Algodão | A notícia de que o preço interno do algodão segue mais vantajoso do que a paridade de exportação chega em momento oportuno para o Ceará. O estado iniciou em 2026 a revitalização de aproximadamente 600 hectares de algodão em Tauá, no Sertão dos Inhamuns, marco do Programa Estadual de Fortalecimento e Revitalização da Cotonicultura, que prevê a distribuição de 50 toneladas de sementes em 18 municípios cearenses e potencial de gerar até 15 mil empregos.
Consequentemente, o cenário nacional de preços favoráveis ao mercado interno funciona como incentivo adicional para os produtores que estão retomando a cultura depois de décadas de praticamente desaparecimento da atividade no estado, motivada pela praga do bicudo do algodoeiro nos anos 1980, quando o Ceará chegou a ser um dos principais polos produtores do Brasil.
Algodão cearense: cenário impulsiona retomada
Os produtores que estão iniciando o cultivo de algodão em municípios como Tauá enfrentam, naturalmente, um período de aprendizado e ajuste — desde o manejo da cultura até a logística de beneficiamento e comercialização. Nesse contexto, ter o mercado interno operando com preços mais vantajosos do que a exportação reduz parte do risco financeiro dessa curva de aprendizado, já que o produtor pode vender para a indústria têxtil nacional sem precisar competir diretamente com os preços internacionais.
Ademais, o objetivo declarado do Programa Estadual de Fortalecimento e Revitalização da Cotonicultura é justamente abastecer a cadeia têxtil local com matéria-prima própria, reduzindo a dependência de fibra de fora. Consequentemente, o cenário atual de demanda doméstica aquecida — que sustenta os preços internos acima da paridade de exportação — é exatamente o tipo de ambiente que viabiliza esse objetivo na prática.
Os números da retomada em Tauá e no estado
A operação em Tauá, sob assistência técnica direta da Ematerce e supervisão da Embrapa, revitalizou aproximadamente 600 hectares dedicados à cultura — um marco que o Governo do Ceará tratou como histórico no início de 2026. A meta de área de plantio no estado gira em torno de 5 mil hectares, com uma média de dois a três empregos gerados por hectare cultivado, segundo as projeções do programa estadual.
Para entender a magnitude da retomada, vale lembrar que o Ceará já foi um dos principais polos produtores de algodão do Brasil, chegando à liderança nacional em meados dos anos 1980, com mais de um milhão de hectares plantados e mais de uma centena de indústrias de beneficiamento — até a chegada do bicudo do algodoeiro, somada à queda dos preços e ao deslocamento das usinas para o Cerrado, desmontar essa cadeia.
O papel da tecnologia atual na retomada
Diferentemente da década de 1980, a retomada atual conta com tecnologia que não existia anteriormente. Técnicos da Embrapa reconhecem que o bicudo continua sendo uma praga relevante, mas defendem que o conhecimento acumulado e a tecnologia atual — especialmente variedades transgênicas — permitem produzir algodão de qualidade mesmo com a presença do inseto. Nesse sentido, a combinação entre tecnologia moderna e cenário de preços favoráveis cria as condições mais propícias possíveis para que a retomada da cotonicultura cearense tenha sucesso duradouro.
O que muda na prática para o produtor
- Produtores de algodão em Tauá e nos demais 17 municípios do programa: aproveitar o cenário de preços internos favoráveis para negociar contratos com a indústria têxtil cearense
- Verificar junto à Ematerce as condições de assistência técnica disponíveis para quem está iniciando o cultivo de algodão
- Acompanhar a evolução dos preços do algodão (Conab e CEPEA) ao longo da safra para identificar o melhor momento de comercialização
- Para municípios ainda não incluídos no programa: avaliar a possibilidade de acesso às 50 toneladas de sementes distribuídas gratuitamente
- Participar do debate sobre algodão na Agro Tauá 2026 (18-20/06) e no PEC Brasil 2026 (25-27/06) para networking com a cadeia têxtil e outros produtores
Próximos passos
A Agro Tauá 2026 acontece de 18 a 20 de junho no Sertão dos Inhamuns, com debate específico sobre a retomada da cotonicultura cearense. O Portal AgroMais acompanha o desenvolvimento do Programa Estadual de Fortalecimento e Revitalização da Cotonicultura.
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