O cacau no Ceará avança como uma nova frente de produção agrícola no estado. A cultura, tradicionalmente associada à Bahia, ganha força no Litoral Norte e no Vale do Jaguaribe com investimentos privados, inovação tecnológica e resultados acima da média nacional.
Expansão do cacau no Ceará em Acaraú
O avanço do cacau no Ceará ganhou destaque com o projeto conduzido pelo agrônomo e empresário Altamir Martins, que iniciou há dois anos e meio o cultivo da fruta em Acaraú. A iniciativa ocupa 15 hectares de uma área total de 200 hectares, todos irrigados com água de poços, recurso abundante no subsolo litorâneo.
A produção ocorre em consórcio com coqueirais de mais de 25 anos, modelo que já apresenta resultados expressivos. Com apenas 2,6 anos de cultivo, a área registra a primeira colheita, com amêndoas de alta qualidade. O projeto prevê a expansão para mais 100 hectares até 2027, combinando cultivo sombreado e produção a pleno sol com proteção inicial por bananeiras ou macaxeira.
Altamir destaca que o desempenho confirma o potencial climático do Ceará, que reúne condições para produzir cacau competitivo e de qualidade superior.
Histórico e tecnologia aplicada no cultivo
A trajetória de Altamir Martins na agricultura cearense e nordestina reforça a credibilidade do projeto. Ele implantou o grande polo de coco do Grupo Jereissati nos anos 1980 e liderou projetos de fruticultura da Vicunha no Rio Grande do Norte e Pernambuco. Agora, à frente da AGM Crops, desenvolve soluções próprias para adaptar o cacau às condições litorâneas.
A tecnologia aplicada foi elaborada localmente, com apoio de consultores do Oeste baiano. As mudas são produzidas na própria fazenda para garantir aclimatação. O manejo combina irrigação contínua e modelos de sombreamento que favorecem o desenvolvimento das plantas. O uso combinado de técnicas tradicionais e práticas modernas permitiu acelerar o crescimento e alcançar produtividade precoce.
Nova fronteira agrícola e impacto regional
O desenvolvimento do cacau no Litoral Norte e no Vale do Jaguaribe indica um movimento de expansão agrícola no estado. Produtores de Russas e Limoeiro do Norte também registram produtividade acima da média nacional, reforçando o Ceará como nova fronteira da cacauicultura no Nordeste em 2026.
A cultura representa uma alternativa econômica estratégica. A demanda global por cacau cresce em meio ao declínio da produção em países africanos, que concentram grande parte da oferta mundial. O cenário abre espaço para que pequenos e médios produtores cearenses ingressem em um mercado de alto valor agregado.
O cultivo irrigado, aliado à boa pluviometria da região, fortalece a viabilidade do setor. A atividade estimula emprego, diversifica a matriz produtiva e cria oportunidades para agroindústrias futuras.
A expansão da cacauicultura reafirma o potencial agrícola do Ceará. O avanço tecnológico, a adaptação das mudas e o manejo eficiente consolidam uma atividade capaz de gerar renda, ampliar investimentos e reposicionar o estado no mapa da produção nacional. O movimento indica um novo ciclo de desenvolvimento que pode transformar o Litoral Norte e o Vale do Jaguaribe em polos estratégicos do cacau brasileiro.
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