embrapa reconhecem que o bicudo continua sendo uma praga relevante, mas defendem que o conhecimento acumulado e a tecnologia atual — especialmente variedades transgênicas — permitem produzir algodão de qualidade mesmo com a presença do inseto. Nesse sentido, a combinação entre tecnologia moderna e cenário de preços favoráveis cria as condições mais propícias possíveis para que a retomada da cotonicultura cearense tenha sucesso duradouro. O que muda na prática para o produtor Próximos passos A Agro Tauá 2026 acontece de 18 a 20 de junho no Sertão dos Inhamuns, com debate específico sobre a retomada da cotonicultura cearense. O Portal AgroMais acompanha o desenvolvimento do Programa Estadual de Fortalecimento e Revitalização da Cotonicultura. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
Inmet prevê chuvas fracas no litoral do Nordeste — Ceará entre estados com baixo volume na semana
Chuvas fracas | O Inmet divulgou a previsão para a semana de 15 a 22 de junho, indicando condições favoráveis à ocorrência de chuva ao longo de toda a faixa litorânea do Nordeste — incluindo o Ceará, o Rio Grande do Norte, a Paraíba, Pernambuco e Alagoas. No entanto, as chuvas devem ocorrer de forma fraca e isolada, sem volumes expressivos que alterem significativamente o quadro hídrico da região nesta semana. Em contrapartida, os maiores acumulados da semana se concentram na Região Norte do Brasil — especialmente Amazonas, Roraima, Amapá e centro-norte do Pará — além do Sul e Sudeste, onde a atuação de áreas de instabilidade e a passagem de frentes frias favorecem acumulados mais expressivos, principalmente em Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro. Chuvas fracas e isoladas: o que significa na prática Para o produtor que acompanha boletins meteorológicos, a diferença entre ‘chuvas’ e ‘chuvas fracas e isoladas’ é fundamental para o planejamento. Nesse sentido, volumes fracos e isolados geralmente não são suficientes para recarregar reservatórios de forma significativa, nem para suprir a demanda hídrica de culturas em fase de desenvolvimento sem irrigação complementar. Consequentemente, o produtor cearense não deve contar com essa previsão como fator relevante de alívio hídrico para a semana. Em vez disso, a recomendação é manter o planejamento de irrigação e gestão de reservatórios como se a semana fosse essencialmente seca — com as chuvas previstas funcionando, no máximo, como um complemento pontual em algumas localidades específicas do litoral. Por que o Ceará não está entre as regiões de maior volume Junho marca o final da quadra chuvosa tradicional do Ceará, que se concentra entre fevereiro e maio. Portanto, é esperado que os volumes de chuva diminuam progressivamente a partir deste mês, à medida que o estado entra no período de estiagem que se estende, em condições normais, até o início do próximo ano. Ademais, a previsão do Inmet confirma um padrão que já era esperado: o sistema de circulação atmosférica que favorece chuvas mais intensas nesta semana está concentrado no Norte do país e no Sul/Sudeste, com a passagem de frentes frias — sistema que tipicamente não traz volumes elevados para o litoral nordestino nesta época do ano. O que isso significa diante do El Niño confirmado A previsão desta semana, embora pontual, se encaixa no quadro mais amplo de atenção que o El Niño confirmado já trouxe para o Nordeste. Consequentemente, cada semana de chuva fraca e isolada reforça a importância de gerenciar com cuidado os reservatórios que fecharam a quadra chuvosa de 2026 em nível razoável — 9,87 bilhões de m³ armazenados dos 18,4 bilhões de capacidade total no Ceará. Para o produtor, portanto, a mensagem prática desta semana é de continuidade na gestão cuidadosa da água disponível, sem expectativa de alívio hídrico relevante proveniente das chuvas previstas para os próximos dias. O que muda na prática para o produtor Próximos passos O Inmet publica boletins semanais com a previsão de chuva acumulada para o Brasil. A Funceme deve divulgar o prognóstico climático para o trimestre JAS (julho-agosto-setembro) no início de julho. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
PEC Brasil 2026 em 8 dias: o que esperar da maior feira indoor do agro do país em Fortaleza
A contagem regressiva para o PEC Brasil 2026 chega aos últimos 8 dias. O evento, primeira edição com o nome nacional — antes PEC Nordeste, promovido pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec) há quase 30 anos —, acontece de 25 a 27 de junho no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza. A mudança de nome marca o reposicionamento da feira, que amplia sua atuação nacional e internacional. Considerada a maior feira indoor do agronegócio do país, a PEC Brasil reunirá produtores rurais, empresários, pesquisadores, investidores, estudantes, técnicos e representantes de instituições públicas e privadas ligados às cadeias produtivas do setor no Brasil e no exterior. Consequentemente, para o produtor cearense, esta última semana antes do evento é o momento de organizar a agenda de visitas e separar dúvidas para levar aos estandes técnicos e institucionais. Os números que mostram a dimensão da PEC Brasil 2026 Com mais de 100 mil visitantes esperados, R$ 150 milhões em negócios projetados e cerca de 1.300 estandes reunindo mais de 600 empresas, a feira ocupará mais de 32 mil metros quadrados — incluindo todos os pavilhões do Centro de Eventos do Ceará, além de espaços nas docas e no estacionamento externo, destinados a exposições, palestras, seminários e eventos paralelos. Entre os expositores estarão fabricantes de máquinas, implementos, tratores, fertilizantes, defensivos, sementes e rações animais — cobrindo praticamente toda a cadeia de insumos e tecnologia do agronegócio. Além disso, a programação técnica deve capacitar entre 12 mil e 15 mil pessoas, com a participação de 270 caravanas vindas do interior do Ceará e de estados vizinhos. PEC Brasil 2026: os destaques da programação Entre os destaques da programação estão a Feira dos Municípios, com participação de 40 prefeituras cearenses, e a Expocamarão, organizada pela Associação dos Produtores de Camarão Cultivado do Ceará (APCC), com cerca de 300 estandes e presença de carcinicultores do Ceará, Rio Grande do Norte e Piauí — os principais estados produtores de camarão cultivado do Brasil. O evento também contará com espaços voltados à agricultura familiar, startups do agro, ensino e pesquisa, além de áreas destinadas à gastronomia regional e à comercialização de produtos do campo. Nesse sentido, o presidente da Faec, Amílcar Silveira, resume a ambição da nova marca: ‘O agro brasileiro reconhece hoje a importância da nossa feira. A PEC Brasil nasce maior, mais moderna e conectada com os desafios e oportunidades do setor. Continuaremos valorizando o Nordeste, mas agora com uma visão ainda mais ampla e nacional.’ Como se preparar para os últimos dias antes do evento Com apenas 8 dias restantes, a recomendação para o produtor é organizar previamente as prioridades de visita, dado o tamanho do evento. Ademais, levar documentos básicos para consulta com instituições financeiras presentes — como o Banco do Nordeste e o Banco do Brasil — é especialmente relevante este ano, já que o evento acontece poucos dias antes do anúncio do Plano Safra 2026/27, previsto para 1º de julho. Portanto, o produtor que participar do PEC Brasil 2026 com perguntas já organizadas sobre crédito rural, tecnologia e mercados vai aproveitar muito mais os três dias de evento do que quem comparecer sem planejamento prévio. O que muda na prática para o produtor Próximos passos O PEC Brasil 2026 acontece de 25 a 27 de junho no Centro de Eventos do Ceará, Fortaleza. O Plano Safra 2026/27 será anunciado em 1º de julho. O Portal AgroMais vai cobrir o evento com matérias diárias. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
Ranch sorting: esporte equestre que mais cresce no Brasil chega à Agro Tauá
Esporte equestre | Dois cavaleiros, dez bois numerados e o relógio correndo. O ranch sorting parece nascido das lidas de curral do sertão — e, em parte, é mesmo. Importado dos Estados Unidos, o esporte virou febre no Brasil e desembarca na Agro Tauá com cursos práticos e arena própria, transformando a tradição do manejo em espetáculo e em economia. O dado que sustenta o entusiasmo vem do próprio mercado. O ranch sorting é hoje apontado como o esporte equestre que mais cresce no país em número de inscrições oficiais junto à Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Quarto de Milha, a ABQM. Em um intervalo recente, consequentemente, o salto entre dois campeonatos nacionais chegou a 48% de aumento nas inscrições — número que ajuda a entender a velocidade da expansão. Esporte equestre: o esporte da família Parte do sucesso está no formato. Conhecido como o esporte da família, o ranch sorting pode ser praticado por homens, mulheres, crianças e idosos, o que amplia o público e diminui as barreiras de entrada. Nesse sentido, a prova consiste em separar e conduzir bois numerados de um curral para outro, na ordem correta e no menor tempo possível, exigindo sincronia entre a dupla e controle fino sobre os cavalos. A modalidade dialoga diretamente com a cultura rural brasileira. Em uma região como os Inhamuns, onde o trabalho com o gado e a criação de cavalos faz parte do cotidiano, portanto, o esporte encontra solo fértil para se desenvolver. Não por acaso a programação da feira inclui aulas práticas conduzidas por atletas de referência nacional, abertas tanto a iniciantes da região quanto a competidores mais avançados. Quando o esporte equeste vira economia O impacto vai além da arena. Cada nova dupla que entra no esporte movimenta uma cadeia inteira: compra de cavalos, acessórios, exames veterinários, feno e ração. Além disso, em feiras agropecuárias, essa engrenagem se intensifica, porque o evento atrai atletas que trazem seus animais e geram visibilidade para toda a economia do cavalo. Em outras palavras, o ranch sorting não é só entretenimento — é vetor de negócios. Ao abraçar a modalidade, Tauá soma à sua vocação tradicional de ovinos e caprinos uma frente nova e em ascensão. A feira aposta que o esporte que conquistou o Brasil pode também fincar raízes no sertão, criando praticantes locais e movimentando a economia regional a cada apartação cronometrada dentro da arena. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
Manta de carneiro dos Inhamuns busca ser a primeira Indicação Geográfica ovina do Brasil
Salgada, desossada e seca ao sol do sertão, a manta de carneiro é mais do que um prato típico da região dos Inhamuns. Consequentemente, ela está prestes a virar patrimônio com endereço certo. O produto pleiteia junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial, o INPI, o reconhecimento como Indicação Geográfica — e, se conquistar o selo, será o primeiro derivado de ovino do Brasil a ter a origem protegida por lei. O pedido foi protocolado pela Associação dos Criadores de Ovinos e Caprinos da Região dos Inhamuns, a Ascoci, sediada em Tauá. Além disso, a entidade contou com o apoio do campus Tauá do Instituto Federal do Ceará, o IFCE, e da Embrapa Caprinos e Ovinos, de Sobral, que juntos elaboraram o dossiê de notoriedade do produto. Nesse contexto, o documento reúne artigos científicos, teses, reportagens e registros históricos para comprovar que a região cearense é o polo de procedência da manta no país. O que torna a manta de carneiro única A Indicação Geográfica é um registro que vincula um produto ao seu território de origem, atribuindo a ele reputação e identidade próprias. No caso da manta, portanto, o que sustenta o pedido é a combinação entre o ambiente da Caatinga, a alimentação que os animais encontram nas pastagens nativas e o método artesanal de desossa, salga e secagem da carne. Em outras palavras, é essa soma de fatores naturais e humanos que dá ao produto o sabor singular reconhecido por quem consome. Para o presidente da Ascoci, Kleyton Pedrosa, o reconhecimento é o passo que falta para transformar tradição em renda. Segundo ele, a carne de carneiro dos Inhamuns já é muito procurada para consumo, mas é preciso avançar na construção de uma identidade original da manta para agregar valor ao produto. Ademais, a preocupação dos criadores, relata, é garantir mercado para escoar uma produção que vem crescendo nos últimos anos. Da tradição à prateleira O processo de certificação envolve etapas técnicas que vão muito além do protocolo no INPI. Nesse sentido, o IFCE e a Embrapa produziram o caderno de especificações técnicas do produto, discutido e aprovado em assembleia com os próprios produtores, além do regulamento do Conselho Regulador, que define as normas de uso e gestão do selo. Também foi feita a delimitação da área geográfica que terá direito a usar a indicação. O reconhecimento conversa com um movimento maior. A região dos Inhamuns foi escolhida como piloto, no Ceará, para a instalação do Sistema Agropecuário de Produção Integrada de ovinos — um modelo que busca rastreabilidade, segurança alimentar e organização da base produtiva. Consequentemente, a manta, nesse desenho, deixa de ser apenas o prato da feira para se tornar a ponta visível de uma cadeia que quer profissionalizar a ovinocultura do sertão. Enquanto o pedido tramita, a Agro Tauá coloca o tema no centro do debate. Portanto, a presença de lideranças da ovinocaprinocultura na programação transforma a feira em vitrine para um produto que pode, em breve, carregar no rótulo aquilo que o sertanejo sempre soube de cor: que manta de carneiro de verdade tem lugar de nascimento, e ele fica nos Inhamuns. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br